Existem alguns crimes contra idosos que iremos tratar a seguir. É o que nos trás o Artigo 133, § 3º, III do Código Penal (2005):
Art. 133 – Abandonar pessoa que está sob seu cuidado, guarda, vigilância ou autoridade, e, por qualquer motivo, incapaz de defender-se dos riscos resultantes do abandono:
Pena – detenção, de 6 (seis) meses a 3 (três) anos.
Obs.- Grau.4: Abandono; Abandono de Incapaz; Dolo Específico;
Periclitação da Vida e da Saúde.
Aumento de pena:
§ 3º – As penas cominadas neste artigo aumentam-se de um terço:
I – se o abandono ocorre em lugar ermo;
II – se o agente é ascendente ou descendente, cônjuge, irmão, tutor ou curador da vítima.
III – se a vítima é maior de 60 (sessenta) anos. (Alterado pela Lei Nº- 010.741 / 2003).
Assim é entendimento jurisprudencial36:
Para a configuração do delito previsto no art. 133 do Código Penal, exige a lei o fato material do abandono, a violação de especial de zelar pela segurança do incapaz, a superveniência de um perigo à vida ou à saúde deste, em virtude do abandono, a incapacidade dele se defender de tal perigo e o dolo específico (TACRSP: JTACRIM 78/411 in TJMG).
Neste caso o sujeito ativo do crime é a pessoa que tem o dever jurídico de zelar pela vítima, e o sujeito passivo é o incapaz, que é todo aquele que não tem condições de cuidar de si próprio.
A conduta para esse crime é abandonar a vitima, tanto sendo em levá-la a algum lugar onde não há meios de se proteger, como é o caso de abrigos e ou família substitutas que não tem condições de amparar o idoso, ou até mesmo afastando-se da vítima, deixando-a sem proteção.
O dolo para esse crime é a vontade de abandonar a vítima, estando o agente ciente de que é responsável por esta e do perigo que pode correr. E a consumação acontece com o perigo concreto, não excluindo-o com o fato de que o sujeito ativo reassumiu o dever de assistência.
Desta maneira é o entendimento jurisprudencial37:
Admite-se a tentativa no crime de abandono de incapaz na hipótese, por exemplo, do agente percorrer quase que inteiramente o inter criminis e a pronta intervenção de terceiro impedir que a vítima ficasse exposta a perigo, ainda que momentaneamente (TACRSP:
JTACRIM 108/411 in TJMG).
36 Jurisprudência disponível no site do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais (http://www.tjmg.gov.br), acessado em 04 jun 2008.
37 Jurisprudência disponível no site do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais (http://www.tjmg.gov.br), acessado em 04 jun 2008.
A pena para esse crime pode variar de 6 meses a 3 anos de detenção, sendo que se a vítima é maior de 60 (sessenta) anos, a pena aumenta de um terço
Quando falamos da omissão de socorro que é deixar de prestar assistência a pessoa que precisa, estamos falando do crime previsto no Artigo 135 do Código Penal38 que nos trás:
Art. 135. Deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, á criança abandonada ou extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, ao desamparo ou em grave e iminente perigo; ou não pedir. Nesses casos, o socorro da autoridade pública:
Pena – detenção, de 1 (um) a 6 (seis) meses, ou multa.
Parágrafo único. A pena é aumentada de metade, se da omissão resulta lesão corporal de natureza grave, e triplica, se resulta a morte.
O sujeito ativo deste crime é aquela pessoa que está próxima da vitima no momento em que esta necessita de ajuda, embora em alguns casos não exista esta proximidade e alguém seja convocado a prestar esse socorro. Caso existam mais pessoas que possam prestar socorro e todas se recusarem, acabaram todas respondendo pelo crime.
Assim é o entendimento jurisprudencial39:
“Se mais de uma pessoa encontra outra em perigo, todas ficam obrigadas ao socorro. A assistência eficiente prestada por um dos presentes exime os demais.” (TACRSP: RT 519/402 in www.tjmg.gov.br).
A omissão de socorro não está ligada a relação de parentesco entre o sujeito e a vitima, pois será responsável qualquer pessoa que se omita a prestar esse socorro, pois é um dever moral de assistência e solidariedade.
Como sujeito passivo, temos em se tratando do trabalho a pessoa inválida, aquelas que por suas condições pessoais, no caso em tela a idade, não tem condições de afastar o perigo de si mesma.
Deste modo pode-se verificar segundo jurisprudência40:
38 MIRABETE, Julio Fabrini. Código Penal Interpretado. Editora Atlas: São Paulo. 2005. p. 1047.
39 Jurisprudência disponível no site do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais (http://www.tjmg.gov.br), acessado em 04 jun 2008.
40 Jurisprudência disponível no site do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais (http://www.tjmg.gov.br), acessado em 04 jun 2008.
Para a configuração do crime de omissão de socorro, não há a necessidade da vitima estar correndo risco de vida, vez que o perigo descrito no tipo penal, também diz respeito à incolumidade física da pessoa (TAXRSP: RJDTACRIM 22/295 in www.tjmg.gov.br).
Existem duas condutas que qualificam este crime que é deixar de prestar assistência ao ofendido, que é uma conduta típica, e a de não pedir socorro da autoridade pública, que é uma conduta omissiva.
O dolo do crime de omissão de socorro é a vontade de não prestar assistência ou auxilio, tendo plena consciência de que essa omissão acarretará perigo para a vítima.
E a consumação quando o sujeito ativo deixou de agir.
Segundo Mirabete (2005):
Passado o tempo juridicamente relevante, o socorro tardio não exclui a consumação. Tratando-se de crime omissivo próprio, não é possível a tentativa. Se a pessoa presta socorro, diante da insistência de terceiros, não pratica o crime; se já decorreu o lapso de tempo juridicamente relevante, o crime está consumado (MIRABETE, 2005, p. 1053).
Em se tratando do crime de maus tratos é um crime que agride a proteção à pessoa, pois é quando o sujeito tem sob sua proteção a vitima e expõe esta a perigo de vida ou sua saúde.
Assim como dispõe o Artigo 136 do Código Penal (SALVATTI, 2004) :
Art. 136. Expor a perigo a vida ou à saúde de pessoa sob sua autoridade, sua guarda ou vigilância, para fim de educação, ensino, tratamento ou custódia, quer privando-a de alimentação ou cuidados indispensáveis, quer sujeitando-a a trabalho excessivo ou inadequado, quer abusando de meios de correção ou disciplina:
Pena – detenção, de 2 (dois) meses a 1 (um ano, ou multa.
§ 1º se o fato resulta lesão corporal de natureza Grace:
Pena – reclusão, de 1 (um) ano a 4 (quatro) anos.
§ 2º Se resulta de morte:
Pena – reclusão, de 4 (quatro) a 12 (doze) anos.
§ 3º Aumenta-se a pena de um terço, se o crime é praticado contra pessoa menos de 14 (catorze) anos.
E a criança, muitas vezes fica sob a guarda ou vigilância de alguém, quer seja por familiares ou por alguma Instituição abrigo, tanto que o sujeito ativo deste crime pode ser pais, tutores, curadores, diretores de colégios, professores, enfermeiros, guardas de presídios etc, ou seja, somente quem tem essa legitimação especial de autoridade pode cometer este crime.
Já o sujeito passivo como podemos verificar é aquela pessoa que se acha sob autoridade, guarda ou vigilância do agente. Sendo que o tipo penal pode ser analisado através da expressão “expor a perigo a vida ou a saúde da vítima pelo abuso do agente.
Para a configuração deste crime é necessário que haja a intenção do agente (querer corrigir ou disciplinar a vítima), sendo que sua consumação se da com a criação do perigo.
Assim é o entendimento jurisprudencial41:
O crime de maus-tratos, previsto no art. 136 do CP, é crime de perigo, bastando para sua consumação a situação periclitante criada pelo agente, não exigindo resultado, isto é, dano efetivo (TACRSP:
RT 675/376 in www.tjmg.gov.br).
Para finalizar, um pouco do crime material que é quando o agente deixa de prover a subsistência da vitima, e está previsto no Artigo 244 do Código Penal 42:
Art. 244. Deixar, sem justa causa, de prover a subsistência do cônjuge, ou de filho menor de 18 (dezoito) anos ou inapto para o trabalho, ou de ascendente inválido ou maior de 60 (sessenta) anos, não lhes proporcionando os recursos necessários ou faltando ao pagamento de pensão alimentícia judicialmente acordada, fixada ou majorada; deixar, sem justa causa, de socorrer descendente ou ascendente, gravemente enfermo:
Pena – detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos e multa, de uma a dez vezes o maior salário mínimo vigente no País.
41 Jurisprudência disponível no site do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais (http://www.tjmg.gov.br), acessado em 04 jun 2008.
42 MIRABETE, Julio Fabrini. Código Penal Interpretado. Editora Atlas: São Paulo. 2005. P.1967.
Parágrafo único – Nas mesmas penas incide quem, sendo solvente, frustra ou ilide, de qualquer modo, inclusive por abandono injustificado de emprego ou função, o pagamento de pensão alimentícia judicialmente acordada, fixada ou majorada.
O sujeito ativo para este crime pode ser o cônjuge, que deixa de prover o sustento do outro; o pai ou a mãe em relação ao filho menor de 18 anos ou aquele filho que não seja capaz de trabalhar; o descendente que deixa de proporcionar recursos necessários a ascendente inválido, idoso ou doente e o devedor da pensão alimentícia.
Deste modo entende Mirabete (2005), que ¨Sujeito ativo é aquele que tem o dever legal de prover a subsistência do sujeito passivo: cônjuge, pai ou mãe, descendente ou qualquer pessoa que deixa de socorrer o ofendido.¨
Assim entende-se por sujeito passivo, ainda conforme Mirabete (2005), aquele que, nos termos da lei penal, pode exigir a prestação do cônjuge ou parente, também os filhos com idade até 18 anos e ainda o ascendente inválido (inutilizado para o trabalho) e o maior de 60 anos.
Para este crime temos como condutas típicas o fato do sujeito ativo deixar, sem justa causa, de prover a subsistência do sujeito passivo e quando este não efetua o pagamento da pensão alimentícia que é fixada judicialmente.
O dolo, ainda conforme Mirabete (2005), é a vontade de deixar de prover a assistência ao sujeito passivo pouco importando a motivação do agente.
E a consumação acontece quando a primeira e a última das condutas típicas, quando o omitente deixa de prover a subsistência da vítima, em comportamento permanente.
Como descrito acima, o dever de alimentos é recíproco entre pais e filhos. A obrigação é extensiva, podendo recair sobre os ascendentes na ausência ou impedimentos dos pais, e, na falta de ascendentes, recai sobre o descendente, que não existindo, recai sobre os irmãos.
Portanto, conforme Jesus (2003), a ação penal de que trata o crime em questão é pública incondicionada, isto é, depende de denúncia do Ministério Público para início da ação, que independe da manifestação da vontade de qualquer dos envolvidos ou quem quer que seja.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Finalizando o presente trabalho monográfico, destaca-se que do estudo do Capítulo I foi possível destacar alguns enfoques da origem e a evolução da responsabilidade, definição de responsabilidade no direito Brasileiro, a responsabilidade subjetiva, a responsabilidade objetiva, obrigação de alimentar: uma questão se definir, visando principalmente, a defesa de sua dignidade.
Desta forma, inferiu-se do referido estudo que, além de inúmeras inovações trazidas em seu desenvolvimento histórico, os ideais de proteção da família, deram- se pela valorização seus membros em especial, dos poderes e deveres a eles concedidos, cuja evolução acompanhou a sociedade, permanecendo, entretanto, alguns resquícios de sua formação original.
Neste sentido, especialmente os interesses dos mais indefesos.
No Capítulo II, a análise científica teve como enfoque principal o estudo dos alimentos – a necessidade do alimentando e a possibilidade econômico-financeira do alimentante, e de acordo com a lei, é obrigado a prestar alimentos os ascendentes, os descendentes e irmãos unilaterais ou bilaterais, além do conceito do idoso a sua isenção no mercado de trabalho e a relação do idoso com a família e o grau de dependência dos indivíduos idosos é, em boa parte, determinado pela provisão de rendas por parte do Estado em relação a sua família, comprovando-se a hipótese da responsabilidade civil na sociedade conjugal e para com a pessoa idosa.
O Capítulo III apresentou-se como resultado da pesquisa concernente à análise da doutrina e da legislação a responsabilidade dos filhos sobre os pais, a legislação complementar que trata dos alimentos ou que em razão da matéria que veio, inclusive, a tratar do assunto, destaca-se o Estatuto do idoso e do que em seu conteúdo dispões sobre os direitos fundamentais elencados no mesmo estatuto. e a Constituição Federal que foi o marco das transformações que passou a sociedade, no Século XX, no que se refere ao respeito e proteção aos necessitados, comprovando também a hipótese da responsabilidade civil dos alimentos à pessoa idosa.
Dentro de todo o contexto apresentado a fim de se atualizar as mudanças e aos novos padrões sociais:
Os direitos humanos e a terceira idade, e as internações em instituições.
As determinações do Estatuto do Idoso, os maus tratos, abandono e omissão de socorro, as devidas sanções penais.
Assim, devem-se todos unir esforços para dar real aplicabilidade ao que dispõe a legislação sobre o tema.
Salienta-se, este trabalho, em momento algum, teve a pretensão de esgotar o tema, tão importante e com carente doutrina ainda. Com o passar dos tempos, possivelmente, adquiria novos contornos jurídicos.
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