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ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS E DESENVOLVIMENTO

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Academic year: 2023

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A interligação entre as estratégias de desenvolvimento e as estratégias de mitigação e adaptação às alterações climáticas permite gerar benefícios mútuos. 1995 Global A primeira Conferência das Partes (COP1)/Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas acontece em Berlim.

FACTOS & DADOS SOBRE ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS

Uma realidade global incontestável

As Figuras 2 e 3 mostram o forte crescimento da concentração de CO2 na atmosfera, especialmente a partir de meados da segunda metade do século XX, bem como o aumento acentuado de vários gases com efeito de estufa nos últimos 40 anos. Os países com as maiores emissões de CO2 são claramente a China e os Estados Unidos, tendo os primeiros países claramente um peso nas emissões globais de CO2 (pouco mais de 28%) que é desproporcional à percentagem do PIB global que eles (17%), enquanto os países com as maiores emissões de CO2 Em segundo lugar, a percentagem de emissões globais de CO2 (16%) é muito superior ao peso da dimensão da população (4,4%).

FIG .2   CONCENTRAÇÃO DE CO2 NA ATMOSFERA, DESDE A ERA PRÉ-INDUSTRIAL ATÉ 2015
FIG .2 CONCENTRAÇÃO DE CO2 NA ATMOSFERA, DESDE A ERA PRÉ-INDUSTRIAL ATÉ 2015

Os impactos diretos das alterações climáticas

As alterações climáticas estão a aquecer os oceanos, a causar a acidificação do ambiente marinho e a alterar os padrões de precipitação, o que por sua vez está a causar alterações nos ecossistemas marinhos, alterações nas rotas de migração e desequilíbrios nas cadeias alimentares, com graves consequências para muitas espécies. Expressaram preocupação com os danos actuais, iminentes ou potenciais ao planeta, incluindo a destruição da camada de ozono, a disponibilidade de água potável, a destruição da vida marinha, as chamadas zonas mortas nos oceanos, a perda de florestas e de biodiversidade. , as alterações climáticas e o crescimento constante da população humana.

FIG .7  IMPACTOS ALARGADOS E MULTIDIMENSIONAIS   DAS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS 1992-2017
FIG .7 IMPACTOS ALARGADOS E MULTIDIMENSIONAIS DAS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS 1992-2017

A importância da transição energética

Em termos de matriz energética, embora o petróleo ainda seja a fonte de energia mais utilizada no mundo, o seu peso diminuirá. A energia renovável já é a principal fonte de produção de eletricidade na UE, com a quantidade de eletricidade proveniente da energia eólica a duplicar e a proveniente da energia solar a aumentar 4,5 vezes entre 2010 e 2015 (CE, 2017c).

FIG .11  IMPORTÂNCIA DO CARVÃO NAS ECONOMIAS EUROPEIAS
FIG .11 IMPORTÂNCIA DO CARVÃO NAS ECONOMIAS EUROPEIAS

ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS E DESENVOLVIMENTO

Duas faces da mesma moeda

Políticas Globais

  • Abordagens globais para as Alterações Climáticas e Desenvolvimento
  • O financiamento climático
  • A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável
  • As incoerências globais

Políticas da União Europeia

  • Enquadramento e metas
  • A ligação com a ajuda europeia ao desenvolvimento
  • O nível de ambição corresponde à implementação?

Políticas de Portugal

  • As políticas de combate às alterações climáticas
  • A ligação com a política de cooperação para o desenvolvimento

Aviso dos cientistas mundiais à Humanidade: um segundo apelo

Tudo isto sublinha o facto de que as alterações climáticas aumentam a desigualdade e muitas vezes ajudam a reforçá-la. Os custos das alterações climáticas excedem em muito os custos necessários para implementar respostas adequadas e eficazes.

FIG .9  RESULTADOS DO EUROBARÓMETRO ESPECIAL   SOBRE ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS, 2017
FIG .9 RESULTADOS DO EUROBARÓMETRO ESPECIAL SOBRE ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS, 2017

Compromissos principais do Acordo de Paris

No contexto do Acordo, os países apresentam os seus planos climáticos onde definem as suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (INDC)34. Os países industrializados deveriam “estar na vanguarda da redução das emissões em valores absolutos” e os países em desenvolvimento deveriam “continuar a aumentar os esforços à luz da sua situação nacional”. Por outro lado, é necessário apoiar os países na resposta aos impactos das alterações climáticas, razão pela qual a adaptação é reconhecida como um dos pilares essenciais do Acordo, com especial ênfase nos países em desenvolvimento mais vulneráveis, nos países mais pobres . e com necessidades “especiais” (como os Pequenos Estados Insulares).

Para tal, os países desenvolvidos comprometeram-se a disponibilizar anualmente 100 mil milhões de dólares para apoio climático (uma meta a ser alcançada até 2020, mantida anualmente até 2025, altura em que será definido um novo objectivo colectivo)35. Na COP24, em 2018, os países devem avaliar o progresso na implementação dos seus planos climáticos nacionais – as contribuições determinadas a nível nacional (NDC). Nesta iniciativa, os países participantes com maior utilização de carvão são os Países Baixos e o Reino Unido, que decidiram internamente eliminar gradualmente o carvão da produção de energia até 2030 e até 2025, respetivamente.

Redes e Parcerias Globais

Ambas as agendas mostram que a acção climática é uma oportunidade para o desenvolvimento e que o fracasso no combate às alterações climáticas representa uma ameaça ao desenvolvimento. Nos objetivos e indicadores dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável - ODS, além da existência de um ODS específico sobre ação climática (ODS 13), esta questão é abordada de forma multidimensional e interligada: vários objetivos possuem metas vinculadas ao fortalecimento de resiliência e/ou reduzir o impacto das alterações climáticas. O agravamento das alterações climáticas e da degradação ambiental pode dificultar a concretização dos objetivos do ODS 2 (por ter impactos muito negativos na segurança alimentar) e do ODS 6 (por afetar a disponibilidade de água potável).

As alterações climáticas podem minar a prossecução da igualdade de género (ODS 5) nos países mais pobres, uma vez que as raparigas e as mulheres suportam desproporcionalmente o fardo de fornecer água e alimentos às suas famílias e comunidades. Os planos de adaptação às alterações climáticas devem ter em conta a dimensão de género em todos os aspectos das suas acções. As alterações climáticas podem exacerbar tensões e conflitos sobre recursos escassos, o que tem efeitos negativos na implementação do ODS 16, relativo à paz e à justiça.

FIG .21  A ARQUITETURA GLOBAL DO FINANCIAMENTO CLIMÁTICO
FIG .21 A ARQUITETURA GLOBAL DO FINANCIAMENTO CLIMÁTICO

O que dizem os ODS?

Vale ainda destacar a grande dificuldade em chegar a acordo sobre algumas questões muito relevantes para o combate às alterações climáticas. O combate às alterações climáticas exige um esforço coordenado que inclua também medidas de mitigação e adaptação. As alterações climáticas continuarão a ter impactos negativos no desenvolvimento dos países, o que afectará em particular os países mais pobres.

A consciência das graves consequências das alterações climáticas nos países em desenvolvimento motiva a adopção de caminhos de crescimento futuro mais sustentáveis ​​e menos poluentes nestes países. O combate às alterações climáticas e o crescimento verde contribuem para a criação de novos empregos e para a transferência de tecnologia. Em suma, a CIDSE acredita que a CQNUAC continua a ser o espaço mais importante para responder às alterações climáticas como uma questão global e que o Acordo de Paris fornece um quadro para os países desenvolverem e aderirem.

FIG .23   IMPACTO DOS COMPROMISSOS NACIONAIS (NDC) NAS EMISSÕES DE GEE, ATÉ 2100.
FIG .23 IMPACTO DOS COMPROMISSOS NACIONAIS (NDC) NAS EMISSÕES DE GEE, ATÉ 2100.

Consenso Europeu para o Desenvolvimento (2017)

Note-se também que o apoio a África e aos países vizinhos da UE nesta transição energética fará parte do contexto favorável de uma União Energética da UE. Globalmente, as políticas climáticas e de desenvolvimento da UE tornaram-se cada vez mais integradas. Uma iniciativa importante foi o apoio “Fast-Start” aos países em desenvolvimento, aprovado pelo Conselho da UE em Dezembro de 200955, que forneceu um pacote de 7,2 mil milhões de euros para o período 2010-2012.

Um dos objetivos da UE é utilizar a ajuda ao desenvolvimento como catalisador para outros fundos, por ex. Alguns países da UE – como o Reino Unido, a Alemanha, a Suécia e a Dinamarca – correm o risco de perder o seu papel de líderes no desenvolvimento das energias renováveis. A transição global para uma economia hipocarbónica está a avançar, mas alguns países europeus estão mesmo a retroceder, realçando as diferenças significativas entre os Estados-Membros da UE em termos de ambições e políticas.

FIG .28  CONTRIBUTO FINANCEIRO DA UE PARA MITIGAÇÃO E ADAPTAÇÃO
FIG .28 CONTRIBUTO FINANCEIRO DA UE PARA MITIGAÇÃO E ADAPTAÇÃO

Objetivos do Quadro Estratégico para a Política Climática (QEPiC), 2015

Especificamente para as alterações climáticas, e reconhecendo uma vulnerabilidade que exige uma resposta no domínio da adaptação, gestão e prevenção de riscos, foi aprovada em 2010 a primeira Estratégia Nacional de Adaptação às Alterações Climáticas - ENAAC65. , 8 dos quais são de natureza nacional e um numa “participação empenhada em negociações internacionais e questões de cooperação” (Caixa 6), contribuindo, entre outros, para apoiar os países em desenvolvimento nas áreas de mitigação e adaptação às alterações climáticas. O QEPiC inclui os principais instrumentos de política nacional para mitigação e adaptação, incluindo o Programa Nacional para as Alterações Climáticas (PNAC) e a segunda Estratégia Nacional de Adaptação às Alterações Climáticas (ENAAC 2020), bem como a implementação de Licenças Europeias de Comércio de Emissões no que diz respeito à mitigação. e a criação da Comissão Interministerial para as Alterações Aéreas e Climáticas.

O aumento das emissões de gases com efeito de estufa dos sectores não-CELE (Comércio Europeu de Emissões) para 1% em relação a 2005; . iii). Isto exigirá transformações significativas em diferentes setores da economia e um aumento no nível de ambição das metas intercalares. É por isso que está a ser elaborado um Roteiro para a Neutralidade Carbónica 205069, que define um rumo para a redução das emissões de gases com efeito de estufa. No contexto da adaptação às alterações climáticas são necessárias medidas concretas que impliquem a integração efectiva desta dimensão nas diferentes políticas sectoriais71.

FIG .31  MODELO DE ORGANIZAÇÃO DA ESTRATÉGIA NACIONAL DE ADAPTAÇÃO ÀS  ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS (ENAAC 2020)
FIG .31 MODELO DE ORGANIZAÇÃO DA ESTRATÉGIA NACIONAL DE ADAPTAÇÃO ÀS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS (ENAAC 2020)

A dimensão local: O Projeto ClimAdaPT.Local

Pode dar exemplos de projetos/ações concretas, no contexto nacional ou europeu, que contribuíram (ou estão a contribuir) para o combate às alterações climáticas com benefícios em termos de desenvolvimento de países e comunidades. Esta estratégia aumentará a segurança do abastecimento da população, em alguns casos ajudará a aumentar a resiliência aos impactos das alterações climáticas (por exemplo, melhorando a gestão da água) e permitirá a criação de empregos locais ligados a projetos de energias renováveis ​​nas ilhas. Portugal já tem um historial impressionante em matéria de alterações climáticas, especialmente no domínio das energias renováveis.

A Estratégia Nacional de Adaptação às Alterações Climáticas (ENAAC) de 2010 identificou como uma das suas prioridades “trabalhar em conjunto a nível internacional, no apoio aos países mais vulneráveis ​​(nomeadamente no âmbito da CPLP), com vista à coerência política”. Portanto, a sua operacionalização – no Programa Nacional para as Alterações Climáticas – também não define medidas no âmbito da cooperação para o desenvolvimento, centrando-se nas metas nacionais de redução de emissões e nas políticas e medidas internas a desenvolver no futuro em conjunto com os sectores de políticas relevantes como transportes, energia, agricultura e silvicultura. Em termos de coerência política, o relatório destaca também que as políticas públicas de combate às alterações climáticas são parte integrante de uma série de políticas sectoriais em Portugal, incluindo a nível agrícola, industrial, de mobilidade, de energia e de protecção civil.

As Alterações Climáticas na Estratégia da Cooperação Portuguesa

O programa português de apoio Fast-Start continuou até 2014, depois de terem sido implementados cerca de 28 milhões de euros em parcerias estabelecidas entre a Agência Portuguesa do Ambiente, Camões I.P. O atual Fundo Ambiental prevê, para 2017, uma receita total de quase 154 milhões de euros, com a área temática de apoio à “Cooperação para as Alterações Climáticas”, destinada a “Projetos nos países de língua portuguesa – cumprimento das obrigações internacionais – Acordo de Paris “, que prevê um apoio de 2,5 milhões de euros “através de protocolos a fechar”. Existem vários projetos portugueses de Organizações Não Governamentais para o Desenvolvimento (ONGD) que são implementados com apoio público e contribuem para os objetivos de combate às alterações climáticas.

A Caixa 9 lista os principais projetos em curso apoiados pelo Camões I.P. no âmbito da linha de cofinanciamento de ONGD na cooperação para o desenvolvimento, do apoio conjunto com a APA e da linha de cofinanciamento de ONGD na educação para o desenvolvimento. 76 A FPC foi instituída pelo Decreto-Lei n.º. 71/2006, de 24 de março, e desde 2011 inclui também projetos de cooperação para o desenvolvimento no conjunto de projetos a apoiar. No seio da sociedade civil, as organizações não governamentais (ONG) ambientais desempenham um papel fundamental na promoção, proteção, sensibilização e valorização do ambiente e no desenvolvimento de atividades de interesse público, especialmente a nível interno (local/nacional).

Projetos das ONGD portuguesas sobre a interligação

A experiência da TESE – Associação para o Desenvolvimento

Uma melhor gestão, baseada em decisões informadas e envolvendo as partes interessadas (actores estatais e não estatais e comunidades) proporciona maior resiliência à variabilidade climática e aumenta a capacidade de adaptação às futuras alterações climáticas. Convenção sobre Avaliação de Impacto Ambiental num Contexto Transfronteiriço Assinada: 1991, Espoo Entrada em vigor: 1997 Link: http://www.unece.org/env/eia/eia. Acordos internacionais Datas Objectivos Informações adicionais Convenção sobre os Efeitos Transfronteiriços de Acidentes Industriais (ETAI) Assinatura: 1992, Helsínquia Entrada em vigor: 2000 Link: http://www.unece.org/env/teia.html.

Convenção sobre Diversidade Biológica Assinada: 1992, Rio de Janeiro Entrada em vigor: 1993 Link: http://www.cbd.int/intro/default.shtml. A COP – Conferência das Partes é o órgão supremo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC). Este relatório analisa opções de financiamento inovadoras que estão a ser utilizadas por várias cidades europeias para implementar medidas de adaptação urbana às alterações climáticas.

Fornece orientações sobre como o combate às alterações climáticas pode contribuir para responder à degradação ambiental, à pobreza e à desigualdade. OCDE (2011), Integração da Adaptação às Alterações Climáticas na Cooperação para o Desenvolvimento: Orientações para o Desenvolvimento de Políticas.

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FIG . 1   OS DESAFIOS DA SUSTENTABILIDADE
FIG .3   MÉDIAS GLOBAIS DOS PRINCIPAIS GASES COM EFEITO DE ESTUFA (GEE), 1975-2015
FIG .2   CONCENTRAÇÃO DE CO2 NA ATMOSFERA, DESDE A ERA PRÉ-INDUSTRIAL ATÉ 2015
FIG .4  DADOS SELECIONADOS SOBRE OS 10 MAIORES EMISSORES  DE CO2
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Referências

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