3. DESENVOLVIMENTO
3.8 RBC APLICADO AO PROJETO
Neste sistema será utilizado todo o ciclo do RBC, da seguinte forma:
1. Problema: Paciente com suspeita de DK;
2. Recuperação: Recuperar na base de casos por casos que sejam semelhantes ao caso atual, através de funções de similaridade local e global;
3. Adaptação: Adaptação Nula, pois não faz sentido alterar um caso da base do RBC. Ou seja, um paciente que foi diagnosticado com a DK não deve sofrer alteração de informações. Se houvesse, a ferramenta estaria induzindo ao erro de similaridade;
4. Revisão: Todos os casos que são confirmados por um médico com DK necessitam ser revisados pelo especialista em DK para confirmar se realmente são casos válidos;
5. Aprendizagem: Depois de revisado pelo especialista o caso fica disponível para uso.
Figura 19. Ciclo do RBC no projeto.
3.8.1 Caso
Neste sistema, o Caso será representado pelas manifestações clínicas que um paciente com suspeita de DK possa apresentar. Conforme ilustrado na Tabela 4, existem sintomas que são perceptíveis e outros que são exames laboratoriais. A identificação destes sintomas foi realizada pelo estudo do material disponibilizado pela Dra. Roberta Calheiros Ramos (mais precisamente sua monografia intitulada “Doença de Kawasaki: doença rara ou mal diagnosticada?”), contando também com a colaboração da Dra. Akalenni Quintela Bernadino e da Dra. Cristina Medeiros Ribeiro de Magalhães, esta última especialista em Doença de
Kawasaki e Co-orientadora deste trabalho. A representação do caso será através dos pares Atributo-Valor, conforme apresentado na Tabela 5:
Tabela 5. Caso (Possíveis sintomas).
ATRIBUTO PESO FREQUENCIA VALOR
Febre 9 100 % SIM/NÃO
Exantema 9 92% SIM/NÃO
Congestão ocular 9 88% SIM/NÃO
Alterações de extremidades 9 91% SIM/NÃO
Alteração da cavidade oral 9 90% SIM/NÃO
Aumento de VHS 1 39% SIM/NÃO
Aumento do PCR 1 37% SIM/NÃO
Aumento de alfa1 antitripsina 1 11% SIM/NÃO
Albumina <= 3g/dl 1 10% SIM/NÃO
Anemia 1 10% SIM/NÃO
Aumento da ALT 1 10% SIM/NÃO
Aneurisma das Coronárias 8 10% SIM/NÃO
A definição do valor do peso de cada atributo foi baseada principalmente na freqüência de ocorrências encontradas nos casos disponibilizados, em conjunto com uma série de entrevistas com a especialista. Ressalta-se que em alguns atributos (como o Aneurisma) o peso foi definido por valores pré-definidos por outras pesquisas na área. Porém a ferramenta possibilita a alteração desse valor do peso caso haja necessidade. Neste sentido, acredita-se que a efetiva utilização desta ferramenta aliada a novas pesquisas na área, poderá demonstrar a necessidade de alteração destes pesos bem como inclusão de novos sintomas.
Base de Caso
A base de casos é representa pelos pacientes que foram diagnosticados com DK, ou seja, somente pacientes com DK comprovados - estes casos iniciais foram disponibilizados pela especialista. A representatividade desses casos permite aos médicos um diagnóstico mais preciso, porque o médico ao consultar esta base é possível visualizar através da ferramenta qual a distância de similaridade que esse caso possui em relação aos demais. Através da visualização desta base, o médico pode tirar conclusões sobre o paciente atual e também sanar alguma dúvida com os médicos responsáveis por cada caso. A partir do uso freqüente da ferramenta, novos casos poderão ser incluídos na base de casos, aumentando o conhecimento sobre a doença.
3.8.2 Recuperação
O processo de recuperação visa obter casos que sejam similares ao “novo caso”, após o médico ter registrado pelo menos cinco dias de sintomas do paciente (sintoma febre >= 39°
C tem que estar presente nesses cinco dias), e habilitado um botão (Analisar RBC) na tela de exame de paciente ilustrada na Figura 17. Esse botão direciona o médico à tela do RBC, onde o “novo caso” será comparado com cada caso na base de casos do RBC. Essa comparação é feita da seguinte forma:
1. Similaridade Local: é utilizada a função igual, para cada sintoma apresentado, é feito uma multiplicação por 1, caso o sintoma não exista é multiplicado por 0, conforme demonstrado entre as tabelas 6 e 7. Esta função foi escolhida porque segundo o critério desenvolvido pelo Comitê Japonês de Pesquisa em DK, a criança com suspeita da presença da doença deve ser acometida por um conjunto de sintomas, ou seja, o critério exige a presença de determinados sintomas, o que torna compatível com a função igual (na presença do sintoma o valor é 1 e na ausência o valor é 0).
2. Similaridade Global: é utilizada a função do vizinho mais próximo, conforme ilustrado na Equação 8. Esta função foi escolhida por questão de segurança, uma vez que é bastante utilizada no desenvolvimento de sistemas de RBC e extremamente fácil de implementar.
Exemplo:
Tabela 6. Comparação entre casos
Sintomas Peso Novo Caso Caso 1 Caso 2
Febre >= 39° C 9 Sim Sim Sim
Exantema 9 Sim Não Sim
Conjuntivite sem secreção 9 Sim Sim Não
Edema 9 Sim Sim Não
Aplicando a função igual:
Tabela 7. Comparação entre casos (Função Igual)
Sintomas Peso Novo Caso Caso 1 Caso 2
Febre >= 39° C 9 1 1 1
Exantema 9 1 0 1
Conjuntivite sem secreção 9 1 1 0
Edema 9 1 1 0
Aplicando algoritmo do vizinho mais próximo Comparando com o Caso 1:
X > Caso 1 C > Novo Caso
Distância (X, C) = ( (9 * | 1-1 |² ) + (9 * | 1-1 |² ) + (9 * | 0-1 |² ) + (9 * | 0-1 |² ) ) ½ Distância (X, C) = ( (0) + (9) + (0) + (0) ) ½
= 3 Comparando com o Caso 2:
X > Caso 2 C > Novo Caso
Distância (X, C) = ( (9 * | 1-1 |² ) + (9 * | 1-1 |² ) + (9 * | 0-1 |² ) + (9 * | 0-1 |² ) ) ½ Distância (X, C) = ( (0) + (0) + (9) + (9) ) ½
= 4,24
Conforme o exemplo acima, o Caso 1 apresentou a distância de 3 e o Caso 2 a distância de 4.24, portanto o Caso 1 é mais similar ao “novo caso” pelo fato de apresentar a menor distância entre esses dois casos.
3.8.3 Diagrama de Seqüência da Recuperação de Casos (RBC)
De acordo com o diagrama de seqüência da recuperação de casos, ilustrado na Figura 20, o processo de recuperação compreende a busca de casos semelhantes ao caso atual: após o médico registrar os sintomas do paciente, habilita-se a opção para a tela do RBC, ilustrada na Figura 21. Nesta tela, ele pode alterar os pesos de cada sintoma, que já vêm configurados com um valor padrão. O médico então submete a operação de busca e é realizada uma consulta pelos pacientes que foram diagnosticados com DK e tiveram seu caso revisado pelo especialista. Para cada paciente encontrado é realizado um cálculo de similaridade entre os sintomas do “novo caso” e os sintomas registrados no caso atual, conforme descrito na Seção 4.7.2.
É importante ressaltar que ao se listar os sintomas dos pacientes é realizada uma consolidação dos sintomas, por exemplo: o paciente do “novo caso” ou do “caso atual”, apresentou o sintoma Exantema durante 5 dias, assim para o cálculo de similaridade não se
Febre Exantema Conjuntivite Edema
Febre Exantema Conjuntivite Edema
contabiliza 5 vezes esse sintoma, pois segundo o Critério de Diagnóstico da DK, não é importante saber quantos dias o sintoma X foi acometido e sim se houve ou não a presença do sintoma.
Figura 20. Diagrama de seqüência de recuperação de casos (RBC).
3.8.4 Tela de Recuperação de Casos (RBC)
Permite ao médico consultar na base do RBC por casos que sejam similares ao “novo caso”. Esta tela agrega flexibilidade ao médico para poder alterar o peso de cada sintoma e também delimitar a exibição de casos por uma distância máxima.
Conforme ilustrado na Figura 21, esta tela permite que o médico atual possa visualizar pacientes que sejam similares ao atual devido à distância - lembrando que quanto maior a distância menos similar é o caso.
Ao visualizar que um ou mais pacientes apresentaram distância igual a 0 (zero), ou seja, o paciente é 100% similar ao(s) caso(s) com distância 0, não resta dúvidas de que se trata de DK provável uma vez que os casos da base são confirmados e revisados com DK. Porém, a ferramenta não comprova o diagnóstico, pois essa é uma tarefa que cabe aos médicos, uma vez que a ferramenta propõe o auxílio ao diagnóstico.
Ao clicar no botão de confirmação do diagnóstico de DK (lado inferior direito da tela), esse caso ficará disponível para que o especialista em DK possa revisá-lo.
3.8.5 Revisão
O processo de revisão é realizado por algum médico que tenha na ferramenta o perfil de especialista em DK. Ao acessar a área restrita da ferramenta ele tem uma opção no menu, conforme ilustrado na Figura 22, de revisar casos que foram diagnosticados por outros médicos.
Figura 22. Menu Especialista.
Ao clicar na opção Revisar Casos, a ferramenta apresenta ao especialista os pacientes que foram diagnosticados com a doença e ainda não tiveram seus casos revisados, conforme ilustrado na Figura 23.
Figura 23. Paciente não revisado.
Para tanto, o especialista clica na seta para analisar o paciente (nesse caso o paciente 1), e a ferramenta apresenta a tela com as características clínicas que foram registradas ao paciente, conforme ilustrado na Figura 23.
Figura 24. Tela de revisão de um caso.
O especialista analisa as características do paciente, e clica no botão Revisar, localizado no centro a esquerda. Nesse momento o caso fica disponível na base de casos do RBC e o médico que diagnosticou esse caso não poderá excluir o paciente ou alterar as características clínicas do mesmo.
3.8.6 Aprendizagem
Após o especialista revisar o “novo caso”, ele passa a ficar disponível na base do RBC, garantindo o aprendizado para os casos que diferem dos demais casos contidos na base do RBC.
Todo caso revisado é utilizado no cálculo de similaridade, mesmo que já se possua na base um caso idêntico ao novo caso, este pode ser armazenado e utilizado no RBC. A decisão de se permitir a existência de casos idênticos na base de casos da ferramenta foi tomada pensando em futuras estatísticas médicas que poderão ser realizadas sobre os casos.