• Nenhum resultado encontrado

"AS FESTAS DO IMPÉRIO":

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2023

Share ""AS FESTAS DO IMPÉRIO":"

Copied!
50
0
0

Texto

Para responder concretamente a estes novos designs, o nosso primeiro passo é analisar o conceito da palavra “entretenimento”; as teorias que o rodeiam e caracterizam; o significado que os clientes representam em determinadas ocasiões; seu significado no tempo para a população que testemunhou e participou desse universo onírico. Para verificar como as cidades se organizaram de acordo com o universo festivo, analisaremos a sua população com as suas divisões sociais e algumas instituições como a câmara, a igreja e a polícia, que se realizam nas celebrações. No segundo capítulo, pretender-se-á analisar as diferentes formas de manifestações festivas, o seu significado para a população que delas testemunhou e participou, e o seu significado no espaço urbano; para melhor compreender este vasto universo festivo, dividimos as festas em três grupos categóricos distintos: festas cívicas, festas religiosas e festas não oficiais ou profanas.

Os viajantes estrangeiros que vieram ao Brasil em suas expedições constituem uma fonte de informação fundamental para a compreensão das comemorações da colônia e do império, uma vez que a maioria da população era analfabeta, havendo poucos registros escritos da parte dessa população que presenciou e participou. de festas. As festividades em geral foram amplamente discutidas por viajantes e por meros curiosos que, por motivos diversos, testemunharam e descreveram as festividades nos séculos XVIII e XIX. Embora os viajantes sejam considerados fontes fundamentais para a compreensão das festas no Brasil, estamos fadados a desconfiar dos rastros malévolos que esses viajantes podem ter deixado.

No âmbito desta política, “a câmara municipal era responsável pela segurança da cidade no que diz respeito ao controlo das festas e divertimentos populares. Em seu livro "O Império do Divino", Martha Abreu relata os diversos pedidos de alvarás para festas, festas e jogos religiosos encaminhados à Câmara Municipal da cidade do Rio de Janeiro no período de 1832 a 1900. Guimarães Santiago em seu artigo As Festas e a Representação do Poder em Vila Rica*7 o senado da câmara era o órgão responsável.

Ao verificarmos essas duas perspectivas teóricas, tão diferentes no sentido e na essência dos acontecimentos partidários, podemos analisar a sociedade e a política imperial brasileira e constatar que, segundo a lógica da política civilizatória, repressiva e educativa ao mesmo tempo, nem todos os partidos de manifestações populares foram caracterizados como transgressores e anticivilização. Podemos dizer que as festas que aconteciam no espaço urbano não deixaram uma marca indelével na cidade e nos seus habitantes. Aqui procuramos pensar como as festas mobilizaram a cidade e como criaram momentos especiais de celebração para os habitantes da cidade.

29 Os festivais podem ter um propósito distributivo, em vez de serem motivados por uma tendência para o desperdício e a destruição. Longe do caos assumido por alguns teóricos, os partidos são frequentemente o culminar da actividade organizada em muitas sociedades. Dentro desta organização temos partidos do tempo irreversíveis e lineares, bem como partidos ligados a uma compreensão cíclica do tempo.

Um look diferente para cada ocasião, um ritual especial para cada data. Além deste grande número de feriados oficiais, também aconteciam festas populares no império. A partir deste calendário de feriados “lotado”, processaremos três dimensões de feriados: . festas civis ou oficiais, festas religiosas e festas profanas ou não oficiais.

AS FESTAS CÍVICAS

Os partidos tornaram-se assim um instrumento estratégico na confirmação quase diária da realeza. Na história de Kidder podemos notar a mobilização da sociedade baiana na comemoração do aniversário do jovem imperador, que, além da habitual procissão, inclui três dias de festividades sucessivas, com iluminações durante três noites. O aniversário do imperador foi comemorado em todo o país no segundo dia de dezembro.

Na corte recebeu saudações pessoais, e nas demais províncias foram os presidentes, como representantes especiais da Coroa, que tomaram seu lugar, mas sem observar as honras especiais. Os chefes das províncias, como representantes especiais da coroa, seguem o exemplo do soberano, com solenidades idênticas nas diferentes capitais das províncias, com a diferença, porém, de que estas autoridades não recebem as honras imperiais como se fossem devido a suas pessoas. O lugar de honra no tribunal é invariavelmente ocupado por um retrato de Sua Majestade.

Além da habitual procissão, as festividades durariam três dias consecutivos com iluminação durante três noites. O retrato do Imperador permaneceu coberto por uma cortina até que o Presidente, ao chegar, afastou o dossel e levantou repetidos vivas a Sua Majestade, à Família Imperial, à nação brasileira e ao povo baiano; júbilo, seguido de aplausos do povo enquanto milhares de fogos de artifício arranhavam o céu em uma explosão estridente.32. Embora estas aparições públicas da monarquia em diversas cerimónias fossem muito populares, a missa pública não passava de meros e distantes espectadores, uma vez que apenas a família imperial, autoridades, personalidades nobres, representações diplomáticas, etc., no recinto da catedral, os notáveis.

Se a pompa e a aparência pudessem garantir a estabilidade do governo e o respeito à coroa, tudo foi feito pelo Brasil naquele dia, dentro dos recursos disponíveis. Pode-se suspeitar, no entanto, se, em vez de fortalecer o sentimento civil do povo, esta política não terá dado origem a um gosto mórbido por cerimónias pomposas, que só poderia ser satisfeita pela sua repetição frequente. No relatório de Kidder podemos constatar os elevados gastos incorridos pela sociedade e pelas administrações públicas para a realização deste evento.

Toda essa pompa e circunstância foi utilizada em favor da estabilidade do poder imperial, reafirmando a “habilidade semiótica” utilizada como ferramenta para fazer.

AS FESTAS RELIGIOSAS

Por outro lado, nota-se também a presença de “feriados religiosos”; algumas oficiais, outras não, mas que também caracterizaram a sociedade imperial brasileira. Olhando por esse prisma, podemos compreender a importância da festa religiosa para os negros e a “necessidade” que eles têm de fazer parte de uma associação religiosa (Irmandade); pois isso lhes confere uma maior abertura na estratificação social, dando-lhes a ilusão de não estarem à margem da sociedade. Os negros têm uma invocação de Virgem (eu quase diria, Virgem), que é especialmente querida para eles.

Outras celebrações, como a de Nossa Senhora do Rosário, eram promovidas pelos próprios negros, mas com a participação da população branca. As festas eram realizadas nas fazendas das províncias, e as despesas de sua realização eram todas custeadas pelos escravos da fazenda, sendo a festa realizada exclusivamente por eles. As despesas incorridas são suportadas pelos escravos da propriedade e a festa é dirigida exclusivamente por eles.

34;.. e nosso povo sentou para conversar ou comer bolos e doces..", que esse "nosso povo" a que ele se refere é a população branca que inclusive participa da festa negra e divide o mesmo espaço físico. , eles permanecem separados em grupos claramente sociais. A participação negra sempre foi grande nas festas religiosas e tornou-se ainda maior quando se tratava de sua padroeira, pois foi somente neste momento que o rei dos cristãos se tornou rei do Congo, e a Virgem Maria foi reconhecida como Nossa Senhora do Rosário. Na verdade, assim como os negros foram convertidos ao catolicismo, o catolicismo foi modificado por eles.

Segundo José V Tinhorão Ramos) em seu livro As Festas no Brasil Colonial: “A associação dos interesses reais e religiosos teria início no século XI da celebração em forma de evento público, enfatizando em seu interior a abundância, a grandiosidade. , afirmando assim o fortalecimento do poder associado aos interesses régios e religiosos.

Segundo o autor, a procissão de “Corpus Christi” é diferente da maioria das outras, sendo a única imagem exposta a de São Jorge, “designado no calendário como o defensor do império”.

AS FESTAS PROFANAS

Também pode ser visto como uma tradução da importância da igreja na construção da sociabilidade e no fortalecimento de vínculos entre a população brasileira. Imaginem as mais hediondas contrações musculares, sem cadência, os mais inocentes balanços de pernas e braços seminus, os saltos mais ousados, as saias esvoaçantes, a mímica mais repugnante, em que se revelava a mais crua voluptuosidade carnal - tal era a dança em que desde o início foram graças transformadas em bacantes e fúrias43. Mas quando chegou ao Brasil, importado de Portugal, era principalmente uma festa para a elite, que dançava ao som de marchinhas e fandangos em salões e teatros.

Apesar da expansão do campo de realização dos salões e teatros para a missa, esta festa era um jogo mais organizado, intelectual e comandado do alto dos carros ou dos salões das grandes empresas. Água e pós para o cabelo são os ingredientes recomendados para atirar uns nos outros, mas muitas vezes não são equilibrados e tudo o que pode ser apanhado, seja limpo ou sujo, é atirado de todo o mundo aos inocentes e aos culpados44. Aparentemente, apesar das críticas dos viajantes e da proibição das autoridades, o Entrudo mobilizou grande parte da população que se dedicou ao “jogo”, esquecendo por um momento as diferenças sociais, etárias e sexuais.

Esta divisão social é definida por Schwarcz como: “.. o primeiro mais individualista e anárquico, o segundo um jogo elitista mais organizado, intelectual e comandado a partir do topo dos carros ou dos corredores das grandes sociedades”45. Através de todas as análises aqui feitas pudemos observar a infinidade de manifestações festivas que marcaram o período Imperial. Constatamos que a consolidação do Estado Imperial, que difundiu e implementou uma ideia de progresso e civilização no país, motivou a constituição de políticas de controle por parte de diversos poderes públicos que atuaram na vivência social e nas manifestações festivas para tentar disciplinar grandes detalhes e pequenas coisas da vida diária.

Não há dúvida de que o festival, seja qual for a forma que assuma, está associado à realização de um. A festa é também um momento de gratificação, um momento de alegria e prazer que muitas vezes escapa das mãos desse mesmo poder exibido na festa. Por essa concepção, ao utilizarmos relatos de viajantes estrangeiros que viram as festividades no Brasil do século XIX como fontes documentais, devemos estar atentos ao fato de que o que se ganha nas descrições das festividades e se perde na interpretação, ou menos em sua leitura do universo cultural brasileiro.

No seu desejo de conhecer e compreender o desenrolar da aventura humana ao longo do tempo, em última análise, não é inútil para ele [o historiador] lembrar que existem portas que ele nunca será capaz de forçar, que existem limites que ele nunca conseguirá. ser capaz de fazer. pode atravessar

Entrudo e festas carnavalescas em Minas Gerais no século XIX. Dissertação de mestrado, Departamento de História, Belo Horizonte.

Referências

Documentos relacionados

o Arquivo da Catedral e Paróquia de Nossa Senhora da Glória de Maringá possui cêrca de 133 volumes, que constituem importantes fontes primárias para a história social, demográfica e