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O total precipitado de chuva durante o período estudado, de janeiro a abril de 2008, foi de aproximadamente 686 mm. Neste período foram identificados 42 registros de chuva, dos quais 60% podem ser denominados como chuva erosiva, com precipitação maior que 10 mm, sendo apresentados no gráfico 1.

Gráfico 1: Pluviosidade e escoamento em dias de chuva erosiva de janeiro a abril de 2008 no cultivo do café.

Desta forma, se identifica que durante as maiores precipitações foram detectados os maiores escoamentos, nos quais os registros mais comuns ocorreram no início do mês. O maior escoamento ocorreu no dia 4 de fevereiro de 2008 quando o registro da pluviosidade foi de aproximadamente 51,6 mm. As parcelas experimentais neste dia contaram com um escoamento médio de 0,93 mm(Gráfico 1; APÊNDICE A, Tabela 5; APÊNDICE B, Tabela 6; APÊNDICE C, Tabela 7).

As perdas de água entre as parcelas experimentais apresentaram comportamento semelhante no que diz respeito à série temporal, com um escoamento médio em dias de chuva erosiva de 0,25 ± 0,21 mm, com amplitude de 0,04 a 0,93 mm.

0,00 0,10 0,20 0,30 0,40 0,50 0,60 0,70 0,80 0,90 1,00

0 10 20 30 40 50 60

Escoamento (mm)

Pluviosidade (mm)

Dias de Chuva Erosiva Pluviosidade Escoamento

As perdas de água apresentaram correlação positiva significativa com a pluviosidade indicadas pelo teste Spearman (P1 rs=0,78, n=22, p<0,05; P2 rs=0,79, n=22, p<0,05; P3 rs=0,79, n=22, p<0,05; APÊNDICE D, Tabela 8; APÊNDICE E, Tabela 9; APÊNDICE F, Tabela 10).

As perdas de água obtidas neste estudo foram comparadas com outros trabalhos nas seguintes condições: sobre condição de declive similar (~28%) a perda encontrada foi 1,3 vezes menor do que na condição de mata nativa, 1,7 vezes menor do que eucalipto e 4,6 vezes menor do que solo descoberto na região de Aracruz-ES de 1997 a 2000 (MARTINS et al., 2003); sobre condições de declividade diferente, a perda encontrada foi 1,3 vezes menor do que o uso mata nativa (declividade de 42%) na região centro-leste de Minas Gerais de 2002 a 2004, tendo ainda 1,8 vezes menores perdas do que a pastagem plantada (declividade 25%), 7 vezes menores do que o eucalipto (declividade 30%) e 5,6 vezes menores do que o solo descoberto (declividade 33%) (PIRES et al., 2006); sobre condições de declive de 8% foram verificadas 5 vezes menores perdas quando comparadas ao uso cana-de-açúcar em Guariba- SP (IZIDORIO et al., 2005); e sobre um dimensionamento de parcela similar as perdas foram semelhantes para o uso convencional de soja em declividade de 12% na região de Missões-RS em 1995 (COGO et al., 2003).

As perdas obtidas também foram semelhantes às encontradas em Lavras-MG (2004) sobre condição de uso de café em cultivo convencional roçado com declividade de 12%

(CARVALHO et al., 2007).

O gráfico 2 representa o escoamento médio acumulado das parcelas experimentais do dia 21 de janeiro de 2008 (período onde as 3 parcelas experimentais estavam completamente instaladas) até o final do experimento no dia 16 de abril de 2008.

A P3 apresentou o maior destaque no escoamento acumulado por dias de chuva erosiva com 5,52 mm no final do estudo, seguidos pela P2 com 5,21 mm e P1 com 5,02 mm (Gráfico 2). As pequenas diferenças podem estar associadas à interação chuva-vegetação-solo nas diferentes parcelas, e a distribuição da serrapilheira sobre o terreno. Entretanto, o teste de variância HSD Tukey não detectou diferença significativa entre as parcelas. A perda acumulada média de água, envolvendo eventos de chuva erosiva de 21 de janeiro a 16 de abril de 2008, normalizada por ha é de aproximadamente 52.505 L.ha-1.

Gráfico 2: Escoamento acumulado para as diferentes parcelas experimentais (P1, P2 e P3) de janeiro a abril de 2008 em dias de chuva erosiva.

A perda de água acumulada no cultivo de café extrapolada para o ano é de aproximadamente 15,2 mm, considerando-se a média anual do total pluviométrico de 2002 a 2007 (1493 mm), segundo estudos realizados pela UENF (comunicação pessoal com Elias Fernandes de Sousa).

Desta forma, pela perda acumulada de água média entre as parcelas, detecta-se que, durante o período de estudo, do total que precipitou (515 mm), considerando-se eventos de chuva erosiva, escoa aproximadamente 1% apenas de água no cultivo de café, o que ressalta a importância do cultivo de café adensado (1,75 x 1 m) como barreira ao escoamento superficial.

A perda de água para o cultivo de café adensado identificada durante o estudo foi inferior às diversas culturas agrícolas avaliadas por diferentes autores no Brasil, como: milho, feijão, soja e aveia (SCHICK et al., 2000; BEUTLER et al., 2003); pastagem e soja (ANDRELLO et al., 2003); eucalipto (MARTINS et al., 2003; BRITO et al., 2005); pastagem e eucalipto (PIRES et al., 2006); e cana-de-açúcar (IZIDORIO et al., 2005; BEZERRA;

CANTALICE 2006).

0 1 2 3 4 5 6

Escoamento Acumulado (mm)

Dias de Chuva Erosiva

P1 P2 P3

Durante o período estudado foram poucos os eventos das perdas de solo, apenas 36%

das chuvas erosivas ocasionaram as mesmas (P1, n=8; P2, n=8 e P3, n=9), possivelmente atribuído ao papel da cultura de café, que cultivado de forma adensada confere maior rugosidade superficial e melhor retenção e estabilidade do solo, mesmo em uma região marcada por um declive acentuado.

Apesar dos poucos eventos, foi identificado um comportamento semelhante às perdas de água: na ocorrência das maiores precipitações foram observadas as maiores perdas de solo.

Em estudos anteriores com a utilização de simuladores de chuva, foi identificada esta mesma relação (PANACHUKI et al., 2006).

As perdas de solo foram verificadas durante os maiores escoamentos, demonstrando o papel fundamental do processo no carreamento das partículas de solo (Gráficos 1 e 3).

Gráfico 3: Perdas de solo e pluviosidade em dias de chuva erosiva para as diferentes parcelas experimentais (P1, P2 e P3) de janeiro a abril de 2008.

Vale ressaltar que, se for considerado apenas o período onde as três parcelas estavam instaladas simultaneamente (21/01/2008), a P3 apresenta maior perda de solo durante o estudo (por número de eventos, 9), possivelmente por possuir um evento a mais de perda de solo durante o período.

0 10 20 30 40 50 60

0 2 4 6 8 10 12

9/1/2008 10/1/2008 18/1/2008 21/1/2008 4/2/2008 5/2/2008 9/2/2008 19/2/2008 20/2/2008 22/2/2008 25/2/2008 9/3/2008 15/3/2008 5/4/2008

Pluviosidade (mm)

Perda de Solo (kg.ha-1)

Dias de Chuva Erosiva

Pluviosidade P1 P2 P3

A perda de solo média, normalizada por ha, encontradas nas parcelas experimentais apresentou a seguinte distribuição em dias de chuva erosiva: P2 com 4,65 ± 3,31 kg.ha-1 com amplitude de 0,69 a 9,48 kg.ha-1 > P3 com 4,19 ± 2,79 kg.ha-1 variando de 1,21 a 9,77 kg.ha-1

> P1 com 3,13 ± 2,48 kg.ha-1 com intervalo de 1,22 a 8,13 kg.ha-1.

As perdas de solo obtidas durante o estudo foram semelhantes às encontradas em trabalhos anteriores, sobre condição de declive similar (~28%), em mata nativa, na região de Aracruz-ES, no ano de 1997 a 2000, tendo ainda perdas 14 vezes menores do que o eucalipto e 126 vezes menores do que o solo descoberto no mesmo trabalho (MARTINS et al., 2003).

Sobre condições de declividade diferente, as perdas foram semelhantes as da mata nativa (declividade 42%) na região centro-leste de Minas Gerais de 2002 a 2004, tendo ainda perdas 1,5 vezes menores do que a pastagem plantada (declividade 25%), 6 vezes menores do que o eucalipto (declividade 30%) e 100 vezes menores do que o solo descoberto (declividade 33%) (PIRES et al., 2006); sobre condições de declive de 8%, foram verificadas perdas 76 vezes menores quando comparadas ao uso cana-de-açúcar em Guariba-SP (IZIDORIO et al., 2005);

e similares sobre a mesma condição de uso café em declividade de 12%, cultivado de forma orgânica com roçado, em Lavras-MG em 2004 (CARVALHO et al., 2007).

O gráfico 4 representa a perda de solo acumulada das parcelas experimentais do dia 21 de janeiro de 2008 (período onde as 3 parcelas experimentais estavam completamente instaladas) até o final do experimento no dia 16 de abril de 2008.

A P3 apresentou o maior destaque na perda de solo acumulada com 37,7 kg.ha-1 no final do estudo, seguidos pela P1 com 25,1 kg.ha-1 e P2 com 24,9 kg.ha-1. Este comportamento pode ser explicado pela interação água de chuva-cultura de café-solo e distribuição da serrapilheira pelo terreno (Gráfico 4).

A perda de solo acumulada no cultivo de café, extrapolada para ano, é de aproximadamente 138 kg.ha-1, considerando-se o total pluviométrico médio de 2002 a 2007 (1493 mm).

Ao integrar perda de solo com o escoamento identificou-se um potencial de arraste de sedimentos (PAS) médio nas parcelas estudadas de 0,01 Mg.ha-1.mm-1, semelhante à encontrada em outros estudos comparando diferentes formas de cultivo de café (CARVALHO et al., 2007).

Em estudo similar desenvolvido por Zhou et al. (2002), foram registrados valores na ordem de 0,0003; 0,0091; e 0,0437 Mg.ha-1.mm-1, para reflorestamento misto, eucalipto e solo descoberto, respectivamente. Resultados semelhantes também foram encontrados em floresta

plantada de eucalipto, floresta nativa e solo descoberto, nos trabalhos desenvolvidos por Martins et al. (2003) e Brito et al. (2005).

Gráfico 4: Perda de solo acumulada para as diferentes parcelas experimentais (P1, P2 e P3) de janeiro a abril de 2008.

Os baixos valores para o potencial de arraste de sedimentos, observados no presente estudo, são atribuídos principalmente à barreira física propiciada pela cobertura vegetal (cultura de café adensado, 1,75 x 1 m), reduzindo a energia cinética de transporte de sedimentos na enxurrada, dificultando o escoamento superficial e a quebra dos agregados.

A perda de solo para o cultivo de café adensado identificada durante o estudo foi inferior as diversas culturas agrícolas avaliadas por diferentes autores no Brasil, como: milho, feijão, soja e aveia (SCHICK et al., 2000; BEUTLER et al., 2003); pastagem e soja (ANDRELLO et al., 2003); eucalipto (MARTINS et al., 2003; BRITO et al., 2005); pastagem e eucalipto (PIRES et al., 2006); e cana-de-açúcar (IZIDORIO et al., 2005; BEZERRA;

CANTALICE 2006).

0 5 10 15 20 25 30 35 40

21/1/2008 4/2/2008 5/2/2008 9/2/2008 19/2/2008 20/2/2008 22/2/2008 25/2/2008 9/3/2008 15/3/2008 5/4/2008 Perda de Solo Acumulada(kg.ha-1)

Dias de Chuva Erosiva

P1 P2 P3