5. PROPOSTA DE SOLUÇÃO – O PLANO DE NEGÓCIOS
5.2. Análise de viabilidade do modelo
5.2.1. Viabilidade Operacional
A análise de viabilidade operacional tem como objetivo verificar se existe a tecnologia e recursos de todas as naturezas, que permitam atender os requisitos do projeto, e se estes estão disponíveis na qualidade e quantidade necessárias. Avalia também a adequação entre a solução proposta e o problema que se pretende resolver.
No caso em estudo, considera-se que os recursos necessários ao negócio se dividem em:
Recursos Humanos: operacionais (motoristas, operadores de empilhadeira, carregadores, agentes de armazém, técnicos de reparação de válvulas,...), ou administrativos (comerciais, agentes de relacionamento com clientes, financeiro, compras/suprimentos,...). Nenhuma destas funções apresenta alto nível de complexidade ou requer capacitações que não sejam relativamente fáceis de encontrar disponíveis no mercado de trabalho. Exceção talvez seja a função de reparo de válvulas, a qual tem a alternativa de ser terceirizada, e, portanto, contratada diretamente de player já especializado nesse serviço. Além disso, é possível verificar que todas as funções mencionadas são passíveis de prestação através de terceiros. Isso será mencionado abaixo na seção relativa a Recursos Mercadológicos, e posteriormente na análise de Viabilidade Financeira;
Recursos de Maquinário/Equipamentos: Veículos para transporte de barris, racks, pallets, empilhadeiras, carrinhos porta-barris, lavadora de barris (caso se opte pela prestação desse serviço), todos se tratam de itens de baixa complexidade, disponíveis no mercado através de diversos fornecedores
especializados. Também os barris e válvulas, ativos essenciais desta operação, podem ser considerados nesta categoria de recursos e possuem diversas opções de fabricantes e fornecedores. É importante relembrar neste item que muito deste maquinário e equipamentos é hoje propriedade dos potenciais futuros clientes (incluindo barris e válvulas), havendo a possibilidade de negociar diretamente com os atuais proprietários a aquisição destes ativos usados. Tal como no caso dos Recursos Humanos, também a grande maioria dos equipamentos necessários podem ser providos por parceiros, como parte do escopo de serviços a serem subcontratados. Dessa forma, apesar de todos os itens mencionados serem necessários para o dia-a-dia da operação, no modelo financeiro todos surgirão como custo (serviço), sendo que os únicos ativos que de fato serão adquiridos são os barris e válvulas.
Recursos Tecnológicos: neste quesito reside o diferencial competitivo deste negócio, e o cérebro da operação. Conforme referido ao longo do capítulo 5.1.2, as ferramentas de gestão de ativos, roteirização e rastreamento são recursos- chave para a eficiência e, portanto, sucesso deste negócio. Os principais elementos a implementar serão o portal online de interface B2C, o aplicativo para celular para uso dos parceiros (transportadoras, clientes e varejistas) e a ferramenta de roteirização. A opção é de desenvolver estas ferramentas “dentro de casa”, dado que dificilmente existirão produtos de prateleira que atendam aos requisitos específicos deste novo negócio. Adicionalmente, evita-se esse investimento num estágio inicial da empresa, reduzindo a necessidade de capital para o start-up.
Nessa fase inicial, é possível executar e administrar esta operação através de sistemas básicos, sem grande sofisticação (nomeadamente a ferramenta de roteirização), junto com o aplicativo de celular; a equipe possui os conhecimentos técnicos necessários para fazer estes desenvolvimentos. Esta estratégia permitirá reter o conhecimento dentro da empresa; na medida em que o volume da operação for aumentando, será revisada esta premissa, avaliando-se constantemente se todas as ferramentas são suficientes para a performance e escala pretendida. A escalabilidade, a princípio, será feita com desenvolvimentos desses sistemas legados, sendo que só num momento posterior deste empreendimento serão considerados softwares de mercado. Relativamente ao sistema de rastreamento por QR Code, as mesmas premissas aplicam, sendo também possível iniciar com
sistemas e controles simples que serão escalados (ou substituídos) à medida que a operação ganha dimensão.
Recursos Mercadológicos/Serviços: a opção estratégica de ter a estrutura enxuta através do recurso a uma rede de parceiros que prestará algumas das atividades do modelo operacional definido, apenas é factível caso existam players adequados para estabelecer essas parcerias, ou seja, possível desenvolver fornecedores atuais para que se adaptem às necessidades específicas desta operação. Destacam-se neste modelo a importância das empresas transportadoras que executarão as coletas e entregas de barris e os técnicos que farão os reparos e manutenção de válvulas. Quanto às transportadoras, trata-se de um serviço altamente disseminado e disponível em distintas modalidades (contratações “spot”, agregados/veículos dedicados, entre outros), permitindo-se assim construir uma rede de parceiros com a flexibilidade necessária para atender a carteira de clientes, escalabilidade imediata e alto nível de concorrência, ou seja, custos competitivos e a possibilidade de trabalhar com tabelas de fretes pré-negociadas. Quanto aos técnicos de reparação de válvulas, trata-se de um serviço de baixa/média complexidade, existindo também uma gama vasta de profissionais trabalhando muitas vezes a título individual. É também possível criar a rede necessária de técnicos previamente qualificados pelo operador, atendendo as regiões onde se encontram as cervejarias clientes de modo volante, com preços pré-negociados para os reparos mais frequentes (pricelist).
Exposto o acima, entende-se ficar comprovada a viabilidade operacional deste empreendimento. No entanto, é importante ressaltar que a simples existência de fornecedores para cada um dos recursos mapeados não significa que os atributos sejam adequados para a estratégia do negócio. Verifica-se que a qualidade do serviço prestado pelo operador irá depender grandemente da performance de seus fornecedores: a confiabilidade das entregas vai depender da performance das transportadoras parceiras, a qualidade (e percepção dos clientes) dependerá fundamentalmente da qualidade dos barris adquiridos, sua durabilidade será também influenciada pelos serviços de manutenção e preservação. Nota-se que a própria capacidade de atender o mercado (por exemplo, novas contas) poderá
muitas vezes depender dos prazos de entrega e volumes que os fornecedores de barris e válvulas possam atender.
Conclui-se desta análise que, apesar do negócio ser viável do ponto de vista operacional, o desenvolvimento adequado de parceiros estratégicos será um fator chave de sucesso do empreendimento e deverá ter alto foco de gestão.