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Tijuca II

No documento Inovações Pedagógicas (páginas 95-128)

O desenvolvimento da robótica no Campus Tijuca II iniciou em 2014, com a apresentação de um projeto completo, que envolvia a aquisição de um conjunto de kits da LEGO (modelo EV3), um conjunto de kits Arduino básico, ferramentas diversas, armários, cadeiras e bancadas para a montagem de um laboratório elementar com capacidade de abrigar até 16 alunos por vez. Tal projeto foi avaliado como prioritário e, através da DTI - Diretoria da Tecnologia da Informação -, os kits e demais itens foram adquiridos e chegaram em meados de 2015.

O processo de entrada de alunos no projeto foi por inscrição aberta, com uma única exigência: os alunos deveriam gostar de Robótica, de acordo seus próprios conceitos a respeito do tema. Onze alunos se inscreveram no projeto, iniciado pelo professor de Informática Educativa, Jorge Fernando Silva de Araujo. Aprenderam sobre eletricidade, eletrônica e montagem de robôs. As aulas do curso, de uma maneira geral, contribuíram para que nove alunos do ensino médio do Campus Tijuca II e dois alunos convidados do Campus Humaitá II passassem por uma nova fase de aprendizagem e revelassem talentos dos mais diversos.

No ano de 2016, a também professora de Informática Educativa, Fernanda Araujo ingressou no projeto. Desde então, começaram os primeiros trabalhos preparatórios

para a participação dos alunos em competições de robótica, tais como: Olimpíada Brasileira de Robótica (OBR), Torneio Brasil de Robótica (TBR) e Torneio Juvenil de Robótica (TJR), bem como feiras culturais e outros eventos do Colégio Pedro II. Essas competições disseminam e popularizam a robótica entre os estudantes, incentivando- os a entrar e permanecer nesse mundo da tecnologia. O objetivo da participação nesses torneios é conhecer os procedimentos das práticos das competições e criar um “espírito olímpico” capaz de prepará-los tanto para futuras boas classificações como também para as eliminações frente aos candidatos que já dominavam as artes e técnicas desses torneios.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A robótica educacional mudou o olhar dos alunos com relação à aprendizagem, trazendo uma nova motivação para adquirir conhecimento. As atividades com robôs são desafiadoras e lúdicas. O esforço do aluno é usado na criação de soluções, montagem e/ou programação, visando à resolução de um problema proposto.

Na robótica educacional, é possível demonstrar, na prática, muitos conceitos teóricos, por vezes de difícil compreensão, motivando tanto o aluno quanto o professor e desenvolvendo habilidades como o raciocínio lógico, habilidades manuais, relações interpessoais e intrapessoais, investigação e compreensão, resolução de problemas por meio de erros e acertos, formulação de teste e hipóteses, trabalho com pesquisa, aplicação das teorias formuladas a atividades concretas, capacidade crítica e utilização da criatividade em diferentes situações.

Diante disso, propõem-se que o ensino da robótica educacional deve ser estendido a todos os campi do Colégio Pedro II, promovendo os seus benefícios a todos os alunos. Hoje, temos pouco mais de setenta alunos, nos Campi Engenho Novo I, Niterói e Tijuca II, contemplados por projetos com esse tema. Para que mais estudantes possam fazer parte deste programa, são necessários incentivos como a compra de equipamentos, estruturação de laboratórios com computadores, mesas e espaço para os cenários usados pelos robôs, bem como capacitação dos professores para o planejamento e execução de atividades didáticas com os recursos da robótica.

REFERÊNCIAS

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SETTLE, A., PERKOVIC, L.: Computational thinking across the curriculum: a conceptual framework. Technical Reports, 2010.

Aira Suzana Ribeiro Martins

Resumo: O conhecimento das obras clássicas é imprescindível para a formação do leitor. Entretanto, nem sempre é possível fazer a leitura da história original, devido à dificuldade que o texto oferece para o jovem leitor. É possível, felizmente, conhecer essas histórias em interessantes adaptações. Este trabalho propõe apresentar relato de um projeto de leitura e produção textual desenvolvido em turmas de sexto ano do Ensino Fundamental, Campus Humaitá II, do Colégio Pedro II, a partir da leitura adaptada para quadrinhos da obra Romeu e Julieta, de Shakespeare (2010).

Palavras-chave: Ensino de Literatura. Leitura. Histórias em Quadrinhos.

1

INTRODUÇÃO

Formar leitores literários é um dos principais objetivos da escola, sobretudo do professor de Língua e de Literatura. O conteúdo programático extenso, entretanto, muitas vezes, impossibilita o desenvolvimento de uma atividade de leitura que desperte prazer no educando. Como resultado, o trabalho com o texto literário, em vez de atrair, afasta o aluno da leitura. Essa atividade, associada ao ensino dos gêneros textuais, muitas vezes, também provoca equívocos. É comum alunos discorrerem, de forma brilhante, sobre a estrutura de um gênero textual, sem que tenham capacidade de fazer a leitura de um texto de forma satisfatória.

Além dos problemas anteriormente citados, sabe-se que o trabalho da escola, por si só, não é suficiente para que se alcancem bons resultados na atividade de leitura do texto literário. É importante também que o ambiente familiar do aluno seja propício às práticas desenvolvidas na escola. Uma criança habituada à presença de livros em seu meio e à convivência com adultos leitores, certamente, será mais receptiva ao trabalho

de leitura desenvolvido pela escola. Entretanto, como se sabe, um grande percentual de brasileiros sequer tem o hábito de fazer a leitura de jornal.

Além da falta de modelos em seu ambiente familiar, nosso aluno, desde muito cedo, tem acesso a uma vastíssima quantidade de recursos tecnológicos. Desse modo, os textos superficiais e fragmentados que circulam nas mídias digitais fazem com que o jovem, atualmente, tenha certa dificuldade de concentração exigida para a leitura de um texto mais longo, com uma linguagem mais metafórica, como a utilizada no texto literário.

Desse modo, a instituição de ensino, solitariamente, em meio a tantas adversidades, deve buscar formas de atrair o aluno para a leitura do texto literário, pois, como lembra Colomer (2007), nunca se leu tanto como atualmente, no entanto, os textos que fazem parte do acervo dos mais jovens, facilmente encontrados na Internet, não proporcionam os benefícios oferecidos pelo texto literário.

A mesma pesquisadora insiste na necessidade de a escola levar o aluno a adquirir o hábito da leitura literária, pois é comprovado que a leitura de histórias bem elaboradas, de autores consagrados, traz uma série de benefícios, como a amplificação do vocabulário, a compreensão de conceitos, o enriquecimento do conhecimento enciclopédico e o conhecimento do funcionamento da linguagem. O hábito da leitura literária torna a mente mais rica e repleta de experiências vivenciadas pelas histórias encontradas nos livros.

O grande desafio da escola é buscar formas que levem o aluno a sentir prazer pela leitura do texto literário, pois o homem, naturalmente, gosta de ouvir histórias. Todas as civilizações têm histórias para explicar os porquês dos fenômenos da natureza, a origem do universo e dos grupos sociais. Essas narrativas, consideradas acervo cultural das civilizações, na Antiguidade, eram transmitidas para as gerações seguintes por meio da oralidade.

Machado (2016) observa que o surgimento da literatura se deu antes do livro, pois histórias como Ilíada, Odisseia, As lendas do rei Artur, As mil e uma noites, Canção de Rolando, entre outras, eram transmitidas oralmente e somente foram registradas depois do surgimento da escrita. Essas narrativas, como sabemos, continuam encantando leitores de todas as faixas etárias.

Em relação, ainda, ao prazer do homem para ouvir e contar histórias, no século passado, Fischer (1976), na memorável obra A necessidade da arte, afirma que o homem busca a plenitude por meio da arte, pela magia e pelo encanto que lhe são inerentes. De acordo com o mesmo teórico, o ser humano tem ainda a crença de que a arte é necessária para que as pessoas se tornem capazes de conhecer e mudar o mundo.

As narrativas populares, a literatura, sendo criações artísticas, são necessárias ao

homem. As crianças, por não terem ainda autocrítica, gostam de desenhar e mostrar sua criação para as pessoas, cantar, ouvir e contar histórias e sentem muito orgulho ao receberem elogios por algum trabalho que tenham desenvolvido.

As ideias do filósofo foram confirmadas pela ciência, pois, no final do mesmo século em que foi publicada sua obra A necessidade da arte, o neurocientista Pinker (apud MACHADO, 2016), especialista em estudos do cérebro e ciências cognitivas, concluiu, após anos de pesquisa, que o homem tem o instinto da linguagem, ou seja, ele é biologicamente programado para a linguagem narrativa. Portanto, a tarefa do professor é levar o aluno a adquirir uma habilidade compatível com as características que lhe são próprias, apresentando-lhe obras bem elaboradas. Essas leituras possibilitarão ao jovem leitor maior conhecimento de mundo e experiência do prazer estético. O conhecimento das mais belas e interessantes páginas da literatura contribui também para o desenvolvimento da sensibilidade do indivíduo e o sentimento de respeito pelas diversas manifestações artísticas.

2 A LEITURA DAS OBRAS CLÁSSICAS

Consideramos imprescindível que os alunos sejam apresentados às obras clássicas. Calvino (2002, p. 10) afirma que:

Os clássicos são livros que exercem uma influência particular quando se impõem como inesquecíveis e também quando se ocultam nas dobras da memória, mimetizando-se como inconsciente coletivo ou individual.

De acordo com esse autor, personagens, trechos e temas incorporam-se à memória coletiva, passando a ser utilizados até mesmo como argumentos de outros textos.

Segundo Machado (2002), os clássicos representam um patrimônio da humanidade acumulado há milênios. Portanto, essas histórias são um bem de todos nós e, por isso, temos o direito de desfrutá-lo. Como professores, temos de fazer o possível para levar nossos alunos a conhecer as narrativas que até hoje encantam a humanidade. Além do prazer da leitura, a literatura proporciona o gosto pela viagem ao desconhecido, situado em outro tempo e em outro espaço. Como lembra a mesma autora, nessas viagens podemos descobrir pessoas que podem ser idênticas a nós mesmos. Dessa forma, a partir do conhecimento do outro, podemos nos conhecer.

O conhecimento de uma obra clássica leva o leitor, também, à sensação de estar no mundo, de ter a capacidade de identificar a referência a alguma passagem ou mesmo trechos de um clássico em obras literárias, publicidade, letras de música ou nas relações interpessoais.

Como dito anteriormente, é muito importante que as obras clássicas sejam apresentadas a nossos alunos, entretanto, reconhecemos que nem sempre é possível a leitura de algumas delas por um leitor com pouca experiência. A dificuldade pode se originar da apresentação da história, que se mostra pouco atraente para um público mais jovem. O fator causador do distanciamento do leitor também pode se originar da complexidade da estrutura da obra.

Com o propósito de atrair o novo leitor, há edições primorosas, que apresentam obras literárias de maneira singular, utilizando com muita propriedade o papel, o formato do livro, as imagens e as cores. Todos esses elementos significam e caminham paralelamente com o texto escrito. Desse modo, informações que passam despercebidas pelo leitor no espaço do texto verbal podem se tornar evidentes nas imagens e têm importante papel na formação de sentido do texto.

As edições mais modernas, voltadas para o público jovem, dão oportunidade ao professor de chamar atenção do aluno para as inúmeras linguagens presentes nos livros. Isso vai fazer com que o jovem aprenda a olhar e perceba que todos os elementos presentes num texto têm significado.

Encontramos textos como O homem que sabia javanês, de Barreto (2003), Conto de escola, de Machado de Assis (2002), Será o Benedito?, de Mário de Andrade (2008), A moça tecelã, de Cecília Meireles (2004) entre outros, em edições que podem ser consideradas verdadeiras obras de arte.

Como já afirmamos, certas obras, pela complexidade da estrutura da narrativa ou pelo formalismo da linguagem, podem oferecer muitas dificuldades para o leitor mais jovem. Com o objetivo de possibilitar a leitura por um número maior de leitores, temos as adaptações de obras literárias, muito comuns nos meios editoriais e sobre as quais teceremos algumas considerações na próxima seção.

3 AS ADAPTAÇÕES DE OBRAS CLÁSSICAS

As adaptações de obras clássicas para o público infantil e juvenil são muito discutidas. Elas apareceram com o advento da burguesia, no século XVIII, época em que surgiu o conceito de infância como fase distinta da idade adulta. Os livros editados, embora fossem voltados para o público infantil e juvenil, eram produzidos de acordo com o interesse dos adultos. Desse modo, as histórias destinadas ao público mais jovem procuravam incutir nos leitores ideais educativos e moralizantes, como observa Zilberman (2003). Os contos de fadas, inicialmente dirigidos aos adultos, colhidos da tradição oral, passaram a ser publicados para crianças, assim como obras

de autores como Shakespeare, Jonathan Swift, Conan Doyle, Charles Dickens e Oscar Wilde e algumas adaptações. Foram introduzidas ilustrações nas edições com a função de facilitar a leitura.

No Brasil, como afirma Corso (2012), no final do século XIX, diante da necessidade da formação de leitores, percebeu-se que as poucas obras destinadas ao público mais jovem eram traduções portuguesas de clássicos da literatura universal.

É importante chamar atenção para o fato de que tais publicações eram acessíveis somente aos leitores de maior poder aquisitivo. Esse fato motivou o editor Pedro da Silva Quaresma, proprietário da Editora Quaresma, a fazer o lançamento de uma coleção de adaptações de clássicos da literatura para o público mais jovem. Sua intenção era despertar no leitor iniciante o gosto pela leitura, para que, mais tarde, sentisse o desejo de conhecer a obra original. Desse modo, como relatam Lajolo e Zilberman (2007), Carlos Jansen, professor do Colégio Pedro II, juntamente com o diplomata e escritor Alberto Figueiredo Pimentel, iniciaram, no Brasil, a pedido do editor Pedro Quaresma, a adaptação de várias obras clássicas para o público infantil e juvenil. É importante destacar que os autores responsáveis pelas adaptações, com o objetivo de legitimar esse trabalho, solicitaram a escritores respeitados na época, como Silvio Romero, Machado de Assis e Rui Barbosa, prefácios para as publicações.

Diversos autores e intelectuais condenam esse tipo de publicação com a justificativa de que a adaptação empobrece a obra original. Há críticos que também reprovam a história adaptada com o argumento de que o texto original passa por alterações de acordo com os interesses do tradutor ou do responsável pela adaptação. Sabemos que existem adaptações mal feitas, com uma série de inadequações, entretanto, cabe ao professor fazer uma pesquisa criteriosa da edição que deve ser lida por seu aluno.

Machado (2002) recorda que uma de suas primeiras leituras foi a adaptação de D. Quixote, feita por Monteiro Lobato, intitulada D. Quixote das crianças (1960).

A autora, uma entusiasta defensora da leitura de obras clássicas por leitores jovens, ressalta que o “o primeiro contato com um clássico, na infância e adolescência, não precisa ser original. O ideal mesmo é uma adaptação bem-feita e atraente”

(MACHADO, 2002, p. 15). Ou seja, é importante que o jovem tenha a oportunidade de conhecer a obra clássica e sinta atração para o prazer da leitura por meio de obras reconhecidamente bem elaboradas. A autora ainda lembra que vários escritores, como Carlos Drummond, Clarice Lispector, Paulo Mendes Campos, Jorge Luís Borges e Roland Barthes, em várias passagens de suas obras, atribuem às obras adaptadas da literatura clássica universal seu interesse pela leitura.

Como se vê, a adaptação não afasta o leitor da obra; ela pode estimular o leitor a conhecer a obra original mais tarde. Caso o indivíduo nunca venha a fazer a leitura

do texto original de um clássico da literatura, pelo menos, terá a oportunidade de conhecer uma história excepcional. O bom leitor, mesmo jovem, reconhece o valor de uma obra, ainda que nunca tenha ouvido falar da história. Temos presenciado episódios que confirmam esse ponto de vista. Certa vez, ao ler com uma turma de sexto ano D. Quixote adaptado para quadrinhos (2010), um aluno, maravilhado, exclamou que aquele tinha sido o melhor livro de sua vida.

Em outra ocasião, após a leitura nas nossas turmas da adaptação de Os miseráveis (2002), de Victor Hugo, os outros professores de Língua Portuguesa da instituição em que trabalhávamos se sentiram obrigados a fazer a leitura da obra do autor francês tamanho foi o entusiasmo demonstrado pelos alunos de outras turmas. Como se pode perceber, mesmo adaptada, a obra clássica é capaz de despertar prazer no leitor e prender sua atenção.

4 UM PROJETO DE LEITURA COM A OBRA ROMEU E JULIETA

Atualmente, muitas editoras têm feito adaptações para quadrinhos de obras universais. Em algumas dessas adaptações, observam-se somente as mudanças exigidas pelo gênero por meio do qual o texto se apresenta como a passagem da narrativa para diálogos, exigidos pelos quadrinhos. De acordo com Renata Farhat Borges, pesquisadora de quadrinhos e diretora editorial da editora Peirópolis, em entrevista à Maria Fernanda Rodrigues, do jornal Estadão, publicada em 10 de novembro de 2014, o objetivo de se fazer a adaptação de uma obra em prosa ou em versos para quadrinhos é conquistar novos leitores, oferecendo leituras renovadas sobre mitos, personagens ou enredos que se tornaram clássicos, porém desconhecidos por grande parte da nova geração.

A pesquisadora lembra que a adaptação de obras clássicas para quadrinhos não é recente. De acordo com suas informações, a Editora Ebal traduziu clássicos em quadrinhos, no início do século XX, com o objetivo de popularizar os quadrinhos, textos muito criticados por pais e educadores, quando foram introduzidas em nosso país.

Com o tempo, as histórias em quadrinhos se tornaram muito apreciadas no Brasil, sendo aproveitadas, inclusive, pedagogicamente. Os livros didáticos estão repletos de tiras que servem de apoio para exemplificar algum conceito em quase todas as disciplinas escolares.

Segundo Farhat, a razão de se publicar uma história clássica em quadrinhos, atualmente, não é mais para popularizar essa linguagem. O motivo de as histórias serem publicadas em outras linguagens é fazer com que as obras clássicas se tornem conhecidas.

De acordo com Ramos (2009), os quadrinhos podem ser considerados um hipergênero, no qual se incluiriam as charges, os cartuns, as tiras, as histórias seriadas

e a literatura em quadrinhos, forma como se apresenta a história lida por nós, Romeu e Julieta, de Shakespeare.

O projeto de leitura foi desenvolvido com turmas do sexto ano do Campus Humaitá II do Colégio Pedro II, com a adaptação da obra Romeu e Julieta.

A escolha de uma obra de Shakespeare deveu-se à comemoração dos 400 anos da morte do autor no ano de 2016. Consideramos a obra Romeu e Julieta adequada, pois os alunos são pré-adolescentes e, desse modo, sentiriam interesse em ler uma história de amor.

Procuramos fazer a leitura da obra com auxílio da disciplina Inglês. Embora os alunos não tivessem um conhecimento profundo da língua inglesa, consideramos bastante positivo o trabalho, pois eles tiveram a oportunidade de conhecer o contexto histórico e social da época em que a história foi elaborada. Nessa ocasião, a professora apresentou à turma o teatro elisabetano e a importância do gênero dramático para a Inglaterra do século XVI.

A contextualização de uma obra é importante, pois o leitor tem oportunidade de fazer a leitura de acordo com os valores e costumes da época em que se passa a trama da narrativa. Como também estávamos estudando variação linguística, a professora de língua inglesa, Maria das Graças Lino Labrunie, teve oportunidade de informar à turma que Shakespeare não era um autor erudito e, portanto, falava e empregava a língua do povo, num registro mais coloquial. A partir dessa ocasião, ela passou a apresentar em cada aula um ditado popular em inglês, que depois aproveitamos nas aulas de Português, buscando semelhanças com os ditados que conhecemos e utilizamos. É interessante observar que o conhecimento desses ditados populares preparou a turma para a leitura do gênero que seria lido no próximo trimestre - a fábula.

Após a leitura da obra, propôs-se a reescritura da narrativa Romeu e Julieta no gênero cordel, em duplas. Os trabalhos ficaram bem interessantes e, nessa produção de texto, os alunos mostraram que a leitura tinha sido efetivamente realizada e compreendida, pois os versos de cordel contavam a história de amor dos dois jovens de Verona de forma sintetizada. Nessa ocasião, foi elaborado também um texto em que solicitamos a narração de um amor proibido, tema sugerido pela professora de Português das outras turmas de 6º ano do Campus Humaitá II. Nessa última atividade, os alunos tiveram oportunidade de, por meio da escrita, perceber a atemporalidade do drama lido e, por conseguinte, a atualidade de Shakespeare.

Como exemplo, apresentamos a criação de uma dupla de alunas da turma 606, M. S. e V. R.:

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