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Reduz o custo da colheita

No documento Fruticultura – Fundamentos e Práticas (páginas 106-111)

CAPITULO 8 RALEIO

8.2.7 Reduz o custo da colheita

Quanto maior for o número de frutas descartadas após a colheita, geralmente devido a um pequeno tamanho, maior será o custo da operação de colheita, pois estaremos pagando para que os operadores colham frutas que serão descartadas posteriormente.

Além da colheita, o raleio diminui os custos das operações posteriores, como a classificação, uma vez que possibilita maiores rendimentos. O raleio reduz também os gastos com conservação e transporte.

8.3 Época de realização do raleio

Jair Costa Nachtigal & Elio Kersten De um modo geral, quanto mais cedo for efetuado o raleio maiores serão os benefícios obtidos, assim sendo, os resultados serão melhores se ralearmos flores ao invés de frutas ou botões florais ao invés de flores. Porém, isso é inviável economicamente em grandes pomares, além de que os riscos com perdas posteriores são muito grandes nesse caso.

É importante salientar que, quando o raleio é realizado dentro do período de divisão celular da fruta, ocorre formação de um maior número de células, com conseqüente maior tamanho da fruta, comparado com o raleio realizado após a fase de divisão celular, na qual o tamanho da fruta é dado somente pelo aumento do volume das células. Assim, os efeitos benéficos do raleio serão tanto maiores quanto mais cedo for realizada esta operação.

A época mais adequada para realização do raleio é variável com a espécie, porém pode-se considerar, em torno, de 30 a 40 dias após a plena floração ou quando as frutas tiverem de 1 a 2cm de diâmetro como a melhor época para realização do raleio, para a maioria das espécies frutíferas. Essa época é assim determinada porque, normalmente, as plantas apresentam uma queda natural de frutas até 30 dias após a plena floração, por isso não é recomendável realizar o raleio durante este período.

Para a cultura da pereira, recomenda-se iniciar o raleio 60 dias após a plena floração, devido ao fato de que esta espécie apresenta a iniciação floral mais tardia.

Outro fato que deve ser levado em consideração é o tempo que será gasto para execução do raleio. No caso de pomares maiores, nos quais a operação é mais demorada, deve-se antecipar o início do raleio para evitar-se que as frutas já estejam muito desenvolvidas no final da operação e o raleio não tenha mais efeito sobre estas.

O raleio antecipado é mais importante para as cultivares precoces, devido ao menor ciclo de crescimento das frutas, do que para as cultivares tardias ou de meia estação.

Algumas espécies frutíferas, principalmente algumas cultivares de macieira, apresentam o fenômeno denominado de “june drop”, ou seja, queda fisiológica das frutas desde outubro até princípios de dezembro. Neste caso, o raleio deve ser realizado após este período.

Para a cultura do pessegueiro, a melhor época para a realização do raleio é durante o primeiro estágio de crescimento, o que, em termos práticos, corresponde ao período antes do endurecimento do caroço.

8.4 Intensidade do raleio

Jair Costa Nachtigal & Elio Kersten Várias são as maneiras utilizadas para determinar qual a quantidade de frutas que deve permanecer em uma determinada planta para que se obtenha uma produção de boa qualidade. Por isso, devemos conhecer alguns aspectos envolvidos na determinação da intensidade do raleio:

a) Antes de executar o raleio ou determinar a quantidade de frutas que vamos deixar na planta, deve-se lembrar, que ao se intensificar o raleio, melhora-se a qualidade das frutas, a produção total diminui e o valor da colheita aumenta até um certo ponto, decrescendo se o raleio for muito intenso (Figura 48);

Figura 48 - Relação da intensidade do raleio com a produção e qualidade das frutas.

b) O raleio deve ser realizado de acordo com o nosso objetivo, ou seja, se desejarmos frutas de maior tamanho, devemos deixar um menor número de

frutas na planta, caso contrário, deixaremos uma maior quantidade;

c) O número de frutas a serem deixadas na planta é variável com a espécie, cultivar, idade, vigor, nutrição, estado fitossanitário, entre outros;

d) Qualquer que seja a espécie e o método utilizado, o raleio deve ser mais intenso nas cultivares de maturação mais precoce e ciclo mais curto;

Para as principais culturas de importância econômica, existem métodos mais adequados para se fazer a determinação de que quantidade de frutas deve permanecer na planta.

Para a cultura do pessegueiro, a intensidade de raleio pode ser determinada por um dos seguintes procedimentos ou combinação deles:

a) De acordo com a superfície foliar por fruta, ou seja, deixando-se uma fruta para cada 30-35 folhas;

b) Deixando-se uma distância mínima de 8 a 10cm entre as frutas em ramos vigorosos e de 12 a 15cm, em ramos forem de menor vigor (Figura 49);

Figura 49 - Raleio de frutas em ramos de pessegueiro levando-se em consideração a distância entre as frutas. Foto: José Carlos Fachinello

c) Baseado no fato de que a capacidade produtiva da planta depende do seu tamanho e vigor. Para tanto, utiliza-se a área da secção do tronco, a 20cm do nível do solo, e deixa-se 5 frutas por cm2 de área. Para obter-se a área da secção, mede-se a circunferência do tronco com fita métrica e depois é só fazer a transformação.

Alguns autores não recomendam a utilização da área da secção do tronco para determinar o raleio, pois, segundo eles, o sistema de plantio e a poda de formação têm ligação direta com a área do tronco.

Na Tabela 30 são apresentados valores da circunferência de troncos de pessegueiro e o número de frutas correspondente que devem permanecer em plantas conduzidas na forma de vaso.

Tabela 30 - Número de frutas que devem permanecer na planta em virtude da circunferência do tronco de plantas de pessegueiro conduzidas na forma de vaso.

CIRCUNFERÊNCIA CULTIVARES CULTIVARES TARDIAS E MEIA-

(cm) PRECOCES ESTAÇÃO

15 70 90

16 80 105

17 90 115

18 105 130

19 115 145

20 130 160

21 140 175

22 155 195

23 170 210

24 185 230

25 200 250

26 215 270

27 235 290

28 250 315

29 270 335

30 290 360

31 310 385

32 330 410

33 350 435

34 370 460

35 390 490

36 415 520

37 440 545

38 460 575

39 485 605

40 510 640

41 535 670

42 565 705

43 590 740

44 620 775

45 645 810

46 675 845

47 705 880

48 735 920

49 765 960

50 800 995

Fonte: RASEIRA et al. (1998)

Para a cultura da macieira, recomenda-se deixar uma fruta em cada botão floral, de maneira que estas fiquem distanciadas, no mínimo, 10cm umas das outras e bem distribuídas por toda a planta (Figura 50). Em regiões onde a quebra de dormência não é satisfatória, ocorrendo a emissão de um menor número de botões florais, pode-se deixar de 2 a 3 frutas em cada gema floral, de preferência em gemas terminais de ramos com mais de 10cm de comprimento.

Quando deixa-se apenas uma fruta em cada botão floral, deve-se deixar, de preferência, a fruta central, que normalmente apresenta uma melhor

forma e melhor tamanho. Em locais onde ocorre um menor insolação, deve-se deixar menos frutas do que em locais mais expostos aos raios solares.

Figura 50 - Intensidade de raleio em macieiras deixando-se uma fruta em cada botão floral. Foto: José Carlos Fachinello

Para citros, a intensidade de raleio depende da quantidade de frutas existente na planta e da maior ou menor capacidade da planta, cultivar ou porta-enxerto em nutrir as frutas. Em plantas carregadas, recomenda-se a eliminação de 2/3 das frutas, o que evita a alternância de produção e faz com que não haja necessidade de fazer o raleio todos os anos. Raleios mais drásticos, até 5/6, produzem frutas de maior tamanho, porém ocorre necessidade de raleio na próxima safra.

Uma recomendação mais precisa para citros é aquela na qual se deixa apenas uma fruta nos ramos com menos de 20cm de comprimento e, nos ramos com 20cm ou mais, podem ser deixadas duas frutas por ramo, dependendo da cultivar e dos tratos culturais.

De um modo geral, não se têm recomendações específicas da intensidade de raleio para todas as espécies frutíferas, sendo assim, os métodos que se baseiam na distância entre as frutas e no número de folhas/fruta são os que podem ser empregados mais facilmente.

Uma vez determinada a quantidade de frutas que deve permanecer na planta, faz-se o raleio em alguns ramos ou mesmo em algumas plantas para que possam ser utilizados como padrões, uma vez que a contagem das frutas em todas as plantas de um pomar é um processo totalmente inviável de ser executado.

8.5 Tipos de raleio

Jair Costa Nachtigal & Elio Kersten O raleio pode ser realizado através de três métodos principais: manual, mecânico e químico.

No documento Fruticultura – Fundamentos e Práticas (páginas 106-111)