Nesta pesquisa, foram utilizadas as técnicas de observação participante e entrevista semiestruturada como técnicas de coleta de dados.
A observação participante, ou observação ativa, mantém-se a presença do observador numa situação social, com a finalidade de realizar uma investigação científica, onde o observador ficará frente a frente com os observados e, ao participar da vida deles, obtêm dados e tem a possibilidade de obter a informação no momento em que ocorre o fato (MINAYO, 2010). E é considerada parte essencial do trabalho de campo na pesquisa qualitativa.
Segundo Richardson (2017), o observador participante tem mais chance de entender os hábitos, atitudes, interesses, relações pessoais e características da vida diária da comunidade do qual o observador não participe. Onde o observador não é apenas um espectador do fato estudado, ele se coloca na posição e ao nível dos outros elementos humanos que integram o fenômeno a ser observado.
A opção por esta técnica justifica-se, neste estudo, pela importância da observação ir ao foco do cuidado da família com o bebê hospitalizado e a relação com a equipe do serviço
no ambiente da UTI neonatal; no intuito de elucidar ou confrontar os dados apreendidos pela entrevista semiestruturada.
Para deixar a observação dos fatos mais fidedigna, foram utilizados dois instrumentos, um roteiro de observação (Apêndice A) e o Diário de Campo. Neste sentido, Santana (2010) infere que cada situação observada sugere ao pesquisador uma interpretação, que pode ser provisória ou definitiva sobre o fato, e uma maneira de ajudar a refletir as conjecturas da pesquisa é a utilização das anotações no Diário de Campo como facilitador de registro, assegurando a precisão dos dados coletados, onde irá expressar o movimento dinâmico de compreensão da realidade pelo qual se passa o investigador. E quanto mais ricas forem as anotações, maior será o auxílio que oferecerá à descrição e à análise do objeto de estudo.
Para Richardson (2017) e Minayo (2010) a entrevista semiestruturada é uma técnica que possui uma estrutura flexível com questões fechadas (ou estruturadas) e/ou abertas, onde o entrevistado tem a possibilidade de discorrer o tema proposto, sem respostas ou condições prefixadas pelo pesquisador. A sua finalidade é possibilitar a coleta de dados qualitativos de confiança e permiti compreender de forma profunda tópicos de interesse para o desenvolvimento de questões relevantes, como também sua explicação e compreensão da totalidade.
Com a entrevista o pesquisador busca obter informações contidas nas falas dos atores sociais, onde se coleta informações amplas e se transmite representações de grupos determinados historicamente, socioeconomicamente e culturalmente (MINAYO, 2010).
Inicialmente, foram desenvolvidos tópicos gerais para identificação dos participantes, sendo diferenciados por códigos, garantindo o anonimato para as mães, pais e/ou familiares (Apêndice B), referenciando os dados sócio demográficos, por considerá-los essenciais para a compreensão do objeto. Além de colher dados pertinentes do neonato, e nos casos onde família não saiba responder alguma questão referente a ele, foi complementada as informações através do seu prontuário.
Logo em seguida, foi operacionalizada a entrevista das mães, pais e/ou familiares de prematuros internados na UTIN, proporcionando uma conversação de modo fluido para alcançar os objetivos da pesquisa. No entanto, à medida que a entrevista foi decorrendo, foi permitido, quer o entrevistador, quer o entrevistado, a flexibilidade de desenvolver outras perguntas para aprofundar ou confirmar alguma dúvida gerada no decurso.
A coleta de dados foi realizada após autorização do Hospital e da submissão e aprovação do projeto de pesquisa pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) envolvendo seres
humanos da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). As entrevistas foram programadas de acordo a disponibilidade de dia, horário e escolha do local conforme a vontade de cada participante.
Durante a coleta de dados enfrentamos alguns desafios, dentre elas o local disponibilizado para conversar com os participantes, que garantisse a privacidade no momento da entrevista. A maioria das entrevistas foram realizadas na sala da coordenadora da Unidade Canguru, localizada bem distante do ambiente da UTIN, uma vez que a instituição em saúde pesquisada não dispunha de um espaço físico destinado às atividades de estudo e pesquisa, o que gerava certo desconforto. Este local foi disponibilizado não pela educação permanente, e sim, por empatia com a enfermeira coordenadora da Unidade Canguru, que prontamente disponibilizou a sua sala para que pudéssemos realizar a pesquisa.
Duas participantes não quiseram se deslocar para a sala de coordenação do Canguru, por acharem o local longe do ambiente da UTIN e também, não queriam se distanciar dos seus filhos por muito tempo. Essas duas entrevistas foram feitas: uma na sala da Coordenadora da UTIN, solicitada previamente a sua autorização a coordenadora da Unidade;
e a outra foi realizada na sala de espera da UTIN, onde no momento da entrevista o ambiente estava vazio, garantindo o sigilo.
O tempo de duração das entrevistas variou entre sete (7) a dezoito (18) minutos, tendo o cuidado para não cansar o/a entrevistado/a. Para garantir o anonimato, os participantes foram identificados pela letra E, seguida pelo número correspondente à ordem de realização da entrevista. As falas foram captadas por meio da utilização do gravador do celular, durante o período de abril a maio de 2019.
Referente à observação participante realizamos em doze (12) dias, em turnos matutinos e vespertinos. Durante as observações foi seguido o roteiro definido previamente objetivando atender não apenas as questões de estudo, mas também os objetivos da pesquisa.
Foram registrados no diário de campo, vários aspectos que constam no roteiro, tais como a inserção da família no contexto da UTIN, práticas de cuidados das mães, pais e familiares, aspectos culturais emergentes no cuidado a criança prematura e a relação da família com a equipe de saúde.