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2.1. Taperoá e o Baixo Sul da Bahia

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Academic year: 2023

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Ensaio etnográfico sobre plantas alimentícias não convencionais na Comunidade Quilombola de Pedra Branca do Riacho do Ouro, município de Taperoá, no Território. Ensaio etnográfico sobre plantas alimentícias não convencionais na Comunidade Quilombola de Pedra Branca do Riacho do Ouro, município de Taperoá, no Território. Esta monografia baseia-se em um ensaio etnográfico que aborda a questão das plantas alimentícias não convencionais (PANC) na comunidade quilombola de Pedra Branca do Riacho de Ouro, no município de Taperoá, Baixo Sul da Bahia.

Na primeira parte apresento a minha relação com as plantas alimentares convencionais na sociedade onde cresci.

A CONSTRUÇÃO DO OBJETO DE ESTUDO

Um trajeto de brincadeiras e alimentos

No quintal também havia um jamelão, cujo acesso foi permitido por Seu Inácio e Dona Gum. No quintal dos meus avós maternos, bem ao lado da porta dos fundos da casa, tinha um limoeiro e além dele um cacho de cana.

O encontro com a Agroecologia

As árvores amsque também produziam frutos, com polpa doce semelhante ao sabor da resina amscla, que também experimentei quando a encontrei. 14 Foi em Taperoá que terminei o ensino fundamental e também onde me formei em um dos cursos do ensino médio que fiz. Nesse período na EMARC-VA, me defini como um campeão da ciência do campo e da agricultura.

Porém, foi através das atividades do AGROVIDA (Movimento de Apoio à Agricultura Familiar e Agroecologia) e da realização de encontros de agricultura familiar e agroecologia na UFRB que me descobri realmente interessado em ingressar na universidade como estudante. As anotações que ele fez certamente me influenciaram e a percepção que comecei a formar sobre a questão agrária. Foi então que vi, pela primeira vez, num espaço formal de aprendizagem, pessoas falando sobre florestas que poderiam ser usadas para alimentar as pessoas, e isso contribuiu para as experiências.

Lembro-me de ir a uma atividade na Casa Familiar Rural de Presidente Tancredo Neves (CFR – PTN) com meus colegas da EMARC-VA, e a refeição consistia em alimentos feitos com casca de banana e melancia, entre outros itens que não apareciam no menu comum ao qual eu estava acostumado. Percebi com mais atenção que as hortaliças que consumia desde criança não constavam nos itens das gôndolas e gôndolas dos mercados convencionais. A relação com os recursos vegetais locais, que construí desde criança, me fez perseverar e continuar com os estudos do PANC.

A COMUNIDADE QUILOMBOLA DE PEDRA BRANCA

Taperoá e o Baixo Sul da Bahia

Assim como em outros pontos do litoral nordestino, a chegada de colonos europeus à região do Baixo Sul da Bahia resultou em um processo conflituoso de fixação da população indígena residente na localidade, liderado principalmente por missionários jesuítas da Igreja Católica. Durante as primeiras décadas de ocupação da região, ainda no século XVI, as atividades econômicas na baixada meridional se assemelhavam ao então padrão do Nordeste, principalmente no que diz respeito à extração de madeira, atividade que causou sucessivos conflitos com a população indígena.” (DE VORE, 2014 e PORTO, 2016, p. 49-50). A cultura do cacau marcou o processo de territorialização das regiões denominadas Litoral e Baixo Sul da Bahia.

Baiardi e Teixeira (2010) destacam essa diferença entre as regiões Baixo Sul e Sul, dados esses níveis de centralidade e importância do cultivo do cacau. Além do cacau, existem diversas outras culturas no Baixo Sul, entre elas o dendezeiro, a piaçava, ainda parcialmente extrativista, o cravo-da-índia, o guaraná, a pupunheira e a seringueira. No período anterior ao campo tomei consciência da diversidade produtiva que caracteriza o perfil agrícola do Baixo Sul e que também o distingue de outras regiões vizinhas.

Embora o cultivo do cacau também continue importante no Baixo Sul, os agricultores da região mantêm tradicionalmente uma diversidade produtiva muito marcante (com destaque para: óleo de palma, guaraná, piaçava, cravo, pimenta-do-reino e frutas diversas). A questão é que apesar das oscilações e mudanças nos regimes de produção e processamento, o óleo de palma continua e tende a permanecer presente e com destaque na mesa e na cultura alimentar do povo do Baixo Sul e seu hábito e engenhosidade na possibilidade de que “qualquer coisa” pode virar moqueca. 26 Taperoá é hoje conhecida como a capital do guaraná orgânico na Bahia, título que se deve à concentração da produção no município e região e que tem mobilizado o fortalecimento da produção de guaraná no Baixo Sul. O cultivo do guaraná conta com pequenas unidades privadas de processamento do produto que trabalham para gerar subprodutos a partir do extrato do fruto.

A comunidade Pedra Branca

E no caso da comunidade Pedra Branca, também no que diz respeito ao fornecimento de água potável e redes de distribuição de energia elétrica. Há demanda pela construção de um prédio escolar com estrutura adequada para atender as crianças da Comunidade. Seu Francisco mora próximo ao campo de futebol e é participante ativo nas tarefas e interesses da comunidade.

Dona Nilza, sua esposa, é uma pessoa muito espontânea e acompanha as atividades da comunidade e também se destaca no preparo de alimentos. Seu Francisco também destaca uma série de plantas que são utilizadas como “remédios”. plantas utilizadas com fins terapêuticos e medicinais) lista o gerebom ou gerebão (Stachytarpheta cayennensis), também chamado de chá de burro, e a janaúba (Himatanthus drástica), que já eram procurados por pessoas de fora da comunidade para uso medicinal. Ele relatou que as mudas de maná foram trazidas por um familiar seu da comunidade de Riachão, que fica próxima à comunidade de Pedra Branca.

Na maioria das casas da comunidade de Pedra Branca é fácil encontrar altares onde são colocados os santos, nos quais é certa a presença dos santos gêmeos São Cosme e São Damião. Como apontam alguns interlocutores da comunidade Pedra Branca, quando ao mesmo tempo veem a associação de. No caso da comunidade Pedra Branca, há fragmentos de fala que indicam essa relação, tanto no reforço do sentido de que ao poder comprar, a redução do consumo dos recursos locais pode ser reduzida ou eliminada, como na afirmação da o gosto através das plantas, por exemplo, e a defesa desse uso e formas de uso.

As PANCs e a Comunidade de Pedra Branca

ANÁLISES

Segurança Alimentar

Os debates sobre a segurança alimentar não se centram numa única dimensão, como a disponibilidade de alimentos. Existe de facto um mercado regulador da produção alimentar, que concentra as maiores estruturas produtivas e consequentemente regula a oferta alimentar e nutricional para a alimentação da população. A “grande indústria” de produção alimentar continua associada à indústria farmacêutica, à produção de sementes e pesticidas agrícolas e à produção de pesticidas para a agricultura.

No Brasil, assim como em uma relação mais regional, pode-se destacar o papel do Estado no incentivo à produção de commodities agrícolas, como a soja e o cacau, por exemplo, em detrimento dos alimentos tradicionalmente produzidos no âmbito da agricultura familiar. e que têm potencial para um diálogo directo com a segurança alimentar. Outra situação que se relaciona com os problemas levantados acima e constitui uma das pernas do agronegócio nos sistemas de produção agrícola é o uso de agrotóxicos. Segundo ele, a forma como é explorado o sistema de produção agrícola, os níveis de concentração de recursos e de processos comerciais e industriais, bem como o modelo de concorrência no mercado alimentar são alguns destes aspectos que devem ser tidos em consideração.

O cumprimento dos objectivos de sustentabilidade e segurança alimentar é também determinado a nível ideológico, com a afirmação da supremacia do direito à alimentação e aos recursos naturais como bens públicos que devem ser garantidos a todos. MALUF, MENEZES e MARQUES, 2000., p. 34) No caso das comunidades tradicionais, e especialmente neste trabalho, das comunidades quilombolas, o acesso à terra é uma condição de grande importância, pois esta relação com a terra estabelece as bases para a construção de processos de produção de alimentos mais autônomos e para a definição mais próxima experiências tradicionais na produção e consumo de alimentos e na fruição dos recursos naturais locais que vinculam as necessidades alimentares e nutricionais ao fortalecimento de uma cultura alimentar básica mais saudável. A promoção da alimentação saudável visando a melhoria do padrão nutricional da população baseia-se na recuperação das práticas nutricionais regionais e no consumo de alimentos produzidos localmente, possibilitando a diversidade e mudanças no atual padrão de consumo alimentar da população.

A relação de saberes

Os estigmas de vergonha e precariedade

O lugar das plantas alimentícias não convencionais torna-se uma relação de vergonha diante do contato com outras pessoas, principalmente fora da comunidade. Nestes dois casos, o cenário atual é de melhoria significativa das condições socioeconômicas, ocorrendo principalmente nos últimos anos após os programas e ações dos governos Lula e Dilma no campo social e nas políticas de desenvolvimento territorial para essas populações. Informações contidas no Plano Territorial de Desenvolvimento Rural Sustentável do Baixo Sul da Bahia indicam que “por meio dos programas de abastecimento alimentar dos governos federal e estadual, houve avanços na comercialização, no fortalecimento da geração de renda e na estratégia de SAN no território”.

As comunidades tradicionais no Brasil, por meio de seus processos de territorialização e de seus modos de vida, mostram experiências de suas relações tanto com a terra quanto com os recursos naturais locais. Quando convivi com comunidades quilombolas do Baixo Sul da Bahia, e principalmente com o povo de Pedra Branca, pude perceber a interação entre as dimensões econômica, ecológica, social, cultural, política e ética na formação de critérios observar o que termina . na indicação de plantas consideradas referência dietética. As discussões com os interlocutores forneceram uma determinada lista de plantas alimentares não convencionais que são utilizadas, tanto para uso alimentar como medicinal.

Os benefícios da introdução de plantas alimentícias não convencionais na alimentação dos beneficiários da Estratégia Saúde Bolsa Família da família Bernardo Valadares, em Sete Lagoas-MG. Desenvolvimento do Baixo Sul e do Litoral Sul da Bahia: O Caminho da Sustentabilidade, Perspectivas e. Segurança alimentar e nutricional e direito humano à alimentação suficiente no Brasil, indicadores e monitoramento desde a Constituição de 1988 até a atualidade.

Quadro de caracterização dos interlocutores56

Quadro de plantas locais citadas pelos interlocutores

Imagens das plantas citadas pelos interlocutores

Imagem

Figura 2: Andu (feijão guandu) / Fonte: Cláudio Lisboa da Silva (2018) Figura 1: Alfavaca / Fonte: Cláudio Lisboa da Silva (2018)
Figura 3: Batata-doce / Fonte: Google Imagens (2018)
Figura 5: Bredo-de-porco (amaranto) / Fonte: Cláudio Lisboa da Silva (2018)
Figura 7: Cacau / Fonte: Google Imagens (2018)
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Referências

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