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6.1 Estudo de caso 1

6.2.2 Teste de Spearman

A aferição com o teste de Spearman teve como objetivo verificar os fatores que apresentavam correlações para uma análise aprofundada dos objetivos específicos da pesquisa.

Analisou-se as correlações geradas entre as variáveis das três escalas testadas nos dois momentos estabelecidos no método (45 dias de nascimento e seis meses do(a) bebê).

Para a análise de correlação utilizou-se o coeficiente de correlação (r) de Spearman, que mede o grau de associação entre variáveis. Como classificação de grau de correlação, ou seja, da força entre as variáveis, utilizou-se os parâmetros, considerando r: fraco, entre 0 e 0,4;

moderado, entre 0,4 e 0,7; e forte, entre 0,7 e 1. E de correlação inversa para r: fraco, entre 0 e -0,4; moderado, entre -0,4 e -0,7; e forte, entre -0,7 e -1. Foram consideradas as correlações com significância estatística que apresentaram p =< 0,05 e grau de correlação moderado a forte.

Inicialmente, vale destacar que os resultados estatísticos de correlação demonstraram boa correlação entre as variáveis da Escala de Tempo e de autopercepção de Afeto (ou envolvimento) investidos nos Cuidados Básicos (ETACB), criada pela pesquisadora e pela orientadora (instrumento não-validado). Isso aponta que em uma análise mínima dos itens semânticos da escala verificou-se que as participantes conseguiram compreender seus itens e suas instruções, sendo um instrumento satisfatório para o objetivo de investigação. A tabela abaixo apresenta as correlações significativas entre as variáveis da ETACB.

Tabela 7 - Análise de correlações significativas entre as variáveis da Escala de Tempo e de autopercepção de Afeto (ou envolvimento) investidos nos Cuidados Básicos (ETACB)

1 2 3 4 5 6 9 11 12 13 14 15

1 r=,784

p=,007

2 r=,671

p=,034

r=,645 p=,044

r=,687 p=,028

r=,676 p=,032

r=,791 p= ,006

r=,795 p=,006

3 r=,671

p=,034

r=,954 p=,000

r=,825 p=,003

r=,906 p=,000

6 r= ,764

p=,010

r=,667 p=,035

r=,748 p=,013

7 r= ,764

p= ,010

r=,697 p=,025

8 r=,645

p=,044

10 r=,667

p=,035

11 r=,667

p=,035 13 r=,778

p=,008

r=,687 p=,028

r= 882 p=,001

14 r=,676

p=,032

r=,954 p=,000

r= ,748 p= ,013

r=,802 p=,005

r=,882 p=,001

15 r=,796

p=,006

r=,882 p=,001

r=,825 p= ,003

16 r=,667

p=,035

r=,667 p=,035

17 r=,667

p=,035

Legenda das variáveis da ETACB com significância de correlação:

1. ETACB_amamentação_quanti 2. ETACB_fralda_quant

3. ETACB_fralda_afeto 4. ETACB_banho_afeto 5. ETACB_colo_quanti 6. ETACB_colo_afeto 7. ETACB_contato_quanti 8. ETACB_contato_afeto 9. ETACB_fralda_afeto6

10. ETACB_colo_afeto6 11. ETACB_contato_afeto6 12. ETACB_total_quant 13. ETACB_total_afeto 14. ETACB_fralda_afeto6 15. ETACB_total_afeto6 16. ETACB_colo_quanti6 17. ETACB_contato_afeto6

A seguir serão apresentados os coeficientes de correlação de Spearman entre as três escalas. Decidiu-se demonstrar as análises estatísticas correspondentes das escalas EBES e ETACB (tabela 8) e EAS e ETACB (tabelas 9), para melhor compreensão das correlações entre os fatores que trouxeram mais relevância para o estudo, no que se refere às associações da autopercepção da mãe sobre bem-estar e investimento nos cuidados básico, e sobre apoio social e investimento nos cuidados básicos. Por último, será demonstrada a correlação entre as escalas EBES e EAS.

A correlação entre os fatores de EBES apontaram o afeto positivo e o afeto negativo com correlação positiva alta e média, respectivamente, com os fatores de tempo no colo e na amamentação de ETACB; e correlação inversa alta de afeto negativo com o tempo de contato.

As três correspondências significativas foram: EBES_afeto_P6 e ETACB_colo_quanti (r = ,726; p = ,045), nesta a quantidade de colo teve correlação para o afeto positivo no segundo momento da testagem. A segunda, EBES_afeto_N6 e ETACB_contato_quanti6 (r = -,801; p

= ,005) foi uma correlação inversa, demonstrando que o tempo de contato com o bebê tem relação mútua negativa com o afeto negativo que a mãe tem. A última, EBES_afeto_N e ETACB_amamentação_quanti6 (r = ,698; p = ,025), aponta que o afeto negativo teve correlação para o tempo de amamentação seis meses depois.

Tabela 8 - Coeficientes de correlação de Spearman entre EBES e ETACB Correlações

entre EBES e ETACB Significância

EBES_afeto_P6 r = ,726; p = ,045

ETACB_colo_quanti EBES_afeto_N6

ETACB_contato_quanti6 r = -,801; p = ,005 EBES_afeto_N

ETACB_amamentação_quanti6 r = ,698; p = ,025 Do mesmo modo, foram encontradas correlações significativas entre EAS e ETACB.

O fator material de EAS teve correlações médias e altas conforme as descrições: EAS_mat e ETACB_fralda_quanti (r = ,696; p = , 026), essa análise aponta para o apoio material dos familiares correlacionado para o tempo da mãe nas trocas de fraldas. Consequentemente, outra correlação entre o tempo dedicado para as trocas de fraldas e o suporte familiar seis meses depois: EAS_mat6 e ETACB_fralda_quanti (r = ,775; p = ,008). EAS_mat e ETACB_fralda_

afeto6 (r = ,660; p = ,038), aponta que a ajuda que ela teve no início da maternidade está correlacionada ao afeto que ela demonstra na troca de fraldas seis meses depois. As várias correlações do fator material com o tempo e o afeto na troca de fraldas podem estar ligadas ao isolamento familiar devido à pandemia, como será discutido posteriormente. Por último, EAS_mat e ETACB_colo_afeto (r = ,718; p = ,048), indica que ajuda familiar que a mãe recebe tem correlação ao afeto enquanto está com o(a) bebê no colo.

No fator afeto, houve correlações média e alta dos fatores tempo na troca de fraldas e amamentação: EAS_afeto e ETACB_fralda_quanti6 (r = ,693; p = ,026), o afeto que ela recebe da família se correlaciona com o tempo que ela dispõe para as trocas de fraldas seis meses depois; e EAS_afeto6 e ETACB_amamentação_quanti6 (r = ,753; p = ,012), o afeto recebido da família está correlacionado ao tempo que a mãe amamenta, no momento posterior.

Por fim, o fator emoção teve correlação média inveresa com o tempo no banho do bebê, aos seis meses de idade: EAS_emoção6 e ETACB_banho_quanti6 (r = -,654; p = ,040). Essa correlação inversa aponta que quanto maior é o apoio emocional da família menos tempo a mãe despende no banho com o(a) bebê. Isso parece sugerir uma hipótese de que receber apoio familiar é importante e a mãe agiliza o momento do banho possivelmente para maximizar esse suporte.

Tabela 9 - Coeficientes de correlação de Spearman entre EAS e ETACB

Fatores Correlações das variáveis Significância

Material EAS_mat

EAS_mat6 EAS_mat EAS_mat

ETACB_fralda_quanti ETACB_fralda_quanti ETACB_fralda_afeto6 ETACB_colo_afeto

r = ,696; p = ,026 r = ,726; p = ,008 r = ,660; p = ,038 r = ,718; p = ,048

Afeto EAS_afeto

EAS_afeto6

ETACB_fralda_quanti6

ETACB_amamentação_quanti6

r = ,693; p = ,026 r = ,753; p = ,012

Emoção EAS_emoção 6

ETACB_banho_quanti6 r = -,654; p = ,040

Finalmente, a correlação estatística entre as escalas EBES e EAS foi significativa apenas entre o total do escore de EBES (primeiro momento de testagem) e o fator afeto de EAS (segunda testagem). As variáveis com grau médio de associação foram EBES_total e EAS_afeto6 (r = ,649; p = ,042). Essa correlação aponta que os níveis de afeto positivo, afeto negativo e satisfação (fatores de EBES) da mãe correlacionam-se com a autopercepção do afeto que recebe da família.