COMPROMISSOS PRINCIPAIS DO ACORDO DE PARIS
Mitigação
– Objetivo de longo prazo: manter o aumento médio da temperatura abaixo dos 2ºC, em comparação com os níveis pré-industriais, prosseguindo esforços para limitar prefe- rencialmente esse aumento abaixo dos 1,5ºC, uma vez que tal reduziria grandemente os riscos e impactos das alterações climáticas;
– Necessidade de as emissões globais atingirem um pico máximo o mais depressa possí- vel;
– Realizar reduções rápidas das emissões, em consonância com a melhor ciência dispo- nível, de forma a chegar a um equilíbrio entre as emissões emitidas e as absorvidas;
– Submeter planos nacionais sobre o clima que definam as suas Contribuições Nacionais Determinadas.
Adaptação
– Realizar o objetivo de “melhorar a capacidade de adaptação, reforçar a resiliência e reduzir a vulnerabilidade às alterações climáticas”;
– Reforçar a capacidade das sociedades responderem aos impactos das alterações cli- máticas;
– Envolvimento em processos de planeamento nacionais para a adaptação climática;
– Disponibilizar um apoio internacional maior e continuado à adaptação nos países em desenvolvimento.
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ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS E DESENVOLVIMENTO
A entrada em vigor do Acordo menos de um ano após a sua aprovação é um sinal positivo sobre o sentido de urgência da ação climática. Em 2017, o acordo passou o seu primeiro teste de stress quando a atual administração norte-americana anunciou a sua intenção de renunciar ao acordo e de prejudicar os valores fundamentais acordados, tendo os países e partes interessadas respondido de forma global e unânime de que o mesmo não é negociável36. Apesar de a ausência dos Estados Unidos não ser prepon- derante para a aplicação do acordo, é preocupante tanto em termos políticos, pelo facto de ser um dos maiores responsáveis pelas alterações climáticas, como em ter- mos financeiros, já que se verifica uma retirada dos apoios americanos a uma série de instituições, fundos e iniciativas importantes (por exemplo à NASA, na parte de monitorização das alterações climáticas).
As COP22 e 23, realizadas em 2016 e 2017, têm avançado na estruturação dos vários aspetos e regras de implementação do Acordo de Paris no período pós-2020. Na COP24, em 2018, os países deverão avaliar os progressos de implementação dos seus planos cli- máticos nacionais – as contribuições determinadas a nível nacional (NDC). O acordo inclui também um mecanismo de revisão obrigatória dos compromissos voluntários dos países, a cada 5 anos, em que deverá existir uma evolução positiva desses compromissos.
Como habitual, a COP23, realizada em Bona em novembro de 2017, foi também pal- co para a aprovação e lançamento de várias iniciativas relevantes de ação climática, destacando-se37:
– A adoção de um Plano de Ação de Género, que pretende apoiar o papel fun- damental das mulheres na ação climática, reconhecendo que estas são espe- cialmente vulneráveis às alterações climáticas e não devem ser excluídas da tomada de decisões.
– A operacionalização da Plataforma das Comunidades Locais e Povos Indíge- nas, enquanto sinal positivo para uma maior integração dos direitos dos povos indígenas na ação climática.
– O lançamento de uma nova Aliança Global contra o Carvão, composta inicial- mente por 25 partes, com o objetivo de acabar com as centrais alimentadas a carvão e restringir o investimento nesta fonte de energia não renovável38. Nesta iniciativa, os países participantes com maior utilização do carvão são a Holanda e o Reino Unido, que decidiram internamente eliminar o carvão da geração de energia, até 2030 e até 2025, respetivamente. Da iniciativa não fazem parte os maiores utilizadores de carvão, como é o caso da Alemanha no contexto europeu.
– Várias iniciativas voluntárias sobre o setor dos transportes, nomeadamente:
a Aliança para Descarbonização dos Transportes, lançada por Portugal, Fran- ça, Holanda, Costa Rica e a plataforma Processo de Paris sobre Mobilidade e Clima; a “below50”, sobre expansão do mercado global para combustíveis mais sustentáveis; a Aliança EcoMobility, sobre cidades comprometidas com o
36 A contestação à decisão dos Estados Unidos tem sido forte mesmo em termos internos. Vários Estados e cidades norte-americanas anunciaram que continuarão a trabalhar para cumprir os objetivos climáticos e implementar eco- nomias hipocarbónicas. Na COP23, realizada em 2017 em Bona, cinco senadores norte-americanos formaram uma
“delegação alternativa”, para darem um sinal de apoio ao acordo e aos países em desenvolvimento nesta matéria.
37 As iniciativas referidas não incluem os vários anúncios de financiamentos realizados na COP 23.
38 Pode ver a declaração inicial da Powering Past Coal Alliance em www.gov.uk/government/uploads/system/uploads/
attachment_data/file/660041/powering-past-coal-alliance.pdf
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COLEÇÃO
transporte sustentável; a EV100, sobre aceleração da transição para mobilida- de elétrica; a Walk 21, que valoriza cidades onde seja mais fácil andar; e a ini- ciativa Transformando a Mobilidade Urbana, que busca acelerar a implemen- tação de transporte urbano sustentável e mitigação da mudança climática.
– A iniciativa “America’s Pledge” que junta líderes do setor público e privado para garantir que os Estados Unidos são um líder na redução de emissões e que cumprem os objetivos climáticos do Acordo de Paris.
– O Compromisso de Ação Bona-Fiji, assinado por mais de 300 localidades e regiões para aplicação do Acordo de Paris e apoio a iniciativas centradas no continente africano, nos países insulares, em cidades pós-industriais e em standards de reporte climático39.
– O lançamento da “Ocean Pathway Partnership”, que pretende, até 2020 , reforçar a ação e financiamento para uma maior ligação entre a ação climática e oceanos saudáveis.
– A criação da Nova Iniciativa de Saúde nos Pequenos Estados Insulares em De- senvolvimento, em parceria com a Organização Mundial de Saúde, para prote- ger as pessoas destes países dos impactos das alterações climáticas na saúde e tendo por objetivo triplicar o financiamento internacional nesta área até 2030.
No âmbito das políticas globais, é ainda necessário referir que o G20, reunindo as 20 maiores economias do mundo, aprovou pela primeira vez em julho de 2017 um Plano de Ação para o Clima e Energia. Este inclui ações concretas a serem implementadas pelos países internamente e conjuntamente no domínio climático, com vista a pro- teger a saúde das pessoas, salvaguardar os ecossistemas, promover a prosperidade económica e a estabilidade global.
39 Consulte o compromisso em http://www.cities-and-regions.org/cop23/wp-content/uploads/2017/11/bonn-fiji- -commitment-of-local-and-regional-leaders.pdf
Ativistas na COP 22, Marraquexe, 2016.
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ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS E DESENVOLVIMENTO