Na seção 2, apresentamos um panorama dos gastos em saúde no mundo e no Brasil em uma perspectiva comparativa. Nesta seção, descrevemos um retrato recente dos gastos em saúde no mundo e no Brasil em uma perspectiva comparativa.
3 Necessidades de Financiamento em Saúde no Brasil
Cenário Base
Metodologia
Por fim, a metodologia assume um fator residual, que é a parte do crescimento dos gastos em saúde que não é explicada pelo fator renda ou pelo fator demográfico. As projecções para variações destes factores em conjunto produzem então projecções para futuras necessidades de financiamento.
Resultados da Projeção Básica
Assumindo um resíduo negativo, por exemplo de -0,75 pontos percentuais, as projeções indicam uma relativa estabilidade das necessidades de financiamento até 2060, com um aumento de apenas 0,41 pontos percentuais do PIB. No geral, os resultados desta seção indicam que as necessidades de financiamento da saúde no Brasil deverão aumentar em cerca de 3,67 pontos percentuais do PIB nas próximas quatro décadas.
4 Necessidades de Financiamento vs Gastos em Saúde
Essa diferença provavelmente se deve ao fato de os autores assumirem um resíduo maior e utilizarem uma curva de custos per capita referente aos países da OCDE, ou seja, superior às estimadas para o Brasil.9. O facto de estarmos alinhados com os principais resultados da literatura reforça esta previsão e permite-nos avançar com a nossa metodologia na procura de uma definição mais completa da situação. Em particular, na secção seguinte, comparamos o nosso cenário de base para as necessidades de financiamento da saúde com cenários fiscais alternativos, especialmente para o sector público – permitindo-nos avaliar a diferença entre as necessidades de financiamento futuras e a capacidade de resposta da sociedade a essas necessidades.
Cenários Fiscais
A Tabela 3 e a Figura 6 mostram simulações de despesas públicas em saúde como percentagem do PIB para os diferentes cenários em comparação com o cenário base. Como esperado, vemos que nos cenários 2 a 5, a proporção das despesas de saúde pública no PIB aumenta ou diminui relativamente menos. Especialmente no cenário 4, com elasticidade zero para o sector público como um todo, quando o consumo público por per capita pouco mais de R$ 2 mil.
No cenário 5, com um limite máximo para o sector público como um todo, a despesa por população realmente caia a preços constantes. A Figura 8 mostra, como esperado, que a participação da despesa pública na despesa total em saúde tenderá a diminuir em todos os cenários em comparação com o cenário base. Em particular, no cenário de limite de gastos federais (cenário 3), a parcela dos gastos públicos cairia para 35%, enquanto no cenário de limite para o setor público como um todo, essa parcela cairia para 20%.
Especificamente, no cenário de limite federal (Cenário 3), a parcela dos gastos federais nas despesas de saúde pública diminuiria para pouco mais de 20% até 2060.
5 Comentários Finais
Os esforços do Estado deverão aumentar não apenas em termos absolutos, mas especialmente em percentagem do PIB. Vimos também que os ganhos de eficiência podem ser muito importantes para aliviar a pressão crescente para gastar mais – uma possível explicação para o cenário de contenção de custos. Na verdade, os ganhos de eficiência poderiam reflectir-se no aumento da qualidade e da cobertura face aos recursos limitados.
Porém, como já mencionado, não há evidências de que isso esteja acontecendo no país. Neste sentido, se não houver um esforço para mobilizar recursos e utilizá-los de forma cada vez mais eficiente, o atraso na resposta às exigências de saúde poderá ter consequências para a sociedade – por exemplo, através da redução da qualidade, do aumento da segmentação e da desigualdade. Assim como já aconteceu em outros países, ficará claro para a sociedade brasileira que o acesso a bens e serviços de saúde ficará cada vez mais caro e que ela deverá estar preparada para construir soluções, buscando benefícios não só na eficiência, mas também na igualdade .
In Scheffler, R., redakteur, Handbook of Global Health Economics and Public Policy: Volume 1 — The Economics of Health and Health Systems. Kenneth G. Manton Gepubliseer deur: Wiley namens Milbank Memorial Fund Stable URL: https://www.jstor.org/stable/3349767 Gekoppelde verwysings is beskikbaar op JSTOR vir. A Viusal Stroll Through America's Health Care Wonderland.Griswold Centre for Economic Policy Studies Working Paper, 251.
Future and potential expenditure on health 2015-40: development assistance for health and public, prepaid private and out-of-pocket health expenditure in 184 countries. Measuring progress and projecting achievement based on past trends in health-related Sustainable Development Goals in 188 countries: An analysis from the Global Burden of Disease Study 2016. Trends in future health financing and coverage: Future health spending and universal health Coverage in 188 countries, 2016–40.
Aging and Future Health Care Expenditures: A Consistent Approach Aging and Future Health Care Expenditures: A Consistent Approach *.Forum for Health Economics & Policy.
Apêndice
A Gastos em Saúde em Mais Detalhes
Tendências Recentes no Mundo
Este padrão fica mais claro no painel B, que se refere às despesas governamentais; e um pouco menos claramente no Painel C, que mostra alterações nas despesas privadas em percentagem do PIB. Nos três painéis, o Brasil está ligeiramente acima da diagonal, com especial destaque para o painel C. Ou seja, os gastos privados com saúde em percentagem do PIB já eram relativamente elevados no país em 1995, e aumentaram em 2015.
Painel Superior: (A) Variação média anual nos gastos per capita, Painel Inferior: (B) Alteração em pontos percentuais como proporção do PIB.
Determinantes do Crescimento de Gastos em Saúde
O que é particularmente notável é o aumento relativamente maior das despesas em bens e serviços de saúde - em contraste com, por exemplo, a alimentação, à medida que o valor marginal de mais calorias consumidas cai rapidamente. Outro argumento prende-se com o facto de a produtividade no sector dos serviços pessoais em geral e nos serviços de saúde em particular ser relativamente constante ao longo do tempo. Contudo, à medida que a produtividade global da economia aumenta, os salários aumentam para todos, o que significa que os preços dos serviços prestados pelos profissionais de saúde aumentam sem um aumento correspondente na produtividade.
Neste caso, uma vez que a procura de serviços de saúde é geralmente considerada inelástica em termos de preços, as despesas com estes serviços tenderiam a aumentar ao longo do tempo.17. Em todo o mundo, as políticas públicas resultaram na expansão da cobertura universal de cuidados de saúde – não necessariamente entendida como acesso universal gratuito, mas como uma garantia de acesso aos serviços de saúde em resposta às necessidades de uma pessoa, e independentemente do seu rendimento e situação socioeconómica. estado. . Esta expansão bem-vinda foi acompanhada pelo aumento das despesas e pela necessidade de financiamento dos cuidados de saúde.
É importante ressaltar que o crescimento dos gastos com saúde não é necessariamente um problema, pelo contrário.
Gastos e Financiamento da Saúde no Brasil
A participação da despesa em serviços de saúde no total da despesa em saúde foi de 80%, enquanto a despesa em medicamentos correspondeu a cerca de 20%. No setor privado, de um total de R$ 315 bilhões gastos em 2015, aproximadamente R$ 143 bilhões foram financiados por receitas provenientes de pagamentos de operadoras de planos de saúde (ou 46%). Embora relativamente elevada em comparação com os países desenvolvidos, a percentagem de despesas directas no consumo privado total diminuiu sistematicamente desde a década de 1990, em paralelo com o aumento da cobertura dos planos de saúde.
Pessoas físicas podem deduzir da base de cálculo do IRPF despesas com médicos, dentistas, hospitais, exames e planos de saúde. As pessoas jurídicas podem deduzir dos impostos as despesas com saúde incorridas por seus empregados (os gastos com planos de saúde podem ser calculados como despesa operacional e deduzidos do lucro tributável), além de doações e projetos de saúde. Essa alteração estabeleceu recursos mínimos a serem aplicados na saúde – estados e municípios deverão destinar pelo menos 12% e 15%, respectivamente, de suas receitas destinadas ao financiamento de ações e serviços de saúde pública.
Segundo Piola et al. 2013), entre 2000 e 2011, o montante de recursos destinados a medidas e serviços de saúde pública por estados e municípios aumentou de R$ 28 bilhões para R$ 89 bilhões, correspondendo a um aumento global de mais de R$ 60 bilhões.
B Metodologia de Projeção
Um Panorama sobre Metodologias de Projeção
No entanto, a previsão das despesas com base na abordagem ascendente exige dados detalhados e fiáveis, não só sobre a idade e o perfil epidemiológico da população, mas também sobre os custos e despesas com cuidados de saúde. Os dados disponíveis para o Brasil não são suficientemente detalhados para permitir estimativas de gastos com saúde com base na abordagem bottom-up, especialmente para o setor privado. Além disso, conforme ilustrado por Charlesworth et al., 2018), ambas as abordagens à previsão das despesas conduzem a resultados agregados muito semelhantes.
Não é de surpreender que os modelos descendentes tenham sido amplamente utilizados por organizações internacionais e governos para projeções de despesas de saúde a longo prazo (De la Maisonneuve e Martins, 2013).
Metodologia Top-Down e Dados Utilizados
Na verdade, como vemos nas nossas curvas de custos, estimadas e descritas abaixo, o custo por per capita para pessoas que estão perto da morte, maior do que o custo por per capita para cuidados de saúde para pessoas que sobrevivem até ao fim de um período de doença. , independentemente da idade. Para ter em conta a diferença nos custos de saúde entre as pessoas que sobrevivem e as que morrem todos os anos, estimamos as curvas de custos de saúde per capita para sobreviventes e não sobreviventes separadamente. 26 Não existem bases de dados que indiquem diretamente os custos de saúde por pessoa. população por idade-sexo.
30Considerámos a taxa média de cobertura do período 2013-2017 para calcular todas as curvas de custos per capita (pagamentos públicos, suplementares, diretos), bem como para projetar o número de pessoas nos anos futuros que utilizarão o setor público e suplementar. A Figura B.4 mostra as curvas de custos per capita por idade e sexo, para sobreviventes e não sobreviventes, para o sector público. Como esperado, o custo per capita das pessoas que estão próximas da morte é superior ao custo per capita dos cuidados de saúde para as pessoas que sobrevivem até ao fim de um período de doença, independentemente da idade.
Como esperado, observa-se que o custo por per capita nos serviços de saúde suplementar é superior ao custo por per capita na rede pública de saúde em média 2,05 e 2,00 vezes para sobreviventes e não sobreviventes, respectivamente. Para o pagamento direto, portanto, consideramos apenas a curva de custo por per capita para sobreviventes, que é apresentado na figura B.6. Finalmente, os custos de saúde devidos a factores demográficos são obtidos multiplicando a curva de custos por capita (fixada ao longo do tempo) com a respectiva população ligada à curva desse ano (que varia ao longo do tempo).