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1ª parte
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Monotonia e sobrecarga cognitiva;
Negligência e abandono;
Violência simbólica;
Isolamento social.
Abordagem e conduta
Trabalho em situação ilegal
- Conversar com a adolescente sobre seus direitos trabalhistas e previdenciários;
- Apresentar a legislação específica, se possível fornecendo material educativo sobre o assunto;
- Afastar a adolescente deste trabalho e encaminhar para programa de transferência de renda;
- Encaminhar a jovem para órgãos responsáveis pela inspeção de situações irregulares de trabalho como, por exemplo, as Delegacias Regionais do Trabalho, para que esta se informe sobre seus direitos;
- Notificar ao Conselho Tutelar, com a anuência da jovem, para que este avalie e negocie, com sua patroa, a res- tituição dos direitos violados devido à situação ilegal de trabalho.
Sobrecarga física e dor lombar
- Utilizar os gráficos de peso e altura – NCHS e verificar o índice de massa corporal, visando à avaliação nutricio- nal e do crescimento e desenvolvimento;
- Realizar uma avaliação de saúde completa, clínica e laboratorial;
- Indagar e descrever, detalhadamente, as condições e a rotina de trabalho da jovem: tarefas realizadas; carga horária; tempo para refeições; intervalo para descanso.
Monotonia e sobrecarga cognitiva
- Propiciar um espaço de diálogo sobre suas atividades de trabalho;
- Identificar, com a jovem, as estratégias de enfrentamento psíquico do trabalho monótono.
Negligência e abandono
- Identificar as possibilidades de reintegração ao grupo familiar de origem;
- Avaliar, com Carina e sua família, a possibilidade de retorno da jovem para a casa da irmã ou a necessidade de alternativas de moradia e emprego dignos. Discutir questões relativas a sua guarda.
- Refletir, com a jovem, a necessidade de retorno para a escola e para algum curso de profissionalização.
Violência simbólica
- Discutir os efeitos das escolhas feitas pela jovem até então, e as implicações dos vínculos afetivos com sua patroa.
Isolamento social
- Conversar sobre a possibilidade de encaminhar a jovem para grupos educativos, de lazer e culturais.
0 Foram solicitados exames clínicos e de imagem para o diagnóstico da dor lombar e sobrecarga física de trabalho. Ana Cristina também foi encaminhada para o serviço social, para a discussão dos seus direitos trabalhistas e previdenciários bem como de questões relativas à sua guarda. Na consulta de retorno, Ana Cristina apresenta uma queimadura de segundo grau no braço esquerdo. Conta que havia se queimado quando uma das crianças puxou o ferro de passar quente de cima da tábua. Diz que teve que amparar o ferro com o braço para que este não caísse e machucasse o garoto. A jovem não faz nenhuma relação entre a queimadura e sua condição de trabalho, e diz ser natural que uma pessoa, que trabalhe, se machuque. Também relata que anda muito distraída e foi sua culpa a criança ter entrado no quarto onde ela estava passando a roupa. Diz ficar nervosa só de pensar no mal que ela poderia ter feito para aquela criança.
2ª parte
Refletindo e discutindo
Que problemas vocês identificam nesta parte da história?
Há relação entre acidente de trabalho e sobrecarga no processo de trabalho?
Quais são os direitos trabalhistas e previdenciários de um adolescente?
Acidentes de trabalho com crianças e adolescentes são eventos passíveis de notificação?
Como entender o sentimento de culpa expressado por Ana Cristina?
Aspectos relevantes identificados
Acidente de trabalho;
Assunção de responsabilidade pelo acidente e sofrimento psíquico.
Abordagem e conduta
Acidente de trabalho
- Informar à jovem que, após a ocorrência de um acidente de trabalho, é necessário notificar o mesmo às instân- cias públicas;
- Fazer a notificação ao SINAN-SUS (Sistema de Informação de Agravos Notificáveis – Sistema Único de Saúde);
- Pedir que a jovem descreva detalhadamente seu acidente, objetivando ajudá-la a entender como o acúmulo de tarefas e o trabalho monótono têm relação com os acidentes de trabalho.
Assunção de responsabilidade pelo acidente e sofrimento psíquico
- Conversar com a jovem sobre as dificuldades inerentes às tarefas por ela executadas e a possibilidade de aci- dente em cada uma delas;
- Esclarecer os pontos importantes a serem observados na prevenção de acidentes e a necessidade de não tomar para si toda a responsabilidade pelo ocorrido no acidente.
Explor�ação de tr�abalho juvenil: Caso 10 – “Tr�abalho doméstico”
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Esquematize num quadro a proposta da Equipe de Saúde, como no esquema abaixo:
Esquema – Equipe de Saúde
LEMBRETES
- Trabalho perigoso, penoso, insalubre e noturno estão proibidos para adolescentes.
- Com a promulgação da portaria 777/00, do Ministério da Saúde, acidentes de trabalho ocorridos com crianças e adolescentes são eventos de notificação compulsória.
RESUMOS
Trabalho doméstico
Segundo a legislação brasileira, toda criança e adolescente com menos de anos não deve estar inserido em nenhuma situação de trabalho, como determinado pela Emenda Constitucional nº 0, de //998, que altera o artigo 7, inciso XXXIII da Constituição Federal e a Lei 8.09/90 – Estatuto da Criança e do Adolescente. Vale ressaltar que aqueles que estiverem em condição de aprendizes (meninos e meninas a partir dos anos – Programa Nacional de Aprendizagem, conforme a Lei Federal 0.097, de 9//000, que altera a CLT; complementada pela Resolução nº 7, de /09/00, do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente – CONANDA) devem ter o direito a este tipo de treinamento profissional bem como a todas as condições de trabalho garantidas na regulamentação do trabalho protegido. O trabalhador adolescente, com idade entre e 7 anos, também tem direito ao trabalho protegido (incisos I ao IV do artigo da Lei nº 8.09/90) assim como aos direitos trabalhis- tas e previdenciários. Deve-se ressaltar, ainda, que é proibido o trabalho de menores de 8 anos nas atividades constantes na Portaria nº 0, de /09/00, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) complementada pela Portaria nº , de /0/00, do MTE.
Apesar desta complexa legislação, estima-se que, no Brasil, um milhão e 00 mil empregadas domésti- cas tenham idades entre 0 e 7 anos. O trabalho doméstico é aquele, efetuado em casas de terceiros ou nos próprios domicílios, que tenha como tarefas principais: a limpeza da casa, a preparação dos alimentos, os cuidados com as roupas e a supervisão de crianças. É comum que se trabalhe, nessas atividades, em troca apenas de alimento e moradia, na medida em que esses trabalhos têm se identifi- cado, historicamente, com o trabalho escravo desenvolvido na casa dos senhores. Freqüentemente, esse trabalho se estabelece a partir de vínculos informais, não oferecendo direitos trabalhistas, apesar de já haver aparato legal para isso. As jornadas exaustivas de trabalho impedem que as jovens trabalhadoras possam desenvolver plenamente seu potencial no âmbito escolar, assim como não há nenhum curso especializado de aprendizagem para as atividades desempenhadas no âmbito doméstico.
Pr�oblema Ações Membr�os da equipe
0 Acidente de trabalho
A probabilidade de ocorrência de acidentes de trabalho, independentemente da atividade produtiva, é potencial- mente grave para a população adolescente. Certas características típicas dessa faixa etária, tais como coragem, força física e disponibilidade subjetiva, são apropriadas pelo processo produtivo, que não reconhece nos jovens a ausência de capacitação formal para a execução de algumas atividades de trabalho. Esta situação sugere tanto a suscetibilidade como a vulnerabilidade dos jovens em se acidentarem mais do que os adultos, pois também são expostos a ambientes de trabalho insalubres, perigosos e penosos, em sua maioria inseridos no setor informal da economia, que não sofrem praticamente nenhum tipo de fiscalização e vigilância em saúde. Os acidentes de tra- balho podem ser típicos, ou seja, ocorrerem nos locais de trabalho ou de trajeto, quando acontecem no percurso de ida ou volta do trabalho. Convém ressaltar a importância de notificação de acidente de trabalho por meio do preenchimento da ficha de Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), disponível no departamento de pessoal das empresas ou no Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS).
Assédio moral
Assédio moral, no local de trabalho, é definido como toda e qualquer conduta abusiva que se manifesta por meio de comportamentos, palavras, atos, gestos ou escritos que possam trazer prejuízo à dignidade ou à integridade física ou psíquica de uma pessoa, pôr em perigo seu emprego ou degradar o ambiente de trabalho. As pessoas assediadas não são necessariamente portadoras de qualquer sofrimento psíquico, ou particularmente frágeis. Na direção oposta, comumente o assédio se inicia quando a pessoa afronta o autoritarismo da chefia, ou recusa a deixar-se subjugar. É sua capacidade de enfrentamento, apesar da situação de pressão, que a torna alvo do ata- que. Desqualificar, desacreditar, isolar, induzir ao erro, vexar e assediar sexualmente são as formas mais comuns de assédio moral. Quanto mais jovem e desqualificado o profissional, mais vulnerável ao desrespeito típico dessa forma de violência. Assim como quanto mais autoritária e meritocrática for a cultura um ambiente de trabalho está inserido, mais situações de assédio moral ocorrerão e serão percebidas como naturais.
Violência física contra a mulher adolescente – p.
Violência simbólica
Violência simbólica pode ser definida como aquela que acontece de forma invisível e quase imperceptível para aqueles que a sofrem. Essa invisibilidade acontece na medida em que este tipo de violência se instala essencial- mente pelas vias simbólicas da comunicação. Nessas vias, os dominados aderem a qualquer pressuposição do dominador por não terem espaços alternativos para pensar seu papel nesta relação que, antes de tudo, é cons- truída histórica e socialmente, mas que é vivida como se fosse natural. Assim, podemos afirmar que a violência simbólica consiste em manter e transmitir designações unívocas de expressões e signos que privilegiam produ- ções hegemônicas em detrimento das diversidades singulares. Como efeito, temos a cronificação da posição de dependência nos sujeitos, que perdem ou vêem amputada sua capacidade de criar seus próprios significados para as coisas e para os acontecimentos.
Explor�ação de tr�abalho juvenil: Caso 10 – “Tr�abalho doméstico”
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