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Ítalo Corsini Neto, Rafael Baggio Berbicz

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Academic year: 2023

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O artigo acima reflete o princípio da laicidade do Estado brasileiro, ou seja, o Brasil é considerado atualmente um Estado laico. Isso não significa que esse Estado deva ser hostil às religiões, pelo contrário, o papel do Estado laico é garantir o direito à liberdade religiosa como um dos.

EVOLUÇÃO HISTÓRICA E ORIGEM DO ESTADO LAICO

Na Roma Imperial, o imperador também era o Pontifex Maximus, ou sumo sacerdote da religião do estado. Nos Estados Unidos, o regime de separação, ou estado laico, surgiu com a 1ª Emenda à Constituição dos Estados Unidos, em 1791, que especificamente proibia o estabelecimento de uma religião estatal.

SURGIMENTO DO ESTADO LAICO BRASILEIRO

Portanto, a constituição de 1946 deu um importante passo rumo à liberdade religiosa e à consolidação da laicidade do Estado, lembrando que a laicidade do Estado se caracteriza não apenas pela neutralidade, mas também pela liberdade constitucional do exercício das organizações religiosas. Em relação à atual constituição de 1988, cabe mencionar que em nenhum momento ela afirma explicitamente que o Estado brasileiro é laico, mas enfatiza os artigos que expressam o Estado Democrático de Direito, a Igualdade, a Liberdade e a Separação e Separação do Estado. a igreja, a laicidade do estado é derivada.

CONCEITUAÇÃO E HISTORICIDADE

01 - 2015 Pagina 585 Um marco histórico no campo da liberdade religiosa foi a chamada “Paz de Vestfália”. Posteriormente, a primeira declaração de liberdade religiosa no texto legislativo foi a Declaração da Virgínia em 1776.

A LIBERDADE RELIGIOSA NOS TRATADOS E CONVENÇÕES

Posteriormente, as mesmas ideias foram reproduzidas na Declaração de Independência dos Estados Unidos, na Declaração Francesa dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789 e ainda na Declaração Universal dos Direitos do Homem de 194854. terá estatuto extralegal Em relação aos tratados internacionais que não tratam de direitos humanos, serão equiparados a leis ordinárias57.

A importância desse documento hoje é que ele foi a primeira Declaração de Direitos e fonte de inspiração para outras que vieram depois, como a Declaração Universal dos Direitos Humanos adotada pela ONU (Organização das Nações Unidas) em 1948. A resposta da nação às atrocidades cometidas pela Alemanha nazista após a Segunda Guerra Mundial.

A LIBERDADE RELIGIOSA NAS CONSTITUIÇÕES BRASILEIRAS

A constituição de 1824 caracterizou-se pela liberdade de escolha, que o indivíduo deveria pertencer a uma fé religiosa, mas sem que esta se manifestasse em lugares públicos. O artigo 102 da Constituição de 1891 trata da matéria da seguinte forma: "É vedado aos Estados, como a União: [...] 2) instituir, subsidiar ou impedir o exercício de cultos religiosos;". Apesar de estabelecer vagos conceitos de liberdade religiosa, condicionada ao respeito, à ordem pública e aos bons costumes, a constituição de 1934 manteve o princípio de uma igreja livre em um estado livre70.

A Constituição de 1937 não foi alterada no que respeita à liberdade religiosa, manteve as mesmas condições relativas à ordem pública e aos bons costumes, termos de que deriva da Constituição de 1934 e conservadas nas Constituições e na alteração da Constituição de 1969 Quanto à Constituição de 1967, aprovada pelo Congresso Constituinte em 24 de janeiro do mesmo ano, é um retrocesso em relação à Constituição de 1946, pois extinguiu o benefício alternativo previsto em lei no caso de recusa por motivos religiosos crença nas obrigações impostas a todos, como já mencionamos73.

A LIBERDADE RELIGIOSA NA CONSTITUIÇÃO DE 1988

O texto do preâmbulo constitucional expressa os valores e ideais da constituição para auxiliar na sua interpretação, ou mais precisamente, no sentido de seus artigos. O preâmbulo pode ter alguma força constitucional quando suas finalidades são reafirmadas no texto constitucional. Enquanto alguns elementos preliminares são reafirmados no texto constitucional como valores supremos de uma sociedade pluralista e sem preconceitos, ou seja, o estado democrático, os direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, a igualdade e a justiça; a referência a Deus, também presente no preâmbulo, é excluída.

Normas centrais da Constituição Federal: essas normas devem ser reproduzidas na Constituição do Estado-membro, mesmo porque, reproduzidas ou não, afetarão a ordem local. 01 - 2015 Página 598 normativo, pois não está no âmbito do Direito, mas no campo da Política, refletindo a posição ideológica do constituinte, sem relevância jurídica.

LIBERDADE DE CONSCIÊNCIA, CRENÇA E CULTOS

Aldir Guedes Soriano afirma que, embora a constituição preveja a inviolabilidade da liberdade religiosa e de consciência, esses direitos podem ser limitados. A liberdade de consciência está ligada a valores íntimos, morais e espirituais dos quais surgem outras liberdades de pensamento. Podemos dizer que a liberdade de crença está relacionada ao direito de acreditar ou não acreditar, de escolher uma religião ou não.

A liberdade de escolher ou não certos dogmas, de acreditar ou não em poderes supremos também é garantida, pois isso é liberdade de crença. E, finalmente, a liberdade de culto, que é uma manifestação externa da liberdade de consciência, somada à liberdade de crença.

SÍMBOLOS RELIGIOSOS NAS INSTITUIÇÕES PÚBLICAS

01 - 2015 Página 603 situações serão abordadas a fim de trabalharmos juntos no esclarecimento de sua relação com a laicidade do Estado. O referido autor sustenta que quaisquer que sejam esses símbolos religiosos, eles não podem ser mantidos em instituições públicas, sob pena de ofender o princípio constitucional do estado brasileiro. 01 - 2015 Página 605 Refutando vigorosamente os argumentos apresentados por aqueles que defendem a presença de símbolos religiosos nos tribunais, Daniel Sarmento assume a seguinte posição95: quanto ao alegado caráter não religioso do crucifixo, afirma que quem o vê tende a associar com o cristianismo porque é um dos símbolos religiosos mais famosos do mundo.

A utilização de símbolos religiosos em órgãos estatais é inconstitucional, por contrariar o princípio da laicidade estatal, por indicar uma verdadeira relação de aliança com a fé cristã e/ou ainda por causar incômodo despropositado àqueles que não professam uma religião religião. de fé cristã ingressando nos referidos departamentos.public.96. Nesse viés, pode-se dizer que a permissão e o uso de símbolos religiosos em instituições públicas não só fere os princípios da laicidade do país, como também tem clara impressão de privilegiar determinada religião em detrimento de outra.

A INSTITUIÇÃO DE FESTAS E FERIADOS RELIGIOSOS

Embora o Brasil seja um estado laico, existem onze feriados nacionais, sendo cinco de cunho religioso, como Páscoa, Corpus Christi, Nossa Senhora Aparecida, Finados e Natal, sem contar as festas juninas que já cresceram numa festa folclórica e perdeu com o tempo o seu cariz religioso. Como exemplo, pode-se citar a Lei 6.802/80, que institui o dia 12 de outubro como feriado nacional de culto público e oficial a Nossa Senhora Aparecida, conforme segue: “Art. 1º de outubro é declarado feriado nacional, de culto público e oficial a Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil” 99.

Há muitos julgamentos no sentido de que os feriados religiosos não estão incluídos no artigo 19, inciso I, da Constituição Federal ou no princípio da laicidade do Estado brasileiro. O que considero inconstitucional é a proibição de trabalhar nesse dia, ou seja, não considero legítima a proibição de abertura de estabelecimentos em feriados religiosos.

A OBSERVÂNCIA DO DIA DE DESCANSO RELIGIOSO

Por causa da crença religiosa, privar o cidadão de qualquer direito seria um atentado à liberdade de consciência e de culto, tão preciosa e que é uma das prerrogativas inatingíveis do homem, inerente à sua personalidade. Observando o exposto por João Barbalho, a interpretação da privação de direitos por motivos de justificação de consciência contraria tanto a liberdade religiosa como o seu exercício. Manoel Jorge e Silva Neto entende que “o direito individual à liberdade religiosa não deve ceder às conveniências da administração pública”107.

In: MAZZUOLI, Valério de Oliveira; SORIANO, Aldir Guedes (Coord.) Direito à liberdade religiosa: desafios e perspectivas para o século XXI. Por fim, Aldir Guedes Soriano108 contesta as limitações dos direitos relativos à liberdade de religião, crença e consciência, exceto nos casos que não permitam acomodação, ou nos casos em que a liberdade religiosa apresente prejuízo concreto à convivência pacífica em sociedade, ou mesmo cause dano. à integridade física do outro.

O ENSINO RELIGIOSO NAS ESCOLAS PÚBLICAS

Heloísa Sanches Querino Chehoud estipula que a Constituição Federal, no que diz respeito ao ensino religioso, estabelece que “a matrícula em assuntos religiosos não é uma obrigação, mas um direito do aluno. A norma do ensino religioso deve observar estrita obediência e harmonia com os limites e condições da laicidade do Estado. A autora, citada por Maria Garcia, entende que a disciplina de ensino religioso deve limitar-se a reservar um tempo no currículo onde o aluno, se assim o desejar, se liberte de outras atividades para procurar uma instituição que mais próxima da escola, faculdade ou local de residência, para receber ensino religioso escolhido por eles ou seus responsáveis, e nunca subsidiar tal ensino em escolas públicas.

Deixar horários vagos e instalações físicas para representantes das igrejas habitarem conforme sua proposta pedagógica, para alunos que demandam o ensino religioso de sua preferência, não o conhecimento de religiões, que pode ser ministrado por qualquer professor habituado a tal conteúdo, mas o prática que um representante denominacional ou interconfessional aceita119. Como facilmente se verifica pela leitura do artigo, a orientação do ensino religioso é uma decisão dos alunos ou encarregados de educação, a sua satisfação depende das organizações religiosas que foram objeto de escolha (Igrejas ou associação de Igrejas, no caso do ensino interconfessional ), órgãos estes responsáveis, inclusive, pela formação de professores ou orientadores religiosos120.

SACRIFÍCIOS DE ANIMAIS E O DIREITO AMBIENTAL

A norma impugnada não é inconstitucional, sustentando que os rituais das religiões de matriz africana pressupõem o sacrifício de animais domésticos em suas liturgias, animais criados em cativeiro, para esse fim específico, sem prejuízo da Lei 9.605/98. A proibição de tal prática violaria a norma constitucional sobre liberdade de crença e religião e suprimiria o conteúdo mínimo essencial de tal norma129. No entanto, o mesmo autor distingue inteligentemente a matança pura e simples de animais dos sacrifícios realizados em rituais religiosos constitucionalmente protegidos.

Na liberdade de culto, o indivíduo é protegido para que atue de acordo com suas crenças religiosas durante as liturgias. Multiculturalismo e Conflito de Direitos: Liberdade Religiosa e Sacrifício de Animais em Rituais Religiosos de Base Africana.

DIREITO À VIDA E A PROIBIÇÃO DA RECEPÇÃO DE SANGUE

Argumenta ainda que não há renúncia ao direito à personalidade e à indisponibilidade do corpo humano, direito fundamental à vida, e afirma que a liberdade religiosa não pode impedir o Estado de atuar em defesa da vida humana, mas que deve ser exercido de forma razoável, pois a partir do momento que o paciente vai para um hospital, ele opta por salvar sua vida. Portanto, o Estado laico verdadeiramente comprometido em garantir o direito à liberdade de religião como um dos direitos humanos fundamentais, bem como a inviolabilidade da liberdade de consciência e crença, deve respeitar a decisão das Testemunhas de Jeová de recusar transfusões de sangue. No entanto, isso não significa que o Estado seja inimigo da fé ou hostil às religiões, mas mantém-se em posição de neutralidade, permitindo o pluralismo religioso, a liberdade de crença e suas respectivas expressões, com a missão de promover a liberdade religiosa.

01 - 2015 Página 630 MAZZUOLI, Valério de Oliveira; SORIANO, Aldir Guedes (Coord.) Direito à liberdade religiosa: desafios e perspectivas para o século XXI. Laicidade, mas nem tanto": cinco questões sobre liberdade religiosa e laicidade estatal na jurisdição constitucional brasileira. MAZZUOLI, Valério de Oliveira; SORIANO, Aldir Guedes (Coord.) Direito à liberdade religiosa: desafios e perspectivas para o século XXI.

MARTINS FILHO, Ives Gandra da Silva; NOBRE, Milton Augusto de Brito (Coordenador) Laicidade e liberdade religiosa.

Referências

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