Figura 7. Composição dos resíduos domiciliares enviado à Usina Santo Amaro localizada no distrito de Santo Amaro, Campos dos Goytacazes, RJ).
avaliação dos usuários, alegando que a fiscalização dos serviços concedidos é por parte da SMSP.
A destinação final, dos rejeitos inaproveitáveis para reciclagem, atualmente é feita no aterro controlado localizado no bairro Codin. O local tem mil metros quadrados e possui 980 mil metros quadrados que poderão ser utilizados futuramente. A área foi escolhida observando-se os critérios: de adequação ambiental (critérios físicos, legais e institucionais);
legislação referente à área e existência de projetos e obediência às especificações técnicas.
Desde 2004, várias foram as intervenções feitas para recuperação da área degradada do antigo “lixão”, transformando-o em aterro controlado, como: queima de gases, portaria, vigilância, serviço social para retirar crianças da área do aterro, cercamento de toda a área, vala para coleta e recirculação do chorume. A Vital Engenharia Ambiental confirma a existência de um cadastro de catadores no aterro, não informando seu número ao certo, e nega a livre circulação de animais no mesmo. No aterro da Codin também é depositado, em vala com tratamento séptico, o lixo hospitalar que é coletado em separado. Não há a informação se a descontaminação do material é feita na origem ou no aterro.
A Empresa não tem a previsão da quantidade de lixo gerada no Município daqui a 5 ou 10 anos (período da concessão), embora assuma os custos e a responsabilidade de coletar toda a quantidade acrescida até o término de seu contrato. O Município ainda dispõe do aterro no distrito de Conselheiro Josino com vida útil de no mínimo 20 anos.
A Empresa coleta o lixo de grandes geradores como shoppings, restaurantes etc. Após a coleta regular e transporte, o lixo é separado na Usina Santo Amaro, que processa atualmente 17 toneladas/dia, com capacidade para processar até 30 toneladas/dia. A importância da central de triagem de resíduos sólidos e compostagem é a significativa diminuição de lixo depositado no aterro. A coleta seletiva na cidade, somada às atividades de separação e compostagem realizadas na Usina, representa um total de cerca de 30 ton/dia de lixo que deixa de ir para o aterro. No contrato de concessão assinado em fins de 2007 (com prazo de 10 anos), está prevista (não foi informada a data) a construção de uma usina de compostagem, que será implantada na área de expansão do Aterro da Codin (já divulgada pela imprensa), com capacidade de processamento de 90 toneladas/dia e geração de 95 empregos.
De acordo com a Empresa, 350 toneladas/dia de lixo é gerada e totalmente coletada por veículos compactadores em todo o Município de Campos dos Goytacazes. Estes veículos desenvolvem a velocidade média de 10 km/h durante um tempo estimado para o percurso de coleta de 4h. A distância (do aterro ao centro da área de coleta) percorrida pelos veículos é de 10 km e a velocidade média neste percurso é de 60 km/h.
Os funcionários que trabalham diretamente com o lixo recebem treinamento específico semestral para o manuseio dos diferentes tipos de lixo. A Empresa disponibiliza luvas, máscara, abafadores de ouvido e óculos de segurança para os funcionários que trabalham diretamente com o lixo, fiscalizando a correta utilização dos mesmos. Também é realizado um controle médico mensal dos funcionários que atuam na coleta, no transporte e nos aterros. O emprego de EPIs e a realização de palestras são medidas tomadas no controle de vetores de doenças.
A coleta seletiva de lixo é feita porta a porta com roteiro pré-estabelecido em toda a área urbana de Campos dos Goytacazes. A Empresa declara que nenhuma outra a auxilia na prestação do serviço de coleta seletiva e informa que os materiais recicláveis separados são de propriedade da PMCG e desconhece o destino dado a estes materiais pela mesma.
A Empresa apresenta programas educacionais (não informando quais) voltados para a limpeza da cidade, incentiva medidas (também não informando quais) que visam diminuir a própria geração de lixo e promove palestras nestas áreas para a população, especialmente para a manutenção da limpeza da cidade, pois “cidade limpa é a que menos se suja”, diz o entrevistado. Os meios empregados nas atividades descritas acima são panfletagem e gestão de relacionamento com clientes (munícipes), emitindo “comunicados” relacionados às operações de limpeza através de contato telefônico e e-mail. Os coletores também recebem treinamento específico para agir na conscientização direta da população.
2 DA PESQUISA DE PERCEPÇÃO DA POPULAÇÃO
Na pesquisa qualitativa da percepção da população campista, sobre o lixo e suas consequências para o meio ambiente, foram distribuídos 180 questionários para os responsáveis de alunos de seis turmas do Ensino Médio Regular do Liceu de Humanidades de Campos no ano letivo de 2009. Foram contabilizados 124 questionários respondidos, sendo os mesmos identificados pelo bairro e/ou distrito do Município de Campos dos Goytacazes, RJ.
Estes bairros e/ou distritos foram representados, em geral, por uma residência, salvo os que estão seguidos pelo respectivo número de respostas analisadas entre parênteses: Jardim Carioca (13), Pecuária (9), Centro (7), Parque Leopoldina (7), Parque Aurora (5), Jardim Aeroporto (4), Parque Corriente (3), Parque Prazeres (3), Parque São Benedito (3), Turf-Club (3), Eldorado (3), Dores de Macabu/11º Distrito de Campos (3), Três Vendas (2), Presidente Vargas (2), Cidade Luz (2), Morro do Coco (2), Santa Rosa (2), Caju (2), Parque Nova
Brasília (2), Parque Imperial (2), Parque Rosário (2), Parque Califórnia (2), Jardim Ceasa (2), Parque São Jorge (2), Nova Canaã/Travessão (2), Lagoa das Pedras/7º Distrito de Campos (2), IPS, Lapa, Parque Julião Nogueira, Parque São José, Conselheiro Josino, Novo Jockey, Parque Santo Amaro, Posto Planície, Penha, Jockey Club, Tapera, Vicente Dias, São Silvestre, Flamboyant, Vera Cruz, Alvorada, Brilhante/Ururaí, Estância da Penha, Fundão, Horto, Parque Novo Mundo, Tarcísio Miranda, Parque Calabouço, Parque Tamandaré, Coroa, Carvão, Parque Guarus, Baixa Grande/5º Distrito de Campos, Bandeirantes, Goytacazes, Parque Esplanada, Parque Lebret e Parque Ferroviário.
Os entrevistados, em sua totalidade, garantiram que há coleta de lixo regular em sua rua, avaliando tal serviço, majoritariamente, como regular. A figura 1 apresenta a avaliação dos moradores.
10%
47% 35%
5% 3%
Ótima Boa Regular Péssima Não sei informar
Figura 8. Avaliação dos moradores quanto ao serviço de coleta de lixo regular em seu bairro.
Os pontos positivos levantados em razão do serviço de limpeza pública foram assiduidade, de acordo com a programação dos dias; a conscientização da população; a eficiência no serviço prestado (varrição de rua, pintura de meio-fio e recolhimento de lixo); a capina e o atendimento sempre quando solicitado. A figura 9 compara a frequência na realização de atitudes positivas dos coletores de lixo para com a população. As atitudes referentes à coleta seletiva de lixo foram contabilizadas apenas nos bairros contemplados com o serviço de coleta seletiva informados pela SMSP.
0 10 20 30 40 50 60 70 80 90
Nº de entrevistados
Prestam informações sobre os dias e horários da coleta de lixo regular Prestam informações sobre os dias e horários da coleta seletiva de lixo Prestam informações sobre como o lixo deve ser separado
Distribuem panfletos sobre a coleta seletiva de lixo
Procuram conscientizar os moradores a fim de colaborarem com a coleta seletiva Atendem com atenção à população quando solicitados
Nenhuma das respostas anteriores Nenhuma das respostas anteriores
Figura 9. Impressão da população em relação ao fornecimento de informações pelos coletores.
Já os pontos negativos giram em torno, principalmente, da inconstância do horário de coleta e rapidez com que os coletores passam: derrubam os recipientes de lixo (por muitas vezes quebrando-os), deixando o lixo cair ao longo do percurso. Esse procedimento passa a impressão de que o serviço é feito com desleixo e que o lixo não é totalmente coletado, sendo necessário mais dias de coleta. Além disso, os moradores notam: o despreparo dos coletores na prestação de informações; a ausência de lixeiras comuns e de coleta seletiva nas ruas; a ausência da coleta seletiva em algumas ruas; lixo e entulhos acumulados em ruas vizinhas; a não utilização da maioria dos equipamentos de proteção individual (EPI’s) no dia-a-dia dos coletores (Figura 10). Outra reclamação dos moradores envolve o horário da coleta, que por ser muito cedo, leva os mesmos a deixarem o lixo na rua no dia anterior ao da coleta, o que propicia a visita de cães, gatos, etc.
0 20 40 60 80 100 120
Nº de entrevistados
Luvas Máscara
Abafadores de ouvido Óculos de segurança Nunca observei Não utilizam
Figura 10. Utilização de EPI’s pelos coletores, segundo a população.
Especificamente no bairro Santa Rosa, os moradores reclamam que os coletores
“quando limpam, deixam o lixo no meio-fio da rua”; já no bairro da Coroa, foi informado que
“agora eles estão limpando as ruas de mês a mês, o que não acontecia antes”. A opinião do morador de Travessão é que o serviço “só não é melhor porque os próprios moradores não conservam as ruas limpas”.
Questionados da existência de pontos de recolhimento de lixo já separado em seu bairro, 91 (cerca de 73,4% dos entrevistados) negações foram contabilizadas, sendo que nenhuma das 27 positivas são coincidentes unanimemente nos bairros com mais de uma entrevista. Já as avaliações, de si mesmo sobre o conhecimento de como separar o lixo (Figura 4) e da sua própria participação na coleta seletiva (Figura 5), são classificadas como boa. Para este último, foram contabilizados apenas os bairros contemplados com o serviço de coleta seletiva informados pela SMSP.
15%
26% 41%
7%
11%
Ótima Boa Regular Péssima Não sei informar
Figura 11. Avaliação dos moradores quanto ao seu grau de conhecimento sobre a separação do lixo.
12%
36%
17%
6%
6%
23%
Ótima Boa Regular Péssima Não sei informar Não participo
Figura 12. Avaliação dos moradores servidos pela coleta seletiva quanto a sua própria participação na coleta seletiva.
A existência de coleta seletiva nos bairros com mais de um entrevistado também não foi unânime. Foram contabilizados apenas os bairros contemplados com o serviço de coleta seletiva informados pela SMSP. As respostas positivas totalizaram 38 e as negativas 39. Os bairros com mais de um entrevistado e que todos confirmaram o serviço de coleta seletiva foram Parque Nova Brasília, Parque São Jorge, Parque Imperial, IPS, Penha, Parque Esplanada, Horto e Parque Julião Nogueira. Em contrapartida, os bairros Parque Califórnia, Parque Tamandaré, Tarcísio Miranda, Flamboyant, Parque Santo Amaro e Parque Calabouço Parque Califórnia não apresentam o serviço de coleta seletiva, segundo os entrevistados. O
serviço de coleta seletiva não é disponibilizado em condomínios residenciais localizados nos bairros que apresentam este serviço de acordo com 100% dos entrevistados.
Questionados se os vizinhos disponibilizam materiais para a coleta seletiva, 61 pessoas responderam não, 14 sim e apenas 4 não souberam informar. Quanto a sua própria participação na conscientização, 17 foram os entrevistados que conscientizam seus vizinhos e outros 25 incentivam seus vizinhos a participarem destas atividades, sendo 26 o número de entrevistados que não realiza nenhuma dessas ações. Todos os dados foram analisados apenas nos bairros contemplados com o serviço de coleta seletiva informados pela SMSP.
Conforme a maior parte dos entrevistados não realiza atividades de Educação Ambiental mencionadas acima, também 70 pessoas não praticam nenhuma Boa Prática Ambiental. Ainda assim, 51 respostas foram positivas e as práticas são as mais diversas: “não jogo lixo nas ruas, só jogo no lixo”, “separo o lixo”, “não queimo lixo”, “não jogo óleo de cozinha saturado no meio ambiente”, “uso óleo de cozinha para produzir sabão”, “não gasto muita água”, “não fumo, regulo bem o carro”, “planto árvores” e “conscientizo as pessoas”.
Quanto ao conhecimento sobre o destino dado ao lixo coletado seletivamente, o resultado foi equilibrado: 62 desconhecem o destino do lixo e dos 60 que afirmam estar cientes, as explicações são subjetivas e em sua grande maioria a destinação é para reciclagem e reutilização. As 2 restantes não responderam a esta questão.
Sessenta e sete entrevistados acredita que a coleta seletiva é necessária para o meio ambiente e 50 consideram a coleta seletiva totalmente prioritária para o meio ambiente (Figura 6), sendo que para seu sucesso é importante que: o lixo seja realmente reciclado; que haja maior divulgação do serviço de coleta seletiva na cidade; que haja maiores informações para a separação do lixo e os dias/horários desta coleta; que as pessoas se conscientizem e colaborem; que sejam estabelecidos pontos de recolhimento nos bairros; que haja regularidade do serviço; que o poder público tenha maior interesse e que se estabeleça a fiscalização dos serviços prestados.
42%
57%
1% 0%
0%
Totalmente prioritária Necessária Apenas interessante Sem importância Não sei informar
Figura 13. Importância da coleta seletiva para o meio ambiente.
Muitas das considerações acima são dignas de reclamação junto à Prefeitura.
Questionados se já prestaram alguma reclamação, 108 entrevistados responderam que não e apenas 14 já se fizeram ouvir. Quanto às solicitações para os serviços prestados diretamente pela Secretaria de Limpeza Pública, o serviço de limpeza de fossa foi solicitado por 48 pessoas e o de coleta de entulho por 40, sendo atendidos no prazo previsto, respectivamente, 31 e 29 pessoas (Figura 7).
0 5 10 15 20 25 30 35
Rapidamente No prazo previsto
Não foi atendida
Nº de entrevistados
Limpeza de fossa Coleta de entulho Nunca solicitei
Figura 14. Solicitações feitas pela população e o atendimento às mesmas pela Prefeitura.
Quanto à prioridade nas possíveis soluções para o lixo produzido no dia-a-dia (Figura 8), 70 (setenta) pessoas acreditam que a reciclagem é a principal alternativa para o destino do
lixo produzido. A reutilização do lixo gerado é a segunda opção para 38 (trinta e oito) pessoas e a redução é a terceira opção para 44 pessoas. O destino dado ao lixo muitas vezes é favorecido por campanhas de Educação Ambiental, que 102 pessoas afirmam não ter conhecimento de nenhuma e 4 não responderam, sendo apenas 18 respostas afirmativas:
“Luxo do lixo” e “Joga limpo com Campos”. As demais respostas positivas escreveram as idéias embutidas em cartazes, outdoors, panfletos etc. contendo apelos para a população não sujar as ruas e informes sobre a separação do lixo para a coleta seletiva.
0 10 20 30 40 50 60 70 80
1ª opção 2ª opção 3ª opção
Nº de entrevistados
Reduzir Reciclar Reutilizar
Figura 15. Prioridade dos conceitos dos 3Rs.
DISCUSSÃO
A complexidade da questão ambiental decorre do fato dela se inscrever na interface da sociedade com o seu-outro, a natureza. A dificuldade em lidar com essa questão nos marcos do pensamento herdado dominante são evidentes: na sociedade ocidental, natureza e sociedade são termos que se excluem. As ciências da natureza e as da sociedade vivem em dois mundos à parte e, pior, sem se comunicarem. Não há como tratar da questão ambiental nesses marcos (Gonçalves, 1987).
Existe, no Brasil, uma coleção numerosa de leis, decretos, resoluções e normas que evidenciam enorme preocupação com o meio ambiente e, especificamente na questão da limpeza urbana, há ainda iniciativas do Legislativo Municipal nas leis orgânicas e demais instrumentos legais locais (IBAM, 2001). Não é apenas suficiente, ainda que tardia, a iniciativa da Prefeitura em elaborar um conjunto de leis municipais com a normatização para
a gestão dos resíduos sólidos, informando o modelo de gestão adotado, os direitos e deveres dos envolvidos, as penalidades etc.: faz-se necessária a sua aplicabilidade concomitante com a fiscalização do seu efetivo cumprimento.
A base para a ação política, concretizada na aprovação de um regulamento de limpeza urbana da cidade, está na satisfação da população com os serviços de limpeza urbana, cuja qualidade se manifesta na universalidade, regularidade e pontualidade dos serviços de coleta e limpeza de logradouros, dentro de um padrão de produtividade que denota preocupação com custos e eficiência operacional (IBAM, 2001). Este é o ponto crucial a ser trabalhado pelo Poder Público: a preocupação com a eficiência operacional. Mais importante até que diagnosticar a eficiência do serviço de coleta de lixo no Município de Campos dos Goytacazes é observar o interesse, a dedicação em perseguir a excelência. Pode-se até concluir, nesta discussão, pela satisfação da população quanto ao atendimento de suas necessidades relativas ao serviço de limpeza urbana, retomando a pesquisa de percepção onde o mesmo foi classificado como regular, mas a constatação da ausência do mínimo pensamento questionador/revisor da prática diária deste serviço, deixa os munícipes mais engajados com a causa atemorizados. Segundo Siervi (2000), deve-se trabalhar a idéia conceitual da avaliação enquanto processo de retroalimentação que abre espaço para a dinâmica da gestão. Ou seja, a avaliação como fator de movimento que permite ao planejamento (como definidor de ações intencionais) ganhar impulso de continuidade e adequação.
A participação da população é também essencial para uma coleta bem sucedida. É fundamental que os dias e horários de coleta de lixo domiciliar, definidos e informados, sejam cumpridos à risca, criando hábitos regulares na população. Medidas educativas, que estimulam a participação da população a depositar o lixo em via pública em dia e horário próximo ao da coleta, evitam sua acumulação indevida e todas as suas consequências indesejáveis. Principalmente a coleta seletiva, que é realizada em paralelo à coleta regular, deve ter pontualidade e assiduidade, para não desestimular os participantes. As mudanças de dias e horários da coleta regular ou da seletiva, somada à falta de comunicação das alterações, geram insatisfações que, em longo prazo, culminam no sentimento de indiferença com o serviço prestado.
O que se espera é que a população ciente do seu poder/dever de separar o lixo passe a contribuir mais ativamente com a Prefeitura. Já desta, que é a responsável pelo lixo domiciliar, espera-se o gerenciamento adequado do lixo. A idéia é a união das partes, considerando a realidade e os recursos disponíveis em cada município, para estabelecer as próprias soluções de acordo com suas necessidades e possibilidades. Cada município deve
buscar seu próprio modelo de gerenciamento, sabendo que a quantidade e qualidade do lixo gerado por um município é, principalmente, função de sua população, economia e grau de urbanização (IBAM,2001).
O Gerenciamento Integrado dos Resíduos Sólidos tem por foco os objetivos que estão voltados à questão da urbanidade numa melhor qualidade de vida da população; na participação da comunidade no sistema, sensibilizada a não sujar as ruas; na reciclagem; no melhor aproveitamento dos materiais e na formação da cidadania. Atitudes como essas ajudam a diminuir os custos do sistema, além de criar o melhor ambiente para se viver (IBAM, 2001). Estes objetivos são parcialmente alcançados pelo Município de Campos. O
“Projeto de Reaproveitamento de Óleo de Frituras para a Produção de Biodiesel” é um bom exemplo da busca pelo gerenciamento integrado do lixo, com várias secretarias envolvidas e demais parceiros, aliando ao ganho ambiental um projeto de cunho social. A questão é que pelo tempo que ele foi lançado, suas atividades já teriam que ter tomado uma propulsão de vulto, o que ainda não ocorreu. Outro ponto de igual importância detectado é a nítida ausência de integralização entre as atividades das secretarias da Prefeitura que estão unidas pelo tema do meio ambiente. Segundo Pereira Neto (1999) apud Bock et al (2002) um obstáculo citado pelo autor no gerenciamento integrado dos resíduos sólidos “pode ser a ausência de projetos integrados e exequíveis, […] bem elaborados, simples, eficientes, com flexibilidade técnico-operacional e compatíveis com a realidade sócio-econômica do município”.
“Gerenciar o lixo de forma integrada demanda trabalhar integralmente os aspectos sociais com planejamento das ações técnicas e operacionais do sistema de limpeza urbana” (IBAM, 2001, p. 01).
A nitidez desta constatação permite frisar o descompasso entre as informações das secretarias municipais e a concessionária Vital Engenharia Ambiental. Em várias passagens dos textos das entrevistas é possível perceber as informações diferentes a cerca do mesmo assunto. Inclusive, vale destacar, que em vários momentos durante a entrevista com a SMSP, foi recomendado que a Vital Engenharia Ambiental fosse contatada para fornecimento de tais informações. Também foi solicitado para ambas o contrato de concessão, mas o mesmo não foi disponibilizado.
Todos os entrevistados furtaram-se em responder uma ou outra questão, algumas de relevância para a conclusão de fatos e outras não. A Vital Engenharia Ambiental deixou de
informar a maioria dos dados estatísticos, principalmente os da coleta seletiva. Por isso não é possível elucidar alguns emaranhados de informações diversas sobre o referido ponto.
Em relação aos dados estatísticos da coleta regular, muitas informações também não foram fornecidas, não sendo possível, portanto, a avaliação de todos os indicadores de desempenho propostos neste trabalho. Sobre as medidas de produtividade, constatou-se que são coletadas 14 ton de lixo/viagem para uma média de 8,3 viagens/turno (para caminhões com capacidade de 12 toneladas) e o percurso de 40 km de coleta/viagem.
O veículo compactador comporta 12 toneladas, mas muitas vezes carregamos até mais.
Motorista anônimo da COMLURB, quando questionado sobre a capacidade dos veículos coletores, em 05/01/10 no bairro de Campo Grande, RJ.
Quanto à utilização do veículo, a velocidade média desenvolvida durante a coleta é de 10 km/h, percorrendo 40 km na coleta/60 km de distância total percorrida pelo veículo (durante a coleta e o transporte até a disposição final no trajeto de ida e volta) e a relação é de 1,17 toneladas de lixo coletadas/capacidade do veículo. Os indicadores de utilização de mão- de-obra, manutenção e nível de segurança não puderam ser avaliados por falta de informação.
Quanto aos indicadores de qualidade, a concessionária confirma atender 100% da população, embora não informando os dados para a regularidade e frequência das coletas, que pelas observações da população, são suficientes embora os horários de coleta não sejam obedecidos. Os demais indicadores de controle foram obtidos através da entrevista da Recicampos: 2,5 ton/dia de material reciclável comercializado; 0,2 ton/dia de rejeito (não aproveitado para reciclagem); a média de 8,3 horas de trabalho dos caminhões e o total de 1.000 km rodados/dia, considerando 25 viagens/dia (dado também informado pela Recicampos).
Quanto aos dados operacionais, a SMSP informa que são recolhidas 35 toneladas/mês de lixo reciclável (papel, vidro e latas). Já a Recicampos, que participa da coleta seletiva, informa que são recolhidas 55 toneladas/mês20 e o valor de recursos auferidos é de R$15.000,00/mês. Já a Vital Engenharia Ambiental informa que nenhuma outra instituição a auxilia na coleta seletiva, não mencionando em nenhum momento as atividades desenvolvidas pela Recicampos. Possivelmente estas divergências sejam as responsáveis pela maioria das
20 Todas as conversões de quantidade/dia para quantidade/mês foram baseadas em 22 dias úteis.