6.3 SAZONALIDADE DA QUALIDADE DO LEITE CRU REFRIGERADO
6.3.3 Sazonalidade da qualidade do leite segundo os períodos do ano
seca e no metabolismo, mas principalmente na disponibilidade de alimentos e no conforto animal (OLIVEIRA, 2013), sobretudo em sistema de manejo a pasto, necessitando de complementação alimentar nos períodos mais críticos. Por outro lado, a maioria dos produtores não possui nenhum curso na área leiteira e executam a atividade com infraestrutura mínima e inadequada, além de ter dificuldade de investimento (WINK, 2013).
negativa da temperatura (máxima e mínima) com os teores de gordura, proteína e EST , e positiva com a lactose. Os pesquisadores verificaram ainda correlação positiva da precipitação e UR, com a CCS e CBT. Bueno et al. (2008), observaram não haver correlação significativa da temperatura com a CBT, já a UR e a precipitação pluviométrica apresentaram correlação significativa e positiva em relação a este componente do leite.
A Tabela 15 apresenta as médias e desvios-padrão dos índices dos componentes do leite de acordo com a variação das médias de precipitação pluviométrica acumulada (PR), umidade relativa do (UR) e temperatura (t), que caracterizam dois períodos distintos do ano, ou seja: (1) período seco e (2) período chuvoso.
TABELA 15 - Variação dos índices dos componentes do leite entre os períodos seco e chuvoso - em função dos fatores climáticos - 2006 a 2015.
Componentes GOR PRO LAC EST ESD CCS CBT PR UR t
Períodos do ano % % % % % 1.000
CS/mL 1.000
UFC/mL mm % °C
Período Seco 3,71a 3,27a 4,54a 12,45a 8,75a 349a 676b 18,5 52,9 21,8
Período Chuvoso 3,49b 3,24a 4,57a 12,30a 8,81a 367a 960a 192,1 67,6 23,8
Desvio-Padrão 0,14 0,10 0,03 0,20 0,09 28,07 191,18 98,31 10,19 1,55
Fonte: INMET, 2016; Dados da pesquisa.
Elaborado pelo Autor.
(*) Médias com letras distintas na mesma coluna diferem entre si (p<0,05).
Conforme a Tabela 15, o leite em estudo apresentou melhor qualidade no período de seca, com maiores teores de sólidos e menor carga microbiológica em relação ao período chuvoso. Diferença significativa (p≤0,05) dos valores dos componentes do leite entre os períodos seco e chuvoso, ocorreu apenas da gordura e da CBT, que sofreu a maior variação das médias, conforme demonstra o respectivo desvio-padrão (191,18), alcançando maiores níveis no período chuvoso. Este resultado reafirma o que foi apresentado na comparação por
estações do ano, quando a gordura e o EST apresentaram maiores teores médios durante o outono/inverno e os menores níveis de CBT, lactose e ESD.
Bueno et al. (2008), em pesquisa realizada no Estado de Goiás, níveis de CBT mais altas no período chuvoso, em relação ao período seco. Segundo os autores, o acúmulo de lama e outras sujidades nas instalações e nos tetos dos animais no momento da ordenha durante o período chuvoso, concorrem para o aumento da contaminação ambiental, expressa pela CBT.
Nesta mesma linha de interpretação, Paiva (2010) considera que o período chuvoso apresenta maior dificuldade de higienização do úbere dos animais antes da ordenha, devido a formação de lama, e considera a interferência disso no sistema de produção, tanto pelo aumento da pluviosidade, como pela maior temperatura no verão. Verificou-se ainda menores valores médios de CCS e CBT no período seco, enquanto os teores da composição físico-química foram maiores no período seco e menores no chuvoso.
Andrade et al. (2014), não verificaram diferença significativa dos componentes Microbiológicos em sua investigação no Rio Grande do Norte. O autor acredita que a ausência de diferença dos níveis de CCS e CBT entre as estações tenha sido favorecida pelo manejo das instalações e ordenha mecanizada higiênica. Oliveira et al. (2015), em pesquisa realizada no Estado da Paraíba, verificaram maiores teores da composição centesimal no período seco, assim como também foram maiores os níveis de CCS e CBT, em relação ao período chuvoso. O resultado corrobora os resultados da pesquisa de Neves (2015), que no Estado de Goiás, verificou menores níveis de CCS e CBT no período seco e maiores no período chuvoso. Para o autor, a multiplicação dos agentes (bactérias) causadores de mastite é favorecida pela elevação da umidade e da temperatura no período chuvoso.
De acordo com os resultados obtidos no presente estudo, são fortes as evidências de influência das variações climáticas sobre os índices dos componentes do leite. Foram
confirmadas oscilações, tanto dos fatores climáticos como dos valores dos componentes do leite, quanto aos meses, estações e períodos do ano. Entretanto, estas oscilações não comprometeram legalmente a qualidade do leite, uma vez que os requisitos permaneceram adequados aos parâmetros estabelecidos pela legislação, exceto da CBT, que sofreu maior variação e constituiu o requisito limitante da qualidade do leite cru refrigerado. Embora os níveis de CCS se mostrassem crescentes, apenas os níveis de CBT tiveram suas médias geométricas superiores aos limites máximos estabelecidos pela IN62/2011, tanto na última fase de ajustes (4ª fase) como no final do período em estudo (Dezembro/2015).
A síntese dos componentes físico-químicos do leite é influenciada diretamente pela nutrição do animal, porém é neste aspecto que o produtor pode intervir de maneira mais incisiva para melhorar mais rapidamente a composição do produto, ampliando em até 50%
dos teores de gordura e proteína. Por outro lado, a implementação de uma dieta desequilibrada aos animais pode reduzir principalmente os teores de gordura no leite (ARAÚJO et al., 2013).
Mas, na maior parte do ano as pastagens por si só garante equilíbrio dos sólidos no leite.
Medidas simples durante o processo de ordenha, como higienização adequada dos equipamentos e úbere dos animais e o desprezo dos três primeiros jatos de leite antes da ordenha, podem contribuir significativamente para a adequação da composição microbiana do leite à legislação (VALLIN, 2009). Isto corrobora ainda a dedução de precárias condições higiênicas empregadas nas etapas de produção do leite cru refrigerado dos tanques amostrados e enfatiza a necessidade de implementação de programas de educação continuada e de conscientização aos envolvidos nestas etapas, bem como de incentivo aos produtores rurais, principalmente através da bonificação por qualidade do produto.
6.4 EFEITO DA SAZONALIDADE DA QUALIDADE DO LEITE SOBRE O PREÇO