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65 dado que se identificaram várias debilidades em componentes fundamentais para o funcionamento das centrais, comprometendo sobretudo o tempo de vida da máquina.

Para além de se comprometer o funcionamento do equipamento, o histórico de manutenção revela alguns caso de perda de mercadoria por falha no funcionamento de alguns equipamentos de frio com consequência directa no cliente, reforçando a necessidade de analisar em detalhe o estado dos equipamentos e considerar alguns investimentos.

Tendo em conta o parque de lojas que foi auditado seria possível em muitos casos através de uma troca de todos os equipamentos, isto é, arcas de congelados, murais de frio positivo e centrais atingir um nível de poupança e redução de emissões de CO2 ainda mais significativo, mas claro, estaríamos perante um nível de investimento bastante superior.

É importante ter em conta as referências de consumo energético para os determinados projectos e seguir uma filosofia de abertura de novas lojas com implementação de tecnologias eficientes para que desta forma se possa contrariar o crescimento do sector de Serviço em Portugal a par do número de supermercados a nível nacional.

O controlo de indicadores como intensidade energética provou ser bastante importante na comparação de perfis de consumo energético de loja para loja considerando-se dimensões semelhantes conseguindo-se com este identificar lojas cujo perfil de consumo desagregado do ar condicionado deixava algumas dúvidas para além das questões a melhorar do ponto de vista da refrigeração,

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5 Conclusões

Ficou claro que os sistemas de refrigeração são os maiores responsáveis pelo consumo energético, variando o impacto entre 34 e 47% entre inverno e verão, respectivamente. Num segundo plano surge a área de climatização, que varia entre 22 e 13%, inverno e verão, respectivamente e por fim os congelados com um consumo médio anual de 18%.

Por trás de toda esta análise e como base de validação para as análises feitas às áreas de climatização e refrigeração estava o sistema de gestão de consumos. O objectivo principal foi a parametrização e criação de alarmes que permitiram identificar consumos acima do padrão assim como detectar alguns comportamentos por parte do staff em loja que se revelasse desajustado no sentido do uso correto dos equipamentos.

Para melhorar este comportamento, com o objectivo de sensibilizar os utilizadores para a prática de bom uso de energia criou-se um documento de boas práticas que foi implementado na empresa, tendo como força de expressão a promoção de um embaixador da sustentabilidade em cada loja que terá como missão motivar toda a equipa de trabalho e comunicar permanentemente com o departamento técnico sempre que surjam questões derivadas de mau uso de equipamentos, ou seja, referente a esta ultima questão, actuar num curto espaço de tempo em questões que estejam por resolver e provoquem desvios de consumo energético e sobretudo impossibilidade de funcionamento dos equipamentos dentro dos padrões de qualidade.

A análise à intensidade energética referida por [1] e a ausência de uma base de dados que caracterizasse ou que simplesmente permitisse perceber qual o perfil de consumo energético anual e respectiva intensidade energética em todas as lojas levou a que numa fase inicial com recurso à facturação mensal se criasse um algoritmo que viabilizasse a análise pretendida.

A criação deste algoritmo permitiu elaborar uma base de dados que permitiu identificar de imediato medida que viabilizou a redução do peso da facturação na estrutura de custos e também a redução da emissão de partículas de CO2 – eliminação parcial de energia reactiva - gerando um retorno de investimento para as baterias que foram restauradas de 1.3 meses e das que foram instaladas ou substituídas na ordem de 1,3 anos. Para além do impacto significativo a nível financeiro a contribuição para a redução de emissões de CO2 foi de 135 toneladas anuais.

Relativamente aos equipamentos de ar condicionado detectaram-se através do sistema de gestão de consumos discrepâncias significativas nos perfis de consumo energético desagregados. Com base em pressupostos teóricos [18] de que idealmente no Verão a temperatura mais adequada seria 25ºC e no Inverno 20ºC, com modos de funcionamento de produção de frio e calor respectivamente, fez-se uma auditoria preliminar para verificar quais os parâmetros de funcionamento destes equipamentos e sempre que se verificasse que estes eram diferentes dos supostos ideais a ordem seria ajusta-los parar o ponto de funcionamento óptimo, no caso de estudo, Verão.

67 Aplicou-se este procedimento em 74 lojas e o impacto foi imediato, reflectindo-se esta medida numa redução do consumo energético nas lojas em questão de 5%, com uma redução de custo imediata de 17 mil EUR e uma contribuição para a mitigação de emissões de CO2 de 45 toneladas.

A introdução desta medida foi em meados de Agosto, ou seja, no pico da intensidade energética anual, conforme analisado em 3.1. Ou seja, o reflexo desta medida foi no início da fase descendente da curva de intensidade energética o que extrapolando para a fase ascendente poderia ter duplicado o impacto, isto se se tivesse implementado este procedimento no final de Maio, altura do ano em que a temperatura em Portugal atinge vários picos superiores a 25ºC.

No que diz respeito aos sistemas de refrigeração, também porque foi a área mais explorada ao longo da presente dissertação, motivado pelo forte impacto que tem no perfil de consumo energético de uma loja, identificaram-se vários pontos de potencial melhoria. Parte das propostas de melhoria surgiu no seguimento de uma auditoria a 19 lojas resultante da aplicação de um modelo de análise sustentado em três critérios de análise, tendo-se obtido três tipos de incidências

 1-Lojas com necessidade de pequenos ajustes que não comprometem o funcionamento dos equipamentos;

 2-Lojas que se aconselha a optimização da estrutura através da substituição de alguns componentes como reguladores de frequência dos compressores, condensação flutuante, sistema electrónico, entre outros;

 3-Lojas que se aconselha a urgente substituição da central de refrigeração estando algumas perto da rotura.

.Propôs-se um investimento de 71 mil EUR em quatro centrais de refrigeração sendo previsto um payback entre 3 e 4 anos e uma redução de consumo de energia eléctrica estimada em 15%, além de uma contribuição para mitigação de emissões de CO2 da ordem das 55 toneladas anuais. O tempo de retorno de investimento está enquadrado com o tipo de equipamento que pode atingir um tempo de vida entre 12 e 15 anos se os procedimentos e manutenção o viabilizarem.

A extrapolação destes critérios para o restante parque de lojas diz-nos que poderão existir mais 32 lojas cujos equipamentos poderão revelar resultados idênticos (críticos) e com base nos critérios e indicadores criados, a potencial poupança associada a um investimento que viabilize a troca das centrais de refrigeração das lojas em questão pode reflectir-se numa poupança anual que pode atingir os 164 mil EUR e uma redução de consumo energético da ordem dos 14%, assim como contribuir para a mitigação de emissões de CO2 em 453 toneladas.

Por outro lado a implementação de medidas como a integração de portas em todos os murais e a instalação de ventiladores electrónicos apresentam-se como outras alternativas de investimento que podem ter um forte impacto na redução da intensidade energética da rede de lojas do Grupo Dia, projectando-se uma redução para o caso dos ventiladores de 8% e no caso das portas entre 9,5 e 17% em toda a rede de lojas.

68 Trabalho Futuro

Todo este trabalho deixaria de fazer sentido se não houvesse continuidade e como tal deixam-se aqui algumas propostas de trabalho futuro consideradas como bastante importantes inclusive para a Dia Portugal. Ficou claro que o ajuste de temperaturas no Verão para os 25ºC foi favorável, no entanto o ajuste dos parâmetros de funcionamento, de forma automática, às condições ambientais interiores na loja e exteriores poderá ser um caminho a percorrer. Desta forma, sugere-se um estudo de viabilidade de um sistema que ajuste de forma automática a temperatura interior da loja em função do clima em que se insere.

Será também interessante explorar de forma mais aprofundada qual o impacto que o sector do retalho alimentar tem no perfil de consumo de energia final em Portugal, para além de ser interessante tentar reunir informação das várias cadeias de supermercado no sentido de tentar identificar alguns padrões de boas práticas do uso de energia, quer do ponto de vista comportamental, quer do tipo de equipamentos em cada loja.

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A

Anexos

Anexo 1

Figura 0.1 Horários legais de Inverno

B Figura 0.2 Horários legais de Verão

C

Anexo 2

Cenários encontrados e poupanças atingidas com a alteração de parâmetros de funcionamento do ar condicionado das 74 lojas auditadas.

loja Formato Data Temperatura

encontrada kWh /dia € / dia kg CO2 / dia %

1 B 07-09-2015 16 0,00 0,00 0,00 0%

2 B 03-09-2015 18 -62,07 -8,38 -22,26 -10%

3 B 17-09-2015 18 -13,93 -1,88 -5,00 -3%

4 B 03-09-2015 19 -61,53 -8,31 -22,06 -11%

5 B 21-09-2015 20 0,00 0,00 0,00 0%

6 B 09-09-2015 20 -67,87 -9,16 -24,34 -11%

7 B 09-09-2015 20 -49,60 -6,70 -17,79 -8%

8 B 19-09-2015 21 13,87 1,87 4,97 2%

9 B 26-08-2015 21 97,67 13,19 35,02 12%

10 B 10-09-2015 21 0,00 0,00 0,00 0%

11 B 07-09-2015 21 -39,27 -5,30 -14,08 -6%

12 B 07-09-2015 21 0,00 0,00 0,00 0%

13 B 17-09-2015 22 -92,73 -12,52 -33,25 -12%

14 B 16-09-2015 22 -31,67 -4,28 -11,36 -6%

15 B 21-09-2015 22 -21,20 -2,86 -7,60 -3%

16 B 10-09-2015 22 -133,93 -18,08 -48,03 -15%

17 B 07-09-2015 22 -48,67 -6,57 -17,45 -9%

18 B 10-09-2015 22 -71,93 -9,71 -25,79 -12%

19 B 14-09-2015 22 -48,27 -6,52 -17,31 -8%

20 B 08-09-2015 22 14,40 1,94 5,16 3%

21 B 07-09-2015 22 -46,60 -6,29 -16,71 -7%

22 B 02-09-2015 22 -50,53 -6,82 -18,12 -8%

23 B 02-09-2015 22 -54,93 -7,42 -19,70 -7%

24 B 07-09-2015 22 0,00 0,00 0,00 0%

25 B 19-09-2015 22 -13,73 -1,85 -4,92 -3%

26 B 04-09-2015 22 -71,87 -9,70 -25,77 -10%

27 B 07-09-2015 22 -36,20 -4,89 -12,98 -6%

28 B 10-09-2015 22 0,00 0,00 0,00 0%

29 B 04-09-2015 22 0,00 0,00 0,00 0%

30 B 10-09-2015 23 -47,07 -6,35 -16,88 -11%

31 B 14-09-2015 23 -61,27 -8,27 -21,97 -8%

32 B 16-09-2015 23 -18,87 -2,55 -6,77 -4%

33 B 09-09-2015 23 -53,53 -7,23 -19,20 -10%

34 B 18-09-2015 23 8,33 1,13 2,99 1%

35 B 11-09-2015 23 -47,13 -6,36 -16,90 -6%

36 B 15-09-2015 24 -42,60 -5,75 -15,28 -8%

37 B 16-09-2015 24 0,20 0,03 0,07 0%

38 B 18-09-2015 24 -22,93 -3,10 -8,22 -4%

39 B 25-08-2015 24 0,00 0,00 0,00 0%

40 B 04-09-2015 24 -41,20 -5,56 -14,77 -7%

41 B 16-09-2015 24 -30,93 -4,18 -11,09 -6%

42 B 03-09-2015 24 -95,93 -12,95 -34,40 -15%

43 B 04-09-2015 24 0,00 0,00 0,00 0%

44 B 02-09-2015 24 0,00 0,00 0,00 0%

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