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a educação podem ocorrer em qualquer ambiente, desde que os objetivos propostos sejam adequados a clientela a ser beneficiada e ainda mais, um projeto dessa natureza só terá sentido se for pensado, discutido e elaborado por todos os envolvidos no processo de democratização deste documento intitulado Plano Diretor.

Urge também elencar, que ao se proceder a análise da correlação das características físicas e geográficas locais com o zoneamento proposto no PD de Quissamã/RJ, foi aventada a estreita aliança entre o ensino da Geografia Física, os fundamentos ecológicos e as diretrizes de reorganização do espaço municipal. O reconhecimento de algumas eficiências e deficiências de suas diretrizes durante a fase de pesquisa culminou num pequeno apêndice neste ensaio monográfico. Satisfatório foi o reconhecimento de que o entrelace entre um único objeto de pesquisa e objetivos geralmente paralelos promoveu de maneira correlata a democratização prevista no escopo do Plano Diretor.

Por fim, como profissional da educação, reafirma-se a expectativa de contribuir com o bem estar coletivo e com a formação dos futuros cidadãos do município de Quissamã/RJ. Isto significa que, deste modo se está ajudando no desenvolvimento de certas potencialidades necessárias ao aprimoramento da espécie humana: senso crítico, raciocínio lógico, sociabilidade, percepção ética e respeito aos outros e à natureza – que são fundamentais para a participação consciente na sociedade moderna. E que essa mesma espécie apreenda com os erros do presente a planejar de maneira consciente a cidade onde queremos viver hoje e no futuro.

100

1) A utilidade didático-pedagógica do Plano Diretor no desenvolvimento dos jogos educativos apresenta viabilidade e coerência, formando-se assim uma linha de pesquisa digna de aprofundamento

2) Elencar o posicionamento das políticas ambientais dos documentos institucionais de planejamento urbano – em especial, o Plano Diretor - diante do novo paradigma ecológico da sustentabilidade dos ambientes naturais 3) Diagnosticar a aplicabilidade do ensino da Geografia Física - aliada aos

fundamentos ecológicos - às diretrizes de reorganização do espaço municipal (Plano Diretor) por meio de trabalho de campo

4) Mensurar o nível de aceitação dos jogos pelos professores municipais de Quissamã e a participação dos mesmos na utilização destes em sala de aula 5) Mensurar o nível de percepção dos alunos da rede municipal sobre as

diretrizes do Plano Diretor de Quissamã a partir da aplicação dos jogos propostos

6) Mensurar o nível de percepção dos alunos da rede municipal acerca das evidências materiais de usos não conforme que se apresentam no cotidiano destes

Ao finalizar, pretende-se que este ensaio monográfico possa contribuir para a divulgação da grande relevância que apresenta os assuntos ora enfocados. Espera-se ainda que este sirva como instrumento orientador para a elevação dos níveis de conscientização ambiental e da necessidade do ordenamento de nossas políticas urbanas em face das transformações que se apresentam no nosso cotidiano e mediante as incertezas advindas do futuro.

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ANEXOS

ANEXO 1 :

Histórico de alguns eventos e políticas ambientais

111 mundo:

1934 – Código das Águas (Decreto nº 24.643, de 10 de julho), que definiu o direito de propriedade e de exploração dos recursos hídricos para abastecimento, irrigação, navegação, usos industriais e geração de energia.

1940 - Ocorre a dissociação do direito de propriedade do direito de exploração através do Código das Minas (Decreto nº 1.985), no qual o proprietário tinha o dever de explorar sua propriedade sem causar qualquer dano ao próximo, evitando a poluição do meio e conservando o mesmo.

1944 – Conferência de Chicago - iniciou-se a preocupação real com o desenvolvimento de uma política ambiental brasileira através do Decreto nº 21.713, de 2 de agosto de 1946, que promulgou a Convenção Internacional sobre Aviação Civil, concluída em Chicago em dezembro de 1944 e firmada pelo Brasil em Washington em 29 de maio de 1945.

1960 – Foram criadas Áreas de Preservação Ambiental (APP), bem como houve o reconhecimento das florestas e demais formas de vegetação como bens de interesse comum a todos os cidadãos brasileiros. criação do Código Florestal (Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965). Na mesma década cria-se o Estatuto da Terra (Lei nº 4.504, de 30 de novembro de 1964), que define a função social da terra. Após esse período, já na década de 70 inicia-se a criação de diversas Organizações não Governamentais (ONGs) e o Greenpeace.

1968 – Clube de Roma

1972 – Relatório Crescimento Zero

1972 – Conferência Internacional sobre o Ambiente Humano – Carta dos Princípios – Estocolmo – Suécia

1972 – “Clube de Roma” publica o estudo Limite do Crescimento, onde mostram que caso nenhuma atitude fosse tomada o nosso planeta Terra atingiria seu limite máximo em apenas 100 anos. Em 1972, na Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente Humano, realizada em Estocolmo, estabeleceram-se o “Plano de Ação Mundial” e a “Declaração da ONU sobre o Meio Ambiente Humano” (orientação dos governos).

1973 – Crise do Petróleo – Acidente: Baia de Minamata/ Chernobyl/ Exxon Valdez/ Petrobras 1973 - Em 30 de outubro de 1973 é criada a Secretaria Especial do Meio Ambiente (SEMA), no governo de Emílio G. Médici (Decreto nº 73.030).

1975 – Seminário Internacional de Educação Ambiental – Belgrado

112

1981 - Entra em vigor a Lei nº 6.938, de 31 de agosto, que estabeleceu a Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA) e criou o Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA).

1986 – Resolução CONAMA 001 no Brasil, muitos projetos de empreendimentos com potencial impactante ao meio ambiente foram obrigados a elaborar o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e seu respectivo Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) como parte do licenciamento para sua implantação e operação. Além da Resolução CONAMA 001/86, merecem destaque as resoluções do CONAMA nº 016, que estabelece regras para o licenciamento ambiental de atividades de grande porte e a resolução nº 018, que institui o Programa de Controle de Poluição por Veículos Automotores (PROCONVE).

1990 – Relatório Brundtland Our Commom Future . A Comissão mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento publicou um relatório chamado “Nosso Futuro Comum”, conhecido também por Relatório “Brundtland”. Nesse instante que surge o termo

“desenvolvimento sustentável”, empregado até os dias atuais. O Relatório Brundtland, entende que os problemas ambientais e a busca pelo desenvolvimento sustentável estão diretamente ligados com o fim da pobreza, a satisfação básica de alimentação, saúde e habitação, a busca de novas matrizes energéticas que privilegiem as fontes renováveis e a inovação tecnológica.

1992 – A “ECO-92” como ficou conhecida a Conferência Mundial das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento. Na “ECO-92” foram gerados alguns documentos importantes visando a concretização da proposta de desenvolvimento sustentável. Dentre eles destacam-se a “Carta da Terra” (Declaração do Rio de Janeiro sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento), a Convenção sobre Diversidade Biológica, a Convenção Marco sobre Mudanças Climáticas, a Declaração sobre Florestas e a Agenda 21, que é o documento mais amplo e aborda diretrizes, bem como roteiros detalhados para orientar governos, instituições das Nações Unidas e setores independentes em como efetivar a proposta de proporcionar o desenvolvimento com maior qualidade de vida através da preservação dos ecossistemas, mudando o rumo das atividades humanas no planeta.

1997 - Em 1997, na cidade de Kyoto no Japão, foi assinado um novo componente da Convenção Marco sobre Mudanças Climáticas: o Protocolo de Kyoto. O objetivo do protocolo é comprometer as nações mais industrializadas a reduzir no período de 2008 a 2012 as emissões de componentes que interferem no clima da Terra em 5,2% em relação aos índices de emissões de 1990 - Na Conferência Internacional sobre Meio Ambiente e

113

Tessalônica, Grécia), começam a se delinear as estratégias para efetivar as mudanças comportamentais econômicas e sociais necessárias ao desenvolvimento de atitudes que alicercem a população, na busca pela sustentabilidade em todos os setores da sociedade moderna

2002 - Acontece a Conferência de Johannesburgo, conhecida como “Rio+10”, na qual foi formada a “Cúpula Mundial de Desenvolvimento Sustentável” pelos países participantes. O objetivo desse evento foi avaliar o progresso das metas determinadas na ECO-92, principalmente com relação à Agenda 21 e verificar os resultados obtidos pelos países participantes com a finalidade de propor alterações para que os objetivos ambientais fossem alcançados.

2003 – Conferência Mundial sobre Mudanças Climáticas em Moscou

ANEXO 2:

Projeto de Lei Complementar do Plano Diretor de Desenvolvimento Sustentável do Município de Quissamã/RJ. 2006

ANEXO 3

Relatório Técnico Final do projeto: Sistema de acompanhamento do ordenamento do uso da terra no município de Quissamã – uma proposta participativa

160 Relatório Técnico Final

Identificação do Projeto N° Processo: 500002/2006-1

Título: SISTEMA DE ACOMPANHAMENTO DO ORDENAMENTO DO USO DA TERRA NO MUNICÍPIO DE QUISSAMÃ - UMA PROPOSTA PARTICIPATIVA Entidade Executora: Centro Federal de Educação Tecnológica de Campos – CEFET Campos Coordenador: Hélio Gomes Filho.

Parceiros: Prefeitura Municipal de Quissamã Período: 19 de setembro/2006 a 19 de março/2008 Recursos liberados: R$ 46.000,00

Facilitadores:

1. Gláucia Rose Guilherme Mendes Teixeira;

2. José Maria Ribeiro Miro;

3. Lídia Larrúbia Granja Moreira;

4. Margarida Maria Mussa Tavares Gomes;

5. Neiva do Amaral Lemos Haddad;

6. Roberta de Souza Ramalho;

1. Contexto

O projeto tem como objetivo produzir instrumentos que permitam a democratização das informações do Plano Diretor do Município de Quissamã.

161

jogos de tabuleiro, além das ferramentas digitais disponíveis à população.

Contribui para isso o fato do Município de Quissamã possuir o “Quissanet” – um serviço de Internet a rádio gratuito para qualquer cidadão do município, que conta, também, com cinco telecentros funcionando estrategicamente distribuídos pelo município.

Como estratégia de ação utilizamos a capacitação de 25 multiplicadores (professores e instrutores de telecentros) que se incumbirão de difundir as informações entre os cidadãos e os jovens estudantes de Quissamã. Assim sendo, os ambientes prioritariamente utilizados para este processo de democratização do acesso ao plano diretor serão as escolas e os telecentros quissamaenses.

Para concretizar estes objetivos optou-se por dois caminhos:

1. a confecção de dois jogos de tabuleiro:

i. um jogo onde todos saem do mesmo ponto percorrendo uma trilha, com acidentes impostos aleatoriamente por lances de dado, que premiam ou castigam o participante que caminha por todo o território quissamaense e que tem como vencedor quem chega primeiro à casa 132, ou seja, 0 centro histórico do município de Quissamã. Os prêmios e castigos são sempre relativos a posturas pretensamente assumidas pelo jogador, que prejudicam ou colaboram com a organização da cidade. Esse jogo por ser mais simples é voltado para alunos do primeiro segmento do ensino fundamental ou mesmo para a população menos escolarizada;

ii. um jogo de perguntas com respostas do tipo falso e verdadeiro, que permite ao jogador avançar desde que responda corretamente a questão formulada, por um dos três adversários, em cartas compradas na mesa. Cada um dos quatro jogadores sai de um ponto do município de Quissamã e ganha o jogo quem responder primeiro cinco perguntas corretamente e chegar ao centro histórico do município. Este jogo por exigir mais conhecimento se destina a alunos do segundo segmento do ensino fundamental, do ensino médio e pessoas com um nível de informação compatível com este patamar de escolaridade.

Em ambos os jogos os acidentes e as perguntas se referem a questões definidas pelo Plano Diretor e na medida em que se joga cresce o conhecimento a respeito do que se pode e o que se deve fazer neste município, mediante as diretrizes definidas nesta lei. O jogo 1 (PEDE) introduz também questões de educação ambiental, normas de trânsito, educação sanitária e outras questões importantes para nós, urbanistas.

162

DVD com um vídeo de 13 minutos onde é apresentada Quissamã, seu perfil socioeconômico, suas características ambientais e espaciais numa linguagem de telejornal, além de falar do projeto e dos jogos.

2. formação de redes digitais:

A utilização de ferramentas digitais para se proporcionar a comunicação e a formação de uma rede onde a informação que circula diz respeito ao que se aprende nos jogos. Para iniciar este processo foram criados uma comunidade no Orkut e um Blog que poderão ganhar uma vida mais intensa a partir do momento que os jogos sejam multiplicados em gráfica e sejam distribuídos nas escolas. Este compromisso já foi assumido pela Prefeitura Municipal de Quissamã (PMQ).

Há uma série de aspectos interessantes a se ressaltar em relação a este projeto, o grupo de pessoas que o compõe e a instituição que nos une – o Centro Federal de Educação Tecnológica de Campos:

1. somos quase todos professores do Mestrado Profissional em Engenharia Ambiental, da linha de Gestão Ambiental Participativa. As nossas pesquisas cuidam do desenvolvimento de tecnologias que permitam a gestão do meio ambiente garantindo a participação popular, de fato, sobretudo no que diz respeito aos mecanismos de empoderamento da população;

2. o Cefet Campos possui um pólo avançado de educação profissional e tecnológica no Município de Quissamã, fruto da sua vocação regional, e essa iniciativa é mais uma oportunidade de estreitar laços entre esta instituição e esse município.

2. Objetivos e Metas

O objetivo geral desta proposta associa-se à produção de sistemas e instrumentos educativos capazes de habilitar a comunidade a reconhecer e praticar o zoneamento do uso da terra proposto no Plano Diretor do Município de Quissamã. Com isso espera-se, além de produzir uma metodologia de gestão participativa, promover a capacitação da comunidade quissamaense no acompanhamento e execução do seu Plano Diretor.

Por meio de sete oficinas de capacitação de agentes multiplicadores para o acompanhamento da execução do Plano Diretor buscou-se os objetivos específicos que são a promoção das seguintes competências:

i. o uso das práticas de comunicação como importantes instrumentos de empoderamento da população – a importância do ouvir e transmitir mensagens e comunicações escritas;

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