ISSO NÃO É COISA DE MULHER”: MULHERES COMUNS DA TERRA PATRIARCAL EM JOSÉ SARAMAGO..40 Ana Maria Soares Zukoski & Wilma dos Santos Coqueiro CAPÍTULO III. NÃO SOU MULHER PARA CANTAR, ISSO É COISA PARA OS FRACOS, PARA OS FRACOS”: LENDO AS PERSONAGENS FEMININAS EM CAIM (2009), DE JOSÉ SARAMAGO..163 Ana Maria Soares Zukoski CAPÍTULO XI.
O FEMININO EM FILIGRANAS NA POESIA DE JOSÉ SARAMAGO
Outra relação intertextual que pode ser considerada de forma mais estrita refere-se ao poema “Séptimo (I)/D. Outra nuance estética e temática que pode ser levada em conta nos textos de Saramago diz respeito ao gótico3, que figura com destaque nos poemas “Receita” . é.
ISTO NÃO É COISA PARA MULHERES”: O LEVANTAR FEMININO DO CHÃO PATRIARCAL EM JOSÉ SARAMAGO
Maria Ana e Blimunda: representações femininas contrapostas
Maria Ana é tratada exclusivamente como objeto de perpetuação da família, afinal é uma “maternidade devotada que veio ao mundo justamente para isso, no total dará à luz seis filhos, mas nas orações eles contam por milhões” (SARAMAGO, 2013, p. 120). Maria Ana “quem tenta implorar o céu para um filho não é o rei, mas a rainha” (SARAMAGO, 2013, p. 9), elucidando que a religião é uma especialidade feminina; Esta premissa no romance atinge até uma certa ironia, uma vez que D. Maria Ana se apresenta exclusivamente como um “vaso para receber” (SARAMAGO, 2013, p. 9), Blimunda partilha os prazeres do corpo que secularmente são atribuídos ao homem.
SARAMAGO, 2013, pág. 58) – enfatiza a comunhão e cumplicidade que os unirá a partir deste momento, mesmo que vivam em concubinato e não como exige a Igreja Católica. A irmã de Maria Ana e Baltasar – representações típicas da mulher ideal do século XVIII. Ao longo dos séculos, Maria Ana continuará sendo esta mulher que se coloca de lado em relação ao marido e cumpre o único e exclusivo papel de veículo reprodutivo. Blimunda Sete-Luas mostra que é uma personagem à frente de seu tempo, mesmo não conseguindo enxergar além do que é apresentado.
SOBRE A NUDEZ FORTE DA FANTASIA O MANTO DIÁFANO DA VERDADE”: AS REPRESENTAÇÕES DO FEMININO NO ROMANCE O ANO
Como já foi referido, Ricardo Reis – heterónimo de Fernando Pessoa – sofre uma mudança drástica pelas mãos de José Saramago. Neste sentido, é útil abordar a forma como Marcenda está presente nas Odes de Ricardo Reis. Como já mencionado, O Ano da Morte de Ricardo Reis é um romance que mistura ficção e realidade.
Em nossa opinião, dada a personagem própria, independente e distanciada de Lídia, e o carácter multifacetado do romance, não se pode negar a presença da pluralidade analítica no ano da morte de Ricardo Reis. A certeza que temos é que Lídia é uma personagem fundamental na transformação que Ricardo Reis sofre. Determinar um recorte temporal para estudar o ano da morte de Ricardo Reis é uma escolha dolorosa e até cruel.
A VIAGEM DENTRO DA VIAGEM: PERSONAGENS FEMININAS EM DESLOCAMENTO NO ROMANCE A JANGADA DE PEDRA
Ao longo da narrativa, há uma crítica à falta de governo dado o peso da situação: “os governos são capazes e eficazes apenas nos momentos em que não há razões fortes para exigir tudo da sua eficácia e capacidade” (SARAMAGO, 1986, n.p. ). Caminhe em sua direção e esse movimento, iniciado na mesma direção, se unirá à força que empurra, sem recurso e resistência, a figura da jangada” (SARAMAGO, 1986, n.p.). A partir daqui, a viagem é dirigida por ela: “Joana Carda ainda não indicou o nome do país ou mesmo de uma cidade próxima, limitou-se a dar a orientação geral, Vamos para norte, pela auto-estrada, depois . Eu mostrarei o caminho” (SARAMAGO, 1986, n.p.).
Isso pode ser observado na fala de Joaquim Sassa28, quando aponta que ela é uma menina, quando a protagonista se reposiciona para a fala: “Joana Carda sorriu, não sou mais menina, nem a virago que pareço para ela ser” (SARAMAGO, 1986, n.p). Maria Guavaira entrou no passeio, [..] dessas cinco pessoas, só Maria Guavaira sabe controlar uma multidão e um cavalo” (SARAMAGO, 1986, n.p). Mas a paternidade não é tão importante quanto o fato de “todas ou quase todas as mulheres férteis terem se declarado grávidas” (SARAMAGO, 1986, n.p).
O GRANDE OUTRO E O CERCO DA SEDUÇÃO DE MARIA SARA: UMA LEITURA MATERIALISTA LACANIANA DA HISTÓRIA DO CERCO DE LISBOA
O GRANDE OUTRO E O CERCO À TENTAÇÃO DE MARIA SARA: UMA LEITURA MATERIALISTA LACANIANA DA HISTÓRIA DO SELAMENTO DE LISBOA. Dentro dessa perspectiva teórica, apresentamos a personagem Maria Sara como instrumento da vontade desse grande Outro, pois a partir do comportamento, das ações e dos discursos dessa personagem feminina, Raimundo Silva iniciará efetivamente a busca pela sua completude existencial. 107 Maria Sara e Raimundo Silva – entre a sedução e o olhar do grande Outro – a potência da personagem feminina.
117 O processo de produção da reescrita da História do Cerco de Lisboa, de Raimundo Silva, será acompanhado diariamente pelo supervisor. O objetivo principal deste estudo foi apresentar uma nova proposta de leitura para o romance História do cerco de Lisboa de José Saramago baseada no materialismo lacaniano proposto por Slavoj Žižek, tendo como guia a personagem Maria Sara. o fio condutor da existência simbólica do personagem de Raimundo Silva. Maria Sara, tal como os grandes Outros, ensinará Raimundo Silva a desejar e dar-lhe-á dicas e inspiração para reescrever a história do cerco de Lisboa e também a história da sua própria vida.
AS MULHERES NO EVANGELHO DE SARAMAGO
As palavras do Bispo de Hipona Régia rebaixam as mulheres no seu estado biológico e implicam que não há outro benefício para elas além da maternidade. Quando se trata do lugar da mulher no Evangelho de Jesus Cristo de Saramago, o que perceberemos através do que nos é dado ver na perspectiva do narrador e do diálogo entre as personagens é uma representação do quão misógina é a cultura em que as mulheres de Cristo vivem. vivido era e excludente. No entanto, três famílias tiveram a sorte de se refugiarem sob o arco, com os homens de um lado e as mulheres do outro.
Anteriormente, as mulheres tinham que preparar a comida e encher as bexigas no poço, enquanto os homens descarregavam os burros e os levavam para beber. 131 Para o historiador francês, a forma como os homens viam as mulheres na cultura judaico-cristã foi sempre contraditória, oscilando entre a admiração e a repulsa, a atração e o desgosto. 138 Como as relações de género permanecem assimétricas, a luta e a resistência das mulheres contra a cultura de violência e opressão de que são vítimas tem uma longa história, na qual as mulheres ainda não conseguiram libertar-se desta antiga violência e opressão.
RETRATOS DE MULHERES EM UM MUNDO DE CEGOS NO ROMANCE DE SARAMAGO
As personagens femininas de Ensaio sobre a Cegueira são inicialmente nomeadas e definidas por suas relações com outros homens: a esposa do médico e a esposa do primeiro cego. É a esposa do médico quem sugere procurar uma possibilidade de fazer suas necessidades em outro lugar. A esposa do médico não o desafia; pelo contrário, estão dispostos a cooperar desde que tenham ajuda.
A esposa do médico se encarrega não só de limpar o local, mas também de zelar pela humanidade de quem está sob sua responsabilidade. Do outro lado, uma mulher na casa dos cinquenta anos que cuida da mãe idosa, e a esposa do médico, voluntária. Além disso, a esposa do médico simboliza o lar que é refúgio, o seio materno que nutre, protege e limpa (CHEVALIER; GHEERBRANT, 1998), cuja beleza não precisa ser vista.
DE CASSANDRA A NARCISO NA SOCIEDADE DO ESPETÁCULO: UM JOGO DE ESPELHO INVERTIDO EM O HOMEM DUPLICADO DE JOSÉ SARAMAGO
Na economia espacial deste capítulo, estabelecemos uma dinâmica de apresentação que resulta de uma fala da personagem Maria da Paz: “o caos é uma ordem a ser decifrada” (SARAMAGO, 2003, p. 103). Outro encontro entre os dois acontece em casa de Tertuliano, quando António Claro revela que já não quer encontrar-se com ele, mas tem um último pedido, que seria passar a noite com Maria da Paz. Como mencionamos acima, foi Maria da Paz quem disse uma frase que despertou o interesse de Tertuliano: “o caos é uma ordem a ser decifrada” (SARAMAGO, 2003, p. 103).
As mulheres atuam numa perspectiva pragmática, portanto Maria da Paz funciona como uma oportunidade para a ordem ao caos. Maria da Paz mora com a mãe, que fica doente durante grande parte da ação; Ele também trabalha como caixa de banco. A decisão de viver definitivamente com Maria da Paz acontece momentos antes, quando António Claro decide passar a noite com Maria da Paz.
NÃO SOU MULHER PARA REMORSOS, ISSO É COISA PARA FRACOS, PARA DÉBEIS”: UMA LEITURA DAS PERSONAGENS FEMININAS EM CAIM
2009), DE JOSÉ SARAMAGO
O pessimismo com que Adão encara esta apropriação de Eva está para além da sua percepção individual e representa o colectivo da visão masculina: "Céptico, como todo homem, dos resultados de uma diligência nascida de uma cabeça feminina, disse Adão, deixe-a ser sozinho e prepare-se para sofrer decepções” (SARAMAGO, 2017, pp. 21-22). A espada sibilou com mais força [..] a mesma energia que fez o querubim [..] levantar a mão esquerda e tocar o seio da mulher [ ..] Eva sorriu, colocou a mão sobre a mão do querubim e pressionou-a suavemente contra seu peito (SARAMAGO, 2017, p. 25).A ameaça contida no poder de Lilith está ligada ao princípio de igualdade que acompanha sua origem diversa: “Lilith aparece claramente [..] como uma força oposta, um fator de equilíbrio, um peso oposto à bondade e à masculinidade de Deus, mas de igual magnitude” (KOLTUV, 2017, p. 15).
Contudo, enquanto a imagem mitológica está associada a uma imagem demoníaca, descrita como “a serpente enrolada” (KOLTUV, 2017, p. 67), esta personagem assume contornos essencialmente humanos. 173 Ainda no que diz respeito à sexualidade, Lilith consegue manter uma posição autoritária mesmo no ato sexual, "porque Lilith, quando finalmente abrir as pernas para se deixar penetrar, não se entregará, mas sim tentará devorar o homem que ela ama. Ele disse: Entre” (SARAMAGO, 2017, p. 59). Lilith apresenta-se como uma mulher poderosa e simboliza uma forte representação feminina: “Eu sou todas mulheres, todos os seus nomes são meus, disse Lilith” (SARAMAGO, 2017, p. 126).
DE MOZART A SARAMAGO: PERIPÉCIA(S) DE UM SEDUTOR?
Algo aparentemente sem importância na reconstrução de Saramago: Don Giovanni aparece inúmeras vezes enquanto lê o jornal (SARAMAGO, 2005, p.69). A do texto derivado, ao deixar Don Giovanni e Zerlina na cena cinco, “cai em pedaços” (SARAMAGO, 2005, p.86). No texto original, o comandante e Don Giovanni vivem num mundo patriarcal em que vivem em plenitude.
O Don Giovanni do texto derivado possui amplo conhecimento do poder da escrita, de modo que, diferentemente do texto original, parece estar lendo um jornal (SARAMAGO, 2005, p. 69). 191 sujeito, decide reconhecer a si mesmo e a Don Giovanni - mas também (e por que não?) no (antigo?) conquistador. Tanto em Mozart/Lorenzo da Ponte como em Saramago, pode-se perceber a singularidade da visão utilitarista de Don Giovanni: a mulher é uma coisa/objeto.
SOBRE AS ORGANIZADORAS E O ORGANIZADOR
SOBRE OS/AS AUTORES/AS
Mirian Cardoso da Silva é doutoranda e mestre em Letras, concentração em Estudos Literários, pela Universidade Estadual de Maringá - UEM. Formou-se em letras e especializou-se em estudos literários pela Universidade Estadual do Paraná - UNESPAR - campus Campo Mourão. Natacha dos Santos Esteves é mestranda em literatura pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), na área de concentração em ciências literárias, direção de pesquisa: literatura e construção de identidades.
Graduada em Letras Português/Inglês pela Universidade Estadual do Paraná – UNESPAR – campus Campo Mourão. É professora associada do curso de Letras da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP). Sandro Adriano da Silva é professor do Curso de Literatura Português/Inglês da Universidade Estadual do Paraná – UNESPAR/ campus Campo Mourão, onde desenvolve pesquisas na área de estudos da poesia brasileira.