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Academic year: 2023

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Na perspectiva de que os acordos internacionais definem o alcance da competência tributária própria dos estados4, pretende-se, em primeiro lugar, demonstrar que a União Federal não concede isenção de tributos estaduais e municipais, pois a isenção pressupõe o poder de tributar. Nessa linha, parte-se do entendimento de que a isenção tributária manifestada pela união federativa no acordo internacional impõe um limite à soberania e jurisdição externa dos Estados contratantes. No entanto, o próprio Souto Maior Borges aponta que a lei nacional é fruto do ordenamento jurídico central, veja, editado pela própria união federal.

Assim, as leis nacionais também são resultado da atividade da união federal como ordem jurídica central, formada por uma congregação de estados membros, e que difere da legislação federal apenas no âmbito da competência legislativa. Por outro lado, a República Federativa do Brasil, pessoa jurídica sujeita ao direito internacional, é representada pela União Federal na execução da política externa. De fato, a noção de que se a união federal não pode estabelecer isenções de impostos estaduais, distritais e municipais em suas manifestações internas como representante do estado brasileiro, também não poderá fazê-lo em suas relações internacionais.

Por outro lado, nas relações internacionais, a União Federal pode celebrar tratados internacionais que limitem a jurisdição do estado brasileiro, obrigando as demais unidades federadas a respeitá-los. Portanto, ainda que a União tenha atuado como representante do Estado brasileiro em ambas as situações, não se pode esquecer que os campos materiais das leis e tratados internacionais são distintos. Com base nas considerações anteriores, conclui-se que os tratados internacionais foram celebrados pela União Federal como representante da República Federativa do Brasil, como sujeito de direito internacional.

A relação entre o direito internacional e o direito interno O tema da relação entre o direito internacional e o direito interno

Avi-Yonah que, ao interpretar o artigo 6º, seção 2, da Constituição Federal22, o Congresso dos Estados Unidos considerou que a utilização das expressões "leis" e "tratados" na mesma norma jurídica, sem precedência ou hierarquia, comprovaria a paridade entre as leis nacionais e os tratados internacionais. Portanto, a força obrigatória dos tratados internacionais atinge todas as subdivisões políticas (União, Estados Membros, Distrito Federal e Municípios), que devem cumprir suas disposições. Além da discussão em torno de monismo e dualismo, parece relevante retomar o debate sobre a posição dos tratados tributários internacionais no ordenamento jurídico brasileiro, à luz do disposto no artigo 98 do Código Tributário Nacional (CTN).

O dispositivo legal em questão provoca uma das mais acaloradas discussões sobre o papel dos tratados internacionais no ordenamento jurídico brasileiro. 98 do CTN, a doutrina e a jurisprudência costumam centrar a discussão na posição hierárquica dos tratados tributários internacionais e na possível prevalência de seus dispositivos sobre as leis internas. 427, que dispôs que os tratados internacionais não possuem superioridade hierárquica em relação às normas de direito nacional, resolvendo eventuais antinomias pela aplicação de critérios cronológicos e de especialidade30.

Posteriormente, a tese da paridade entre tratados internacionais e leis federais foi adotada pelo Pretório Excelso no julgamento do habeas corpus n. 72.131-RJ, que afirmou que “na perspectiva do modelo constitucional vigente no Brasil, não há precedência ou precedência hierárquico-normativa de tratados ou convenções internacionais de direito positivo local”. A precedência última de tratados ou convenções internacionais sobre normas infraconstitucionais de direito interno somente se justificará quando a situação de antinomia com o ordenamento jurídico interno, para a solução do conflito, impuser a aplicação alternativa do critério cronológico (lex posterior derogat a priori). ou, quando for o caso, de acordo com os critérios da especialidade”.

Com base nessa premissa, Schoueri afirma que a impossibilidade de alterar as disposições dos tratados internacionais com regras de direito interno não se baseia em uma possível relação de hierarquia normativa, mas na própria limitação da jurisdição dos Estados contratantes38. Além de sua indiscutível consistência, a posição de Luís Eduardo Schoueri ainda tem o mérito de evitar discussões infindáveis ​​sobre teorias monistas e dualistas, bem como sobre a posição hierárquica dos tratados internacionais em geral. Refletindo sobre a questão da hierarquia dos tratados internacionais, o Ministro Gilmar Mendes, em voto proferido no Recurso Extraordinário n.

460.320, corretamente enfatizou que a equivalência entre tratados internacionais e leis ordinárias federais visa enquadrar normas internacionais em atos normativos domésticos, o que não encontra amparo na estrutura constitucional. Rejeitando o paradigma dualista, o ministro afirmou que os tratados internacionais constituem espécies normativas infraconstitucionais distintas e autônomas, que não devem ser confundidas com normas federais, uma vez que a Constituição Federal prevê a criação de normas internacionais e exclui sua transformação em normas internas. espécies. Sobre o mecanismo de implementação dos tratados internacionais, é conhecida no meio acadêmico a metáfora de Klaus Vogel, segundo a qual o escopo do tratado internacional serve como uma máscara colocada sobre o direito interno, a fim de cobrir algumas partes.

Em um sentido técnico, os tratados internacionais não concedem poderes coercitivos aos Estados que são entidades soberanas.

O federalismo e os eventuais limites na autuação da União Federal

Na atual Constituição Federal, o pacto federativo é proclamado no artigo 1º, segundo o qual a República Federativa do Brasil é formada pela união indissolúvel de estados, municípios e distrito federal. Seguindo essas linhas, Helenilson Cunha Pontes defende que a vedação à concessão de exceções heterônomas, prevista no artigo 151, III, da Carta Magna, apenas materializa a organização federativa do estado, não podendo, portanto, a União Federal, em seu âmbito internacional. relações, para facilitar os tributos, cuja competência tributária era atribuída aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios54. Entretanto, a autonomia dos entes federados não pode sufocar a atuação da República Federativa do Brasil na órbita internacional, quando da assinatura de tratados internacionais.

A autonomia atribuída pelo texto constitucional a cada ente federado não tem o condão de substituir a soberania do Estado brasileiro61. Afinal, não é preciso muito esforço para perceber que, se a República Federativa do Brasil não poderia reduzir ou aliviar a incidência de impostos estaduais e municipais sobre o consumo (ICMS e ISS) por meio de acordos internacionais, seu papel e a liberdade de ação sobre a área das relações internacionais com outros Estados soberanos ficaria significativamente prejudicada. Consequentemente, o modelo federativo brasileiro, com a distribuição dos impostos sobre o consumo entre os três entes federativos (IPI, ICMS e ISS), não pode ser interpretado como um obstáculo ao processo de integração econômica, especialmente porque a própria Constituição Federal, em seu artigo 4º , parágrafo único, dispõe que "a República Federativa do Brasil buscará a integração econômica, política, social e cultural dos povos da América Latina, com vistas à formação de uma comunidade latino-americana de nações".

De fato, tão importante quanto a preservação do federalismo, dentro do país, é a presença do Estado brasileiro na ordem internacional, com independência e autodeterminação. A Assembleia Constituinte atribuiu com razão à República Federativa do Brasil a competência para firmar tratados internacionais, bem como para conduzir o processo de integração econômica. Portanto, a vedação não se aplica no caso de tratado internacional celebrado em nome da República Federativa do Brasil, como sujeito de direito internacional.

No direito internacional, apenas a República Federativa do Brasil tem competência para firmar tratados (art. 52, § 2º, da Constituição da República), sem a União, os Estados membros ou os municípios. Voltando os olhos para a segunda questão de nossa indagação, cabe esclarecer que a República Federativa do Brasil, representada em suas relações internacionais pela União Federal, não carece de justificativa prévia para limitar sua competência tributária ao conceder incentivos fiscais em relação a impostos estaduais e municipais. No entanto, isso não significa que a República Federativa do Brasil deva justificar a isenção recaindo sobre a materialidade de tributo estadual ou municipal, assim como não é obrigada a fazê-lo quando a isenção atingir tributo federal.

Portanto, a ação do Estado-nação, sujeita ao direito público externo, não pode ser limitada pelas limitações impostas à união federal, como ente de direito público interno. No que se refere ao conflito entre a Norma Internacional e a Constituição Federal, vale destacar o excelente parecer proferido pelo Secretário Gilmar Mendes em Recurso Extraordinário. deve cumprir as suas disposições e requisitos fundamentais para estar vinculado por obrigações legais. De qualquer forma, a chamada 'cláusula federal' poderia eventualmente limitar a obrigação do Estado nacional de garantir que o tratado internacional seja observado por suas unidades políticas.

Por outro lado, sendo o acordo internacional celebrado pela República Federativa do Brasil, há quem diga que a "cláusula federativa" deve apenas limitar a responsabilidade do Estado nacional por ações ou omissões dos Estados ou Municípios, sem interferência em vincular as demais entidades políticas ao compromisso internacional74.

Conclusões

Vale ressaltar que a incompatibilidade do tratado internacional com a Constituição não isenta necessariamente o Estado de sua responsabilidade pela violação dos presumidos deveres internacionais72. Como exemplo, pode-se imaginar um acordo internacional que de forma geral estabeleça que os produtos e serviços de um determinado país não serão tributados e ao mesmo tempo contenha uma “cláusula federal”. Em tese, é possível entender que Estados e Municípios não estão vinculados ao tratado internacional com.

Os tratados internacionais, especialmente aqueles que transferem matéria tributária, limitam a jurisdição dos Estados contratantes, como um muro de contenção limitando o poder do legislador interno. O Estado, no exercício de seu poder soberano, abre mão de parte de sua competência tributária, que vincula suas subdivisões políticas, hipótese em que as leis internas não podem tributar fato econômico que esteja fora dos limites de sua competência não. Se a República Federativa do Brasil não pudesse reduzir ou aliviar a incidência de tributos estaduais e municipais por meio de acordos internacionais, seu papel e sua liberdade de atuação no campo das relações internacionais com outros Estados soberanos ficariam significativamente prejudicados.

Apesar da paralisação parcial da competência tributária de estados e municípios, é certo que os entes políticos continuarão podendo contar com o produto da arrecadação de outros tributos próprios.

Referências

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§1º No caso de mudança de nível de que trata o caput desse artigo, o aluno poderá no prazo máximo de até três meses após a passagem para o doutorado, apresentar dissertação