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A MODERNIDADE É UMA SERPENTE

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Academic year: 2023

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É justamente esse modo de pensar em Araraquara que pretendemos encontrar através da análise do mito da cobra. Na segunda, são analisadas as possibilidades de compreensão das relações de poder na cidade de Araraquara a partir da lógica do mito alcançado.

Foto  1  -  Vista  panorâmica  da  cidade  de  Araraquara  no  início  do  século  XX
Foto 1 - Vista panorâmica da cidade de Araraquara no início do século XX

Os sertões de Araraquara

O sertão de Araraquara tornou-se, nos anos posteriores, rota de tráfico de mão de obra indígena escravizada. Desta forma, o atual município de Araraquara fazia parte integrante desta grande extensão de terra denominada sertões de Araraquara.

Freguesia de São Bento: a fixação de um lugar no espaço

A partir de 1820, as sesmarias também foram concedidas aos requerentes que se identificassem como moradores da recém-criada freguesia de São Bento de Araraquara. 19 Sobre o avanço da ocupação nos Sertões de Araraquara: “Em sua maioria, as primeiras sesmarias foram concedidas na área entre o rio Piracicaba e os Morros de Araraquara, ou seja, em terras mais próximas da área povoada.

A ocupação do espaço como fonte de poder

A lei de 1850 dificultou, portanto, o acesso à terra de escravos libertos e imigrantes, transformando a terra em mercadoria, por assim dizer (TRUZZI; FOLLIS, 2012, p.17). É a figura do coronel que se apresenta e faz da subjugação econômica dos seus empregados a fonte de segurança do seu poder político (LEAL, 2012, p.74), através dos chamados votos halteres.

O surgimento do espaço urbano

Dentro de sua esfera de influência, o ‘coronel’ em pessoa resume importantes instituições sociais, sem substituí-las” (LEAL, 2012, p.45). A emergência do espaço urbano na zona oeste de São Paulo, no início do século XIX ao século XX, por sua vez coloca novos elementos nesse contexto.

Foto 2 - Segundo dados do arquivo foto do entorno da Igreja Matriz no ano de 1891. Sobre os números indicados na  foto:  01)  redação  do  jornal  "O  Popular"  em  26  de  março  de  1899;  2)  Tipografia  Gravina,  padaria  Palamone;  3)  Residên
Foto 2 - Segundo dados do arquivo foto do entorno da Igreja Matriz no ano de 1891. Sobre os números indicados na foto: 01) redação do jornal "O Popular" em 26 de março de 1899; 2) Tipografia Gravina, padaria Palamone; 3) Residên

O largo da Matriz de São Bento

Por sua vez, incorporado como elemento urbano, o edifício da Igreja Matriz acompanha as transformações pelas quais a cidade passou. 35 Quanto às construções da Igreja Matriz, foram encontradas algumas discrepâncias de datação nas fontes consultadas.

Foto  4  -  Segundo  dados  do  arquivo  a  foto  é  de  1917.  O  local  é  o  Largo  da  Matriz
Foto 4 - Segundo dados do arquivo a foto é de 1917. O local é o Largo da Matriz

Araraquara - século XXI

40Um dos materiais mais antigos sobre o tema data de 1898: o livro Crime de Araraquara: ecos da imprensa. Foi nesse ambiente que ocorreram os trágicos acontecimentos conhecidos como O Crime de Araraquara (CORRÊA, 2008, p.164, grifo nosso).

Foto 9 - Vista da cidade de Araraquara. No campo superior da foto a Igreja Matriz  36
Foto 9 - Vista da cidade de Araraquara. No campo superior da foto a Igreja Matriz 36

A morte do coronel

Da janela de sua casa viu Rosendo atravessar o Largo da Matriz e entrar na farmácia São Bento, de Francisco do Amaral Barros. 46 Francisco do Amaral Barros é propriedade da Farmácia São Bento, situada perto do Largo da Matriz.

O assassinato dos Brito

A casa onde Pio dormiu na noite em que os ingleses foram mortos ficava na praça do Largo da Matriz, situada na esquina da Rua Padre Duarte com a Avenida São Paulo (atual nomenclatura das ruas). Em 1945 escreveu uma declaração em forma de carta na qual explicava a sua atitude face à absolvição dos arguidos no caso do homicídio de Brito.

Linchaquara

Na época do assassinato, Teodoro Carvalho era delegado de polícia de Araraquara e posteriormente foi réu no julgamento do caso51. Teodoro era uma figura política conhecida na época, graças ao seu cargo anterior como delegado de polícia de São Paulo.

Narrativas atuais sobre o crime

Os corpos de Rosendo e Manoel estão enterrados a quilômetros de distância do centro populacional da cidade. Um jovem da cidade de Rosário do Catete, que sonhava com uma vida melhor, que durante todo esse tempo tentou esconder a verdadeira história. No caso específico desta pesquisa, significa compreender como a lógica do mito da cobra pode contribuir para a reflexão sobre as relações de poder na cidade de Araraquara e como as narrativas da modernidade afetam o ordenamento do espaço urbano.

Foto 13 – Inauguração da Capela das Almas em 22 de junho de 1952 56
Foto 13 – Inauguração da Capela das Almas em 22 de junho de 1952 56

Estrutura e evento

Assim, na primeira parte, aborda-se o debate sobre a relação entre estrutura e acontecimento, pois, além de compreender a constituição da lógica do mito e sua repetição, é necessário compreendê-lo em termos de seu funcionamento no cotidiano. a vida, nos contextos de uso e apropriação, para uma análise que aborde o mito como uma lógica que se repete no tempo, mas, por outro lado, considerando que a lógica do mito também se transformou pela apropriação em diferentes momentos da história. Longe de tentar resolver a relação conflituosa entre estrutura e evento, procura-se apresentar um equilíbrio teórico sobre o assunto. Ou seja, busca compreender como um esquema simbólico precede e organiza a experiência em sua relação com o mundo material.

O debate em torno da relação entre estrutura e história exige uma análise da forma como o método estruturalista concebe a categoria tempo, o que privilegia o modelo sincrónico da ideia de sistema do linguista Ferdinand Saussure, o que levará Lévi-Strauss a função. , na primeira metade do século XX uma crítica epistemológica da história. Mas o método estruturalista fez-se sentir em vários campos científicos e penetrou em vários ramos do conhecimento, como a antropologia, a linguística, a química orgânica, a eletricidade aplicada e a fisiologia nervosa. Porém, segundo Moles, o método estruturalista pode ser definido em três características: a é o modo de apreensão por excelência de sistemas complexos (..)”.

Assim, o significado de um elemento não está sujeito à correspondência de uma palavra com um objeto cotidiano, mas à posição desse elemento em relação a outros que são parte integrante de um determinado sistema linguístico autônomo. A menor unidade de significado neste sistema será um signo composto por um conceito e uma imagem acústica (SAUSSURE, 1973, p. 80). É melhor renunciar por enquanto à sua descrição precisa e limitar-nos a falar genericamente de relações mutáveis ​​(...) (SAUSSURE, 1973, p. 91, grifo nosso).

Dessa forma, Lévi-Strauss, ao introduzir o método estruturalista na antropologia, realizou um importante movimento de distanciamento epistemológico da noção de história que prevaleceu durante o século XIX, apoiada emblematicamente pela filosofia hegeliana. Assim, ao deslocar as grandes narrativas da história e introduzir a noção de historicidade, Lévi-Strauss restaura o campo de tensão entre estrutura e acontecimento. Lévi-Strauss, dando novo status à noção histórica em relação à história, articula em seu método uma abertura ao acontecimento, tendo como referência uma razão humana, mas esta razão é desconhecida do indivíduo.

A linguagem é, por assim dizer, um sistema de significados em si: os seus signos são determinados como valores apenas pelas suas relações mútuas com outros signos, sem qualquer ligação com os objetos a que possam referir-se. Desta forma, Sahlins desloca a discussão para a relação entre um sistema simbólico constituído por valores convencionais, reconhecidos coletivamente, e um sistema de valores intencionais correspondente individualmente. Chegamos também ao fato de que toda noção de sistema recorre à referência para conceber a produção de sentido: em Saussure, a razão relacional entre os elementos constitutivos do sistema; para Lévi-Strauss, o pensamento simbólico, que funciona referencialmente através de esquemas de significação; em Sahlins a mediação entre práticas sociais e valores estruturais.

A questão da materialidade

Assim, Lévi-Strauss estabelece-se como um autor de referência no reconhecimento da dimensão material do simbolismo, destacando o potencial do simbolismo na definição da realidade. Dessa forma, a teoria proposta por Marshall Sahlins estabelece novos parâmetros para o debate sobre a relação entre os seres e as coisas, questionando o distanciamento do simbolismo do mundo social ao qual pertence, a sua cultura. Para Sahlins, a produção do simbolismo não deve ser pensada como um sistema completamente desligado do funcionamento do mundo social; seu objetivo é, portanto, restaurar a relação entre estrutura e evento.

O mito

Este capítulo tem como tema um percurso histórico narrativo, um discurso em nível público, a narrativa do mito da serpente. Nas paredes das intermináveis ​​obras de construção da Igreja Matriz, é possível observar fissuras, que, segundo relatos, foram causadas pela movimentação subterrânea da cobra. O mito da cobra não situa a sua narrativa num espaço imaginário e territorialmente distante, mas no coração da cidade, no seu centro, no primeiro lugar da constituição.

Foto 16 - Padre Antonio Cesarino  60
Foto 16 - Padre Antonio Cesarino 60

Versões da narrativa

  • Primeira versão
  • Segunda versão
  • Terceira versão
  • Quarta versão
  • Quinta versão
  • Sexta-versão

A criança virou uma cobra que viveria até hoje no porão da igreja, e toda vez que a cobra se move, ela derruba uma parte da igreja que nunca será concluída. 63O Portal G1 é um site de notícias nacional que, em matéria sobre a atual reforma da Igreja Matriz, abordou a questão do mito da cobra. Lenda ou não, a construção da igreja nunca foi concluída, gerando o boato de que a cobra lutava no subsolo para sair.

Interdito

Condicionalmente, ainda hoje é comum que haja uma grande resistência entre os mais velhos em dizer o que conseguiram ouvir sobre o caso, alegando que a maioria não sabe de nada, e há até quem, agressivamente, condene qualquer abordagem ao matéria. o caso, como prejudicial ao 'bom nome da cidade', manchado pelas infames campanhas dos opositores, que usaram os crimes para difamar Araraquara.

Presença do mito em outras cidades

Em 2007, a Revista de História.com.br publicou um artigo70 sobre a investigação do empresário Marcos Juliano Ofenbocke e do jornalista Alexandre Costa Nascimento. O mito da cobra é mais antigo do que nas cidades do estado de São Paulo. Foi certamente por isso que nasceu a lenda da Serpente da Ilha, um monstruoso ofídio que se dizia rondar São Luís e arredores.

Dizível

É importante destacar que as versões do mito apresentadas acima ilustram o papel dos intelectuais Araraquara que, ao refletirem sobre a cidade de Araraquara em obras publicadas nas décadas de 60 e 70, se apropriaram da narrativa do mito da cobra. Tais versões sobre o mito, além de dados que permitem verificar a força do mito no imaginário de Araraquara, também são para este trabalho alvo de análise e interpretação. Por ser a apropriação da narrativa do mito realizada por esses autores outra versão que precisa ser analisada, ela é, portanto, objeto de análise nesta pesquisa.

Reforma da Matriz

Entre as lendas do imaginário popular de Araraquara está a da cobra gigante que dorme no subsolo da cidade com a cabeça sob as estruturas da Igreja Matriz de São Bento e o corpo deitado na Igreja de Nossa Senhora do Carmo. No início do século XXI, uma nova reforma da Igreja Matriz foi tema de vários artigos. 77 Segundo matéria do Jornal Sim!News (2013): Marcelo Aparecido de Souza é sacerdote da Igreja Matriz de Araraquara.

Vida social da serpente

Em 2013, a Revista Kappa publicou artigo80 sobre o mito da cobra em edição especial comemorativa aos 196 anos de Araraquara. A Matrix sempre foi central na vida de Araraquara e cada lenda decorre de uma realidade de interrogatórios, onde as situações são incertas (ANDRESSA, 2013, p.44). Segundo o jornalista, a cobra teria reaparecido no Parque Pinheirinho, parque público localizado na zona leste de Araraquara.

Análise estrutural do mito da serpente

Todo o esforço deste trabalho pode ser reduzido à expectativa de que a análise de um mito nascido de um fato histórico do final do século XIX possa fornecer um modelo para pensar o funcionamento das relações de poder na cidade de Araraquara. Portanto, o objetivo final é encontrar termos que resultem de todas as versões no seu nível mais abstrato, as versões de um mito traduzidas em termos de uma equação matemática. Na verdade, há pouca esperança de que a mitologia comparada possa se desenvolver sem fazer uso de simbolismo de inspiração matemática, aplicável a esses sistemas multidimensionais, complexos demais para nossos métodos empíricos tradicionais (LÉVI-STRAUSS, 2008, p.236).

Do mito para a fórmula

E é esse movimento que pode nos ajudar a pensar a cidade a partir da lógica do mito da serpente. A analogia dos dados permite compreender como a fórmula limita as variáveis ​​do mito a um conjunto de elementos abstratos e limitados, neste caso os quatro elementos da fórmula. O que Lévi-Strauss nos aponta com sua análise estruturalista do mito é que a fórmula canônica estabelece os elementos básicos que compõem a peça, mas não limita o seu desfecho.

Método de análise estruturalista em seis passos

  • Passo 1
  • Passo 2
  • Passo 3
  • Passo 4
  • Passo 5
  • Tríades
  • Passo 6

Já a direita diz: A função de poder sobre a cidade leva à estagnação da cidade (vítima da peste causada pelo abuso do poder local). A serpente nasce sempre no centro da cidade (local do centro histórico e dos habitantes antigos e tradicionais), sua cabeça está na Matriz, mas seu corpo percorre a cidade em direção à periferia (local de chegada dos estrangeiros ). O corpo da cobra ora é formado pelo rastro de sangue, ora pelo fluxo do rio, criando uma ligação: centro-cabeça e periferia-cauda). É agora possível realizar a análise aqui pretendida: partindo da abstração da fórmula do mundo das relações de poder na cidade de Araraquara e demonstrando com exemplos algumas das hipóteses aqui apresentadas.

Do laboratório para as ruas

Narrativas da modernidade como valor: substituição do poder do signo do abuso pelo

Bento de Abreu92, então presidente da Câmara Municipal de Araraquara, inaugura as narrativas da modernidade. Assim, parece ficar demonstrada a presença da lógica do mito no discurso político e nas relações de poder na cidade de Araraquara. Como apontava a fórmula canônica, a cidade de Araraquara opera através do mito as passagens: ALTO/BAIXO e ENTRADA/SAÍDA.

Imagem 5- Foto da Águia da Matriz de Araraquara (Arquivo pessoal)
Imagem 5- Foto da Águia da Matriz de Araraquara (Arquivo pessoal)

OBRAS CONSULTADAS

Introdução ao estudo do termo “Estrutura” In: Bastide, Roger (Org.) Usos e significados do termo “Estrutura”.

FONTE DE INFORMAÇÃO - ARQUIVOS PÚBLICOS

FONTE DE INFORMAÇÃO – IMPRENSA

Sim, a cobra matriz existe - a cobra matriz de São Bento ainda está viva no comportamento do povo de Araraquara. Vida pela igreja: o pároco da Matriz de São Bento, padre Marcelo, realiza o sonho de concluir a igreja que se tornou símbolo da cidade. Disponível em: http://www.portalnews.net.br/regiao/3489-lenda-pode-atrapalhar-reforma-da-matriz-sao-bento-em-araraquara.html.

FONTE DE INFORMAÇÃO - DOCUMENTOS VIRTUAIS

Cronologia sobre a história de Araraquara

De 1911 a 1916, Bento de Abreu Sampaio Vidal atuou como presidente da Câmara Municipal de Araraquara por dois mandatos consecutivos. 1923 - De 1923 a 1930, Bento de Abreu Sampaio Vidal exerceu a presidência da Câmara Municipal de Araraquara por três mandatos consecutivos. 1960 – O fazendeiro Benedito de Oliveira Jean-Paul Sartre assume a prefeitura e realiza conferência no antigo Theatro de Araraquara.

Breve quadro da conjuntura de forças políticas de Araraquara

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Foto  1  -  Vista  panorâmica  da  cidade  de  Araraquara  no  início  do  século  XX
Mapa 1 - Representação dos Sertões de Araraquara. Sua extensão está delimitada pela linha em negrito sobre o mapa  do Estado de São Paulo
Foto 2 - Segundo dados do arquivo foto do entorno da Igreja Matriz no ano de 1891. Sobre os números indicados na  foto:  01)  redação  do  jornal  "O  Popular"  em  26  de  março  de  1899;  2)  Tipografia  Gravina,  padaria  Palamone;  3)  Residên
Foto 3 – Segundo dados do arquivo, Araraquara na década de 90 do século XIX. Vista a partir da Avenida Brasil  (Avenida um na época)
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Referências

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Busquei investigar como as relações territoriais se constituem para as mulheres negras, compreendendo que a apropriação do espaço se dá de forma diferenciada de acordo