TUBERCULOSE
3. UNIVERSIDADE ESTACIO DE SA(UNESA)
INTRODUÇÃO: A vacina BCG pode causar eventos adversos locais, regionais ou sistêmicos, que podem ser decorrentes do tipo de cepa utilizada, da quantidade de bacilos atenuados administrados, da técnica de aplicação e da presença de imunodeficiência primária ou adqui- rida. Os abscessos subcutâneos frios são indolores e tardios. Localizam-se em torno do local da aplicação da vacina, onde, dependendo do tempo de evolução, pode surgir uma área de flutuação. Tais abcessos podem fistulizar, o que ocorre em cada 1/2500 vacinados. O objetivo deste trabalho é relatar um caso de reação adversa ao BCG (abscesso frio) em lactente de 1 ano e 5 meses encaminhado para ambulatório especializado. RELATO DO CASO: L.S.A., 1 ano e 5 meses, do sexo feminino, encaminhada pela clínica da família ao ambulatório de pneu- mologia pediátrica em junho de 2021 devido a queixa de cisto no braço direito, com evolução de aproximadamente doze meses. Negava febre, emagrecimento, presença de sinais flogísti- cos e saída de secreção. Foram prescritos, inicialmente, compressas, ibuprofeno e 14 dias de cefalexina. Não houve. US do braço direito: 06/05/21: nódulo cístico de 1,6 cm x 0,6 cm, de contornos regulares, conteúdo anecóico espesso sem adenomegalias. Nasceu a termo, AIG, recebeu BCG com dois dias de vida. Sem outras intercorrências relatadas, família saudável.
Exame físico: Eutrófica, bom estado geral, corada, hidratada, acianótica, anictérica, eupneica, boa perfusão. Formação ovalada, sem sinais flogísticos, flutuante, medindo 4 cm x 3 cm, em braço direito, próximo ao BCG. Ausência de adenomegalias satélites. Restante do exame físico sem alterações. US de 15/06/21: indicava aumento da lesão comparativo 2,5 cm x 2,4 cm. Rx de tórax e hemograma normais. Realizada notificação e iniciada isoniazida 100mg/kg/dia.
DISCUSSÃO: A incidência de reação adversa à BCG é baixa e suas complicações são raras. O caso descrito se mostrou de acordo com a literatura tendo, contudo, reconhecimento e noti- ficação tardios. Ainda que tenha havido evolução de forma benigna, é de suma importância que os profissionais de saúde saibam reconhecer, notificar e tratar adequadamente, evitando erros de diagnóstico e possíveis complicações futuras.
Palavras-chave: BCG reação adversa criança
TABAGISMO, DROGAS ILÍCITAS E ALCOOLISMO COMO FATORES PREDITORES DE MOR- TALIDADE POR TUBERCULOSE
Negrello, JA3; Negrello, CA3; Martins, L3; Grings, LR3; Frassetto, MD3; Sandrini, IG3; Dias, RF1;
Bortolotto, AP3; Salvaro, MM2; Rosenstengel, MS3; 1. UniCesumar; 2. Universidade de Santa Cruz do Sul; 3. Universidade do Extremo Sul Catarinense.
Introdução: A tuberculose (TB) permanece sendo um dos mais importantes problemas de saúde para a humanidade. Em 2019, aproximadamente 10 milhões de pessoas adoeceram por TB e 1,5 milhão faleceram. Por mais que haja esforços para conter a epidemia, há vários fatores que contribuem para sua predisposição e prognóstico da doença, entre elas: taba- gismo, drogas ilícitas e o alcoolismo.1,2 Objetivos: Avaliar o impacto do tabagismo, alco- olismo e uso de drogas ilícitas na mortalidade por tuberculose no estado do Rio de Janeiro.
Métodos: Estudo observacional, descritivo e retrospectivo com coleta de dados secundária no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) na base de dados do DATASUS.
A população estudada foram todos os casos notificados de tuberculose no estado do Rio de Janeiro entre 2005 e 2020, a qual foi dividida em sete grupos. As variáveis analisadas foram número de casos, número de óbitos e taxa de mortalidade (TM) para cada um dos grupos.
Resultados: No período proposto houve um total de 84.147 de casos de TB notificados, apresentando 2.815 óbitos e assim, uma taxa de mortalidade de 3,34 para cada 100 casos.
No grupo de apenas tabagistas, houve 5.874 casos e 172 óbitos, com TM de 3. Os usuários exclusivos de drogas ilícitas apresentaram 2.668 casos e 46 óbitos, com TM de 1. No grupo de somente alcoolismo, identificou-se 2.938 casos e 141 óbitos, com TM de 4,79. Os usuários de drogas ilícitas e álcool apresentaram 1.298 casos e 64 óbitos, com TM de 4,93. O grupo de tabagismo e alcoolismo exibiu 2.926 casos e 152 óbitos com TM de 5,19. Tabagistas e usuários de drogas ilícitas exibiram 3.277 casos e 43 óbitos, com TM de 1,31. Enquanto, o grupo com tabagismo, drogas ilícitas e alcoolismo, apresentou 4.215 casos e 137 óbitos, com TM de 3,25.
Conclusão: Sabe-se que o tabagismo, o consumo exagerado de álcool e o uso de drogas ilícitas são fatores de risco predisponentes para o desenvolvimento de tuberculose. Nesse sentido, pôde-se observar que entre 2005 e 2020 houve uma taxa de mortalidade maior em pacientes que pertenciam a tais grupos, comparados à população geral. Ainda, a mortalidade foi mais elevada em pacientes que possuíam mais de 1 fator de risco concomitante, elucidan- do a interferência do cigarro, do álcool e de substâncias ilícitas no curso da doença.
Palavras-chave: Tuberculose Fatores de risco Tabagismo Alcoolismo Drogas ilícitas
TUBERCULOMA DE SNC E FIBROSE CÍSTICA: ASSOCIAÇÃO RARA MAS POSSÍVEL Laura Lizeth Zuluaga Parra; Carolina Gianella Cobo Chantong; Jose Ignacio Marenco Avila;
Elaine Dias Soutinho; Alicia Sales Carneiro; Pedro Neves Paiva De Castro; Thiago ThomasMa- fort; Marcos Cesar Santos de Castro; Monica Muller Taulois; Mônica De cássia Firmida; Hospital Universitario Pedro Ernesto.
Introdução: Tuberculose não é comum em indivíduos com fibrose cística (FC). Relatamos aqui uma apresentação rara, causando febre arrastada. Relato do Caso: Homem, 19 anos, com diagnóstico de FC aos 2 anos de idade, genética G542X/F508del, insuficiência pancreáti- ca exócrina, bronquiectasias, infecção crônica por P. aeruginosa. Tosse e febre alta e recorrente há cerca de 2 meses, sem resposta a diferentes esquemas antibióticos orais. Aguardava vaga hospitalar, quando apresentou 2 episódios de crise convulsiva. Tomografia computadorizada (TC) de crânio: lesão heterogênea ovalada no lobo frontal esquerdo, com captação periférica/
anular de contraste. Bronquiectasias difusas, com predomínio nos lobos superiores, e nódulos centrolobulares bilaterais à TC de tórax. Hemograma: leucocitose, neutrofilia e presença de formas jovens. Função renal e hepática sem alterações, ecocardiograna normal, sorologias virais negativas, hemoculturas negativas. LCR: hemácias 0, leucócitos 2, mononucleares 50%, polimorfonucleares 50%, glicose 90.9, proteínas totais 3,0 mg/dl, BAAR negativa e GeneX- pert MTB/RIF negativo. RM de crânio com lesão heterogênea, sinal predominantemente hipointenso em T2, com impregnação periférica pelo meio de contraste e discretos sinais de restrição a difusão em suas margens (1,8x1,4x1,6cm) na região frontal direita; lesão circun- dada por extensa área de edema. Realizadas ressecção da lesão e análise histopatológica, Genexpert MTB/RIF positivo e BAAR positivo. Iniciado tratamento com corticoide sistêmico e antituberculostáticos. Resposta satisfatória, com cura sem sequelas. Discussão: Tuberculose é rara em pessoas com FC, mas é doença de alta incidência em nosso meio. Portanto, deve sempre ser lembrada no diagnóstico diferencial de síndrome febril arrastada ou outros sinto- mas compatíveis também nesta população.
Palavras-chave: TUBERCULOSE SISTEMA NERVOSO CENTRAL FIBROSE CISTICA
TUBERCULOSE ASSOCIADA A TABAGISMO E ALCOOLISMO NO BRASIL, DE 2010 A 2020 Pires, AB3; Melo, ADPC3; Nakanishi, BAA1; Maciel, CR1; Fernandes, MAE2; Costa, EO3; Assad, MN3; Sousa, MS3; Perinazzo, VM2; 1. Centro Universitário do Estado do Pará; 2. Centro Univer- sitário Metropolitano da Amazônia; 3. Universidade Federal do Pará.
Introdução: A tuberculose (TB) é uma das principais causas de morbimortalidade no mundo.
Desde 1918, o tabagismo é comprovado como um dos principais fatores de risco para TB.
O alcoolismo crônico é apontado como forte fator de risco à tuberculose, pois os pacientes alcoólatras estão expostos a situações de desnutrição e baixa imunidade. Assim, é importante estudar a epidemiologia e a relação do tabagismo e alcoolismo com a TB, a fim de criar estra- tégias efetivas de prevenção e tratamento. Objetivos: Caracterizar os casos de TB associados ao tabagismo e ao alcoolismo no Brasil entre 2010 e 2020. Métodos: Trata-se de um estudo observacional descritivo da associação entre alcoolismo, tabagismo e tuberculose, entre os anos de 2010 e 2020 no Brasil. A busca de artigos foi efetuada na base de dados SciELO. Uti- lizaram-se os descritores “tabaco”, “consumo de tabaco”, “alcoolismo”, “tuberculose”, isolados e/ou combinados. Foram também adquiridas informações a partir da plataforma TABNET do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde do Brasil. O período de análise foi do ano de 2010 a 2020, usando o CID-10: A15, que condiz a Tuberculose respiratória, com con- firmação bacteriológica e histológica. Não houve critérios de exclusão. Resultados: Segundo dados do DATASUS, o Brasil apresentou 48.684 casos confirmados de TB entre os anos de 2010 e 2020. Destes, constata-se que houve 4.146 casos por tabagismo (8,5%) e 5.625 casos por alcoolismo (11,5%). Durante esse período, os maiores índices se referem ao ano de 2019, com um total de 5.519 casos de TB, dos quais 782 (14%) estavam associados ao alcoolismo, assim como 1.012 (18%) ao tabagismo. Além disso, dados de uma pesquisa realizada em São Paulo demonstram relação entre tabagismo, alcoolismo e TB. Segundo o estudo, 28% dos pacientes com TB fumaram por mais de 20 anos antes da doença. Ademais, 29% dos pacien- tes foram considerados bebedores moderados, 11% bebedores excessivos e 3% bebedores adictos. Conclusão: Nesse trabalho, observou-se a correlação entre tuberculose, tabagismo e alcoolismo no período de 2010 a 2020, sem distinção quanto ao tipo de tabaco ou bebida alcoólica consumida. A partir da análise dos dados, verifica-se que o tabagismo e o etilismo são fatores de risco para o desenvolvimento de tuberculose pulmonar.
Palavras-chave: Tuberculose Tabagismo Alcoolismo
TUBERCULOSE ENDOBRÔNQUICA COM ACOMETIMENTO TRAQUEAL: UMA ENTIDADE INCOMUM
Luiza Gondim Toledo4; Nelson Pimentel3; Bruno Freire Baena2; David Henrique Nigri1; Ga- briel Ferreira Santiago2; 1. David Nigri Médicos Associados; 2. Hospital Copa D’or; 3. Hospital Pró-cardíaco; 4. Universidade Federal do Rio de Janeiro.
INTRODUÇÃO. Tuberculose endobrônquica foi inicialmente reconhecida em 1689 em sua forma ulcerada. Com o advento dos tuberculostáticos, a incidência do acometimento brôn- quico pela tuberculose caiu vertiginosamente, sendo o diagnóstico desta entidade realizado, muitas vezes, de maneira tardia¹. RELATO DE CASO. Mulher, 28 anos, sem comorbidades, não-tabagista, sem uso de medicações regulares além de anticoncepcional oral. Vinha há 06 meses com quadro de tosse seca, disfonia, perda ponderal, dispneia aos grandes esforços e dor pleurítica à direita, sem melhora após tratamento empírico para refluxo gastroesofágico.
Ao exame: estável hemodinamicamente, eupneica, hipocorada 1+/4+, saturação de oxi- gênio 97%, ausculta pulmonar com roncos e restante do exame sem alterações. Realizada prova de função respiratória que evidenciou distúrbio ventilatório restritivo leve. Tomogra- fia de tórax (TCT) revelou infiltrado de pequenas vias aéreas em lobo superior direito (LSD) e espessamento de mucosa brônquica em brônquio fonte direito (BFD) e brônquio do LSD.
Dois dias após realização de TCT evoluiu com febre e expectoração, sendo submetida a vi- deobroncoscopia diagnóstica que revelou pseudomembrana se estendendo por traqueia, BFD e brônquio do LSD. A entrada do brônquio do LSD estava arquiteturalmente alterada, não sendo possível a passagem do aparelho. Árvore brônquica direita edemaciada e friável.
Coletado lavado brônquico (LB) que mostrou presença de bacilos álcool-ácido resistentes (BAAR) 3+ e teste molecular para micobactéria positivo, sem resistência a Rifampicina. A biópsia de linfonodo mediastinal guiada por ultrassom endobrônquico mostrou BAAR + e a biópsia endobrônquica mostrou processo inflamatório granulomatoso com necrose caseosa.
DISCUSSÃO. Há relato na literatura de acometimento da árvore traqueobrônquica em 32%
dos pacientes portadores de tuberculose pulmonar. Desse seleto grupo, apenas 4% cursam com envolvimento traqueal³. Algumas alterações grosseiras vistas na broncoscopia desses pacientes podem mimetizar carcinoma broncogênico. Corticoterapia ainda é controversa na prevenção de estenose brônquica nesses casos e, quanto mais tardio o diagnóstico, maior a chance de evolução com sequelas². A doença ativa, que cursa com espessamento e irregula- ridade de parede brônquica, é relatada como reversível na literatura, diferente do que ocorre no estágio fibrótico4.
Palavras-chave: tuberculose endobrônquica traqueal broncoscopia
TUBERCULOSE ENTRE OS PROFISSIONAIS DA SAÚDE: UM ESTUDO ECOLÓGICO Mayara Borges Gomes Moura; VINICIUS CAVALCANTE MARINHO; Lorena Oliveira Carneiro;
Henrique Vieira dos Santos; UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS.
INTRODUÇÃO: A tuberculose é uma doença de caráter infecto-contagioso que representa uma das principais causas de mortalidade e morbidade no Brasil. Visando reduzir a incidên- cia e auxiliar na implementação de medidas de saúde pública, é importante compreender a prevalência entre os profissionais de saúde. OBJETIVOS: Avaliar o perfil epidemiológico brasileiro da tuberculose, identificando a prevalência dessa infecção entre profissionais de saúde no período de 2014 a 2020. METODOLOGIA: Estudo ecológico realizado a partir de dados secundários, retirados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN).
Considerou-se o período de 2014 a 2020, tendo em vista o período no qual ocorreu a inclusão de profissionais da saúde dentre as populações especiais para notificação do agravo estudado.
Para tabulação dos dados, foram selecionados casos confirmados por região de notificação para profissionais da saúde, segundo faixa etária, raça, escolaridade e sexo. Levou-se em consideração também a forma, a confirmação laboratorial e a situação encerrada, confor- me seleções disponíveis no TabNet. RESULTADOS: A prevalência de casos confirmados de tuberculose entre profissionais da saúde foi proporcional à prevalência no resto da população, sendo a região Sudeste com mais casos notificados para profissionais de saúde (45,49%). Há maior prevalência de tuberculose para profissionais de saúde na faixa etária de 20 a 39 anos (51,45%) e 40 a 59 anos (37,26%), escolaridade superior completa (30,85%), raça branca (45,50%) e parda (36,49%), sexo feminino (64,18%) e na forma pulmonar (69,83%). Quanto ao diagnóstico, 50,81% (n=3.641) dos profissionais de saúde não realizaram confirmação laboratorial. Nota-se que 72,24% (n=5.177) dos casos notificados evoluíram para cura, a mortalidade por tuberculose foi de 1,28% (n=92) e o abandono do tratamento ocorreu entre 4,21% (n=302) dos profissionais da saúde. CONCLUSÃO: O presente afasta a hipótese dos profissionais de saúde como um grupo de risco para a tuberculose. Os resultados mostram ainda uma relação inversa entre número de casos e idade, além de uma ligação entre nível de escolaridade e casos de tuberculose.
Palavras-chave: tuberculose profissionais da saúde perfil epidemiológico
TUBERCULOSE EXTENSIVAMENTE RESISTENTE: FALÊNCIA TERAPÊUTICA
Oliveira, HMMG; Finoquio, MS; Lima, TNA; Universidade do Grande Rio Professor José de Sou- za Herdy (UNIGRANRIO).
INTRODUÇÃO: Se tratando de uma doença com elevada incidência no território nacional e principalmente no Rio de Janeiro, a tuberculose (TB) tornou-se um importante desafio ao sistema de saúde. Em relação a tuberculose extensivamente resistente (TB-XDR) o manejo correto da patologia é de suma importância para garantir o sucesso no processo saúde-do- ença. RELATO DE CASO: C.L.M, masculino, 56 anos, negro, morador de Belford Roxo, ensino fundamental incompleto, ex-tabagista e ex-etilista, apresenta tosse produtiva, anorexia, dispnéia aos moderados esforços, dor torácica, náuseas e vômitos iniciados há 1 semana e evoluindo com piora progressiva. Diagnosticado com TB desde 2010 com história de baixa adesão ao tratamento medicamentoso devido a etilismo exacerbado, evoluiu com resistência adquirida ao longo do tempo até ser finalmente classificado como TB-XDR em 2015. História pregressa de 5 internações hospitalares devido a doença e 7 esquemas terapêuticos tendo realizado tratamento completo em 2011, e evoluído com falência em 5, sendo um deles o es- quema que utilizava a Bedaquilina, medicação aprovada pela Comissão Nacional de Incorpo- ração de Tecnologia porém, ainda não disponível no mercado brasileiro. Na última internação o paciente apresentou hepatotoxicidade, tendo sido suspenso o esquema tuberculostático com posterior reintrodução após melhora clínica e laboratorial. Como investigação, foram re- alizados exames laboratoriais e de imagem, evidenciando Hepatite C ativa. A USG de abdome total foi normal. Paciente recebeu alta assintomático, teste de sensibilidade evidenciando resistência a Rifampicina, Isoniazida, Pirazinamida, Etambutol, Estreptomicina, Amicacina, Capreomicina. Levofloxacina, Moxifloxacina e Canamicina, com novo esquema terapêutico para dar seguimento em nível terciário. DISCUSSÃO: O paciente apresentava fatores que indicavam maior probabilidade de evolução para resistência, como história de tabagismo e etilismo, internações hospitalares anteriores e sucessivas falências terapêuticas. O tratamento proposto foi individualizado de acordo com o padrão de resistência e evidenciado por testes de sensibilidade. Nota-se, portanto, a importância do manejo adequado da TB-XDR para evi- tar internações futuras, abandono terapêutico e promover a cura da doença.
Palavras-chave: Tuberculose TB-XDR Resistência Tuberculose Extensivamente Resistente
TUBERCULOSE MAMÁRIA E ÓSSEA EM PACIENTE IMUNOCOMPETENTE
Moraes, KAS; Barreto, GLD; Postigo, PRM; Madeira, DRS; Alves, HFM; Caetano, DAP; Guima- rães, MB; Monteiro, AOR; Madureira, RLP; Oliveira, ACP; Universidade Federal Fluminense.
A tuberculose (TB) pode se manifestar na forma extrapulmonar em 15 a 20% dos casos. A tuberculose mamária (TM) é uma apresentação rara da TB pós-primária, mais prevalente em países em desenvolvimento, mulheres negras, multíparas, no quadrante superior externo e corresponde a 0,1% das doenças da mama. De evolução insidiosa, a TM tem como principais sinais e sintomas dor e tumefação nodular local. Ela pode ser considerada como foco principal quando não há outro sítio de infecção conhecido, ou secundária a disseminação de bacilo proveniente de outro foco. Outra manifestação extrapulmonar possível é a Tuberculose Ós- sea, sendo especificamente a TB da coluna responsável por aproximadamente 1% de todos os casos da doença. Mulher, 53 anos, negra, com um filho, imunocompetente, sem TB prévia conhecida, iniciou em novembro/19 quadro álgico na prega inframamária esquerda (E), as- sociada à lesão nodular. Esta foi drenada em junho/20 e houve saída de secreção purulenta.
No local da incisão surgiu lesão exofídica, de aspecto granulomatoso. Nessa época passou a apresentar também dor no arco costal correspondente á lesão. Em janeiro/21 a mesma inicia dor na coluna lombar. No mês de fevereiro de 2021, já no HUAP, foi realizada biópsia de mama que mostrou mastite granulomatosa com extensas áreas de necrose. Em abril/21 a paciente retorna com dor na coluna lombar, quadril e raiz de coxa direita, associada a fraqueza dos MMIIs. Dentre outros exames, a tomografia de tórax mostrou, além da lesão nodular, linfo- nodos na mama, axila, espaço intercostal E, com pulmões normais. A ressonância magnética (RM) de coluna evidenciou lesão compatível com espondilite. O PPD foi reator com 22mm. A nova biópsia de mama mais uma vez não foi conclusiva, mas optou-se por iniciar tratamento para TB. Após dois meses, a cultura da lesão mostrou crescimento de Mycobacterium sp. O carcinoma de mama com implantes metastáticos foi o grande diagnóstico diferencial do caso.
Mesmo com a lesão mamária em local atípico, os achados das biópsias sem malignidade, associado às imagens da RM se mostraram fundamentais para a decisão do tratamento em- pírico para TB. A cultura positiva disponível posteriormente corroborou a conduta escolhida.
Pela sua apresentação sabidamente insidiosa e frequência menos incomum do que na mama, a doença na coluna pode ter sido a percursora das demais lesões apresentadas pela paciente.
Palavras-chave: Tuberculose mamária Tuberculose óssea Mal de Pott Carcinoma de mama
TUBERCULOSE PULMONAR NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO: PERFIL SOCIOECONÔMICO EPIDEMIOLÓGICO
Almeida, TTS2; Carvalho, IP2; Cortez, IF2; Boçon Junior, F1; Martins, HRM2; Fonseca, MMA2;
Fonseca, WLMS2; 1. UFPR; 2. UNIFOA.
Introdução: A tuberculose (TB), classicamente, atinge os estratos sociais menos favorecidos do ponto de vista epidemiológico. O estado do Rio de Janeiro responde por aproximadamente 20% da população do sudeste, cuja capital conta com 40 % da População do estado. Segundo dados nacionais, a capital carioca é uma das mais afetadas pela tuberculose e com maior número de casos notificados em 2019. Objetivo: Correlacionar dados socioeconômicos e epi- demiológicos com casos confirmados de tuberculose pulmonar. Métodos: Estudo ecológico retrospectivo quantitativo dos casos notificados de Tuberculose pulmonar registrados no SI- NAN, no período de janeiro de 2014 a dezembro de 2019, e correlacionados a dados coletados do censo de 2010 (IBGE), Atlas Brasil (IDH, taxa de densidade populacional por moradia) e do Instituto trata Brasil (Indicadores de saneamento básico). Resultados: A análise da situação epidemiológica da capital do Rio de Janeiro permitiu observar que há uma correlação mul- tifatorial para as altas taxas de notificação de TB pulmonar. Das capitais do sudeste, o Rio de Janeiro apresenta o menor IDH (0,799) e a maior média de número de casos relativos de TB Pulmonar (108,2). Além disso, o município apresenta maior média que a nacional (39,30).
Pode-se observar que o Rio de Janeiro (28,11) é a segunda capital com maior percentagem em relação a densidade por domicilio. Logo, é possível apontar uma provável relação entre o alto índice de casos com o compartilhamento de espaços, em uma mesma residência, por várias pessoas. A capital fluminense também, apresenta indicadores pouco favoráveis na es- fera de saneamento básico. Assim, entre as capitais da região sudeste, o Rio de Janeiro tem o segundo menor indicador total de esgoto (85,98 %). Conclusão: À vista disso, o conceito de TB pulmonar como um problema de saúde pública se reforça. Pela extensão dos fatores apontados e decorrentes deles, investir na melhoria de somente um fator dessa complexa relação não deve demonstrar resultados expressivos. O presente estudo evidencia também a necessidade de maiores estudos locais sobre os fatores socioeconômicos e sua relação direta com TB pulmonar, bem como ratifica a importância da correta notificação de doenças para os estudos de saúde populacional.
Palavras-chave: Epidemiologia Doenças Transmissíveis Infectologia Tuberculose Saúde Pública
ISSN 1415-4315