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SOLO EM CULTIVO DE CAFEEIROS

No documento Reitora do IFRR (páginas 102-115)

MÉTODOS DE CONTROLE DE PLANTAS

física, química e biológica do solo, propiciando um melhor e mais longevo aproveitamento desse recurso finito.

Palavras-chave: Controle de Invasoras, Física do Solo, Qualidade do solo, Química do Solo.

INTRODUÇÃO

O Brasil tem cerca de 2,2 milhões de hectares plantados com café, sendo o maior produtor do mundo. A produção brasileira de café em 2017 foi de aproximadamente 44,77 milhões de sacas, sendo 34,07 milhões de café arábica e 10,71 de conilon (CONAB, 2017).

O Estado de Minas Gerais se destaca como principal produtor de café do Brasil, sendo responsável por cerca de 55% da produção nacional.

Considerando-se apenas a espécie arábica, a contribuição do estado atinge 75%

da produção nacional (CONAB, 2017).

A produção de café é altamente dependente dos tratos culturais e de fatores fisiológicos e ambientais. Entre as principais práticas que visam à produção sustentável do café, está o controle de plantas invasoras que, de um modo geral, tem sido realizado desde os primórdios da agricultura, por meio de técnicas manuais, mecânicas e químicas, embora, durante muito tempo, as preocupações com os resultados dessa prática estiveram mais relacionadas ao ponto de vista agrícola do que ambiental (ALCÂNTARA e FERREIRA, 2000).

Nesse controle, são utilizadas práticas que contribuem para a proteção da superfície do solo, podendo melhorar sua qualidade física, impedindo a formação de encrostamentos superficiais e a ocorrência de processos erosivos, como também melhorar a qualidade química com fornecimento de matéria orgânica por meio do manejo adequado de sua cobertura vegetal (ALCÂNTARA e FERREIRA, 2000; ALCÂNTARA et al., 2007).

A utilização de sistemas de manejo do solo que incorporem maior conteúdo de C orgânico ao solo e que sejam menos agressivos é fator primordial para a redução dos processos erosivos (BAYER e MIELNICZUK, 1997; BAYER e BERTOL, 1999). A premissa inicial para a melhoria da qualidade do solo é a de que, quanto menor o revolvimento das camadas do solo, melhor será o manejo implementado na cultura e maiores serão os ganhos, em termos de fertilidade, atributos físicos e biológicos do solo. Isso está relacionado com um balanço

positivo de matéria orgânica, pois solos mais revolvidos aumentam a área de contato da matéria orgânica com a microbiota do solo, fazendo com que a oxidação da matéria orgânica ocorra de forma mais acelerada, o que pode incorrer em balanço negativo (AMADO et al., 2000).

O controle mecânico de plantas invasoras se faz pelo uso de técnicas que empregam maquinário agrícola ou, até mesmo, controle manual, visando à diminuição ou à eliminação da população dessas plantas em determinado cultivo. Exemplos mais comuns de métodos de controle mecânico das plantas invasoras são grade, trincha, roçadora e escarificação.

O controle químico de plantas invasoras consiste na utilização de herbicidas de pré e pós-emergência, que é o mais utilizado, sendo considerado o método de controle mais efetivo. No entanto, pressões econômicas, sociais e ecológicas, no sentido de limitar o emprego de defensivos químicos nos sistemas de produção, têm impulsionado a pesquisa a procurar novos procedimentos, que promovam menor impacto ambiental e social (CARVALHO et al., 2005).

No controle biológico de plantas invasoras, empregam-se práticas que visam estimular a competição entre plantas, como o plantio de cobertura vegetal resistente, com sistema radicular vigoroso e que tenha a capacidade de restringir o desenvolvimento das invasoras.

Os métodos de controle das plantas invasoras, tanto os mecânicos quanto os químicos e biológicos, apresentam algumas limitações em relação aos atributos físicos do solo. No controle mecânico, o peso das máquinas pode promover a compactação, assim como a retirada excessiva do mato pode deixar o solo mais exposto à erosão superficial. O controle químico é bastante eficiente, porém, os produtos químicos podem deixar resíduos, contaminantes no solo e lençol freático. Em alguns casos, herbicidas também alteram a estabilidade dos agregados do solo. No controle biológico, há a necessidade de plantas adaptadas à competição, com raízes mais profundas para romper a estrutura do solo, maior velocidade de crescimento e outras características que acabam demandando pesquisas na área de melhoramento, implicando custos elevados.

O conhecimento das alterações dos atributos físicos e químicos do solo, advindas desses manejos, possibilita prever limitações e potencialidades destes, e, assim, melhorar a produtividade das culturas (SILVEIRA e STONE, 2001).

Manejo agroecológico e controle de plantas invasoras

O manejo agroecológico do solo está baseado em vários pré-requisitos que devem ser alcançados, como produtividade, geração de renda, aceitabilidade dos produtos e manejo correto da cobertura vegetal, o que leva ao incremento de matéria orgânica do solo. Tais aspectos devem estar em concordância com práticas socioambientais que levam a um aumento da qualidade dos produtos gerados, assim como a melhoria do ambiente na propriedade e no seu entorno. O manejo cultural tem que ser abrangente e, ao mesmo tempo, alcançar bons números na lavoura, reduzindo os custos com pesticidas e fertilizantes, aumentando, com isso, o lucro do produtor (GOMEZ et al., 1996; SANTOS et al., 2002; NICHOLLS et al., 2004; NETO e MATSUMOTO, 2010).

A sustentabilidade do agronegócio café depende de diversas práticas agrícolas adotadas no seu cultivo. O controle de plantas invasoras se destaca por afetar diretamente a produção do cafeeiro. As plantas invasoras competem pelos mesmos recursos exigidos pelo cafeeiro quando se desenvolvem no mesmo ambiente e, assim, poderá ocorrer redução significativa na produção de grãos de café, pelo fato de que, de modo geral, as plantas cultivadas sentem mais os efeitos dessa competição quando comparadas com as invasoras (PITELLI, 1985;

TOLEDO et al., 1996).

Estudos revelam que a influência das plantas invasoras na cafeicultura pode ser traduzida em prejuízos e benefícios. Dentre os prejuízos, citam-se diminuição na produção de café, menor eficiência de uso da terra, dificuldade nas práticas culturais, alto custo de proteção fitossanitária, problemas no manejo da água, baixa qualidade do produto e dificuldade na colheita. Dentre os benefícios, têm- se sombreamento do solo na época seca, com maior retenção de água; proteção do solo na época chuvosa, amenizando efeitos da erosão; favorecimento do microclima, da microflora e da microfauna; e, ainda, aumento do teor de matéria orgânica (SOUZA et al., 1985).

Tem-se buscado avaliar os diferentes métodos, do ponto de vista econômico e de maior eficiência no controle dessas plantas. O controle, quando adequadamente feito, pode contribuir para a melhoria das propriedades do solo, principalmente, em decorrência da elevação do seu teor de matéria orgânica, promovida pela diversidade de espécies presentes na cultura (ALCÂNTARA e FERREIRA, 2000).

Os métodos de controle de plantas invasoras podem ser divididos em três categorias: métodos físicos ou mecânicos, químicos e biológicos. Os métodos físicos empregados são maneiras instrumentais de controle que podem ser ou

manuais ou mecânicas (SANTOS et al., 2008).

Controle mecânico de plantas invasoras

O controle mecânico envolve a capina manual e o cultivo por meio de tração animal ou trator. A capina manual ainda é muito utilizada pelos agricultores de subsistência, contudo, essa operação só é recomendável para áreas pequenas. Em lavouras cafeeiras, quando capinadas de forma intensiva, mantêm a superfície do terreno descoberta, aumentando o transporte de partículas do solo (TOLEDO et al., 1996).

Quando não aplicado o controle mecânico na lavoura de café, devido aos novos métodos de controle da erosão, como superadensamento, há um maior aporte de matéria orgânica nos sistemas convencional, orgânico e em conversão, o que influencia a estruturação do solo e a diminuição do arraste de partículas pela proteção daquele contra o impacto das gotas de chuva (THEODORO et al., 2003).

Entre os métodos mecânicos de controle, estão: roçadora, grade, trincha e capina manual. Em adição, o tamanho do implemento e o número de operações realizadas durante o ano favoreceram maiores degradações físicas, químicas e biológicas do solo (ARAÚJO-JUNIOR et al., 2011; SIQUEIRA et al., 2014a;

SIQUEIRA et al., 2014b; SIQUEIRA et al., 2015).

Controle químico de plantas invasoras

Os métodos químicos de controle são realizados por meio da aplicação de herbicidas tanto de pré como de pós-emergência e demonstram ser os mais efetivos e eficientes métodos, tanto que, ao longo das últimas quatro décadas, os herbicidas têm dominado a estratégia de manejo das plantas daninhas em diversos países (WYSE, 1992; ABERNATHY e BRIDGES, 1994) Nos Estados Unidos, os herbicidas representam aproximadamente 60% do total de pesticidas aplicados nas lavouras (ASPELIN, 1994).

Analisando o controle de plantas invasoras em cultura perene com utilização de herbicidas, cobertura morta com bagaço de cana, cultivo alternado de mucuna e de aveia, capina manual, roçada mecânica e cultivo de guandu, não foram observadas diferenças significativas para teor de carbono orgânico, soma de

bases e CTC. No entanto, a resistência à penetração em camadas mais profundas é considerada impeditiva ao desenvolvimento das raízes, quando o tratamento empregado é o herbicida. Porém, alguns atributos químicos, como pH, Al+3, Ca+2, Mg+2, K+ e V%, são influenciados positivamente tanto pelo herbicida como pela roçada mecânica (TRINTINALIO et al., 2005).

Controle biológico de plantas invasoras

No controle biológico de plantas invasoras são adotadas técnicas que visam competição entre plantas por meio de plantio da cobertura vegetal com espécies que apresentam velocidade de crescimento e agressividade maiores que das plantas daninhas. Assim, tais espécies causam supressão das invasoras por meio da competição por luz, água, oxigênio, nutriente e substâncias alelopáticas (FAVERO et al., 2001; SANTOS et al., 2008).

O estabelecimento de culturas de cobertura com sistema radicular vigoroso, capaz de penetrar camadas mais compactadas de um solo, causa maior estabilização de agregados pela aproximação das partículas, enquanto ocorre o desenvolvimento radicular, pois ocasiona pressão nas partículas minerais na medida em que avança pelo espaço poroso e aumenta a coesão entre partículas, pelo ressecamento de camadas adjacentes às raízes, devido à absorção de água.

Isto faz com que a implementação destas culturas tenha relevante impacto na redução da utilização de métodos mecânicos de controle de invasoras, como a escarificação, que reduz a estabilidade de agregados em camada superficial, segundo Calonego e Rosolem (2008). Tais autores observaram que a utilização de triticale como cultura de cobertura proporciona maior DMG e DMP de agregados nas camadas mais superficiais de um Nitossolo Vermelho.

Alterações das propriedades físicas, químicas e biológicas do solo À medida que o solo vai sendo submetido ao uso agrícola, as propriedades físicas, químicas e biológicas sofrem alterações geralmente desfavoráveis ao desenvolvimento vegetal (ANJOS et al., 1994; ANDREOLA et al., 2000;

ALBUQUERQUE et al., 2001; MELONI et al., 2013). O uso do solo leva ao comprometimento de sua estrutura por meio da compactação, afetando a relação macro/microporos e, consequentemente, a dinâmica do ar e da água, havendo

também danos à atividade biológica (SÁ, 1993; MARIA et al., CASTRO, 1999;

SILVEIRA e STONE, 2001; MELONI et al., 2013).

A melhoria da qualidade física do solo, o que inclui a formação de boa estrutura, é condição primordial para garantir altas produtividades (CARPENEDO e MIELNICZUK, 1990), haja vista que esta característica está relacionada com a disponibilidade de ar e de água às raízes das plantas, com o suprimento de nutrientes, com a resistência mecânica do solo à penetração e com o desenvolvimento do sistema radicular (TISDALL e OADES, 1979; REID e GOSS, 1981).

As plantas invasoras não afetam o cultivo do café apenas num enfoque específico de competição por água, luz e nutrientes, mas podem vir a alterar propriedades importantes do solo, como as físico-hídricas e mecânicas, uma vez que os métodos de controle destas acabam alterando tais características, podendo aumentar ou diminuir a erosão e também resultar no aporte de matéria orgânica (FARIA et al., 1998; ARAUJO-JUNIOR et al., 2008).

As características físicas são influenciadas diretamente pela matéria orgânica do solo (MOS), tanto em quantidade quanto em qualidade. O fracionamento da MOS em seus compartimentos pode auxiliar na avaliação das modificações decorrentes do uso devido à maior sensibilidade dessas frações frente ao manejo.

A fração particulada da MOS pode ser utilizada como ferramenta para avaliar a qualidade do solo, principalmente em um curto período de tempo (CAMBARDELLA e ELLIOTT, 1992; BAYER et al., 2004; CONCEIÇÃO et al., 2005; NICOLOSO, 2005).

A recuperação do potencial produtivo do solo, pelo uso de plantas, como gramíneas e leguminosas (SANTOS et al., 2001), também tem sido verificada, devido ao aumento que promovem no teor de matéria orgânica e, consequentemente, na melhoria de condições físicas e químicas do solo. A quantidade de material vegetal adicionado na superfície, bem como a quantidade de matéria orgânica acumulada no solo, é dependente dos sistemas de manejo adotados (BAYER et al., 1999; AMADO et al., 2000).

Práticas de manejo não conservacionistas podem induzir a perdas de solo, de água e de matéria orgânica. No entanto, quando é implementado um bom manejo de plantas invasoras ocorre o inverso, ou seja, maior coesão do solo, menores perdas e maior acúmulo de matéria orgânica (FARIA et al., 1998).

A utilização de métodos de controle, como o herbicida de pós-emergência e sem capina, ocasiona maior cobertura do solo, reduzindo a energia cinética da

água e reduzindo a erosão do solo, além de manter a umidade constante, o que favorece o desenvolvimento de microrganismos que contribuem para um maior aporte de matéria orgânica. Tais métodos de controle são indicados com o objetivo de melhorar a qualidade física e diminuir as perdas de água e de solo (FARIA et al., 1998; PROCHNOW et al., 2005).

Diferentes manejos de plantas invasoras, utilizados no centro das entrelinhas da lavoura cafeeira, como sem capina (SCAP), capina manual (CAPM), herbicida de pós-emergência (HPOS), roçadora (ROÇA), enxada rotativa (ENRT), grade (GRAD) e herbicida de pré-emergência (HPRE), não influenciaram a densidade do solo e o teor de C orgânico do Latossolo, na profundidade de 25–28 cm, em relação ao solo sob mata nativa, demonstrando que os métodos de controle de daninhas podem não influenciar negativamente o aporte de matéria orgânica (ARAUJO-JUNIOR et al., 2011).

Além disso, a utilização de métodos de controle ocasiona mudanças na estrutura do solo em relação a floresta nativa, como: retenção de água, capacidade de água disponível e distribuição do tamanho dos poros do solo, sendo a camada mais superficial (0 – 0,05 m) mais sensível às mudanças que a camada mais subsuperficial (0,10 – 0,15 m) (PIRES et al., 2017).

Melhores valores para estabilidade de agregados, assim como para outros atributos físicos, são encontrados em sistemas de manejo conservacionistas, devido ao maior acúmulo de matéria orgânica e à ausência de revolvimento do solo. Quando implementadas práticas de manejo que levam em conta tais aspectos, o sistema solo se torna mais sustentável (BILIBIO et al., 2010).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O controle adequado de plantas invasoras busca, não só a efetiva diminuição da competição por água, luz e nutrientes com a cultura principal, mas também procura manter ou melhorar as propriedades físicas e químicas do solo, tornando-o mais sustentável. Contudo, o que se vê comumente é a utilização inadequada dos métodos de controle de plantas invasoras, incorrendo em danos ao meio ambiente, diminuição da biodiversidade e degradação do solo.

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