De forma conceitual, o chamado Complexo Industrial da Saúde está dividido em três grandes grupos de atividades: a indústria química e de base biotecnológica, a indústria mecânica, eletrônica e de materiais e os prestadores de serviços de saúde. A Tabela 2 apresenta as turmas vinculadas ao segundo segmento do CIS, que reúne as indústrias mecânica, eletrônica e de materiais.
3 Determinantes da competitividade das empresas
Isto facilita a troca contínua de informações entre as instituições de apoio existentes na região e fora dela e, acima de tudo, permite um melhor acompanhamento, individual ou em conjunto, de propostas de ajuda para o desenvolvimento de novos produtos, processos, etc. Por outro lado, também existem obstáculos que impedem a concorrência: a) falta de mão de obra qualificada. Segundo agentes da APL, a demanda do pólo marítimo de Rio Grande gerou escassez, em Pelotas, de trabalhadores com formação técnica suficiente para ocupar determinadas funções nas empresas do grupo.
A atividade desenvolvida pelas empresas APL CIS exige inovação constante, tanto no desenvolvimento de novos produtos, como na automatização e aquisição de novas máquinas e equipamentos. Isto obriga as empresas a procurarem fontes de financiamento, públicas ou privadas, para os seus projetos de desenvolvimento tecnológico. Relativamente distantes dos grandes centros produtores e consumidores, localizados na região Sudeste, os participantes do APL CIS acreditam que este facto provoca algumas dificuldades no transporte de insumos e produtos finais;
4 Análise da cadeia produtiva
Assim, para analisar a cadeia produtiva dos aglomerados, é útil levar em consideração principalmente o segmento da indústria mecânica, eletrônica e de materiais, que, como mencionado anteriormente, também é conhecida pela sigla EMHO. Para tanto, utiliza-se um modelo teórico da cadeia produtiva de equipamentos de saúde, desenvolvido para o Brasil por Marques, Antunes e Alves (2013). Com base neste modelo de cadeia produtiva desenvolvido para a indústria brasileira de EMHO, o foco da análise foi o caso do APL CIS.
Na perspectiva dos participantes das oficinas (conforme relatado em Zawislak (2013)), avaliou-se que a cadeia produtiva de equipamentos de saúde em Pelotas apresenta uma fragilidade, uma falta de integração, ou seja, faltariam alguns elos no território. . Embora nem todos esses processos produtivos estejam localizados em Pelotas, pode-se considerar que alguns deles expressam partes da cadeia produtiva de equipamentos para saúde presentes na região, tais como: controle de qualidade, desenvolvimento de produtos, produção e comercialização, montagem e montagem eletrônica ... mecânica. A cadeia produtiva de equipamentos de saúde na região de Pelotas caracteriza-se por ser uma cadeia incompleta (como “montagem de produtos”), não contando atualmente com fornecedores locais de insumos e matérias-primas essenciais à sua atividade.
5 Relações da aglomeração com as esferas nacional e global
A importação de insumos gira em torno de 70%, sendo a maioria componentes eletrônicos, já que não há fornecedores no Brasil. O destino das vendas do cluster também faz parte da análise da cadeia produtiva, pois fornece os elementos necessários para entender o que acontece a jusante da atividade principal. Workshops realizados no local (ZAWISLAK, 2013) mostraram que o destino das vendas é o mercado nacional, tanto para consumidores finais – hospitais, clínicas e centros médicos especializados.
Em valor de vendas, o maior cliente foi o Sistema Único de Saúde (SUS), confirmando que as compras públicas são importantes para o APL em geral, para diversos produtos, inclusive cadeiras de rodas. As áreas de metalmecânica e componentes eletrônicos são as mais requisitadas pelos agentes locais para fazerem parte do grupo, o que reduzirá custos e contribuirá para a compactação da cadeia. No âmbito internacional, as relações ainda são muito frágeis, limitando-se à aquisição de equipamentos e materiais, incluindo componentes eletrónicos.
6 Canais de financiamento e acesso a recursos
7 Mão de obra
Níveis de escolaridade dos funcionários do cluster de equipamentos médico-hospitalares e odontológicos (EMHO) do Conselho de Desenvolvimento Regional Sul (Corede) segundo as turmas selecionadas do CNAE — 2013. Pode-se considerar, portanto, que, no cluster EMHO do Corede Sul , a maioria dos colaboradores conclui o ensino secundário (57%). Nota-se também que não há funcionários com pós-graduação e que a presença de analfabetos entre os funcionários do cluster é insignificante.
Remuneração Média Mensal dos Empregados do Agrupamento de Equipamentos Médicos, Hospitalares e Odontológicos (EMHO) do Conselho de Desenvolvimento Regional Sul por Classes Selecionadas CNAE - 2013. Esse fato certamente indica uma maior qualificação da mão de obra, o que é confirmado pelo exame da Tabela 5, que trata do nível de educação dos funcionários do cluster EMHO. Nota-se que a escolaridade de 100% dos colaboradores desta classe de atividade se situa entre o ensino secundário completo e o ensino superior completo, o que justifica a sua remuneração mais elevada.
8 Estrutura institucional e condições de infraestrutura
Nota-se que embora não apresente um nível tecnológico homogêneo, o APL CIS abriga atividades intensivas em tecnologia, em contraste com a história industrial da região, onde predominavam as indústrias tradicionais (têxtil, alimentícia). Os participantes foram então questionados sobre o termo que melhor define as relações institucionais do cluster. Em qualquer caso, há consenso de que as relações institucionais no APL CIS deverão ser intensificadas no futuro.
Por outro lado, pela natureza da sua produção, a APL CIS tem grande parte dos seus produtos sujeitos a disposições legais e condições regulamentares. Em relação às condições de infraestrutura, houve consenso entre os participantes do workshop sobre problemas de energia e de conexão à internet, bem como a falta de laboratórios de testes. Nessas oficinas, também foi discutida em conjunto com instituições de ensino superior da região a possibilidade de criação de um curso de pós-graduação (mestrado profissional) voltado aos interesses do APL CIS.
9 Sustentabilidade ambiental
As respostas indicam percepções muito diferentes, com alguns citando palavras com significado positivo, como “parceria”. O facto de o cluster estar em fase de formação parece reflectir-se nas diferentes respostas relativamente às relações institucionais, o que indica ainda uma heterogeneidade na caracterização dessas relações (ZAWISLAK, 2013, p. outras palavras, como resultado da etapa da formação do grupo, seus integrantes fazem avaliações diferenciadas sobre a interatividade entre potenciais parceiros.
Além disso, em relação a esta articulação com as autoridades públicas, os participantes das oficinas defenderam a redução de impostos, legislação a favor das tecnologias assistivas14 e reclamaram da falta de igualdade fiscal entre produtos nacionais e importados. Além disso, foi mencionada a necessidade de o cluster ter um despachante aduaneiro face aos problemas relacionados com as matérias-primas importadas e às dificuldades de acesso à região, longe dos grandes centros de produção e consumo. Sustentabilidade ambiental das maiores empresas do arranjo produtivo local segundo proposta da Fundação Delfim Mendes da Silveira.
10 Governança
Cabe destacar que os temas desenvolvidos para os grupos de trabalho revelam preocupações, atuais e futuras, no campo da saúde. Os grupos de trabalho temáticos são apresentados abaixo, alguns dos quais formularam os seus objectivos16, enquanto outros ainda não o fizeram17. 17 Considerando a fase inicial de organização da gestão dos clusters, alguns grupos temáticos ainda não estão totalmente constituídos e em funcionamento.
Os campos de trabalho incluem trabalho clínico, vários campos da engenharia, como ciência da computação, eletrônica e mecânica, e design de produtos. Isso mostra que a estruturação da gestão do cluster é baseada na participação ativa dos agentes, o que é incentivado pelas reuniões mensais do conselho de administração com coordenação executiva. Tanto as empresas como as instituições parecem estar ligadas para fortalecer e dinamizar as relações internas do cluster.
11 Cooperação
Para a FDMS (2013, p. 38), este projeto representa “[..] uma excelente oportunidade para a atração e surgimento de novas empresas de base tecnológica para o setor da saúde”. Novos fornecedores regionais, especialmente por meio da iniciativa de incentivo a novas empresas nos programas de incubadoras de empresas universitárias que compõem este projeto e também do surgimento de empresas TECNOSUL, são uma condição ímpar para a melhoria do ambiente competitivo deste arranjo produtivo ( FDMS, 2013, p. 39). Por outro lado, representantes de todas as empresas e dos três centros de ensino superior de Pelotas (UFPel, UCPel e IFSul) estão constantemente presentes nas reuniões da APLCIS.
Além deles, embora não com a mesma frequência, também participam outros agentes locais, como representantes da Prefeitura de Pelotas e do Sebrae. Assim, fica claro que existe um sério interesse de todas essas instituições em cooperar para o desenvolvimento do aglomerado produtivo. Portanto, a perspectiva é promissora de que, com o tempo, a coordenação entre empresas privadas, TICs e outros agentes locais aumentará, de modo que resultarão projetos conjuntos em benefício da APL CIS.
12 Inovação e aprendizado
Ainda no referido trabalho do FDMS, nota-se que as quatro principais empresas do acordo – Amplivox, Contronic, Freedom e Lifemed – em alguns casos utilizam as TIC para formar os seus colaboradores. Em termos de nível tecnológico, as empresas consideram-se praticamente iguais aos concorrentes nacionais e internacionais, em termos de processos produtivos e forma organizacional. As entidades de ensino e de investigação têm, pelo menos, um duplo papel nos processos de inovação: gerar conhecimento científico e disponibilizar mão-de-obra qualificada.
Já existem programas de incubadoras de empresas na Universidade Católica de Pelotas e um projeto nesse sentido está sendo cogitado na UFPel. Vale ressaltar que o futuro Tecnosul, mencionado acima, representa uma perspectiva importante para o grupo, pois pode atrair empresas de base tecnológica para a região, estimular processos de aprendizagem e melhorar o ambiente competitivo do setor. De modo geral, as principais formas de inovação identificadas pelos participantes do workshop são parcerias universidade-empresa – consideradas essenciais para o grupo –, parcerias com fornecedores e pesquisas realizadas dentro da empresa.
Considerações finais
É necessário voltar a chamar a atenção para o papel crucial desempenhado pelas instituições de ensino e investigação que constituem a base do APL CIS. Evocando as quatro características de um arranjo anteriormente enumeradas, percebe-se pelo que foi explicado acima que a primeira (especialização) e a terceira (ação coletiva) estão claramente presentes no APL CIS. A quarta característica de um arranjo produtivo, ou seja, a coexistência de competição e cooperação entre empresas do segmento, não está completamente ausente no APL CIS.
Como resultado dessa avaliação, postula-se que o chamado APL CIS pode ser considerado um arranjo produtivo local em estado de formação, com boas chances de evoluir para uma fase de “solidificação” ou maturidade. Isto reflecte-se, em certa medida, no aumento do número de empresas participantes ou interessadas em participar no APL CIS. Em resumo, o APL CIS é um arranjo produtivo em formação, inaugurando o segmento de equipamentos de saúde em uma região antes voltada à produção de alimentos (enlatados e arroz) e, ainda antes, à indústria têxtil.
Não seria exagero imaginar que uma nova identidade regional do tipo “cultura da saúde” pudesse emergir da combinação de todas essas potencialidades em Pelotas. Disponível em:
Complexo Industrial APL Saúde: Proposta submetida à Agência Gaúcha de Desenvolvimento e Promoção de Investimentos - AGDI - conforme edital 05/2102.