CAPÍTULO 2...................................................................................... 32
2.3 RESPONSABILIDADE DO PODER PÚBLICO MUNICIPAL EM RELAÇÃO
o qual está comprometido e bem como não pode negar socorro a quem precisar possa.
2.3 RESPONSABILIDADE DO PODER PÚBLICO MUNICIPAL EM RELAÇÃO
entanto, ainda são de responsabilidade federal (Ministério da Saúde) ações de controle de doenças especificas, assim como alguns programas nacionais:
Programa de Saúde da Família e Programa de Agentes Comunitários de Saúde;
que são programas que compõem equipes de Saúde da Família, sendo que estes são financiados pelo Ministério da Saúde e a equipe é contratada pelos municípios (NORONHA, 2003, p.8).
O sistema de pagamentos por produção inserido/aplicado no SUS acabou provocando muitas críticas; a forma vigente no modelo INAMPS funcionava da seguinte forma: os serviços privados conveniados eram pagos de acordo com os serviços prestados. No entanto, em 1991 a NOB nº 01/91 definiu que todos os serviços prestados, públicos ou privados conveniados e contratados, seriam pagos de acordo com a apresentação das faturas detalhadas de serviços prestados.
Diante desta definição o pagamento por produção estimula o gasto público e compromete a eficiência, por isso a oferta de serviços de saúde dos municípios depende da capacidade destes de instalar e gerenciar os recursos técnicos e financeiros disponíveis. E é esta capacidade que muitas vezes influencia na situação dos serviços de saúde de muitos municípios, que algumas vezes não possuem tanta capacidade técnica (SOUZA, MONNERAT & SENNA, 2002, p.72-73).
A partir de 1990, grande parte dos municípios brasileiros adotou uma das gestões, seja a Gestão Plena de Atenção Básica ou a Gestão Plena do Sistema Municipal, sendo que na primeira o município é responsável pela rede de atenção básica e na segunda ele gerencia todo o atendimento de saúde no âmbito de seu território (Idem, p. 73).
No mesmo ano a Portaria Ministerial 896, de 29 de junho, incumbiu o Inamps de implantar o Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH-SUS) e o Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS (SAI-SUS), posteriormente descentralizados para os municípios. Esta iniciativa visava atender a necessidade de estabelecer um único sistema de informações assistenciais, que permitisse planejamento, controle e avaliação das ações de saúde, bem como repasses financeiros que retribuíssem, com os mesmos critérios, serviços
públicos, contratados e conveniados (ASSOCIAÇÃO PAULISTA DE MEDICINA, 2001, p.59).
O SIH-SUS e a tabela única de remuneração para assistência à saúde hospitalar foram implantados pela Portaria MS/SNAS 16, em 8 de janeiro de 1991. O primeiro teve como base o Sistema de Assistência Médico- Hospitalar da Previdência Social e seu instrumento (AIH), foi aplicado aos hospitais credenciados ao SUS em todo o território nacional, públicos ou privados.
A descentralização, bem como os avanços ocorridos no SUS, provocaram a introdução de novos mecanismos operacionais no SIH-SUS e SIA-SUS; estas mudanças foram feitas através de pactuação do tripartite entre o MS, os estados e municípios, e foram consignadas nas NOB’s do SUS, como foi o caso das NOB01-93, NOB 01-96 e a NOAS 01-2001 (LUCCHESI, 2004, p.14).
A prestação de serviços assistenciais pelo SUS, dirigida a indivíduos ou à coletividade, acontece em estabelecimentos de atenção ambulatorial, hospitalar ou domiciliar. Sendo que todos os estabelecimentos aptos a realizar estes serviços são organizados de acordo com os princípios básicos do SUS. Os Hospitais podem ser públicos, cadastrados ou conveniados; como é o caso do Hospital Marieta.
Os dados apresentados nos gráficos acima, dizem respeito aos números do Hospital Marieta no Sistema Único de Saúde, que como um Hospital Privado conveniado ao Sistema, dedica parte do seu atendimento aos seus usuários. As AIHs são então apresentadas ao Poder Público Municipal, que de acordo com os princípios da Gestão Plena Municipal, é responsável pelo repasse da verba ao Hospital.
É este repasse que muitas vezes não acontece da forma mais adequada, levando-se assim algum tempo para que o HMMKB venha a receber a verba correspondente a todos os serviços prestados. De acordo com as explanações acima sobre a capacidade municipal pode-se perceber que existe neste caso uma falha na capacidade de gerenciamento financeiro do município.
O próximo capítulo trata da percepção que os usuários têm sobre a responsabilidade com a saúde no município, para que após esta apresentação de dados (do HMMKB) se possa concluir o verdadeiro papel do
Poder Público Municipal com a saúde em Itajaí e os serviços do Hospital Marieta;
que muitas vezes são desconhecidos pela população da cidade.
SITUAÇÃO ATUAL DA SAÚDE EM ITAJAÍ SOB A ÓTICA DOS USUÁRIOS DO SUS
3.1 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
O Método utilizado foi o hipotético-dedutivo, uma vez que se partiu de hipóteses gerais, que, no decorrer da pesquisa poderiam ser comprovadas ou não.
A coleta de dados foi realizada por meio da aplicação de questionários com questões fechadas desenvolvidos com o auxílio da equipe de direção de enfermagem e a assessoria de comunicação do Hospital. Nesta fase, pretendia-se identificar e analisar, em profundidade, a percepção dos usuários do Pronto Socorro do Hospital Marieta sobre a sua situação, atendimento, qualidade dos serviços e a responsabilidade do poder público para com esta situação.
A equipe que realizou as pesquisas procurou usuários do Pronto Socorro aguardando atendimento ou já atendidos, alguns internados.
Foram aplicados 150 questionários no período de uma semana, o que corresponde a amostra de 25% do público semanal do Pronto Socorro. Antes de realizar as pesquisas, a equipe que aplicou recebeu as orientações sobre o intuito da pesquisa, objetivos, métodos de abordagem, etc., de acordo com o instrumento (ver anexo) elaborada para estes esclarecimentos.
Após realizadas as 150 entrevistas solicitadas pelo instrumento, os dados foram tabulados para que pudesse ser realizada a análise desta compreensão dos usuários. Todas as análises têm caráter subjetivo e partem da compreensão que se faz a partir das respostas que as pessoas dão e dos comentários relevantes que fizeram durante a aplicação da pesquisa. Além
disso são consideradas como fator de relevância sobre a falta de consciência política as respostas contraditórias em algumas questões semelhantes.
3.2 RESULTADOS DA PESQUISA
Para identificar a percepção que os usuários do Pronto Socorro do Hospital Marieta fazem dos serviços que o Hospital presta para o SUS e da responsabilidade que este tem com a saúde municipal, foi necessária a elaboração de um instrumento de pesquisa – Pesquisa de Percepção, para que se colocassem em discussão as respostas que estes usuários fornecem e a visão que fazem das responsabilidades em questão.
Com o objetivo de coletar dados sobre a realidade destes usuários tanto no sentido de sua percepção sobre a responsabilidade do Hospital em contrapartida com a do poder público, foi utilizado o questionário totalmente estruturado, classificado por Brum (2003, p. 117-118) como um excelente caminho para levantar, explorar, examinar, avaliar e monitorar as percepções e sentimentos dos usuários no que diz respeito à responsabilidade do Hospital e a influência do poder público nestes serviços.
3.2.1 PESQUISA DE PERCEPÇÃO
O objetivo desta Pesquisa de Percepção concentra-se em nortear este estudo sobre a forma como os usuários do Sistema Único de Saúde responsabilizam o Hospital Marieta e o Poder Público Municipal pela situação da saúde municipal. Pode-se perceber através dos gráficos abaixo como estas respostas acabam entrando em contradição e diagnosticando que as pessoas não sabem exatamente como ocorre o repasse de verba e o sistema de gestão plena.
RESULTADO PESQUISA DE PERCEPÇÃO
Tabela 1 – Localidades
CÓD. CIDADE QUANT. %
1 Itajaí 97 64,67%
2 Navegantes 18 12,00%
3 Balneário Camboriú 11 7,33%
4 Penha 7 4,67%
5 Camboriú 5 3,33%
6 Ilhota 4 2,67%
7 Itapema 2 1,33%
8 Piçarras 2 1,33%
9 Barra Velha 1 0,67%
10 Brusque 1 0,67%
11 Porto Belo 1 0,67%
12 Outros 1 0,67%
TOTAL 150 100,00%
Entre todas as respostas dadas, 97 delas são de usuários que moram na cidade de Itajaí, no entanto, os dois outros maiores números são de cidades vizinhas, Navegantes e Balneário Camboriú, que também possuem Hospitais. Este número considerável de atendimentos a pacientes de cidades vizinhas que possuem hospitais pode ser explicado pela quantidade de recursos que o Hospital Marieta oferece em comparação com os demais.
Tanto Navegantes quanto Balneário Camboriú não possuem hospitais de tão grande porte quanto o Hospital Marieta, o que significa que este disponibiliza recursos que não são encontrados nos demais, e isso faz com que os pacientes procurem diretamente o Marieta quando necessitam de atendimento.
Quadro 2 – Sexo
CÓD SEXO QUANT %
1 Masculino 73 48,67%
2 Feminino 77 51,33%
TOTAL 150 100,00%
Quadro 3 - Idade
CÓD IDADE QUANT %
1 Até 16 anos 0 0,00%
2 De 17 a 24 anos 18 12,00%
3 De 25 a 34 anos 23 15,33%
4 De 35 a 44 anos 33 22,00%
5 De 45 a 60 anos 37 24,67%
6 Mais de 60 anos 38 25,33%
7 Não respondeu 1 0,67%
TOTAL 150 100,00%
A idade dos usuários do Pronto Socorro do Hospital Marieta não aponta discussões relevantes, visto que seus usuários não estão fortemente concentrados em uma determinada faixa etária, dividindo-se semelhantemente entre cada idade; apenas pode ser explicado o número de usuários menores de 16 anos pelo fato de o Hospital não possuir atendimento pediátrico.
Quadro 4 – Renda Familiar Mensal
CÓD RENDA FAMILIAR MENSAL QUANT %
1 Até 3 SM 102 68,00%
2 De 3 a 5 SM 38 25,33%
3 De 5 a 10 SM 8 5,33%
4 Mais de 10 SM 1 0,67%
5 Não respondeu 1 0,67%
TOTAL 150 100,00%
Quadro 5 – Grau de Escolaridade
CÓD ESCOLARIDADE QUANT %
1 Analfabeto 7 4,67%
2 1º grau incompleto 63 42,00%
3 1º grau completo 33 22,00%
4 2º grau incompleto 20 13,33%
5 2º grau completo 18 12,00%
6 Superior Incompleto 6 4,00%
7 Superior completo 2 1,33%
8 Pós graduação / Mestrado / Doutorado 0 0,00%
9 Não respondeu 1 0,67%
TOTAL 150 100,00%
A renda familiar dos usuários do Pronto Socorro é predominantemente baixa, sendo que as famílias de 68% dos entrevistados ganha até 3 salários mínimos. A maior parte das respostas sobre o grau de escolaridade está entre 1º grau incompleto (42%) e 1º grau completo (22%), o que deve ser levado em conta no momento de analisar as compreensões apontadas pelas respostas.
Quadro 6 – Utiliza rede pública de saúde
Você utiliza os serviços da rede pública municipal de saúde?
CÓD RESPOSTA QUANT %
1 Não 28 18,67%
2 Sim 122 81,33%
TOTAL 150 100,00%
Quando indagados sobre a utilização da rede pública municipal de saúde (lembrando mais uma vez que o Hospital Marieta não é público e sim privado filantrópico) entre os 150 entrevistados 81,33% deles diz utilizar os serviços da rede pública municipal de saúde (postos de saúde e etc), ainda que muitos utilizem apenas para pegar medicação, fazer vacinas, etc.
Quadro 7 – Porque não utiliza a rede pública municipal
Por que não utiliza os serviços da rede pública de saúde?
CÓD RESPOSTA QUANT %
1 Prefiro os serviços do Hospital Marieta 3 10,71%
2 Demora muito tempo para agendar uma consulta 13 46,43%
3 Faltam profissionais na rede pública 8 28,57%
4 Outro 4 14,29%
TOTAL 28 100,00%
Esta pergunta dirigiu-se apenas aos usuários que declararam não utilizar a rede pública municipal de saúde (postos de saúde e etc), ainda que já a tenham utilizado alguma vez hoje não recorrem mais aos seus serviços. Entre os 18,67% que justificaram não utilizar apontam como maior causa da não utilização a demora que este sistema possui para que seja feito um tratamento.
Quadro 8 – A rede pública municipal resolve seu problema
O serviço de saúde da rede pública municipal resolve o seu problema?
CÓD RESPOSTA QUANT %
1 Sempre 21 17,21%
2 Na maioria das vezes 68 55,74%
3 Quase nunca 27 22,13%
4 Nunca 6 4,92%
TOTAL 122 100,00%
Entre os 81,33% que diz utilizar a rede pública municipal, 72,95% deles declara que a rede resolveu seus problemas sempre ou na maioria das vezes o que, de acordo com os próprios entrevistados, está relacionado com a necessidade de medicamentos que estes solicitam ao serviço municipal de saúde.
Quadro 9 – Com que freqüência procura o Hospital Marieta
Com que freqüência você procura o Hospital Marieta?
CÓD RESPOSTA QUANT %
1 Sempre 27 18,00%
2 Às vezes 71 47,33%
3 Raramente 52 34,67%
TOTAL 150 100,00%
Quadro 10 – Em que situações procura o Hospital Marieta
Em que situações você busca os serviços do Hospital Marieta?
CÓD RESPOSTA QUANT %
1 Em situações de extrema urgência 67 44,67%
2 Quando a unidade do bairro não resolve 38 25,33%
3 Para consultas 18 12,00%
4 Sempre que preciso de atendimento 27 18,00%
TOTAL 150 100,00%
Quadro 11 – O que você acha que o P.S deve atender
Em sua Opinião, o Pronto Socorro do Hospital Marieta deve atender...
CÓD RESPOSTA QUANT %
1 Somente casos de urgência e emergência 42 28,00%
2 Todo tipo de consulta 108 72,00%
TOTAL 150 100,00%
As respostas dadas na pergunta referente ao Quadro 10 (em que situações você procura o HMMKB) podem ser colocadas em conflito com as respostas dadas na pergunta referente ao Quadro 11 (o que você acha que o Pronto Socorro do HMMKB deve atender), visto que na primeira a maioria dos usuários (44,67%) declara procurar o Pronto Socorro somente em situações de extrema urgência, mas na segunda a maioria considerável (72%) diz que o Pronto Socorro deve atender todo o tipo de consulta, deixando assim de fazer sentido sua resposta que apontava a consciência sobre a responsabilidade de um Pronto Socorro (atender situações de extrema urgência).
De acordo com as pessoas responsáveis pela aplicação da pesquisa os usuários chamam de extrema urgência qualquer fenômeno pessoal (cólicas, náuseas, febres e etc.), não importando a verdadeira gravidade da situação, visto que em sua compreensão extrema urgência é tudo aquilo que perturba a sua saúde ainda que possa ser medicado ou tratado em postos de atendimento da rede pública municipal. Esta é uma forte característica da falta de compreensão dos entrevistados sobre o que caracteriza extrema urgência, em seu imaginário não é possível distinguir a gravidade de uma simples situação de mal-estar e por isso confundem estas respostas.
Quadro 12 – Como foi o atendimento no P.S do Hospital Marieta
Caso já tenha sido atendido no Pronto Socorro do Hospital Marieta, como foi este atendimento?
CÓD RESPOSTA QUANT %
1 Excelente 48 32,00%
2 Bom 73 48,67%
3 Regular 23 15,33%
4 Ruim 6 4,00%
TOTAL 150 100,00%
Quadro 13 – Porque o atendimento no P.S foi ruim
O atendimento no Pronto Socorro do Hospital Marieta foi RUIM por qual motivo?
CÓD RESPOSTA QUANT %
1 Demora no atendimento 6 100,00%
2 Faltam profissionais 0 0,00%
3 Outro 0 0,00%
TOTAL 6 100,00%
Quadro 14 – Qual o fator que dificulta o atendimento do P.S do Hospital Marieta
Se você avalia o atendimento do Pronto Socorro do Hospital Marieta como RUIM, qual(is) fator(es) na sua opinião acabam dificultando a melhoria da qualidade do
atendimento?
CÓD RESPOSTA QUANT %
1 Falta de verba 1 16,67%
2 Demanda excessiva de pacientes 5 83,33%
3 Má administração por parte do hospital 0 0,00%
4 Má administração por parte do poder público municipal 0 0,00%
5 Outro 0 0,00%
TOTAL 6 100,00%
Quando interrogados sobre o atendimento do Pronto Socorro do Hospital Marieta, 48,67% dos entrevistados diz que o atendimento é bom, enquanto 32% declara como excelente (maioria já internados em ambos os casos) e 4% (6 entrevistados) diz ser ruim. Apenas estes 4% que dizem que o atendimento é ruim foram interrogados (ver instrumento em anexo) sobre os motivos desta resposta e, todos apontam a demora no atendimento como justificativa. Segundo eles, a demora é provocada pela quantidade excessiva de pacientes em espera no Pronto Socorro. Esta resposta, ainda que seja de poucos dos entrevistados, aponta a falta de qualidade no atendimento da rede pública municipal, visto que se este fosse de qualidade e eficiente não haveria acúmulo de pacientes em espera no Pronto Socorro do Hospital. Pois se faz necessário que casos sem grande prioridade sejam também atendidos por este.
Sabe-se que boa parte da população não espera quando o assunto é saúde, ainda que seja o menor sinal de um resfriado, ela vai procurar o lugar onde sabe que o atendimento acontecerá mais rápido, com todos os recursos necessários e que exija o menor número de encaminhamentos. Por isso é mais prático para o cidadão procurar o lugar onde ele sabe que fará exames, receberá tratamento e se necessário ficará internado. Caso esta última alternativa (que muitas vezes é a primeira) não resolva é este órgão que ele vai responsabilizar pelo seu quadro.
Isto explica mais uma vez as respostas dos usuários que não procuram a rede pública municipal de saúde, a demora que existe para que aconteça o atendimento, independente da gravidade que possa ter o quadro o
paciente não está disposto a esperar para saber do que sofre, por isso é necessário que o serviço de saúde pública ganhe mais atenção, para que estas pequenas situações sejam resolvidas sem que seja necessário encaminhá-las para o Hospital que está apto a atender situações de emergência.
Quadro 15 – O P. S do Hospital resolveu seu problema
O Pronto Socorro do Hospital Marieta resolveu seu problema?
CÓD RESPOSTA QUANT %
1 Sim, totalmente 73 48,67%
2 Sim, parcialmente (fui encaminhado a um especialista) 72 48,00%
3 Não 4 2,67%
4 Não respondeu 1 0,67%
TOTAL 150 100,00%
No momento de avaliar se os serviços de atendimento do Pronto Socorro do HMMKB resolvem os problemas destes usuários (Quadro 15) a maioria absoluta aponta que sim, dividindo-se entre totalmente (48,67% = 73 respostas) e parcialmente, encaminhados a um especialista (48% = 72 respostas). Estas respostas mostram a qualidade do atendimento prestado pelo Hospital, que ainda que em situações delicadas dedica seus esforços em favor da saúde da sociedade; seja resolvendo os casos possíveis ou encaminhando a quem os possa resolver.
Quadro 16 – Quem é responsável pela saúde em Itajaí
Em sua opinião, de quem é a responsabilidade pela saúde em Itajaí?
CÓD RESPOSTA QUANT %
1 Poder público (Prefeitura Municipal de Itajai) 114 76,00%
2 Hospital Marieta 35 23,33%
3 Não respondeu 1 0,67%
TOTAL 150 100,00%
Quadro 17 – Quem administra o Hospital
Em sua opinião, quem é responsável pela administração e funcionamento do Hospital Marieta?
CÓD RESPOSTA QUANT %
1 Poder público (Prefeitura Municipal de Itajai) 31 20,67%
2 Instituto das Pequenas Missionárias de Maria Imaculada 119 79,33%
TOTAL 150 100,00%
Nas respostas sobre a responsabilidade da administração do Hospital Marieta (Quadro 17) 79,33% dos entrevistados mostra seu conhecimento sobre o fato de o Hospital não ser administrado pela Prefeitura Municipal; o que, no entanto, de acordo com os comentários dos entrevistados não esclarece que estes saibam como ocorre o convênio com o Sistema Único de Saúde e o repasse da verba para os atendimentos prestados através deste sistema. O que os comentários durante esta pergunta apontaram é que os usuários não têm compreensão sobre como acontecem os pagamentos (e se acontecem) quando eles são atendidos, medicados e internados (se necessário) através do SUS.
De acordo com as respostas dadas na pergunta do Quadro 16 (quem é responsável pela saúde em Itajaí), os entrevistados colocam o Poder Público Municipal como responsável (76% = 114 respostas). No entanto, o número de respostas que apontam o Hospital como responsável (35 respostas = 23,33%) é bastante considerável e completa os comentários do parágrafo anterior que distinguem as responsabilidades entre Hospital e Prefeitura Municipal.
Estas duas análises são relacionadas à hipótese da pesquisa que diz que os usuários não sabem quem é responsável pela saúde na cidade, muitas vezes acusando o Hospital quando o atendimento tem falhas.
Sendo assim, vale levar em consideração os números que ainda que menores são relevantes nestas perguntas.
Quadro 18 – Quem repassa a verba para o Hospital
Em sua opinião, quem é o responsável pelo repasse da verba do Sistema Único de Saúde - SUS, para o Hospital Marieta?
CÓD RESPOSTA QUANT %
1 Ministério da Saúde 98 65,33%
2 Prefeitura Municipal de Itajai 52 34,67%
TOTAL 150 100,00%
E para completar esta análise, as respostas referentes ao Quadro 18 (quem é responsável pelo repasse da verba do SUS ao Hospital) também mostraram certa falta de conhecimento da população em relação à Gestão de Saúde Pública vigente. Visto que o fato de 65,33% (98) dos
entrevistados declara que o responsável por este repasse é o Ministério da Saúde, o que mostra que estes não são totalmente conscientes do papel da Prefeitura Municipal nesta gestão. Apenas 34,67% (52) dos entrevistados declara que esta responsabilidade é do Poder Público Municipal, ainda que sem saber de onde a verba é proveniente. Talvez esta grande parcela que aponta o Ministério da Saúde (verdadeiro responsável pelo repasse à prefeitura e não ao Hospital) não conheça realmente como o processo se dá e como são pagos os atendimentos feitos pelo Hospital enquanto órgão privado conveniado ao SUS.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Esta monografia teve como seu objetivo principal analisar a compreensão que a população de Itajaí e região faz sobre como acontecem os processos de saúde pública através do SUS e, quem considera responsável pela qualidade destes processos. Para isso fez-se necessário apontar a situação em que se encontra o Sistema Único de Saúde, seu surgimento, o contexto em que se iniciou e atualmente seus princípios e normas de funcionamento. Na busca deste objetivo as pesquisas basearam-se na parte histórica da saúde pública no país, bem como na história das políticas públicas em saúde no Brasil.
Partindo da apresentação das políticas públicas em saúde no país, apontando sua história e as necessidades que motivaram o surgimento do Sistema Único de Saúde, a pesquisa passa pela explicação da gestão deste sistema para que então seja possível falar da situação do Hospital e Maternidade Marieta Konder Bornhausen de acordo com seus atendimentos voltados a esta gestão.
Após apresentar a entidade (Hospital e Maternidade Marieta Konder Bornhausen), a pesquisa mostra a mesma através de seus dados com relação ao sistema, apontando nos últimos anos todos os números em atendimento que o Hospital prestou ao sistema. Depois disso cita as responsabilidades históricas e atuais que o poder público municipal tem com os órgãos privados prestadores de serviços para o SUS.
Finalizando a pesquisa e entrando no capítulo que mais se aproxima de seu objetivo geral a pesquisa apresenta a aplicação de questionários referentes à pesquisa de percepção com os usuários do Pronto Socorro do Hospital Marieta. Através de suas respostas neste questionário foi possível diagnosticar como estes usuários vêem a saúde da rede pública municipal e o Hospital como duas coisas distintas, entendendo que os serviços do Hospital não são de responsabilidade da Prefeitura Municipal, por exemplo, mas sem ter noção alguma de quem repassa a verba ou como funciona este processo (com o SUS).
O que se conclui depois desta pesquisa e após o estudo sobre a relação Poder Público Municipal e Hospital Marieta é antes de tudo a forma como a atual Gestão de Saúde acaba tendo falhas que podem prejudicar a