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A escola, local de atuação docente, que foi e é um produto criado pela e para a sociedade. Atualmente, observa-se uma crise na educação no sentido que, diante do surgimento de novas formas de organização social, econômica e política, o papel da educação nesta sociedade da informação precisa ter um novo significado. O conhecimento, dentro desta nova forma de organização social e econômica, se torna a variável mais importante, e é o professor o agente que participa mais intimamente deste processo de ensino-aprendizagem (TEDESCO, 1998, p. 11-23).

A crise da escola pública, a crescente fragmentação do sistema de ensino e a desvalorização do profissional da educação permeiam lutas exigentes de qualidade na educação, esta qualidade que seria a solução para a crise dos sistemas escolares. Os desafios da educação atual estão no resgate de diferentes espaços educativos, a partir de uma educação não-formal, realizada em diversos âmbitos, instituições e práticas sociais, liberando o potencial transformador das práticas educativas, ampliando sua concepção e multiplicando os espaços de promoção, afirmando os diferentes ecossistemas educativos (CANDAU, 1993).

O desafio deste momento é acentuado pela necessidade de mudanças na atuação do professor, em todas as áreas e em todos os níveis de ensino, salientando a construção de um profissional reflexivo (DELIZOICOV, 2003).

Diante dessa realidade, o presente trabalho apresenta o ponto de vista do cursista e do aluno egresso em relação ao seu curso de graduação. Os resultados encontrados estão apresentados ao longo do texto e foram obtidos por meio de questionários respondidos pelos alunos, como mencionado anteriormente.

A amostragem total de questionários respondidos não pôde ser maior devido a alguns problemas encontrados na distribuição e recolhimento destes questionários, apesar das várias tentativas de distribuição e recolhimento.

Observamos com os licenciandos o esquecimento de resposta e devolução do questionário, a não localização dos alunos de determinados períodos para distribuição dos questionários, entre outros fatores. Já para os alunos egressos, observamos que a dificuldade de comunicação com estes alunos, seja por telefone ou endereço eletrônico e a desvinculação destes alunos com a instituição favoreceu o baixo número de questionários respondidos. Isso ocorreu porque alguns alunos

não valorizaram o questionário como um instrumento capaz de promover mudanças no curso, logo não se comprometeram com a devolução do mesmo respondido.

Apesar dos problemas acima descritos, foi alcançado um número representativo de questionários respondidos de cada período, no caso dos licenciandos do curso, como pode ser visualizado na figura 1, onde um maior número de questionários respondidos pôde ser obtido dos alunos que cursavam o terceiro e o sétimo período do curso (21,79%) de Ciências da Natureza. Pode ser verificado, ainda na figura 1, que os períodos de número ímpar têm maior representatividade do que os de números pares. Isso ocorre porque a análise foi feita no primeiro semestre onde os períodos de números ímpares funcionam no turno da noite, enquanto os períodos pares funcionam no turno da tarde, onde só podem cursar aqueles alunos que não trabalham durante o dia.

Figura 1: Representatividade de cada período do curso de Ciências da Natureza. Porcentagem aluno atual/período do curso superior de Ciências da Natureza do CEFET Campos pesquisados para a construção deste trabalho. 1) Primeiro período; 2) Segundo período; 3) Terceiro período; 4) Quarto período; 5) Quinto período; 6) Sexto período; 7) Sétimo período; 8) Oitavo período. Total= 78 alunos.

5.1- Dados gerais

Objetivando traçar o perfil dos alunos que buscam o curso de Ciências da Natureza, foram elaboradas perguntas sobre seus dados gerais (seção 1 do

1 2 3 4 5 6 7 8

0 5 10 15 20 25

12,82%

1,28%

21,79%

8,97%

15,38%

11,53%

21,79%

6,41%

Período

Aluno (%)

questionário) como, por exemplo, idade, cidade onde mora, com quem mora, escola de origem, e se estes alunos trabalham. De acordo com a análise dos resultados obtidos desta seção do questionário submetido aos licenciandos e aos alunos egressos do curso superior de Ciências da Natureza do CEFET Campos, observamos que a maioria dos licenciandos (68%) e dos egressos (66,66%) encontra-se na faixa etária de 19 a 22 e 23 a 26 anos de idade, respectivamente.

Esse dado mostra que os alunos do curso de Ciências da Natureza estão iniciando sua graduação logo após a conclusão do Ensino Médio, vide figura 2. Isso está de acordo com o que foi observado por Pantaleo Júnior (2005), onde a maioria dos alunos do curso de Licenciatura em Física do CEFET - SP encontram-se na faixa etária de 18 a 25 anos.

Figura 2: Distribuição etária dos licenciandos (A) e dos alunos egresso (B) do curso superior de Ciências da Natureza do CEFET Campos. (A) a) 16 a 18; b) 19 a 22; c) 23 a 26; d) 27 em diante. (B) a) 19 a 22; b) 23 a 26; c) 27 a 30; d) 31 em diante.

Quando perguntamos aos alunos sobre qual seria sua cidade de origem (figura 3) e qual seria sua cidade de atual moradia (figura 4), observamos que a maioria dos alunos do curso de Ciências da Natureza nasceu e reside em Campos do Goytacazes - RJ. Observa-se ainda com esta análise que o curso recebe alunos de diferentes cidades do Estado do Rio de Janeiro, tais como Itaperuna, São João da Barra, São Fidélis, Casimiro de Abreu e Rio de Janeiro, além de cidades de outros estados como, por exemplo, Brasília - DF, Mimoso do Sul – ES, São José dos Campos – SP e Belém - PA. Este dado reforça a importância da instituição para a

0 10 20 30 40 50 60 70

2,6%

68%

23%

6,4%

a b c d

A

Idade

Aluno (%)

0 10 20 30 40 50 60 70

a b c d

0%

66,6%

11,2%

22,2%

B

Idade

Aluno (%)

cidade de Campos dos Goytacazes e para as cidades vizinhas, dando suporte educacional de qualidade e gratuito a população.

Figura 3: Identificação da cidade natal dos alunos. Distribuição das cidades onde nasceram os licenciandos (A) e os alunos egressos (B) do curso superior de Ciências da Natureza do CEFET Campos. (A) 1) Campos dos Goytacazes; 2) Outras cidades do Estado do Rio de Janeiro; Cidades de outro Estado. (B) 1) Campos dos Goytacazes; 2) Italva; 3) Resende; 4) Belo Horizonte; 5) Petrópolis.

Figura 4: Distribuição das cidades onde moram os licenciandos (A) e os alunos egressos (B) do curso superior de Ciências da Natureza do CEFET Campos. (A) 1) Campos dos Goytacazes; 2) São João da Barra; 3) São Fidélis; 4) Italva; 5) Casimiro de Abreu, Cardoso Moreira e Macaé. (B) 1) Campos dos Goytacazes; 2) Italva; 3) São Francisco.

Verificamos que 39,08% dos alunos do curso não moram em sua cidade natal e, ao questionarmos estes alunos sobre o motivo da mudança de cidade, os mesmos apresentam como justificativa a busca por estudo (44%), trabalho (11,77%),

1 2 3

0 10 20 30 40 50 60

70 61,53%

6,41%

26,92%

A

Cidade onde nasceu

Aluno (%)

1 2 3 4 5

0 10 20 30 40 50 60 55,6%

11,1% 11,1% 11,1% 11,1%

B

Cidade onde nasceu

Aluno (%)

1 2 3 4 5

0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 84,61%

5,12% 2,56%

A

5,12%

Cidade onde mora

Aluno (%)

1 2 3

0 10 20 30 40 50 60 70

80 77,8%

11,1% 11,1%

B

Cidade onde mora

Aluno (%)

dentre outros motivos (44%). Verificamos também através desta pesquisa que a maioria dos licenciandos do curso superior de Ciências da Natureza mora com os pais (58,97%), já os alunos egressos do curso residem, em sua maioria, com os pais (44,5%) ou com companheiro (a) e filhos (33,3%), figura 5.

Figura 5: Situação de moradia dos licenciandos e os alunos egressos do curso superior de Ciências da Natureza do CEFET Campos. a) Sozinho; b) Com os pais;

c) Com companheiro; d) Com companheiro(a) e filhos; e) Em república; f) Outro.

Quando perguntou-se aos alunos sobre a esfera de ensino onde concluíram seus estudos, verificou-se que o curso de Ciências da Natureza do CEFET Campos tem atendido principalmente alunos que cursaram o ensino médio em escola pública (81,6%), figura 6. Salientado que deste total, 29,57% são alunos oriundos do ensino médio da própria instituição. Observamos que a maioria dos alunos que foram submetidos ao questionário desta pesquisa afirmou ter cursado somente o ensino médio (66,66%), salientando também a presença de alunos no curso de Ciências da Natureza que cursaram técnico profissionalizante (39,08%) e normal médio (3,44%).

Estes dados vão de encontro ao que foi observado no estudo realizado por Mazzeto (2002) no curso de Licenciatura em Química da Universidade Federal do Ceará, onde 48% dos alunos estudaram em escola privada.

0 10 20 30 40 50

60 Alunos atuais

Alunos egressos

a b c d e f

5,12% 11,1% 58,97% 44,5% 7,69% 5,12%

11,1% 33,3% 11,53% 11,53%

0% 0%

Com quem mora

Aluno (%)

Figura 6: Escola de origem dos licenciandos e dos alunos egressos do curso superior de Ciências da Natureza do CEFET Campos. a) Pública; b) Particular; c) Particular com bolsa de estudo.

Constatou-se, também, através desta pesquisa, que a maioria dos licenciandos do curso superior de Ciências da Natureza exerce algum tipo de atividade remunerada (figura 7) como estagiário/bolsista (35,89%) ou trabalho (30,76%), porém estes alunos não afirmam que são independentes economicamente (80,76%). Os alunos egressos do curso indicam que já trabalham (88,88%) ou realizam estágio/bolsa (11,11%) e, a maioria dos alunos egressos indica ser independente economicamente (66,6%), confirmando a aquisição de emprego após o término do curso.

Figura 7: Situação empregatícia dos licenciandos e os alunos egressos do curso superior de Ciências da Natureza do CEFET Campos. a) Trabalham; b) Não trabalham; c) Estagiário/Bolsista.

0 10 20 30 40 50 60 70 80

90 81,6%

12,64%

5,75%

a b c

Escola de origem

Aluno (%)

0 10 20 30 40 50 60 70 80 90

33,33%

35,89%

30,76%

a b c

88,88%

11,11% 11,11%

Alunos egressos Alunos atuais

Trabalha

Aluno (%)

5.2- Dados referentes ao curso

Através desta pesquisa pôde-se comprovar a preferência pela Licenciatura em Biologia por parte dos alunos do curso superior de Ciências da Natureza, onde 46,15% dos trinta e nove alunos (sendo 30 licenciandos e 9 egressos) entrevistados escolheram fazer biologia, 38,46% escolheu cursar química e 17,94% dos alunos optaram por cursar física. Observamos também através desta pesquisa que 76,74%

dos licenciandos afirmam que não mudaram de opção de licenciatura durante o módulo básico com relação ao seu interesse no primeiro período.

Perguntamos para os oitenta e sete alunos pesquisados do curso superior de Ciências da Natureza para que indicassem cinco palavras que definissem o curso de Ciências da Natureza do CEFET Campos. O quadro 1 apresenta as palavras indicadas pelos alunos, onde pode ser observado que 39,08% dos alunos citaram a palavra interdisciplinaridade como definidora do curso de Ciências da Natureza.

Outras palavras positivas mais citadas foram: inovador (14,94%), bom (13,79%), didático e ideológico (12,64%), o que mostra que a proposta de curso está alcançando alguns de seus objetivos. Verifica-se também que algumas palavras como difícil (12,64%) desorganizado (11,49%) rigoroso (11,49%) e cansativo (9,19%) também foram apresentadas pelos alunos como definidoras do curso, sugerindo uma reflexão, por parte destes alunos, sobre algumas limitações que poderiam estar ocorrendo durante o curso.

Confirmou-se através desta pesquisa que a maioria dos licenciandos e egressos não possuía o desejo de cursar licenciatura, 80,45% contra 19,54% dos alunos que asseguraram sempre desejaram fazer licenciatura. Os alunos que disseram que não queriam cursar licenciatura afirmaram, em sua maioria, que está fazendo o curso superior de Ciências da Natureza pela não aprovação em outros vestibulares (25,71%), figura 8.

Quadro 1: Palavras que definem o curso superior de Ciências da Natureza do CEFET Campos citadas pelos alunos pesquisados.

Adjetivos

Interdisciplinar (39,08%) Inovador (14,94%) Didático (12,64%) Ideológico (12,64%) Bom (13,79%) Diferente (5,74%) Útil (8,04%) Rigoroso (11,49%) Competente (6,89%) Curioso (4,59%) Dinâmico (4,59%) Complexo (4,59%) Conhecedor (6,89%) Desafiador (4,59%) Organizado (3,44%) Inteligente (2,29%) Qualificado (4,59%) Amplo (3,44%) Interessante (3,44%) Inclusivo (1,14%) Sério (2,29%) Perseverante (3,44%) Criativo (1,14%) Inespecífico (1,14%) Importante (2,29%) Atual (2,29%) Avançado (1,14%) Corrido (1,14%) Difícil (12,64%) Desorganizado (11,49%) Cansativo (9,19%) Deficiente (5,74%) Limitado (3,44%) Teórico (2,29%) Desvalorizado (1,14%)

Figura 8: Justificativa apresentada pelos alunos por estarem cursando licenciatura, mesmo não havendo um interesse inicial. 1) Não aprovação em outros vestibulares; 2) Pelas universidades da cidade não oferecerem o curso de interesse; 3) Pela identificação com uma das áreas do curso de ciências; 4) Para ter opção de trabalho; 5) Por admiração à profissão; 6) Por influência de professores.

Quando os licenciandos e egressos do curso foram questionados sobre o motivo de terem escolhido o CEFET Campos foi afirmado, em sua maioria, que a escolha foi motivada por fatores como a qualidade da instituição (51,72%) e pelo

1 2 3 4 5 6

0 10 20 30

25,71%

17,14%

12,85%

8,57%

2,85%

Por que está cursando, apesar de não querer fazer?

Justificativa

Aluno (%)

ensino público oferecido (37,93%), figura 9. Os licenciandos afirmam também que escolheram o curso de Ciências da Natureza por se identificarem com uma das áreas do curso (70,52%), figura 10.

A figura 11 mostra como o curso superior de Ciências da Natureza do CEFET Campos chegou ao conhecimento dos atuais alunos, demonstrando que a maioria dos alunos adquiriu conhecimento sobre o curso através de parentes/amigos (24,35%) e através da divulgação na escola onde cursou o Ensino Médio (23,07%), observando também outras formas de divulgação como internet, visita à instituição e jornal, somando 30,76% das opiniões.

Figura 9: Justificativa dada pelos alunos para a escolha do CEFET Campos para a realização do Ensino Superior. 1) Pela qualidade da instituição; 2) Pelo ensino público; 3) Por comodidade (localização, horário, ex- aluno da instituição); 4) Pelo curso de Ciências da Natureza; 5) Pela não aprovação em outros vestibulares;

6) Pela preparação para o mercado de trabalho.

1 2 3 4 5 6

0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55

Por que você escolheu o CEFET Campos?

51,72%

37,93%

25,28%

12,64%

6,89%

Justificativa

Aluno (%)

Figura 10: Justificativa fornecida pelos alunos para a escolha do curso de Ciências da Natureza. a) Por se identificar com a área de Física, Química, Biologia; b) Por se identificar com uma das áreas do curso; c) Outro (universidades de Campos não oferecerem o curso de interesse).

Figura 11: Forma como os alunos tomaram conhecimento sobre o curso de Ciências da Natureza. 1) Através de parentes/amigos; 2) Através de divulgação na escola onde cursou o Ensino Médio; 3) Através da internet; 4) Durante o ensino médio/técnico no CEFET;

5) Visita ao CEFET; 6) Através de jornal; 7) Não respondeu.

1 2 3 4 5 6 7

0 5 10 15 20 25

Como você tomou conhecimento do Curso de Ciências da Natureza do CEFET?

24,35%

23,07%

16,66%

12,82%

7,69%

1,28%

Justificativa

Aluno (%)

Fonte de informação

a b c

0 25 50 75

26,92%

70,52%

2,56%

Justificativa

Aluno (%)

Quando os alunos (atuais e egressos) do curso foram questionados sobre a validade da proposta do curso, 18,39% afirmaram que a proposta do curso é totalmente válida, 24,13% disseram que a proposta é válida, mas existem algumas ressalvas, 56,32% alunos afirmam que a proposta é válida, mas a estrutura do curso deve ser reformulada e apenas 1,14% dizem que não acham válida a proposta do curso. De acordo com esta pergunta, alguns alunos sugeriram algumas mudanças aplicáveis ao curso de Ciências da Natureza, como pode ser observado na figura 12, a sugestão mais citada foi aplicar a interdisciplinaridade proposta para o curso (23,07%), o que mostra que a proposta do curso não atingiu totalmente seu principal objetivo. Também foi bastante sugerida a redução do número de períodos do núcleo básico e aumento no núcleo específico (19,23%) e o aumento do número de aulas práticas (10,25%), mostrando a insatisfação do aluno com relação a formação específica oferecida. Observou-se também os alunos sugerindo a adoção do sistema de créditos para as disciplinas do curso (6,41%), já que isto facilitaria a conclusão do curso nos casos de alunos repetente e/ou transferidos de outras instituições.

Apesar da grande porcentagem de alunos (80,45%) afirmarem que a proposta do curso de Ciências da Natureza seja válida com algumas ressalvas ou que a estrutura do curso deve ser reformulada, observa-se que 65,51% dos licenciandos e alunos egressos do curso, afirma que a interdisciplinaridade seja um dos fatores mais interessantes na estrutura do curso, como indicado na figura 13.

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 0

5 10 15 20 25

19,23% 16,66% 10,25% 23,07% 7,69% 6,41% 2,56% 2,56%

1,28%

Justificativa

Aluno (%)

Propostas

Figura 12: Propostas dos alunos para o curso de Ciências da Natureza. 1) Redução do número de períodos do núcleo básico e aumento no núcleo específico; 2) Transferência de disciplinas muito específicas do núcleo básico para o núcleo específico; 3) Aumentar o número de aulas práticas; 4) Aplicar a interdisciplinaridade proposta para o curso; 5) Desmembrar as licenciaturas; 6) Adotar o sistema de créditos para as disciplinas do curso;

7) Reduzir a carga horária pedagógica; 8) Desmembrar as disciplinas anexadas; 9) Incentivar a melhoria da prática docente no nível didádico-pedagógico; 10) Inserir carga horária destinada ao estágio na grade do curso; 11) Reduzir a carga horária no 8º período de Biologia; 12) Unir os cursos de Física com o de Matemática.

Figura 13: Opinião dos alunos sobre o que julgam mais interessante na estrutura do curso superior de Ciências da Natureza. 1)Interdisciplinaridade; 2) Estrutura física (laboratórios, saídas de campo, aulas práticas); 3) Preparação pedagógica; 4) Formação em 1, 2 ou 3 áreas em pouco tempo; 5) Incentivo dos professores e da instituição aos alunos; 6) Distribuição do estágio supervisionado nos três últimos períodos; 7) Comprometimento na formação de professores; 8) Diversidade das matérias. (Sem resposta: 5,74%)

A figura 14 mostra o motivo da escolha, descrito pelos alunos do curso, sobre o ingresso em um curso com uma proposta diferente, ao invés de cursar uma graduação tradicional. Os 87 alunos pesquisados afirmaram, em sua maioria, que a escolha foi influenciada pela proposta interdisciplinar (42,52%), e outros fatores ainda foram indicados como, a identificação com a área de ciências (5,74%) e a oportunidade de reingresso (3,44%) com possibilidade de concluir outra graduação em menos tempo também influenciou suas escolhas. Ouro fator importante que foi verificado através desta pesquisa é que 16,09% dos alunos afirmaram que não

1 2 3 4 5 6 7 8

0 10 20 30 40 50 60

70 65,51%

9,19%

3,44%4,59%

2,29% 1,14% 4,59%

Justificativa

Aluno (%)

Opinião

conheciam a proposta do curso antes do ingresso, mas depois que iniciaram o curso, acharam interessante e gostaram da sua proposta.

Figura 14: Preferência pelo curso de Ciências da Natureza em relação a outras graduações tradicionais. 1) Pela sua proposta interdisciplinar; 2) Identificação com a área de ciências; 3) Pela oportunidade de reingresso (outra faculdade em menos tempo); 4) Por curiosidade; 5) Desconhecia a proposta antes de entrar no curso; 6) Falta de opção; 7) Outro (falta de dinheiro, continuar no CEFET, etc.). (Sem resposta= 4,59%)

Observou-se através desta pesquisa que a maioria dos alunos, atuais e egressos, realizam ou realizaram, estágio supervisionado em instituição pública de ensino (55,76%), figura 15. Estes alunos ainda afirmam que o estágio é fundamental (42,3%) ou necessário (40,38%) para a sua formação, figura 16.

1 2 3 4 5 6 7

0 5 10 15 20 25 30 35 40

45 42,52%

5,74%

3,44%

11,49%

16,09%

4,59%

Justificativa

Aluno (%)

Motivo

Pública Particular Am bas 0

10 20 30 40 50

60 55,76%

15,38%

28,84%

Instituição de ensino

Aluno (%)

Figura 15: Local de realização de estágio supervisionado pelos alunos do Curso de Ciências da Natureza.

Figura 16: Importância do estágio supervisionado sob a visão dos alunos do curso superior de Ciências da Natureza. a) Fundamental; b) Necessário; c) Indiferente; d) Outros.

Ainda com relação ao estágio supervisionado, 43 licenciandos que já iniciaram suas experiências no estágio supervisionado (alunos a partir do 5º período do curso) afirmam em sua maioria (46,51%) não existir alguma dificuldade no estágio. Outros 44,18% afirmam que já encontraram alguma dificuldade no estágio e, as mesmas podem ser visualizadas na figura 17, onde a falta de tempo disponível para cumprir a carga horária requerida encontra-se como maior dificuldade apontada por estes alunos (73,68%).

a b c d

0 5 10 15 20 25 30 35 40

45 42,30%

40,38%

17,30%

0%

Opinião

Aluno (%)

a b c d e

0 25 50 75

26,31%

15,78%

0%

73,68%

21,05%

Dificuldade

Aluno (%)

Figura 17: Dificuldades apontadas pelos alunos do curso superior de Ciências da Natureza com relação ao estágio supervisionado. a) Recepção do estagiário por parte da instituição; b) Recepção do estagiário por parte do professor avaliador; c) Recepção do estagiário por parte dos alunos; d) Falta de tempo disponível para cumprir a carga horária; e) Outra.

Com relação à importância das aulas de prática pedagógica para a sua formação docente, os 87 alunos pesquisados afirmam, em sua maioria, que as aulas são necessárias (35,63%) para a construção de sua formação docente, observe (figura 18).

Figura 18: Visão dos alunos do curso superior de Ciências da Natureza do CEFET Campos sobre as aulas de prática pedagógica. a) Fundamentais; b) Necessárias; c) Indiferentes.

Com relação à taxa de reprovação, 35,89% dos 78 alunos entrevistados foram reprovados em alguma disciplina e, deste total pôde-se concluir que as disciplinas dos primeiros períodos do ciclo básico do curso possuem maior taxa de reprovação, quando comparadas às disciplinas do ciclo específico, como pode ser observado nos quadros 2 e 3. Este fato pode ser explicado pelo maior número de alunos nos períodos iniciais e também pelo maior número de questionários respondidos obtidos destes períodos. Apesar desse fator, os dados corroboram com o que foi descrito por Mazzeto (2002), onde a maior taxa de reprovação é encontrada no primeiro ano do curso, o que, segundo o autor, se deve ao fato de ser este um período de adaptação.

a b c

0 10 20 30 40

29,88%

35,63%

8,04%

Justificativa

Aluno (%)

Quadro 2: Reprovação dos licenciandos do curso superior de Ciências da Natureza do CEFET Campos por disciplinas/período do ciclo básico.

1º Período 2º Período 3º Período 4º Período 5º Período

Matemática instrumental I

(21,42%)

Contexto social:

Psicologia do desenvolvimento

e da aprendizagem

(7,14%)

Contexto da instituição escolar:

Produção e gestão do conhecimento

(10,71%)

Estrutura da matéria I (28,57%)

Prática pedagógica V

(7,14%)

Formação e estrutura da vida na Terra (3,57%)

Matemática instrumental II

(14,28%)

Matéria em movimento (21,42%)

Energia e matéria em transformação

(3,57%) Tratamento

estatístico de dados (3,57%)

Estados da matéria (14,28%)

Estrutura e diversidade dos seres

vivos (14,28%) Trabalho

experimental, segurança e

primeiros socorros (7,14%)

Português Instrumental I

(3,57%)

Quadro 3: Reprovação dos licenciandos do curso superior de Ciências da Natureza do CEFET Campos por disciplinas/período do ciclo específico.

6º Período 7º Período 8º Período Física Física-matemática (7,14%)

Mecânica teórica (3,57%)

Química Química inorgânica I (7,14%) Físico-química I (7,14%)

Físico-química II (7,14%) Biologia Imunologia (10,71%)

Verificou-se que 11,5% dos alunos já obtiveram reprovação em algum período do curso superior de Ciências da Natureza. Através das respostas dos alunos que indicaram reprovação, pôde-se então verificar os períodos do curso com maior taxa de reprovação. Observa-se que o sexto período de física e de química do ciclo específico do curso (33,33%) lidera este índice, seguido do primeiro (22,22%) e o quinto período (22,22%) do ciclo básico do curso, figura 19.

Figura 19: Porcentagem de reprovação por período dos alunos do curso superior de Ciências da Natureza do CEFET Campos pesquisados.

Segundo os dados desta pesquisa, 58,62% dos alunos afirmaram que já pensaram em desistir do curso. A figura 20 exemplifica alguns motivos da possível desistência desses alunos, onde se verifica que a dificuldade de conciliar trabalho e estudo (37,25%) e a dificuldade nas disciplinas do curso (35,29%) são os principais motivos.

0 5 10 15 20 25 30 35

22,22%

11,11%

11,11%

22,22%

33,33%

0%

Período de reprovação

Aluno (%)

a b c d e

0 10 20 30

40 37,25%

5,88%

11,76%

35,29%

17,64%

Causas

Aluno (%)

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