“A FLOR DO MANGUE”
(POR HENRIQUE LUDGÉRIO E SUZANNA REIS)
- Color Bar
- Som de câmera fotográfica disparando com fotos de mangue aparecendo Texto em off:
Eu tenho um grande sonho de viver na “Macaé da propaganda” porque na Macaé real eu não agüento mais.
- Aparece uma foto uma flor do mangue seguida pelo titulo do filme.
- Tela preta contendo: Uma produção do CEFET Campos/ UNED Macaé.
- Surgem imagens da cidade vista de cima com seu mangue ao fundo.
- Cena com uma menina sentada à beira de um mangue com pensamentos em off.
CENA 01 – ILHA DA CAIEIRA
Uma menina (flor do mangue) sentada na beira de um mangue com pensamentos em off.
(Inicialmente a câmera na Flor do Mangue // corta // PAM da Rua da Praia mostrando a prefeitura // corta // Ponte da Barra com ônibus passando // corta // imagem volta para a Flor do Mangue).
FLOR DO MANGUE (narração em off): “Eu costumo pensar nas coisas sobre vários pontos de vista, e mesmo assim, é só mais um ponto de vista, um entre tanto outros que poderiam ser pensados e não me ajudam a entender nada.”
CENA 02 – INSERÇÃO DE COMENTÁRIO
(Comentário de Fernando Marcelo, secretário municipal de meio ambiente)
CENA 03 – ILHA DA CAIEIRA
(Câmera em close na Flor do Mangue // zoom out // corta // imagem de lixo boiando // corta // imagem volta para a Flor do Mangue).
46 FLOR DO MANGUE (narração em off): “Na verdade as vezes o que penso está bem distante do que eu faço, e o que acontece é que sigo o fluxo das coisas sem pensar no fluxo.”
CENA 04 – INSERÇÃO DE COMENTÁRIO
(Comentário do Seu Oswaldo, presidente da colônia de pescadores Z3, falando sobre a ocupação dos manguezais macaenses, imagens do manguezal 10 anos atrás e atualmente).
CENA 05 – ILHA DA CAIEIRA
ILHA DA CAIEIRA // PONTE DA BARRA // AV. RUI BARBOSA
(Imagem do céu com pássaros voando // imagem desce e gira em torno da Flor do Mangue // corta // close de frente na Flor do Mangue // Zoom na ponte da Barra (ponto de vista da personagem) // corta // imagem da Avenida Rui Barbosa, com as pessoas passando).
FLOR DO MANGUE (narração em off): “Quando olho tudo isso, me pergunto se esse deveria ser o fluxo das coisas ou se as pessoas seguem apenas o seu fluxo...”
(fotos da geração de um feto)
FLOR DO MANGUE (narração em off): “...e esquecem qual é o ciclo natural...”.
(Imagem de uma libélula numa folha // imagem de uma pessoa, só da cintura para baixo, deixando cair uma latinha no chão, com a música “Manguetown” – Chico Science e Nação Zumbi, ao fundo)
FLOR DO MANGUE (narração em off): “... a essência da vida, e pensam apenas em si mesmas”.
CENA 06 - INSERÇÃO DE COMENTÁRIO
(Comentário do Seu Tito, Presidente da colônia de pescadores Z1, falando da importância do manguezal. Imagens do Manguezal e de catadores de caranguejo).
Cena 07 – CASA DO Maurício
(Imagem de Maurício com a esposa e as duas filhas num café da manhã de domingo, na cozinha da casa.)
47 FLOR DO MANGUE (narração em off): “Maurício tem 45 anos, é apaixonado pela esposa e por suas duas filhas...”.
CENA 08– EMPRESA DE ÔNIBUS
(Imagem de Maurício dentro do carro chegando na empresa)
FLOR DO MANGUE (narração em off): “... e é dono de uma empresa de ônibus.”
CENA 09– ESCRITÓRIO DA EMPRESA DE ÔNIBUS
(Imagens de Cláudia trabalhando no escritório da empresa de ônibus)
FLOR DO MANGUE (narração em off): “Cláudia trabalha na empresa de Maurício como secretária...”.
CENA 10– CASA DA CLÁUDIA
(Imagem de Cláudia e sua mãe num almoço de domingo, comendo peixe).
FLOR DO MANGUE (narração em off): “... e mora com a sua mãe, que costuma fazer peixe todo domingo”.
CENA 11– PRAIA DA BARRA DE MACAÉ // PORTARIA DA UNED MACAÉ (Imagem de Pedro pescando na praia // Imagem de Pedro chegando na empresa de ônibus e vendo o anúncio de vaga de emprego // Pedro saindo da empresa de ônibus triste por não ter conseguido o emprego).
FLOR DO MANGUE (narração em off): “Pedro tem 40 anos e é pescador. Com a pesca cada vez mais difícil teve de procurar emprego na empresa de Maurício. Não conseguiu é ele que pesca os peixes que Cláudia come.”
CENA 12– IMAGENS ILHA DA CAIEIRA
(Imagem de criança brincando na beira do rio // Imagem da Flor do Mangue com zoom in em um barco que está atrás da personagem, música “Força Estranha” – Gal Costa ao fundo).
CENA 13– MERCADO MUNICIPAL DE PEIXES
(Imagens do mercado de peixes)
48 FLOR DO MANGUE (narração em off): “Há dois anos, o peixe que Cláudia comia custava 8 reais, agora ele custa 10”.
CENA 14– INSERÇÃO DE COMENTÁRIOS
(Comentário do Tio Jorge falando sobre o pescado que está cada vez mais distante e difícil // Comentário do Fernando Amorim sobre a Sobrepesca // durante a fala cenas do mercado de peixes e imagem de um pescador costurando a rede).
CENA 15– ILHA DA CAIEIRA
(/Close de frente na Flor do Mangue// corta // close de perfil da Flor do Mangue //
corta // super close na rede caída no chão // corta // imagens de pescadores costurando redes // corta// Imagens do manguezal).
FLOR DO MANGUE (narração em off): “É nessas horas que eu me lembro do meu avô, costurando a sua rede e me falando da flor do mangue... incrível como a sabedoria popular parece tão distante dos pensamentos dos cientistas mesmo quando falam da mesma coisa...”.
CENA 16– INSERÇÃO DE COMENTÁRIOS
(Comentário do Ricardo Terra, pesquisador do CEFET Campos, falando sobre as condições amóxidas do manguezal // Comentário da Cris Araújo, monitora de educação ambiental do NUPEM/ UFRJ,falando que o mangue é um paraíso //
imagens de um caranguejos no mangue).
CENA 17– RIO MACAÉ / MANGUE
(Imagem de pescadores em um barco // corta // imagem de um pescador jogando a rede.)
FLOR DO MANGUE (narração em off): “...é um paraíso mas Pedro não pode usufruir das maravilhas que ele oferece, porque Maurício...”
49 (Imagem congelada, tipo “foto de família”, de Maurício e sua família por 2 segundos)
CENA 18– MARGEM DO RIO MACAÉ ANTIGO
(Imagens da beira do rio degradada e dos canos que jogam esgoto dentro do rio) FLOR DO MANGUE (narração em off): “... e outros tantos não se preocupam com os detritos que jogam no rio”.
CENA 19 - INSERÇÃO DE COMENTÁRIO
(Comentário da Dona Teresa, microempresária dona de um estaleiro local, falando como o rio era antigamente // imagens de pessoas passando pela Avenida Rui Barbosa)
CENA 20– AVENIDA RUI BARBOSA – PROLONGADA
(Volta a mesma cena da mulher, na Avenida Rui Barbosa, jogando a latinha no chão, com close na mão dela soltando a latinha, zoom out mostrando ser Cláudia quem deixa a latinha cair // imagens de invasão no manguezal e do manguezal poluído, com música “Manguetown” - Chico Science - ao fundo).
FLOR DO MANGUE (narração em off): “Cláudia parece não se preocupar com o lixo que ela joga por aí...”.
CENA 21– PEDRO POLUINDO
(Imagem de porcos na beira do manguezal, com música “Manguetown” (Chico Science) ao fundo).
FLOR DO MANGUE (narração em off): “... e Pedro parece esquecer que o mangue é um paraíso”.
CENA 22– ILHA DA CAIEIRA
(Imagem da lua surgindo no céu // imagem de pescador puxando rede // imagem em close de um pescador costurando uma rede // pescador jogando a rede, música “Força Estranha” – Gal Costa ao fundo).
50 FLOR DO MANGUE (narração em off): “Eu sempre me lembro do meu avô, costurando a sua rede e falando da flor do mangue”.
CENA 23– INSERÇÃO DE COMENTÁRIO
(Comentário da Dona Geílda, caranguejeira, falando da vida de trabalho no mangue // imagens de manguezais degradados)
CENA 24– ILHA DA CAIEIRA -
(Imagens do manguezal ocupado // corta // imagem da Ilha da Caieira // corta //
Imagem da beira do rio ocupada // corta // Flor do Mangue (menina) levanta e sai do quadro, música “A praieira” – Chico Science e Nação Zumbi ao fundo).
FLOR DO MANGUE (narração em off): “Acho muitas coisas, muitas coisas novas, mas não acho a flor do mangue”.
CENA 25– POEMA DO RIO MACAÉ (TIO JORGE)
(Imagens intercalando-se entre o rosto do Tio Jorge declamando a poesia no mangue e cenas da Bacia do Rio Macaé).
CRÉDITOS FINAIS
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Anexo 2: Projeto de Produção de Multimídia de Educação Ambiental como Ferramenta da Gestão Participativa de Áreas Protegidas
DIRETORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO COORDENAÇÃO DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO
PROJETO DE PESQUISA
1. Resumo do Projeto
Com o compromisso dar voz aos segmentos tradicionalmente excluídos do processo de gestão ambiental, e de levantar o debate acerca da gestão das áreas protegidas existentes na região de influência do CEFET Campos, a equipe do Núcleo de Pesquisa em Petróleo, Energia e Recursos Naturais da UNED, elencou a produção de material multimídia como uma das estratégias de mobilização e divulgação de informações acerca dos impactos antrópicos regionais e de sua relação as formas de uso e apropriação historicamente construídas na área em estudo. Totalmente produzidos por equipes de alunos e professores da Unidade Macaé do CEFET Campos, os vídeos já finalizados vêm sendo apresentados em eventos populares e acadêmicos, resgatando aspectos culturais relativos à ocupação da região e relacionando tais aspectos à atual situação ambiental regional, e culminaram com a premiação do vídeo Ä Flor do Mangue” na 3ª Olimpíada de Saúde e Meio Ambiente promovida pela Fundação Oswaldo Cruz. Na percepção dos integrantes do projeto de produção de vídeos ora em curso, ampliado na presente proposta para a realização de mais dois vídeos, um
Sigla: NUPERN
Título do Projeto: Produção Multimídia de Educação Ambiental como Ferramenta da Gestão Participativa de Áreas Protegidas
Referência da Chamada:
Edital de Projetos de Pesquisa e Bolsas de Formação Científica – 2007/2008
Coordenador do
Projeto: Maria Inês Paes Ferreira Renovação: Sim ( ) Não (X)
Data: 11/06/2007
52 programa de TV e do acompanhamento das atividades de Educação para Gestão Ambiental (a serem implementadas na comunidade pesqueira de Barra de São João e no distrito de Tamoios, no município de Cabo Frio, como compensação ambiental das atividades de sísmica marítima do BM-C-28 na Bacia de Campos), a divulgação das informações de diagnóstico e/ou monitoramento produzidas pela academia requer uma adequada transposição de linguagem para que encontre maior eco, não apenas na comunidade escolar (uma vez que a escola é o nosso ponto de fomento de uma nova visão das relações sociedade&natureza), mas na comunidade regional em geral.
2. Identificação e caracterização do problema
No curso do processo de licenciamento ambiental das atividades de exploração e produção e processamento de óleo e gás na Bacia de Campos (atividades de E&P), diversas entidades ambientalistas1 da Macrorregião Ambiental Nº 5 do Estado do Rio de Janeiro (MRA-5) formularam objetivos de compensação ambiental, a serem atendidos por empreendedores de E&P, com o pagamento de projetos ambientais (MRA-5, 2003).
A região foi recém contemplada com recursos de compensação ambiental do empreendimento “Atividade de Aquisição de Dados Sísmicos Marítimos 3D, do Bloco BM-C-28, da Bacia de Campos”, graças à articulação de diversos parceiros atuantes no Município de Casimiro de Abreu, com destaque à proponente do projeto - ALA, Associação de Livre de Aqüicultores de Barra de São João, que possui forte articulação social no município e adjacências. O projeto é composto por três subprojetos, a saber:
(i) Ampliação do cultivo de Crassostrea rhizophorae no estuário do Rio São João; (ii) Recifes Artificiais – projeto de recuperação da biota do Rio São João; e (iii) Projeto da Reserva Extrativista (RESEX) Marinha em Casimiro de Abreu: do controle social à legitimação de uma proposta de sustentabilidade. Entre as diversas metas dos subprojetos aprovados pelo empreendedor, ressaltamos a implementação de um plano de monitoramento contínuo das unidades demonstrativas de ostreicutura que serão implantadas, e de um programa municipal de Educação Ambiental, destacando-se as seguintes atividades2:
Produção de material didático e educativo;
Programação de Campanhas de Sensibilização Ambiental junto às comunidades de pesca de Casimiro de Abreu;
Promoção de cursos de Educação para a Gestão Ambiental;
Promoção de oficinas de arte, pesca e turismo ecológico e orientado;
Promoção de seminários para apresentação dos dados e informações presentes os pareceres técnicos.;
1Associação Macaense de Defesa Ambiental, Ecobrasil, Movimento de Cidadania pelas Águas,
Associação dos Amigos do PARNA Jurubatiba, Associação de Meio Ambiente de Cabo Frio, Associação Cultural e Ecológica de Casimiro de Abreu, Federação Única de Petroleiros e SINDIPETRO-RJ.
2 HABTEC Engenharia Ambiental. Atividades de Aquisição de Dados Sísmicos Marítimos 3D, no Bloco BM-C-28, Bacia de Campos – RJ – Projetos do Município de Casimiro de Abreu.
Casimiro de Abreu, 2007.
53 Promoção de palestras com o tema “Ordenamento Pesqueiro em Casimiro de Abreu”.
Conforme evidenciado pelas atividades descritas na proposta da ALA com vistas ao alcance dos objetivos, é necessária supervisão de pessoal capacitado em metodologias de Educação para Gestão Ambiental, conforme estabelecidas pela Coordenação Geral de Educação Ambiental (CGEAM/IBAMA/DF)3.
Cabe destacar que, para cumprir plenamente seus objetivos, a Educação Ambiental deve incentivar a participação dos cidadãos, principalmente de forma coletiva, na formulação das políticas de gestão dos recursos ambientais e nas decisões que afetam a qualidade do seu ambiente, de uma forma geral4. A participação direta da comunidade na obtenção dos dados geoambientais e na sua difusão colabora no processo de construção coletiva de uma nova visão acerca da relação entre ambiente, saúde e qualidade de vida. Por outro lado, desde que utilize metodologias adequadas, como a da pesquisa-ação, o monitoramento ambiental participativo, envolvendo equipes compostas por técnicos, especialistas e membros da comunidade é capaz de promover a não só a ressignificação dos saberes dos partícipes5, mas a também a transformação da realidade social, com vistas à promoção da melhoria da qualidade de vida local, que é o objetivo principal do projeto da ALA (que através do cultivo de ostras comunitário pretende colaborar na geração de trabalho e renda e no fortalecimento da economia familiar local).
Como parceiro das iniciativas em prol da gestão ambiental participativa e da promoção da sustentabilidade regional, o CEFET Campos vêm atuando no suporte técnico e nas ações de mobilização e capacitação comunitária, notadamente no tocante ao monitoramento participativo da qualidade de águas da Bacia do Rio Macaé e da Bacia do Rio Macabu (principal tributário da Lagoa Feia). A equipe do NUPERN, que possui também representação no Comitê de Bacia Lagos-São João foi procurada pela Presidência da ALA, com vistas a coordenar o planejamento metodológico a ser empregado nas ações de monitoramento e de Educação Ambiental do projeto de compensação ambiental aprovado, empregando como ponto de partida a produção de um vídeo-documentário da situação ambiental vivenciada atualmente pelos pescadores de Barra de São João, que funcionaria como marco zero do processo de monitoramento
3 Como o IBAMA exerce a Educação Ambiental.
4 QUINTAS, José Silva (org.). Pensando e Praticando a Educação Ambiental na Gestão do Meio Ambiente. Brasília: Ed. IBAMA, 2000.
5 ABBOT, Joane; GUIJT, Irene. Novas visões sobre mudança ambiental: abordagens participativas de monitoramento. Rio de Janeiro: IIED/AS-PTA, 1999.
54 e também como ferramenta de mobilização popular para atuação no processo de gestão ambiental local. Essa estratégia vem sendo empregada há cerca de seis anos pela equipe interdisciplinar do NUPERN, inicialmente como parte integrante do projeto “Pelas Águas da Bacia do Rio Macabu” (convênio interinstitucional da E. E. Maria Lobo Viana com o CEFET Campos, vigente de 2001 a 2006), bem como na parceria entre o NUPERN e o Grupo Interdisciplinar UFRJ Mar e o Grupo de Educação Multimídia (GEM/URFJ).
Na percepção dos integrantes do projeto de produção de vídeos ora em curso, ampliado na presente proposta para além da conclusão dos trabalhos em andamento, a divulgação das informações de diagnóstico e/ou monitoramento produzidas pela academia requer uma adequada transposição de linguagem para que encontre maior eco, não apenas na comunidade escolar (uma vez que a escola é o nosso ponto de fomento de uma nova visão das relações sociedade&natureza), mas na comunidade regional em geral, bem como uma reflexão sobre a não neutralidade da Ciência.
Além disso, no processo de construção coletiva, ao envolver os membros da comunidade em todas as etapas de produção do vídeo (desde a adaptação do roteiro, dramatização, pesquisa de locação e de imagens, filmagens e edição), estamos permanentemente debatendo acerca dos problemas sócio-ambientais locais, divulgando as ações concretas que porventura estejam desenvolvidas na região, trocando saberes e experiências acerca das causas e conseqüências da acelerada degradação ambiental da área de influência do CEFET Campos, e estimulando a articulação e a organização social de modo a aumentar a inclusão dos segmentos tradicionalmente excluídos do processo político decisório e da gestão ambiental.
Os trabalhos a serem desenvolvidos na presente proposta vem ao encontro da necessidade de mobilização social para reversão do quadro de degradação ambiental de áreas protegidas, definidas como áreas de preservação permanentes (APPs) pela legislação ambiental brasileira6, situadas na ecorregião aquática fluminense, que encontra-se classificada como em estado preocupante relativamente à disponibilidade de recursos hídricos (vazão demandada sobre vazão acumulada), conforme evidenciado no documento recém lançado pela Secretaria de Recursos Hídricos do MMA7 e considerada prioritária para pesquisas relativas à conservação ambiental e ao uso sustentável pelo CNPq8.
6 D.O.U. Lei Nº 4.771, de 15 de Setembro de 1965 – Institui o Novo Código Florestal Brasileiro.
7 MMA/SRH. Plano Nacional de Recursos Hídricos. Janeiro, 2006.
8 Edital CT-Hidro/MCT/CNPq nº 37/2005. Seleção Pública para apoio a projetos de pesquisa em Ecorregiões Aquáticas Brasileiras. 2005, Brasília, DF.
55 3. Justificativa
A chamada questão ambiental diz respeito aos diferentes modos pelos quais a sociedade, através dos tempos, se relaciona com o meio físico-natural. O uso do meio físico-natural, como base material de sustentação da existência humana, bem como as suas alterações decorrentes deste uso, são tão antigas quanto a própria presença do homem no planeta Terra9. A concepção de que a questão ambiental diz respeito à relação homem-natureza não é suficiente para direcionar o processo de análise e reflexão que permita compreensão deste relacionamento em toda sua complexidade.
Avaliada dessa perspectiva, a crise ambiental, e os custos ecológicos e sociais das opções usuais de desenvolvimento, não-internalizados pelos nossos sistemas políticos, acabam gerando uma imagem paradoxal de economicidade: apropriação intensiva e cada vez mais sofisticada dos recursos naturais que fortalece a legitimidade de um jogo estratégico homem x natureza; uniformização dos estilos de vida e a hipertrofia dos bens supérfluos e a perda do controle social dos rumos da evolução técnica entre outros fatores10, responsáveis pelo atual estado de coisas denominado “crise ambiental”. A crise ambiental, agora popularizada pela mídia, às expensas das mudanças climáticas globais, avança a nível em local de formas as vezes não percebidas pelo senso comum, como resultado dos diferentes modos de apropriação e uso dos recursos naturais. Para reverter o processo de degradação das áreas protegidas existentes em nossa região (lagoas, rios, manguezais, restingas, e matas) e a conseqüente perda de biodiversidade, e esgotamento dos recursos naturais a longo prazo é necessária a sensibilização de atores sociais diversos e superação de conflitos resultantes da diversidade de interesses de utilização dos recursos ambientais.
É nesse contexto que surge a necessidade de se praticar a gestão ambiental, tendo em vista que, em nosso estado observa-se, como em todo o Brasil, que o poder de decidir e intervir para transformar o ambiente (ou mesmo evitar sua transformação), e que os benefícios e custos de tal poder, estão socialmente distribuídos socialmente e geograficamente de modo assimétrico. Por serem detentores do poder econômico ou de poderes outorgados pela sociedade, determinados atores sociais possuem, por meio de suas ações, capacidade variada de influenciar direta ou indiretamente na transformação da qualidade do meio ambiente11. Com o compromisso dar voz aos segmentos tradicionalmente excluídos do processo de gestão ambiental, e de levantar o debate acerca da gestão das áreas protegidas existentes na região de influência do CEFET Campos, a equipe do Núcleo de Pesquisa em Petróleo, Energia e Recursos Naturais da UNED, elencou a produção de material multimídia como uma das estratégias de mobilização e divulgação de informações acerca dos impactos antrópicos regionais e de sua relação as formas de uso e apropriação historicamente construídas na área em estudo. Totalmente produzidos por equipes de alunos e professores da Unidade Macaé do CEFET Campos, os vídeos já finalizados vêm sendo apresentados em eventos populares e acadêmicos, alcançando boa aceitação em sua proposta pioneira: mesclar roteirização ficcional de histórias e lendas regionais, com depoimentos de especialistas e membros das comunidades, resgatando aspectos culturais relativos à ocupação da região
9 QUINTAS, José Silva (org.). Pensando e Praticando a Educação Ambiental na Gestão do Meio Ambiente. Brasília: Ed. IBAMA, 2000.
10 VIEIRA, P. F., BERKES, F., SEIXAS, C. S. Gestão Integrada e Participativa de Recursos Naturais: Conceitos, Métodos e Experiências. Florianópolis: APED, 2005.
11 QUINTAS, José Silva (org.). Pensando E Praticando a Educação no Processo de Gestão Ambiental: Uma concepção pedagógica e metodológica para a prática da educação ambiental no licenciamento. Brasília: Edições IBAMA, MMA, 2005.