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Resultados do Modelo M2

No documento PROFÍSICA MATEUS COSTA RAMOS ROTA¸C˜A (páginas 50-80)

Rotores r´apidos: P(t0)≤ 1.4 dias,

Rotores m´edios: 1.4 dias ≤ P(t0) ≤10 dias, Rotores lentos: P(t0) ≥ 10 dias.

E poss´ıvel observar que estas estrelas possuem uma velocidade inicial superior `´ a do Sol.

Al´em disso, elas j´a perderam o seu disco de acre¸c˜ao no in´ıcio da simula¸c˜ao, uma vez que as suas velocidades n˜ao s˜ao constantes. Como esperado, a velocidade aumenta na pr´e sequˆencia principal pois a contra¸c˜ao da estrela durante as fases iniciais da sua evolu¸c˜ao faz com que o momento de in´ercia diminua (equa¸c˜ao 2.8), aumentando sua velocidade angular.

Ao analisarmos a evolu¸c˜ao para as estrelas de 1.0 M, observamos que em torno de 30 milh˜oes de anos, a sua velocidade angular se torna constante. Ao atingir essa idade, estrelas de 1.0 M se estabilizam, a contra¸c˜ao do raio para e, consequentemente, n˜ao ocorre mais varia¸c˜ao do momento de in´ercia. Para estrelas de 0.3 e 0.4 M, esse fenˆomeno ocorre por volta dos 300 milh˜oes de anos, enquanto que para estrelas de 0.5 e 0.8 M

ocorre por volta de 200 e 60 milh˜oes de anos respectivamente. No entanto, as curvas de evolu¸c˜ao para as estrelas de 0.5 M (painel do meio esquerdo) diferem das demais ap´os sua entrada na MS. Para elas, a velocidade ainda varia ligeiramente. Isso ocorre devido

`

a varia¸c˜ao do momento de in´ercia de uma estrela de 0.5 M, como pode ser visto na curva tracejada rosa, mostrada no painel esquerdo da Figura2.2. Resumindo, como n˜ao consideramos os mecanismos de perda de momento angular no modelo M1, a velocidade permanece constante at´e o fim da evolu¸c˜ao em qualquer um dos casos.

velocidade angular n˜ao se altera. Por outro lado, quando a estrela perder o seu disco de acre¸c˜ao, evoluem-se suas velocidades angulares utilizando a equa¸c˜ao (2.28) para o envelope convectivo e a equa¸c˜ao (2.29) para o n´ucleo radiativo.

Como, neste modelo, a velocidade angular sofre a influˆencia de v´arios mecanismos, faremos uma an´alise separada dos efeitos de cada um deles. Assim, iniciamos pelo primeiro termo das equa¸c˜oes (2.28) e (2.29), que representa a troca de momento angular entre o n´ucleo radiativo e o envelope convectivo.

Apresentamos, na Figura 3.6, a evolu¸c˜ao rotacional para estrelas de 1.0 M com todos os termos das equa¸c˜oes (2.28) e (2.29) levados em considera¸c˜ao. Como o objetivo aqui ´e analisar o comportamento de cada termo das equa¸c˜oes separadamente e como, em termos gerais, ele ´e semelhante para as 3 massas consideradas no modelo M2, optamos por apresentar somente os resultados para 1.0 M. Aqui, mostramos a evolu¸c˜ao da velocidade angular do n´ucleo radiativo (linha tracejada) e do envelope convectivo (linha s´olida) para diferentes valores de τc−e. As curvas da Figura 3.6 evidenciam a evolu¸c˜ao para τc−e = 1×106 anos (painel superior esquerdo), τc−e = 12×106 anos (painel superior direito) τc−e = 100×106 anos (painel inferior esquerdo) e τc−e = 500×106 anos (painel inferior direito). Cada figura descreve a evolu¸c˜ao para diferentes rotores: rotor r´apido (preto), m´edio (vermelho) e lento (azul).

Figura 3.6: Evolu¸c˜ao da velocidade angular do n´ucleo radiativo (linha tracejada) e do envelope convectivo (linha s´olida) para as estrelas de 1.0 M com diferentes tempos de acoplamento:

τc−e = 1×106 anos (painel superior esquerdo), τc−e = 12×106 anos (painel superior direito), τc−e= 100×106 anos (painel inferior esquerdo) eτc−e= 500×106 anos (painel inferior direito).

A an´alise das curvas nos permite obter informa¸c˜oes importantes sobre a evolu¸c˜ao da velocidade angular tanto do n´ucleo radiativo quanto do envelope convectivo. Da an´a- lise da velocidade do envelope, podemos observar, por exemplo que, inicialmente, todas as estrelas no painel superior esquerdo apresentam uma taxa de rota¸c˜ao constante nos primeiros milh˜oes de anos da PMS, indicando que elas tˆem um disco. Olhando os outros pain´eis, notamos que nem todas as estrelas possuem uma taxa de rota¸c˜ao constante nos primeiros milh˜oes de anos, indicando que elas j´a perderam o seu disco no in´ıcio da simu- la¸c˜ao. Depois disso, a velocidade angular aumenta at´e o final da Pr´e-Sequˆencia-Principal e in´ıcio da Idade Zero da Sequˆencia-Principal (ZAMS, da sigla em inglˆes) e, em seguida, ela experimenta uma diminui¸c˜ao intensa que pode durar at´e o final da simula¸c˜ao. Este comportamento ap´os a perda do disco ´e observado em todos os pain´eis, para todas as estrelas.

Tanto no modelo M1 quanto no modelo M2, observa-se o crescimento da velocidade

angular ap´os a perda do disco. A diferen¸ca entre os modelos M1 e M2 aparece depois da ZAMS. No modelo M1, a velocidade angular do envelope permanece constante, enquanto que na Figura 3.6 ela cai, como comentado acima. Essa diferen¸ca aparece devido aos termos de torque nas equa¸c˜oes (2.28) e (2.29).

Quando se analisa a velocidade do n´ucleo radiativo, a influˆencia do termo de troca e, particularmente, da escala de tempo de acoplamento n´ucleo-envelope, fica mais evidente.

At´e o desenvolvimento do n´ucleo, como imposto pelo modelo, ωcore = ωenv. Ap´os, a velocidade angular do n´ucleo aumenta tanto mais e se mant´em constante por um tempo tanto maior quanto maior for τc−e. Um valor grande para τc−e implica num acoplamento fraco entre o n´ucleo e o envelope, como consequˆencia e, a taxa de transferˆencia de momento angular para o envelope ser´a pequena.

No painel superior esquerdo da Figura 3.6, o τc−e escolhido foi de 1×106 anos.

Podemos observar que tanto a velocidade do n´ucleo quanto a velocidade do envelope s˜ao quase iguais durante toda a evolu¸c˜ao. Isso decorre do forte acoplamento entre o n´ucleo e o envelope, que faz com que a taxa de troca de momento angular seja eficiente. Dessa forma, o n´ucleo vai girar com velocidade aproximadamente igual `a do envelope. No painel esquerdo da figura, n´os observamos uma diferen¸ca sutil nas velocidades do n´ucleo e do envelope para os rotores r´apidos (preto) e m´edios (vermelha) quando a estrela entra na MS, por´em, rapidamente as velocidades voltam a se igualar e a estrela gira novamente como um s´o corpo r´ıgido ao final da simula¸c˜ao.

Quando analisamos o painel superior direito da Figura 3.6, onde o tempo de aco- plamento ´e 12×106 anos, percebemos imediatamente que as curvas evoluem de forma diferente do que ´e observado no painel superior esquerdo. Durante a evolu¸c˜ao, podemos notar que a velocidade do n´ucleo aumenta e se mant´em maior do que a velocidade do envelope por mais tempo. Neste caso, a escolha do tempo de acoplamento implica em um acoplamento mais fraco do que aquele obtido com τc−e = 106 anos. Embora o τc−e seja um pouco maior neste caso, ´e vis´ıvel que a evolu¸c˜ao est´a convergindo para que as estrelas voltem a girar como um s´o corpo r´ıgido. Al´em disso, a queda das velocidades angulares

´e um pouco menor, j´a que o n´ucleo transporta momento angular para o envelope a uma taxa menor.

No outro extremo, quando analisamos a evolu¸c˜ao no pain´eis inferiores da Figura3.6, onde o tempo de acoplamento ´e de 100 (painel inferior esquerdo) e 500 milh˜oes de anos

(painel inferior direito), observamos um comportamento muito diferente dos casos anteri- ores. Aqui, o valor imposto paraτc−eimplica em uma pequena troca de momento angular entre o n´ucleo e o envelope no in´ıcio da simula¸c˜ao. A velocidade do n´ucleo aumenta e se mant´em superior `a do envelope por muito mais tempo. Para um τc−e de 100 milh˜oes de anos, por exemplo, a tendˆencia de queda da velocidade do n´ucleo s´o aparece em torno de 500 milh˜oes de anos. Por outro lado, para umτc−e de 500 milh˜oes de anos, n´os n˜ao con- seguimos observar uma tendˆencia de queda da velocidade do n´ucleo. Nesse ´ultimo caso, ap´os se estabilizar na sequˆencia principal, a velocidade do n´ucleo se mant´em constante por um longo intervalo de tempo.

A Figura 3.6 evidencia outra importante caracter´ıstica dessa evolu¸c˜ao. Podemos ver que todos os pain´eis apresentam um intenso decl´ınio da velocidade angular do envelope, independente do valor deτc−e, no in´ıcio da MS. Enquanto o momento angular retido no n´ucleo ´e regulado pelo tempo de acoplamento, determinando o qu˜ao intensa ser´a a troca de momento angular, o envelope permanece perdendo momento angular para ventos estelares magnetizados. No entanto, o decl´ınio da velocidade angular do envelope acontece at´e o final da simula¸c˜ao quando,τc−e´e pequeno, isto porque o n´ucleo cede todo o seu excesso de momento angular no in´ıcio, ao passo que, para umτc−egrande, ´e mais no final da simula¸c˜ao que o n´ucleo passa a transferir momento angular para o envelope, interrompendo a sua desacelera¸c˜ao.

Na Figura3.7, mostramos a evolu¸c˜ao da velocidade angular do n´ucleo radiativo e do envelope convectivo das estrelas de 1.0 Mpara rotores r´apidos (preto), m´edios (vermelho) e lentos (azul). Neste caso, nosso intuito ´e fazer uma an´alise do comportamento de cada termo na evolu¸c˜ao da velocidade angular da estrela. Assim, levamos em considera¸c˜ao apenas a contribui¸c˜ao do aumento do n´ucleo radiativo.

Figura 3.7: Contribui¸c˜ao do aumento do n´ucleo radiativo para a evolu¸c˜ao da velocidade angular do n´ucleo radiativo (linha tracejada) e do envelope convectivo (linha s´olida) de estrelas de 1 M

em fun¸c˜ao do tempo. Os diferentes rotores s˜ao identificados da seguinte forma: rotor r´apido (preto), m´edio (vermelho) e lento (azul).

As curvas para o n´ucleo (linha tracejada) e para o envelope (linha s´olida) evoluem de forma completamente diferente. Devido ao aumento do n´ucleo radiativo, observamos um crescimento da velocidade angular do n´ucleo. Analisando a equa¸c˜ao 2.29 podemos relacionar este aumento de velocidade com o aumento do momento de in´ercia. Nesse caso, o termo respons´avel pela evolu¸c˜ao da velocidade angular ´e positivo, al´em disso, a medida que o n´ucleo cresce, o seu raio aumenta e como consequˆencia, o seu momento de in´ercia aumenta. O aumento do momento de inercia nesse termo, somado ao fato do termo ser positivo, implica no aumento da velocidade do n´ucleo. Podemos ver nas curvas de evolu¸c˜ao um aumento da velocidade do n´ucleo at´e que a estrela se estabiliza na sequˆencia principal, em torno de 30 milh˜oes de anos, quando a velocidade se torna constante. Por outro lado, a velocidade do envelope convectivo diminui `a medida que a estrela evolui. Neste caso, a varia¸c˜ao do momento de in´ercia implica em uma diminui¸c˜ao da velocidade do envelope convectivo. Como podemos observar na equa¸c˜ao2.28, o termo respons´avel por esta evolu¸c˜ao ´e negativo. Soma-se a isso o fato de que, `a medida que o raio do n´ucleo aumenta, o momento de in´ercia do envelope diminui e, como consequˆencia observamos uma diminui¸c˜ao na velocidade. Assim que o n´ucleo se estabiliza, a velocidade

do envelope tamb´em se torna constante. ´E interessante perceber que, devido `a ausˆencia de termos de perda ou troca de momento angular, durante a MS as velocidades de ambos, n´ucleo e envelope, ficam constantes.

Figura 3.8: Contribui¸c˜ao da perda de momento angular atrav´es dos ventos estelares magneti- zados e aumento do n´ucleo radiativo para evolu¸c˜ao da velocidade angular do n´ucleo radiativo (linha tracejada) e do envelope convectivo (linha s´olida) para estrelas de 1 M em fun¸c˜ao do tempo. Os diferentes rotores s˜ao identificados da seguinte forma: rotor r´apido (preto), m´edio (vermelho) e lento (azul).

Na Figura 3.8, adicionamos o termo de perda de momento angular atrav´es dos ventos estelares magnetizados na evolu¸c˜ao observada na Figura3.7. Como anteriormente, apresentamos a evolu¸c˜ao para o n´ucleo (linha tracejada) e envelope (linha s´olida). As curvas mostradas na figura s˜ao para 3 estrelas de 1.0 M com diferentes velocidades angulares iniciais.

Verificamos que, inicialmente, o comportamento rotacional da estrela se mant´em o mesmo: o n´ucleo aumenta sua velocidade e, ap´os se estabilizar na MS, a velocidade se torna constante. Por outro lado, temos a perda de momento angular atrav´es de ventos estelares magnetizados agindo no envelope. Esta se manifesta nos est´agios finais da simula¸c˜ao.

Para rotores r´apidos, seu efeito ´e o de diminuir, levemente, a velocidade angular. Para outros intervalos de velocidade, ela aumenta, tamb´em sutilmente, as velocidades. Este ´e um resultado inesperado j´a que, como o termo da perda de momento angular por ventos

na equa¸c˜ao (2.28) ´e negativo e escrito como, Γenv Ienv,

ele deveria diminuir o valor da velocidade angular. Este aumento s´o acontece se um dos termos acima for negativo. O termo negativo, nesse caso, ´e a taxa de perda de momento angular, Γenv. Ela, nas tabelas fornecidas por Florian Gallet, ´e sempre positiva, mas de- pendente da velocidade angular. Os valores que foram utilizados em nossas equa¸c˜oes, s˜ao obtidos pela interpola¸c˜ao dos valores dados. Nesta condi¸c˜ao em que os ´unicos termos nas equa¸c˜oes (2.28) e (2.29) s˜ao termos que levam a uma diminui¸c˜ao da velocidade angular do envelope, esta atinge patamares que fornecem valores de ˙J negativos, o que, obviamente,

´e um processo n˜ao f´ısico.

A evolu¸c˜ao da velocidade angular do n´ucleo radiativo e do envelope convectivo somente com o termo de varia¸c˜ao de momento de in´ercia pode ser vista na Figura 3.9.

Figura 3.9: Contribui¸c˜ao da varia¸c˜ao do momento de in´ercia para a evolu¸c˜ao da velocidade angular do n´ucleo radiativo (linha tracejada) e do envelope convectivo (linha s´olida) para estrelas de 1.0 Mem fun¸c˜ao do tempo. Os diferentes rotores s˜ao identificados da seguinte forma: rotor r´apido (preto), m´edio (vermelho) e lento (azul).

A evolu¸c˜ao para velocidade angular do envelope, nesse caso, ´e idˆentica `a evolu¸c˜ao da velocidade angular da estrela de 1 M, vista no painel inferior da Figura3.5: a velocidade

aumenta at´e a MS e depois permanece constante. Como o n´ucleo radiativo aumenta de tamanho, o efeito ´e o contr´ario, e a velocidade do n´ucleo diminui at´e se estabilizar na MS.

Por fim, investigamos como a dura¸c˜ao do disco influencia na evolu¸c˜ao rotacional da estrela. Para isso, evolu´ımos trˆes estrelas de 1 M considerando as equa¸c˜oes (2.28) e (2.29) completas. O resultado obtido pode ser visto na Figura3.10.

Figura 3.10: Evolu¸c˜ao da velocidade rotacional do n´ucleo e envelope para estrelas de 1 M e diferentes tempos de vida de disco: 1×106 anos (painel superior esquerdo), 7×106 anos (painel superior direito) e 12×106 anos (painel inferior).

Todas as estrelas possuem, aproximadamente, a mesma velocidade inicial. `A me- dida que evoluem e, consequentemente, perdem o seu disco de acre¸c˜ao, as suas velocidades aumentam devido `a contra¸c˜ao do raio. Neste momento, podemos perceber que, embora os per´ıodos iniciais sejam quase os mesmos, ap´os a perda do disco eles se tornam diferentes.

Para umτdisc = 1×106 anos, como mostrado no painel superior esquerdo da Figura 3.10, temos um r´apido aumento da velocidade ainda na PMS que continua forte at´e a entrada da estrela na MS. Quando analisamos a estrela comτdisc = 7×106 anos, observamos um comportamento parecido, por´em, j´a ´e not´avel a diminui¸c˜ao na velocidade da estrela assim

que ela entra na MS. Para a estrela comτdisc = 12×106, observamos um s´ubito aumento da velocidade ap´os a perda de disco, mas, sua velocidade na MS ´e baixa se comparada aos outros dois casos.

E poss´ıvel notar, portanto, que quanto maior for o´ τdisco, menos tempo a estrela ter´a para acelerar e, consequentemente, a velocidade com a qual ela entra nos est´agios posteriores `a perda do disco ´e fortemente afetada, tanto no in´ıcio da simula¸c˜ao quanto no final.

Estes resultados mostram a influˆencia de cada mecanismo na evolu¸c˜ao da velocidade angular. Entretanto, somente a compara¸c˜ao com dados observacionais nos mostrar´a o qu˜ao pr´oximo da realidade est´a o nosso modelo. Isto ser´a feito no cap´ıtulo seguinte.

Cap´ıtulo 4

Teste KS

Em nossas simula¸c˜oes, analisamos um conjunto de modelos que diferem entre si pelas equa¸c˜oes utilizadas (equa¸c˜oes 2.5 - 2.10 para o modelo M1 e equa¸c˜oes 2.22 e 2.29 para o modelo M2), pelas distribui¸c˜oes iniciais dos per´ıodos, pelos valores do tempo limite, tth, e pelos valores do tempo de acomplamento n´ucleo-envelope,τce e os comparamos com as observa¸c˜oes dispon´ıveis para os aglomerados abertos citados no Cap´ıtulo 1. Na tabela 4.1, mostramos os parˆametros de cada um dos modelos considerados.

Tabela 4.1: Parˆametros dos modelos analisados.

Modelos

Estrelas com disco Estrelas sem disco τce (106 anos) J tth (106 anos) hPdi (dias) σd (dias) hPdli (dias) σdl (dias)

M1 8 6 3 2 n˜ao se aplica constante* 2.2

M2 8 6 3 2 30 vari´avel 2.2

M3 7 3 2 4 30 vari´avel 2.2

M4 7 3 2 4 30 vari´avel vari´avel

M5 7 3 2 4 vari´avel vari´avel vari´avel

*Para as estrelas sem disco.

Para os modelos nos quais o tempo limite varia, temos que, tth = 2.2∗f ac×106 anos, e:

f ac=

P [0,∗]

Pmed 0.5

, (4.1)

ondePmed= 7.5 dias.

A Tabela 4.2 apresenta os dados dos aglomerados selecionados para compara¸c˜ao.

Nesta tabela, mostramos o aglomerado, a idade estimada, os crit´erios de sele¸c˜ao aplicados,

o n´umero de estrelas dos cat´alogos e, por fim, o n´umero de objetos obtidos ap´os a aplica¸c˜ao dos crit´erios de sele¸c˜ao.

Tabela 4.2: Dados dos aglomerados

Aglomerado Idade (Milh˜oes de anos) Crit´erio de Sele¸c˜ao Cat´alogo N Ref

ORION´ 2 05-1.0 M 622 68 1

NGC 2264 3 0.5-1.0 M 304 53 2

CYG OB2 5 0.5-1.0 M 894 258 3

CEP OB3 5 1.45≤V −I≤2.25 704 85 4

NGC 2362 5 05-1.0 M 272 41 5

USco 11 2.0≤V −K ≤4.1 1132 144 6

h Per 13 0.5-1.0 M 508 219 7

PLEIADES 125 1.74≤V −K ≤4.49 759 200 8

M37 550 0.76≤V −I≤2.0 575 366 9

Referˆencias: (1) Davieset al. (2014); (2) Affer et al. (2013) e Cody et al. (2014); (3) Roquette et al. (2017); (4) Littlefairet al. (2010); (5) Irwin et al. (2008); (6) Rebull et al. (2018); (7)Moraux et al. (2013); (8)Rebull et al. (2016); (9) Hartmanet al.

(2009).

Resultados

As tabelas abaixo mostram os resultados obtidos utilizando os modelos apresenta- dos na Tabela4.1. Comparamos os dados das nossas simula¸c˜oes com os dados observados para cada aglomerado. Assim, para o teste KS, selecionamos o n´umero total de estrelas da nossa simula¸c˜ao e comparamos com o n´umero de membros obtido ap´os a aplica¸c˜ao dos crit´erios de sele¸c˜ao.

Nas nossas tabelas, quando a diferen¸ca, Dn,m (equa¸c˜ao 1.12), for maior que um certo valor valor cr´ıtico, Dn,m,α (equa¸c˜ao 1.14), n´os rejeitaremos a hip´otese nula. Por outro lado, caso Dn,m seja menor que Dn,m,α n´os aceitaremos a hip´otese nula e, assim, podemos dizer que as amostras s˜ao similares ou, posto de outra maneira, que tˆem origem na mesma popula¸c˜ao de per´ıodos de rota¸c˜ao estelares.

M1 x M2

Na tabela abaixo, mostramos os valores obtidos para Dn,m e para Dn,m,α para os modelos M1 e M2. Aqui, comparamos os dois modelos para verificar se, ao considerarmos a varia¸c˜ao do momento angular, o nosso teste indicaria a rejei¸c˜ao ou n˜ao da nossa amostra.

Tabela 4.3: Compara¸c˜ao dos modelos M1 e M2

M1 x M2

M1 M2

Dn,m Dn,m,α

A amostra representa

a popula¸ao? Dn,m Dn,m,α

A amostra representa a popula¸ao?

ONC 0,15 0,164682 sim 0,20 0,16482 ao

NGC 2264 0,31 0,186536 ao 0,20 0,186536 ao CYG OB2 0,31 0,0845454 ao 0,20 0,0845454 ao CEP OB3 0,28 0,147296 ao 0,33 0,147296 ao NGC 2362 0,16 0,212084 sim 0,08 0,212084 sim

USco 0,18 0,113167 ao 0,10 0,113167 sim

h Per 0,16 0,0917651 ao 0,16 0,0917651 ao PLˆEIADES 0,52 0,0960251 ao 0,27 0,0960251 ao

M37 0,75 0,0709838 ao 0,069 0,0709838 sim

Ao analisarmos o modelo M1 na Tabela 4.3, podemos verificar que mesmo man- tendo J constante, este modelo consegue reproduzir as distribui¸c˜oes de ONC e NGC 2362.

Neste mesmo modelo, podemos perceber que o teste KS para os demais aglomerados n˜ao reproduziu bem os resultados. A fim de testarmos se a varia¸c˜ao do momento angular seria capaz de melhorar os resultados, criamos e avaliamos o modelo M2.

No modelo M2, onde incluimos os mecanismos de perda e troca de J, observamos que a estat´ıstica KS indicou uma menor diferen¸ca Dn,m para quase todos os aglomerados, exceto para o ONC e Cep OB3. Essa diminui¸c˜ao fez com que NGC 2362, USco e M37 fossem reproduzidos com nossas simula¸c˜oes. No entanto, para NGC 2264, Cyg OB2, as Plˆeiades e h Per, esta diminui¸c˜ao no valor de Dn,m n˜ao foi o suficiente para que as amostras fossem similares.

Sendo assim, modificamos alguns parˆametros e evolu´ımos um modelo no qual modi- ficamos a distribui¸c˜ao inicial de per´ıodos. Os resultados obtidos, assim como a compara¸c˜ao com o modelo M2 s˜ao mostrados na Tabela 4.4.

M2 x M3

Tabela 4.4: Compara¸c˜ao dos modelos M2 e M3

M2 x M3

M2 M3

Dn,m Dn,m,α

A amostra representa

a popula¸ao? Dn,m Dn,m,α

A amostra representa a popula¸ao?

ONC 0,20 0,164682 ao 0,12 0,164682 sim

NGC 2264 0,20 0,186536 ao 0,21 0,186536 ao CYG OB2 0,20 0,0845454 ao 0,15 0,0845454 ao CEP OB3 0,33 0,147296 ao 0,33 0,147296 ao NGC 2362 0,08 0,212084 sim 0,13 0,212084 sim

USco 0,10 0,113167 sim 0,10 0,113167 sim

h Per 0,16 0,0917651 ao 0,19 0,0917651 ao PLˆEIADES 0,27 0,0960251 ao 0,34 0,0960251 ao

M37 0,069 0,0709838 sim 0,10 0,0709838 ao

O modelo M3 diminuiu a diferen¸ca Dn,m para ONC e Cyg OB2. Esta diminui¸c˜ao foi suficiente para que possamos dizer que as nossas simula¸c˜oes reproduzem o ONC, mas n˜ao Cyg OB2. A diferen¸ca entre as amostras, por outro lado, aumentou para NGC 2264, NGC 2362, h Per, as Plˆeiades e M37, que n˜ao ´e mais reproduzido simula¸c˜ao.

Dessa forma, optamos por modificar mais alguns parˆametros para tentar diminuir o valor de Dn,m e, assim, obter um modelo mais adequado. Para isso, decidimos que os valores de hPdi, σd, hPdli e σdl permaneceriam os mesmos. Por outro lado, tth, se torna vari´avel. Chamamos esse modelo de M4 e os valores obtidos para Dn,m, assim como a compara¸c˜ao com o modelo M3, s˜ao apresentados na Tabela 4.5.

M3 x M4

O modelo M4 produz resultados muito similares `aqueles do modelo M2, ou seja, a considera¸c˜ao de um tempo limite vari´avel compensou a mudan¸ca das condi¸c˜oes iniciais, com rela¸c˜ao ao modelo M2. Comparado ao modelo M3, ele produziu resultados piores, exceto para M37.

No documento PROFÍSICA MATEUS COSTA RAMOS ROTA¸C˜A (páginas 50-80)

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