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“A RESPONSABILIDADE CIVIL DAS ENTIDADES RELIGIOSAS”, DE DAVIDE ARGIOLAS

“THE CIVIL LIABILITY OF RELIGIOUS ENTITIES”, BY DAVIDE ARGIOLAS EDITORA PETRONY, 2017

GALILEU – REVISTA DE DIREITO E ECONOMIA · e‑ISSN 2184‑1845

Volume XIX · 1st January Janeiro – 30TH June Junho 2018 · pp. 175‑176 DOI: https://doi.org/10.26619/2184‑1845.XIX.1.11

Na presente obra o autor trata de tema polêmico e atual, envolvendo as controvérsias decorren‑

tes do exercício da fé e das práticas do proseli‑

tismo religioso, assim como dos seus eventuais abusos e distorções, que vão até a prática de ilícitos. Logo, procura o autor em seu texto ori‑

ginal separar as primeiras ações, tratadas como lícitas, das últimas, estas sim indesejáveis entre nós e ensejadoras das intervenções estatais no âmbito da liberdade religiosa.

A importância da presente investigação se evidencia diante das atuais circunstâncias, que apontam para uma realidade de convi‑

vência social que prestigia o ideal de secula‑

rização e a consequente supressão de princí‑

pios e práticas religiosas.

Destarte, por tais razões, temos a relevân‑

cia do estudo acerca do tema proposto pelo autor, quanto à “possibilidade de ser identi‑

ficada e aplicada uma responsabilidade civil extracontratual em razão de atos praticados por religiosos e/ou entidades religiosas que representam”.

Buscando o essencial do seu pensamento livre, empregado aqui com o fito de respon‑

der a indagações como a acima revelada, vem o autor, com fulcro no ordenamento jurídico português e foco nesta e noutras questões cor‑

relatas, especular: “se existe algum privilégio legal capaz de limitar e até mesmo isentar a responsabilidade extracontratual a favor das entidades religiosas”, ou, “até que ponto irão os operadores do direito, cultores do secularismo, agir de forma imparcial na resolução dos con‑

flitos envolvendo assuntos teológicos”.

Portanto, o texto desenvolvido por oca‑

sião da construção da presente obra literária, da seara do direito, procura elucidar, e elucida, por meio de uma escrita objetiva, os antes elencados questionamentos, além de outras indagações relacionadas ao tema central da investigação em comento, que finda por desa‑

fiar a compreensão do “direito fundamental à liberdade religiosa” e da “necessidade do res‑

peito ao seu efetivo exercício”.

Em resposta às inquietações elencadas pelo autor, esse mesmo descortina em seu texto o entendimento de que as pessoas individual‑

mente consideradas, e assim também, as insti‑

tuições religiosas, ao se comportarem conforme o ordenamento jurídico posto, disciplinador do exercício da liberdade religiosa em Portugal, não mais se colocam sujeitos ao arbítrio alheio, e, por via de consequência, alcançam a liber‑

dade plena para a prática religiosa, e nela não devendo ser contrariados ou constrangidos.

Outrossim, encerrada a leitura da obra, resta clara a compreensão de que qualquer comportamento de uma pessoa religiosa, no exercício da fé, que injustamente prejudique a esfera jurídica alheia, configurando prática de ato ilícito, perfaz conduta culpável (consi‑

deradas as várias espécies de culpa) aquiliana ou extracontratual, passível de disciplina‑

mento por meio da subsunção ao fato da norma de regência.

Finalmente, é imperioso ressaltar que a proposta investigativa do autor não é focada na ideia de isenção de sanção para tais situa‑

ções fáticas ilícitas, mas o que busca é evitar que onde não há transgressão normativa jurídico‑constitucional e/ou jurídico‑civil, na fruição da autonomia confessional, haja proi‑

bição ou limitação ao exercício da liberdade religiosa.

DANIEL E SILVA MEIRA Prof. MSc. UFPE.

“OS DESAFIOS DO DIREITO (PENAL) DO SÉCULO XXI”

“THE CHALLENGES OF (CRIMINAL) LAW IN THE 21ST CENTURY”

OBRA REALIZADA COM A COORDENAÇÃO DE MANUEL MONTEIRO GUEDES VALENTE

GALILEU – REVISTA DE DIREITO E ECONOMIA · e‑ISSN 2184‑1845

Volume XIX · 1st January Janeiro – 30TH June Junho 2018 · pp. 176‑178 DOI: https://doi.org/10.26619/2184‑1845.XIX.1.12

A presente obra, realizada sob a coordena‑

ção de Manuel Monteiro Guedes Valente, Doutor em Direito pela Universidade Cató‑

lica Portuguesa na especialidade de Direito Penal, oficial superior da Polícia de Segu‑

rança Pública e, professor universitário em várias instituições como, a exemplo, Universidade Autónoma de Lisboa e Insti‑

tuto Superior de Ciências Policiais e Segu‑

rança Interna, corresponde a um trabalho de investigação jurídica do mais elevado e assinalável mérito, no âmbito daquela que é a investigação do “Ratio Legis” – Centro de

I&D da Universidade Autónoma de Lisboa Luís de Camões.

Neste sentido, o objecto da obra são as ciências jurídico‑criminais, procurando‑se como o seu coordenador indica, seguir uma linha de orientação doutrinal capaz de ilus‑

trar “o equilíbrio entre a necessária e efe‑

tiva tutela de bens jurídicos e a garantia de defesa do agente do crime face ao poder dos Estados”.

Em 10 artigos, patrocinados por 13 concei‑

tuados autores, podemos então percorrer um caminho em que nos deparamos com temas

da maior actualidade jurídica e social como:

“O Direito Penal Económico – uma política criminal na era da globalização”; “Direito Penal Tributário”; “Os limites da Justiça Penal negociada”; “A Corrupção: um fenómeno dos tempos ou do nosso tempo?”; “A criminaliza‑

ção do terrorismo no Brasil: A excepção do crime político a partir da lei n.º 13.260/2016”;

“Direito Penal do Inimigo: Para além da cons‑

titucionalidade do Direito Penal”; “A validade dentro da tetralogia do Direito: Um passeio pela teoria comunicacional”; “As teorias cor‑

rentes sobre a prova do fato: probabilismo e explanacionismo apenas?”; “Direito à defesa penal efectiva”; e, “Jurisdição criminal e as Cortes internacionais de Direitos Humanos:

diálogos necessários”.

Respectivamente, no artigo “O Direito Penal Económico – uma política criminal na era da globalização”, (Anabela Miranda Rodri‑

gues), apresenta‑nos a autora um estudo sobre quais os grandes desafios que hoje se colocam à política criminal no que ao domí‑

nio económico diz respeito, enquadrando esta temática no âmbito da globalização e, do risco associado às grandes empresas multi‑

nacionais e sua influência na economia. No artigo “Direito Penal Tributário”, (Germano Marques da Silva), apresenta‑nos o autor, um estudo direcionado ao Direito Penal na modernidade, procurando‑se fazer a ponte entre este ramo do Direito e o Direito Penal Tributário, destacando‑se a respectiva legiti‑

midade das incriminações tributárias.

Seguidamente, em terceiro lugar, pode‑

mos navegar pela limpidez do artigo “Os limi‑

tes da justiça penal negociada”. Nele, explora o autor, (Mário Ferreira Monte), os desafios cada vez maiores e adstritos à realidade da criminalidade organizada, bem como a sua também mais extensa capacidade danosa face aos interesses do Estado. Nesse sentido, defende o autor a necessidade de uma sofisti‑

cação dos meios de investigação, trazendo à colacção temáticas como a colaboração pre‑

miada enquanto meio de obtenção de prova, explanando depois algumas das mais impor‑

tâncias envolvências desta realidade.

Seguindo‑se o artigo intitulado “A Cor‑

rupção: um fenómeno dos tempos ou do nosso tempo?”, (Manuel Monteiro Guedes Valente), encontramos uma clara busca por parte do seu autor, em contribuir para o esclarecimento de que a corrupção não é um fenómeno nascido apenas no presente, apre‑

sentando‑nos uma brilhante exposição sobre os muitos tipos criminais que coabitam nesta realidade e, enquadrando essa observação, no espectro do bem jurídico tutelado.

No artigo “A criminalização do terrorismo no Brasil: A excepção do crime político a par‑

tir da lei n.º 13.260/2016”, (Alexandre Wun‑

derlich), é trazida à colação, a conceptualiza‑

ção do crime de terrorismo no Brasil, num esforço de observação e crítica às reformas penais nesse âmbito verificadas, mais con‑

cretamente, dando‑se especial destaque à lei 13.260/2016.

Em sexto lugar, segue‑se o artigo “Direito Penal do Inimigo: Para além da constitucio‑

nalidade do Direito penal”. Nele, pugnam os autores, (Calebe Brito Ramos, Rodrigo Lobato

Oliveira de Souza e Thiago Aires Estrela), pelo entendimento de que o Direito Penal tem sentido uma alteração paradigmática da sua base face à mudança do próprio mundo moderno, surgindo o sujeito “delinquente”

como “inimigo” do Estado. Temática da mais fina importância, é nos apresentado o Direito Penal do Inimigo como o resultado da ânsia da segurança pública e nacional, face a tantos perigos jurídicos e sociais hoje verificados.

Segue‑se o artigo “A validade dentro da tetralogia do Direito: Um passeio pela teoria comunicacional”, (Inajara Piedade da Silva), artigo que nos coloca perante o domínio da legitimidade, validade, vigência e efecti‑

vidade do Direito, desafiando‑se o leitor a, despindo‑se de juízos pré‑concebidos, permi‑

tir‑se trilhar o caminho do jusnaturalismo, positivismo e normativismo, a fim de se con‑

seguir colocar esta tríade conceptual, numa óptica assente na teoria comunicacional.

(Sobretudo face à rubrica “validade”) Em oitavo lugar, o artigo “As teorias cor‑

rentes sobre a prova do fato: Probabilismo e explanacionismo apenas?”, (Geraldo Prado), dirige‑se ao debate existente quanto à epis‑

temologia jurídica e prova no âmbito do pro‑

cesso penal brasileiro, procurando colocar‑se este artigo como um auxílio de reflexão a juristas sobre esta temática.

Posteriormente, é apresentado o artigo

“Direito à defesa penal efectiva”, (Luciano Fel‑

dens), que aplica a sua incidência no domínio dos direitos fundamentais, bem como ana‑

lisa o direito à defesa penal efectiva tendo em especial atenção a postura dos agentes do Estado, destacando‑se, para o efeito, des‑

tes, o juíz. Por último, apresenta‑nos ainda esta obra, o artigo “Jurisdição criminal e as Cortes internacionais de Direitos Humanos:

diálogos necessários”, (Nereu José Giacomolli e Denise Luz), que assim fecha com chave de ouro este notável trabalho, apresentando ao leitor um sério estudo sobre o diálogo entre as Cortes e o respectivo estabelecimento dos padrões protectores das garantias proces‑

suais criminais, no âmbito de um processo penal justo. Um tema do maior interesse e actualidade.

Com efeito, pelo apresentado, é a obra “Os desafios do Direito (Penal) do século XXI, um marco importante na afirmação e defesa da corrente jurídica humanista, bem como do escrupuloso respeito pelas garantias cons‑

titucionais. Certamente a leitura da mesma enriquecerá todos quantos a façam, não só numa dinâmica jurídica como de igual modo, social e humana.

RODRIGO ALVES TAXA

Doutorando Universidade Autónoma de Lisboa

“TUTELA JURISDICIONAL EFETIVA NO DIREITO

DA UNIÃO EUROPEIA. DIMENSÕES TEÓRICAS E PRÁTICAS”

“EFFECTIVE JURISDICTIONAL PROTECTION IN EUROPEAN UNION LAW.

THEORETICAL AND PRACTICAL ASPECTS”

CARLOS CARRANHO PROENÇA EDITORIAL PETRONY, DEZEMBRO DE 2017

GALILEU – REVISTA DE DIREITO E ECONOMIA · e‑ISSN 2184‑1845

Volume XIX · 1st January Janeiro – 30TH June Junho 2018 · pp. 179‑180 DOI: https://doi.org/10.26619/2184‑1845.XIX.1.13

O autor da presente obra, o colega e amigo Prof. Doutor Carlos Proença, tem uma intensa atividade profissional, quer na sua vertente docente, lecionando em diversas instituições de ensino superior, quer na sua vertente prá‑

tica, exercendo advocacia, quer na vertente de investigação, sendo um elemento destacado do centro de investigação Ratio Legis.

Fruto de toda a sua experiência acumulada e de uma investigação metódica, criteriosa, elaborada e refletida, que mereceu o apoio da Fundação para a Ciência e Tecnologia, surge a presente obra que agora tenho o prazer de des‑

crever. Como o próprio título indica, estamos perante uma obra de caráter eminentemente adjetivo e prático, mas sem descurar na certa medida a dimensão objetiva e teórica da maté‑

ria abordada. A temática não podia ser mais atual e pertinente no quadro da constante e abundante legiferação emanada das instân‑

cias da União, debruçando‑se sobre a tutela jurisdicional efetiva nesse espetro normativo.

A obra estrutura‑se em IV partes por sua vez subdivididas em capítulos. A primeira parte intitulada “A tutela jurisdicional efetiva na União Europeia: conceito e pressupostos”

é dedicada à análise e exposição dos funda‑

mentos definidores da tutela jurisdicional na ordem jurídica europeia, passando para a apresentação dos seus pressupostos orgâni‑

cos e formais e fechando este título com uma interessante abordagem genérica sobre os princípios substantivos da tutela jurisdicional efetiva na ordem jurídica europeia, fazendo um específico tratamento dos sistemas de pro‑

teção de direitos fundamentais.

A segunda parte, “A tutela jurisdicional efetiva no âmbito das medidas provisórias de natureza cautelar previstas no direito da união Europeia” debruça‑se sobre os pressupostos, procedimento, intervenientes e vantagens decorrentes da tutela cautelar, cuja relevância prática resulta evidente para poder acautelar devidamente os interesses dos diversos agen‑

tes abrangidos pelas jurisdição e normas da União.

Na terceira parte, e uma vez lançadas as bases conceituais o autor senta os corolários da tutela jurisdicional efetiva nos instrumen‑

tos processuais da União Europeia stricto sensu a cargo da respetiva instituição jurisdicional da União. Nesta parte é tratado com muita

profundidade o mecanismo contencioso de declaração e repressão de comportamentos dos Estados membros contrários às obrigações decorrentes dos tratados, os recursos de anu‑

lação e todo o seu iter processual, as questões prejudiciais e a tão importante temática da responsabilidade extracontratual da União Europeia.

Na quarta e última parte, o autor debru‑

ça‑se sobre a tutela jurisdicional efetiva no contencioso da União Europeia lato sensu a cargo das jurisdições nacionais onde encontra tratamento a problemática da interpretação do direito nacional em conformidade com o direito da União Europeia e o apuramento da

responsabilidade extracontratual dos agentes nacionais por violações do direito da União Europeia na sua dimensão estatal e particular.

Em suma, estamos perante uma obra jurí‑

dica de elevada qualidade sobre uma temática extremamente interessante e muito bem tra‑

tada pelo autor, que certamente constitui um elemento imprescindível para o acervo biblio‑

gráfico de estudantes, investigadores, docen‑

tes e advogados, com a qual poderão resolver as diversas questões que possam surgir no domínio da tutela jurisdicional no seio da União Europeia.

DOUTOR RUBEN BAHAMONDE Prof. Auxiliar da UAL

No documento REVISTA DE DIREITO E ECONOMIA - UAL - Journals (páginas 174-181)

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