3. ASPECTOS METODOLÓGICOS DA PESQUISA
3.1 Técnicas e instrumentos da coleta de dados
Para realização desta pesquisa, foi necessário adotar técnicas que possibilitassem a coleta de dados. Conforme Prodanov e Freitas, “técnica é o conjunto de preceitos ou processos utilizados por uma ciência ou arte”
(PRODANOV; FREITAS, 2013, p. 102), e, além disso, destacam que no caso de pesquisas de campo, faz-se necessário analisar e interpretar os dados obtidos, quer seja para elaborar o relatório ou para sustentar o trabalho científico. Os autores explicam que a técnica em questão, preza por um “encadeamento lógico do trabalho a ser apresentado, cuja redação deverá ser concisa, clara e objetiva” (PRODANOV;
FREITAS, 2013, p. 102), com vistas a facilitar o entendimento do leitor.
Dentre as técnicas e instrumentos existentes para a coleta de dados, destacamos para este estudo duas técnicas principais: a análise documental e a entrevista. Além das mencionadas, utilizamos mais uma técnica complementar, trata-se da observação das aulas de LP nas turmas em que lecionam as docentes entrevistadas. Cabe destacar que a seleção de tais técnicas é em decorrência da sua efetividade, mediante a necessidade de coletarmos as informações pertinentes ao nosso objeto de pesquisa.
Sobre a primeira técnica, a análise documental, afirmam Lüdke e André: “a análise documental pode se constituir numa técnica valiosa de abordagem de dados qualitativos, seja complementado as informações obtidas por outras técnicas, seja desvelando aspectos novos de um tema ou problema” (LÜDKE; ANDRÉ, 1986, p.
38). As autoras explicam que essa técnica pode contribuir bastante na abordagem qualitativa, sendo usada concomitantemente com outras técnicas ou não. Também especificam que os documentos mais utilizados nesse tipo de análise são aqueles materiais escritos que “incluem leis, regulamentos, normas, pareceres, cartas, memorando, diários pessoais, autobiografias, jornais, revistas, discursos, [...] livros, estatísticas e arquivos escolares” (LÜDKE; ANDRÉ, 1986, p. 38).
Conforme destaque das autoras, a análise documental possui algumas vantagens, visto que os documentos constituem uma fonte estável e rica que
persistem ao longo do tempo, com a possibilidade de consultá-los várias vezes e servem de base para os diversos estudos, conferindo, assim, mais estabilidade aos resultados obtidos.
Os documentos constituem também uma fonte poderosa de onde podem ser retiradas evidências que fundamentem afirmações e declarações do pesquisador. Representam ainda uma fonte “natural”
de informação. Não são apenas uma fonte de informação contextualizada, mas surgem num determinado contexto e fornecem informações sobre esse mesmo contexto (LÜDKE; ANDRÉ, 1986, p.
39).
Outra vantagem relacionada à análise documental diz respeito ao seu custo que geralmente é baixo, pois seu uso requer apenas investimento de tempo e atenção por parte do pesquisador para selecionar e analisar quais são os documentos mais relevantes para cada pesquisa. Além dessas vantagens, a análise documental possibilita complementar as informações obtidas por outras técnicas de coleta (LÜDKE; ANDRÉ, 1986).
Prodanov e Freitas (2013, p.56) chamam atenção para a importância de uma avaliação crítica do pesquisador, que devem considerar os aspectos internos e externos. Assim,
A análise documental tem por finalidade a realização um levantamento de dados factuais através da análise crítica de qualquer registro usado como fonte de informação, mediante problemas ou hipóteses de pesquisa, sendo acompanhados pelos processos de leitura – análise – crítica.
Em nossa pesquisa, a análise documental é apresentada de forma comparativa, uma vez que o processo analítico dos documentos e Leis que regem a Educação Escolar Indígena, em âmbito nacional, exigiu-nos uma percepção sobre os aspectos elencados nas Leis e documentos afins, que foram fruto de diversas reformulações, ao longo dos anos. Percebemos que tais aspectos estabelecem relações entre si, pois, a constituição dos novos documentos/Leis tem sempre respaldo nos documentos anteriores, que foram se adequando, de acordo com a demanda, com a finalidade de amparar a educação escolar indígena e atender suas particularidades.
A segunda técnica utilizada na pesquisa foi a entrevista, com destaque no levantamento dos dados primários, cuja importância centra-se na descrição de informações obtidas pelo (a) entrevistador (a) sobre o objeto de investigação. Para
Prodanov e Freitas (2013, p. 106), a entrevista “é sempre realizada face a face (entrevistador mais entrevistado); também pode ou não ser realizada com base num roteiro de questões preestabelecidas e até mesmo impressas [...]”.
Lüdke e André (1986) destacam que a entrevista representa um dos instrumentos básicos para a coleta de dados; portanto, é uma das principais técnicas de trabalho e está presente na maioria dos tipos de pesquisa utilizados nas ciências sociais. A entrevista também desempenha um papel importante tanto nas atividades científicas quanto nas demais atividades humanas. Sua realização propicia um contato mais direto com os sujeitos da pesquisa, pois é estabelecida uma relação de interação. E, nessa interação, se promove um ambiente de influência recíproca entre quem pergunta e quem responde; além disso, a grande prerrogativa da entrevista sobre outros procedimentos é a possibilidade de captação imediata em fluxo com relação à informação almejada.
As autoras pontuam sobre o valor da entrevista, principalmente nas pesquisas em educação, porque tratam de questões relativas
Ao ensino, a escola, seus problemas, a administração escolar, a supervisão, a avaliação, a formação de professores, o planejamento do ensino, as relações entre a escola e a comunidade, toda essa vasta rede de assuntos que entram no dia do sistema escolar (LÜDKE; ANDRÉ, 1996, p. 35-36).
Notoriamente, as questões pontuadas pelas autoras se aplicam à nossa questão de pesquisa: compreender o ensino de LP em escola indígena e, por isso, utilizamos como um dos recursos, a entrevista, sendo realizada com os professores e coordenadores. E como abordam as autoras, ao realizar a entrevista não estamos
“impondo uma problemática estranha, mas, ao contrário, tratando com eles de assuntos que lhes são familiares sobre os quais discorrerão com facilidade” (LÜDKE;
ANDRÉ, 1996, p. 36).
Como técnica complementar, utilizamos a observação, mais propriamente a observação das aulas de LP nos turnos matutino e vespertino, especificamente nas turmas de 6º ano B e C, 7º ano A e B e 9º ano A e B, nos anos finais do ensino fundamental, totalizando assim 05 turmas observadas no período de 01/04 até 31/05/2019, perfazendo um quantitativo de sete semanas consecutivas de
observação53 das aulas.
Sobre a técnica de observação, Lüdke e André (1986, p.25) alertam: “para que se torne um instrumento válido e fidedigno de investigação científica, a observação precisa ser antes de tudo controlada e sistemática. Isso implica a existência de um planejamento cuidadoso do trabalho”. Concordamos com as autoras e entendemos que esses aspectos são essenciais para termos rigor e clareza sobre o objeto da observação e não fugir dos propósitos e objetivos da pesquisa. Além do mais, é imprescindível ter uma sequência do que será observado e registrado pelo(a) pesquisador(a).
Planejar a observação significa determinar com antecedência “o quê”
e “o como” observar. A primeira tarefa, pois, no preparo das observações é a delimitação do objeto de estudo. Definindo-se claramente o foco da investigação e sua configuração espaço- temporal, ficam mais ou menos evidentes quais aspectos do problema serão cobertos pela observação e qual a melhor forma de captá-los. Cabem ainda nessa etapa as decisões mais específicas sobre o grau de participação do observador, a duração das observações etc. (LÜDKE; ANDRÉ, 1986, p. 25-26).
Para finalizar, Lüdke e André (1986, p. 26) pontuam, ainda, que entrevista e observação ocupam posição de destaque nas abordagens mais inovadoras sobre pesquisas na área educacional, pois podem ser usadas
Como o principal método de investigação ou associada a outras técnicas de coleta, a observação possibilita um contato pessoal e estreito do pesquisador com o fenômeno pesquisado, o que apresenta uma série de vantagens. Em primeiro lugar, a experiência direta é sem dúvida o melhor teste de verificação da ocorrência de um determinado fenômeno.
As ponderações das autoras citadas, nesse sentido, validam nossa escolha por acrescentar a técnica complementar de observação. Outros autores corroboram com esse entendimento de Lüdke e André (1986), portanto também nos respaldam em relação ao uso do referido procedimento. Marconi e Lakatos (2003, p. 190) entendem que a observação consiste em coletar dados para obter informações, de
53 Na ocasião da realização da Banca de Avaliação para o Exame de Qualificação, realizado em 26/09/2019 não apresentamos a descrição das aulas observadas. Optamos por mostrar uma análise prévia que nomeamos de “análise piloto”, para que a banca, naquela ocasião, pudesse avaliar a parte das entrevistas. Os avaliadores sugeriram que nos ativéssemos à exploração da parte analítico- discursiva, que nos dá subsídios para a referida pesquisa. Por esse motivo, denominamos a observação como técnica complementar, já que nos auxiliou na compreensão dos resultados da pesquisa, aparecendo de forma diluída, portanto não entrará na descrição detalhadamente.
modo que “utiliza os sentidos na obtenção de determinados aspectos da realidade.
Não consiste apenas em ver e ouvir, mas também em examinar fatos ou fenômenos que se desejam estudar”. Portanto, “é um elemento básico de investigação científica, utilizado na pesquisa de campo e constitui na técnica fundamental da Antropologia”
(MARCONI; LAKATOS, 2003 p. 191).
Para os autores, há de se considerar, ainda, que devido seu caráter mais prático, o procedimento da observação proporciona um contexto de descobertas, colocando-nos enquanto pesquisadores em maior contato com uma situação muito mais próxima da realidade do objeto da pesquisa. Dessa forma, a observação nos subsidia na identificação e obtenção de indicações a respeito de objetivos sobre os quais os indivíduos não têm consciência, mas que orientam seu comportamento.