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Saúde, em seu sentido mais abrangente, é resultante das condições de alimentação, habitação, educação, renda, meio ambiente, trabalho, transporte, emprego, lazer, liberdade, acesso e posse da terra e acesso aos serviços de saúde. É assim, antes de tudo, o resultado das formas de organização social da produção, as quais podem gerar grandes desigualdades nos níveis de vida (BRASIL, 1986, p.4).

A partir da adoção do conceito ampliado de saúde formulado na 8ª CNS foi o criado o Sistema Único de Saúde (SUS). Este sistema desde o seu início procura superar a fragmentação das intervenções em saúde e a centralização de ações programadas. Desta maneira propõe que o trabalho seja organizado conforme o perfil epidemiológico de uma região e a integração das medidas de promoção, prevenção e tratamento.

Na década de 90 ocorreu o início da implantação do SUS após a promulgação da Lei Orgânica da Saúde nº 8080 que discorre sobre as condições para promoção, proteção e recuperação da saúde, organização e funcionamento dos serviços.

Oferecendo materialidade à política de saúde, a Constituição instituiu o SUS estando vinculadas ao sistema as seguintes competências:

1) atividades dirigidas a indivíduos ou coletividade direcionadas para promoção da saúde e prevenção, diagnóstico, tratamento e reabilitação;

2) os serviços serão prestados em âmbito ambulatorial, hospitalar e em unidades de apoio diagnóstico e terapêutico gerenciados pelo governo (federal, estadual ou municipal) e em outros espaços especialmente o domiciliar;

3) será executado ações de diferentes complexidades e custos desde aplicação de vacina, consulta médica, cirurgias e transplantes;

4) intervenções ambientais incluindo condições sanitárias nos ambientes de moradia e trabalho, na produção circulação de bens e serviços, controle de vetores e operação de sistemas de saneamento ambiental;

5) as instituições públicas direcionadas para o controle de qualidade, produção, pesquisa, medicamentos, sangue e hemoderivados e equipamentos para saúde (NORONHA, LIMA e MACHADO, 2008).

Na insuficiência de serviços a população o SUS poderá requerer os serviços prestados pela iniciativa privada. Desta maneira compreende-se que o SUS não é constituído apenas por serviços públicos e sim por uma rede de serviços privados complementares ao SUS, entre eles hospitais, unidades de apoio ao diagnóstico e terapias.

A saúde no Brasil possui a orientação de três princípios gerais: a universalização; o atendimento integral e a participação da comunidade. Assim, se apresenta como base constitutiva do sistema de saúde brasileiro a universalização, a integralidade e a equidade (CASTRO e MALO, 2006).

O SUS é composto pelo serviço público e por uma ampla rede de serviços privados, que são remunerados com recursos públicos destinados a saúde. O financiamento desses serviços é proveniente das receitas arrecadadas pelo Estado

que permite que os serviços sejam oferecidos de forma gratuita (NORONHA, LIMA e MACHADO, 2008).

De acordo com Noronha, Lima e Machado (2008, p. 439)

Os principais princípios e diretrizes do SUS estabelecidos na Lei Orgânica da Saúde são:

1) Universalidade de acesso em todos os níveis de assistência.

2) Igualdade na assistência á saúde, sem preconceitos ou privilégios de qualquer espécie.

3) Integralidade da assistência.

4) Participação da comunidade.

5) Descentralização política-administrativa.

A universalidade é compreendida como o direito que todas as pessoas têm de obter as ações e os serviços de que precisam independente de custo, e complexidade. O SUS deve atender a todos, sem distinções de acordo com as necessidades individuais. O princípio da igualdade afirma que não pode existir discriminação no acesso aos serviços de saúde, quer dizer que o acesso de somente alguns grupos é negado. A Integralidade na assistência é compreendida como a articulação entre as ações de promoção da saúde e a prevenção de doenças que sejam vinculadas aos serviços ambulatoriais ou hospitalares direcionadas para o diagnóstico, tratamento e a reabilitação. A saúde deve ser tratada como um todo. A gestão do SUS deve ser organizada de maneira a permitir a execução e cumprimento dos princípios norteadores. A participação da comunidade implica na garantia que a comunidade participará através de seus representantes das decisões entre elas formulações de diretrizes e prioridades nas políticas de saúde. A descentralização traduz direcionamento das responsabilidades para os governos estaduais e municipais além de maior autonomia para decidir e implantar ações de saúde (NORONHA, LIMA e MACHADO, 2008).

Ao SUS cabe uma tarefa complexa que vai além de reorganizar o sistema de saúde, mas também atuar para produzir políticas econômicas e sociais justas. Ainda reorganizar as práticas e serviços de saúde que se traduzem como estratégias para reorientação do sistema.

Para Castro e Malo (2006, p. 22)

A tarefa imputada ao SUS se traduz na exigência – como expressão da materialidade da política – da combinação de uma nova eticidade, sobretudo baseada na defesa radical do direito à saúde e à oferta de ações integrais; e de uma nova racionalidade – sistêmica – capaz de emprestar senso de ordenamento tendo em vista a otimização de recursos.

No Brasil, especificamente na 8ª CNS foi promovido pelo movimento sanitário um debate na sistematização das bases conceituais da Reforma Sanitária e no esforço pela implantação de um sistema unificado e descentralizado mediante a organização de distritos sanitários. O princípio da integralidade foi inserido posteriormente na Constituição, na lei Orgânica da Saúde e nas normas operacionais do SUS (NORONHA, LIMA e MACHADO, 2008).

A concepção de distrito sanitário enfatizava o princípio da integralidade da atenção. Desta forma na década de 80, a expressão modelos assistenciais designavam a forma de organização dos serviços de saúde. O distrito sanitário se propunha a solucionar problemas de saúde através de ações integrais (NORONHA, LIMA e MACHADO, 2008).

O que ocorria no Brasil era a discussão sobre o processo de trabalho em saúde, digo os meios de trabalho, tecnologias, materiais e mão de obra. Com a criação do SUS surge no país uma nova proposta de trabalho, o modelo integrado que resultaria em propostas de mudanças organizacionais e uma nova compreensão da concepção do processo saúde-doença e um novo molde do vínculo entre serviços e usuários. Desta forma saúde é concebida como qualidade de vida.