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Resolução do dominio do predio serviente

No documento (Direito romano e patrio) (páginas 161-167)

CAPITULO V Da quasi-posse das servi-

D) Resolução do dominio do predio serviente

1. Já vimos (no § 37) que a servidão de caminho constituída pelo proprietario do domi- nio resoluvel extingue-se pela resolução deste, ex vi do principio : Resoluto jure concedentis, resolvitur jus concessum, o qual está de accôr- do com este outro: Nemo plus juris in alium transferre potest quàm ipse habet (247).

Si a revogabilidade do dominio é consti- tucional, isto é, vinda do acto da constituição do dominio, este se diz dominio resoluvel ex tunc. Si o dominio se constitúe irrevogavel, mas revoga-se depois, ex vi de uma causa super- veniente, se diz dominio revogavel ex nunc.

No primeirocaso, a resolução tém effeito re- troactivo, retroage á data da constituição do domi- nio. No segundo, não. Isto posto, pergunta-se: dá- se a extincção da servidão de caminho só no primeiro caso, só no segundo, ou em ambos?

—Só no primeiro.

Quando a resolução tém por factor uma causa superveniente, não opéra a extincção da servidão constituída (248).

(247) Frag. 16, Dig., liv. 7.°, tit. 4.°; frag. 11, § 1.°, Dig., Iiv.

8.°, tit. 6.°; Frag. 105, Dig., liv. 35, tit. 1.°; Salivas et Bellan, obra citada, vol. 1.°, pag. 520.

(248) Frag. 11, § l°, Dig., liv. 8.°, tit. 6.°, quemadmodum servitutes amittuntur; frag 105, Dig., Iiv. 35, tit. l.°, de condi- tionibus et demonstrationibus; Gluk, obra citada, § 688, vol. 8.°, pag. 413; Lafayette, obra citada, §§ 27 e 134, n. 2 e nota 6.

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§ 67 DA EXT1NCÇÃO DAS SERVIDÕES DE CAMINHO

* * *

2. Resolução do domínio do predio dominante. — Esta produzirá tambem a extinc- ção da servidão de caminho ? Não (249).

§ 67 E) Preseripção extinctiva

1. Seus requisitos ou condições. — São tres :

I) não-uso,

2) lapso de tempo e

3) continuidade do não-uso.

2. Primeiro requisito: não-uso.—Servi tutes non atendo pereunt, diz Paulo, principio que encontra confirmação nas Insts., § 3.°, liv.

1°, tit. 4.°, de usufructu (250).

E' tambem de Paulo esta sentença: viam, iter, actum, aquae ductum, qui biennio usus non est, amisisse videtur (251). E Justiniano, na const 13, Cod, liv. 3.°, tit. 34, é positivo: Ita et in caeteris servitutibus, diz elle, obtinendum esse cen-suimus ut omnes servitutes non atendo amittun-tur, non biennio (quia tantummodo soli rebus anncxae sunt), sed decennio contra praesentes, vel viginti spatio annorum contra ausentes.

(249) Frag. 11, § 1.º Dig., liv. 8.°, tit. 6.°; Demangeat, obra citada, vol. 1.°, pag. 527.

(250) Maynz, obra citada, S 145, vol. 1.º pag. 854.

(251) Demangeat, obra citada, vol. 1.°, pag. 528.

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O não-uso da servidão de caminho começa quando o seu titular, ou alguem por elle, cessa de passar pelo caminho serviente.

3. Noção de não-uso.—E' evidente que o não-uso é a cessação do uso, a suspensão do exercício dos actos constitutivos da servidão.

O não-uso da servidão de caminho começa, quando o seu titular, ou alguem por elle, cessa de passar pelo caminho, iter, actus ou via. O ultimo momento do exercício effectivo da ser vidão de caminho, aquelle em que seu titular ou alguem por elle acabou de passar pela ul tima vez, é o primeiro momento do não-uso.

Si elle tenta passar e é impedido de o fazer, começa desse momento o não-uso (252).

*

4. Segundo requisito: lapso de tempo.

—No direito antigo, o lapso de tempo exigido era de dois annos: qui biennio usus non est, amisisse videtur.

No direito novo, direito romano justinia- neo ou actual, que é o que mais nos interessa, o lapso exigido é, como na acquisição da pro- priedade, de

I) dez annos entre presentes, e 2) vinte annos entre ausentes.

Isto é expresso na const. 13, Cod., liv. 3°,.

tit 34, supratranscripta.

(252) Le trésor de Vancienne jurísprudence romaine, tra- ducção de Tissot, Metz, 1811, vol. 2°, pag. 50; Lafayette, obra citada, § 134, n. 5.

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§67 DA EXTINCÇÃO DAS SERVIDÕES DE CAMINHO

5. Terceiro requisito: continuidade do não-uso (253). — Assim como é necessária a continuidade da quasi-posse da servidão de caminho, para poder operar-se a sua consti- tuição por meio da prescripção acquisitiva, assim tambem é necessaria a continuidade do não-uso, para produzir o effeito da sua extincção.

A razão é a mesma numa e noutra hy- pothese.

Aquelle lapso de tempo, de dez e de vinte annos, é continuo: não póde ser interrompido, sem interromper a prescripção, que começará a correr de novo (254).

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6. Motivo do não-uso. —O motivo, que leva o titular da servidão a não usar delia, não faz ao caso: seja qual fôr a razão do não-uso, dá-se a prescripção extinctiva da mesma (255).

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7. Boa fé. - - Esta não é requisito desta especie de prescripção (256).

(253) Maynz, obra citada, § 145, vol. l.°, pag. 857; Van Wetter, obra citada, § 252, vol. 1.°, pag. 451; Bonjean, obra citada, vol. l.°, n. 1026, pag. 544, verbis: Pour qu'une servi-tude rurale ne s'eteigne pas non atendo..

(254) Conf. Lafayette, obra citada, § 74.

(256) Maynz, obra citada, § 145, vol. 1.°, pag. 856.

(256) Maynz, obra citada, § 145 vol. 1.° pag. 857.

8. Predio dominante commum.— Si a servidão de caminho pertence a diversos con dominos do predio dominante, conserva-se em proveito de todos, pelo uso que delia faça um só delles. Vel tota amittitur, vel tota retinetur (257).

9. Titular impubere. -- Contra o titular, que fôr impubere, não corre a prescripção, e isto aproveita aos maiores, consenhores do im- movel dominante (258).

§ 68 Direito patrio

Todo este capitulo é direito patrio subsi- diario.

(257) Frag. 18, Dig., liv. 8.°, tit. 3.°, de servitutibus prae- diorum rusticorum; frag. 6.º, § 1.°, Dig., liv. 8.°, tit. 6.°, quem- admodum servitates amittuntur; Lafayette, obra citada, § 134, n.

5, vol. 1.°, pag. 363; Ortolan, obra citada, vol. 1.°, n. 468, pag.

336 bis-10.

(258) Frag 10, Dig., liv. 8.°, tit. 8.º, quemadmodum servi- tutes amittuntur; Lafayette, obra citada, § 134, n. 5, nota 13;

Maynz, obra citada, § 145, vol. 1.°, pag. 856.

CAPITULO IX

Das acções relativas ás servidões de caminho

SECÇÃO I

Das acções tendentes a constituir servidões de caminho (acções pessoaes)

SUMMARIO

§ 69. Classificação das acções relativas da servidões de caminho. § 70.

Quaes são essas acções?

§69

Classificação das acções relativas ás servidões de caminho

As acções relativas ás servidões de cami- nho são destinadas a constituil-as, ou a defen- del-as, como direito real ou como facto apenas.

Dahi, o seu desdobramento em tres classes distinctas:

a) acções tendentes a constituir servidões de caminho ( acções pessoaes);

b) acções petitorias e c) acções possessorias (259).

(259) Mackeldey, obra citada, § 328; Glück, obra citada, § 685, vol. 8.º, pag. 364.

§70 Quaes são essas acções?

Nesta classe só entram acções pessoaes. E a razão é que os direitos reaes, a que se refe- rem, que são as servidões, ainda não existem.

A ella pertencem todas as acções, cujo objecto seja constituir uma servidão. Por exemplo:

a) a actio ex contracto;

b) a actio ex testamento,

c) a actio extraordinaria ou imploratio offi- cii judicis.

Todas estas acções tendem a tornar effe- ctiva uma servidão, que deve emanar de con- venção, em que foi promettída, ou de testa- mento, em que foi deixada, ou de facto de en- cravamento do predio dominante (260).

SECÇÃO II

No documento (Direito romano e patrio) (páginas 161-167)

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