Quando debatemos a prática pedagógica de qualquer professor vemos que, por trás de suas ações há sempre um conjunto de ideias e teorias que as orientam. As teorias de ensino estão presentes mesmo quando fazemos a gestão da sala de aula desconhecendo filosofias e tendências pedagógicas ou com imperícia em concepções e práticas de ensino.
Enfatizamos que, ao considerar as aulas remotas uma modalidade de ensino, tal qual a educação a distância, abarcamos dois grupos de professores na população da pesquisa. O primeiro reuniu 17 docentes da última etapa da Educação Básica, do
município de Santa Inês-MA, da rede estadual de ensino. O segundo computou 11 professores-tutores da educação a distância da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), designadamente vinculados ao Núcleo de Tecnologia para Educação (UE- MAnet).
No ensino remoto os docentes relatam que modelos educativos indiscriminada- mente se adaptaram ao uso de ferramentas da TDIC. Para permitir a transmissão de videoconferência e compartilhamento de tela com os estudantes. Descobrimos que os docentes do Ensino Médio agendam suas aulas síncronas com compartilhamento de tela pelo teams para educação; google meet; skype web; skype in the classroom; zoom meetin- gs e youtube.
As metodologias no ensino remoto demonstram a distopia que se vive entre as técnicas utilizadas em metodologias ativas, às vezes, explorando excessivamente ví- deos, textos, imagens e áudios.
a. Os exemplos educativos perpassam pelo ensino híbrido, ocasionalmente incrementando a combinação do aprendizado on-line com o off-line, com ludicidade, gamificação, aplicativos e linguagem dinâmica.
b. Os modelos da sala de aula invertida, proporcionam aos estudantes ao menos a orientação para se chegar em sala de aula, aliás, nas aulas vir- tuais síncronas, após ter estudado o conteúdo em casa.
O que averiguamos são as ambiguidades ignoradas pelos docentes, atinentes à teoria e prática pedagógica para aplicação de metodologias de ensino. Será se o pro- fessor consegue trabalhar nessa lógica educativa de mudança bruscas sem assessoria pedagógica digital, oferecendo suporte administrativo e pedagógico à escola?
Depois da migração do Ensino Médio presencial, observamos que o carácter do ensino remoto é tão presente, que nem o uso do Ambiente Virtual de Ensino e Apren- dizagem (AVEA) resolve a distopia educativa que vivemos. Ou seja, apesar dos pro- fessores do Ensino Médio utilizarem a plataforma do google classroom, que permite acessar a sala de aula on-line do google, local onde estudantes e professores podem realizar encontros virtuais para a realização de aulas à distância, imperam reuniões virtuais síncronas com condições teóricas e práticas alienantes. Extremismos pedagó- gicos são notórios no ensino remoto.
Na educação a distância os professores-tutores disseram que já existe metodo- logias consolidadas. As disciplinas são disponibilizadas aos estudantes por meio de plataformas digitais. Planejamento estruturado para expor materiais pedagógicos pro- duzidos especificamente para os modelos de educação que funcionam com auxílio da tecnologia. Isto é, dificilmente artificializaram teorias e práticas pedagógicas como transparece no ensino remoto.
As competências docentes para se lecionar no ensino remoto estão no pensamen- to que é dominar os instrumentos e ferramentas tecnológicas. Queremos dizer que não foi comprovada a preocupação em saber da filosofia, gestão teórica e prática do ensi- no. Há ansiedade em utilizar as tecnologias para potencializar o processo de ensino e aprendizagem. Acreditamos que esse estudo nos ajudou a refazer uma interrogação pertinente às capacidades, habilidades e competências dos professionais do magistério na atualidade:
Relembramos que, nossas hipóteses se confirmam após ver o diagnóstico que os professores da educação on-line carregam um simbolismo tecnológico oco, movido pelos ideais do ensino presencial, e forjam um sincretismo do ensino não presencial misturado com práticas da educação a distância, em virtude da pandêmica da Co- vid-19. Será se o ensino remos criou ainda sua identidade teoria, e, cunhou sua prática pedagógica de forma institucionalizada?
A resposta imediata é que os professores do ensino remoto não têm certeza de suas obrigações. Preferem manter conexões assistemática com os estudantes para apoiá-los a qualquer custo. Incorrem em equívocos teóricos e práticos com adaptações dispensáveis para o enfrentamento da educação pandemializada. A propagação de uma nova modalidade de ensino (remoto) excluiu professores e estudantes. Segrega o professorado, por não dominar conceitos teóricos e práticos, o educado pelas condi- ções econômicas e sociais.
Os professores-tutores da educação a distância afirmam que para além das com- petências em período de emergência. Emergência sanitária vivida pelo Brasil e pelo mundo na área da educação. Somente os materiais didáticos não passam a exercer a mediação da aprendizagem. Para evitar retrocesso de aprendizagem por parte dos es- tudantes e a perda do vínculo com a escola, recorrentemente também agendam aulas síncronas com compartilhamento de tela. Entendemos que vossas competências se en- contram imprecisas, ao passo que os estudantes estão afastados do ambiente físico do polo de apoio presencial. A educação são minuciosas ações. Institucionalizar a forma- ção contínua e aperfeiçoar as competências para se ensinar on-line é quase imperativo às aptidões docentes proficientes, não só em tempo de crise.
Qual maior receio docente quando se ensina on-line?
Para o docente que ensina na modalidade remota o discurso é de medo, em não dominar as Tecnologias Digitais de Comunicação e Informação (TDTIC), tornando suas aulas, práticas improvisadas e desinteressantes, em algumas situações ridiculari- zadas. O professor-tutor da educação a distância é mais lucido ao afirmar que é preciso não fundir competência docente com capacidade de transmissão de conteúdo, pois
com diversos meios e processos de ensino e aprendizagem para lecionar na modalida- de virtual podemos pecar por excesso de atividades. Sobrecarregar professor e estu- dante é mais fácil do que se imagina com a superconexão que temos hoje.