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Avaliação da qualidade da água utilizada nos distritos de Campos dos Goytacazes, RJ

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Academic year: 2023

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A qualidade da água para consumo humano é muito importante, pois muitas doenças estão associadas ao consumo de água além dos padrões de potabilidade. Para esta avaliação da qualidade da água, os parâmetros escolhidos são pH, turbidez, cloro total, cloro livre, flúor, ferro e manganês, coliformes totais e coliformes termotolerantes.

Recursos hídricos no Brasil e no mundo

Água no Brasil

A menor vazão média por habitante é observada na área hidrográfica a leste do Oceano Atlântico Nordeste, com valor inferior a 1.200 m3/habitante/ano. Nota-se que uma disponibilidade de quase 10.000 m3/habitante.ano (ICRH 1 e 2) não causa conflitos significativos em termos de quantidade de água.

Figura 1 - Regiões hidrográficas Brasileiras.
Figura 1 - Regiões hidrográficas Brasileiras.

Usuários de água no Brasil e no mundo

As economias regionais e nacionais dependem da disponibilidade suficiente de água para a geração de energia, abastecimento público, irrigação e produção de alimentos (como agricultura, aquicultura e pescas). Dessa forma, é possível ampliar a capacidade de abastecimento de água para usos múltiplos e estimular a economia, além de melhorar a qualidade de vida e promover a geração de emprego e renda (TUNDISI, 2008).

Figura 2 - Percentuais de retirada de água por usuário no Brasil.
Figura 2 - Percentuais de retirada de água por usuário no Brasil.

Água Subterrânea

Água subterrânea no mundo e no Brasil

O estado do Rio de Janeiro possui uma área de aproximadamente 44 mil km2 com uma geologia complexa. As rochas ígneas e metamórficas ocupam cerca de 80% do seu território, o que significa que o principal tipo de sistema aquífero do estado do Rio de Janeiro é do tipo fissural, ou seja, a água circula e se armazena em fissuras e falhas nessas rochas.

Águas superficiais em Campos dos Goytacazes

As bacias hidrográficas que contribuem para a Lagoa Feia incluem os corpos hídricos localizados entre a foz do Paraíba do Sul (margem direita) e a bacia hidrográfica onde nascem os afluentes do Rio Macaé (margem esquerda) (PERFIL, 2005). 1 Entrevista com o representante da Serla: Alan Carlos Vargas sobre o Rio Paraíba do Sul no município de Campos dos Goytacazes, RJ, em 2008.

Águas subterrâneas em Campos dos Goytacazes

Coridola (2005), em sua pesquisa sobre os aquíferos livres do município de Campos dos Goytacazes, gerou um mapa de profundidade do lençol freático agrupando espacialmente os dados de profundidade do lençol freático no mapa do tipo de ocorrência das águas subterrâneas de Campos dos Goytacazes, conforme Figura 8. A Figura 9 apresenta as classes de vulnerabilidade do município, classificadas em baixa, moderada, alta e extrema, derivadas do cruzamento de dados cartográficos: mapa de profundidade de águas subterrâneas, mapa de recarga de águas subterrâneas, reservatório de águas subterrâneas. mapas de tipo, mapas de tipo de solo, mapas topográficos, mapas de influência de zonas não saturadas e mapas de condutividade hidráulica.

Figura 8 - Mapa de profundidade do lençol freático.
Figura 8 - Mapa de profundidade do lençol freático.

Água e Saneamento

Água, Saneamento e Saúde

Na 2ª campanha (figura 15) novamente 100% das amostras de água analisadas estavam fora do padrão microbiológico para coliformes totais. Em relação aos coliformes termotolerantes, 5 das 9 amostras de água analisadas estavam dentro do padrão (55,6%) e 44,4% estavam fora do padrão. Em Guriri, na 1ª campanha, 100% das amostras analisadas estavam fora do padrão microbiológico para coliformes totais.

Em relação aos coliformes termotolerantes, das 8 amostras de água analisadas, 2 estavam dentro do padrão (25%) e 75% estavam fora do padrão.

Padrão de Qualidade de Água

Parâmetros Físicos

Podem ser de origem natural, como produtos provenientes da decomposição de matéria orgânica (principalmente vegetais - ácidos húmicos e fúlvicos), ferro e manganês, ou de origem antrópica, como resíduos industriais e esgotos domésticos (VON SPERLING, 2005). Se for de origem natural, geralmente não representa risco para a saúde, exceto quando é realizada cloração, quando a matéria orgânica reage com a água formando produtos potencialmente cancerígenos – os trihalometanos (como o clorofórmio). Além disso, se a turbidez for de origem antropogénica, pode estar associada a compostos tóxicos e organismos patogénicos.

Podem ser de origem natural, resultantes da decomposição de matéria orgânica, microrganismos, gases dissolvidos (como o gás sulfídrico H2S), ou podem ser de origem antrópica, como resíduos domésticos, resíduos industriais e gases dissolvidos (ex. H2S).

Parâmetros Químicos

A matéria orgânica é a causa do principal problema da poluição das águas, que é o consumo de oxigênio dissolvido (OD) pelos microrganismos em seus processos metabólicos de utilização da matéria orgânica (MO) (VON SPERLING, 2005). O DQO mede o consumo de oxigênio que ocorre como resultado da oxidação química da matéria orgânica (VON SPERLING, 2005). O valor obtido representa uma medida aproximada da quantidade de matéria orgânica na amostra de água que está sujeita à oxidação por um oxidante forte.

Outras medidas para determinar a quantidade de matéria orgânica na água são a determinação de TOC e/ou CDO.

Parâmetros Biológicos

Contudo, esta barreira é ultrapassada por organismos indicadores de contaminação fecal (principalmente os do grupo dos coliformes), que determinam indirectamente o potencial da água para transmissão de doenças (Von Sperling, 2005). Assim, a explicação básica para a utilização de organismos indicadores é que a sua presença confirma a poluição fecal e, portanto, o risco de contaminação devido à presença de patógenos. Os principais indicadores de contaminação fecal comumente utilizados são coliformes totais (CT), coliformes fecais (CF), atualmente chamados de coliformes termotolerantes, e Escherichia Coli (EC) (VON SPERLING, 2005).

Os enterococos fecais são um grupo de bactérias reconhecidas como indicadores de contaminação fecal desde o início do século passado, mas seu uso só se tornou efetivo a partir de 1950 (DANIEL, 2001).

Figura 12 - Representação esquemática das bactérias e dos indicadores de contaminação fecal
Figura 12 - Representação esquemática das bactérias e dos indicadores de contaminação fecal

Determinações físico-químicas

  • Ensaios de Determinação de Potencial Hidrogeniônico – pH
  • Ensaios de Determinação de Turbidez
  • Ensaios de Determinação de Cloro Livre
  • Ensaios de Determinação de Cloro Total
  • Ensaios de Determinação de Flúor
  • Determinação de Ferro e Manganês
  • Análises Microbiológicas

Em seguida, foram transferidos 10 ml de amostra para as cubetas, tomando cuidado para que o nível da amostra não ultrapassasse a marca de 10 ml. Em seguida, usando luvas, 2 mL do reagente SPANDS foram cuidadosamente adicionados à mesma cubeta, utilizando uma pipeta graduada de 10 mL para preparar o branco do teste. Em outra cubeta, coloque 10 ml da amostra de água, adicione o conteúdo de uma almofada reagente FerroVer Iron à amostra, agite a cubeta para homogeneizar e aguarde três minutos para que a reação se complete.

Coloque 10 mL da amostra de água em outra cubeta, adicione o conteúdo de uma almofada reagente de ácido ascórbico à amostra e agite a cubeta para homogeneizar.

Figura 14 - Turbidímetro  e soluções padrão
Figura 14 - Turbidímetro e soluções padrão

Tratamento dos dados

Os resultados dos exames físico-químicos e microbiológicos foram comparados com a portaria 518/2004 do Ministério da Saúde. A portaria 518/2004 do Ministério da Saúde não estabelece um VMP padrão para cloro total na água potável. A portaria 518/2004 do Ministério da Saúde não estabelece um nível mínimo padrão para flúor na água potável.

Tendo em vista a utilização de água para consumo humano, o regulamento determina o valor máximo admissível (VPM) para Coliformes totais, ausência em 100 ml de água.

Parâmetros físico-químicos

  • Ph
  • Ferro
  • Manganês
  • Cloro total
  • Cloro livre
  • Flúor
  • Turbidez

Na Baixa Grande, tanto na 1ª quanto na 2ª campanha, todas as amostras estavam dentro do padrão de pH. Na Ponta da Lama, tanto na 1ª como na 2ª campanha, todas as amostras estavam fora do padrão de pH da água para consumo humano. Em Campo Novo e Venda Nova, 90% das amostras ficaram acima do VMP na 1ª campanha, e 70% na 2ª campanha.

Em Conceição do Imbé, tanto na 1ª quanto na 2ª campanha, todas as amostras ficaram abaixo do VMP.

Figura 16 - Resultado das médias dos valores de pH por localidade nas 1ª e 2ª campanhas
Figura 16 - Resultado das médias dos valores de pH por localidade nas 1ª e 2ª campanhas

Análise Microbiológica

Na Baixa Grande, na 1ª campanha, 100% das amostras analisadas estavam fora do padrão microbiológico para coliformes totais. Na segunda campanha em Baixa Grande, 100% das amostras analisadas estavam fora do padrão microbiológico para coliformes totais. Em relação aos coliformes termotolerantes, das 7 amostras analisadas, 4 estavam dentro do padrão (57,1%) e 42,9% estavam fora do padrão.

Em relação aos coliformes termotolerantes, das 5 amostras analisadas, apenas 1 estava dentro do padrão (20%) e 80% estavam fora do padrão microbiológico para coliformes termotolerantes.

Figura 26 - Resultado das amostras reprovadas coliformes totais e coliformes termotolerantes  por localidade na 2ª campanha
Figura 26 - Resultado das amostras reprovadas coliformes totais e coliformes termotolerantes por localidade na 2ª campanha

Resultados por localidade

Bariri

De acordo com os resultados obtidos nas análises para coliformes totais e coliformes termotolerantes, todos os locais estudados falharam, indicando contaminação microbiológica na água consumida e, consequentemente, alto risco de ocorrência de doenças de veiculação hídrica. A maioria das amostras estava contaminada com coliformes totais e uma grande proporção com coliformes termotolerantes (um indicador de contaminação fecal). Foi coletada uma amostra de água do poço do posto Travessão (RJ 224), que moradores de Bariri dizem ser usada como água potável pelos moradores locais.

Como pode ser observado, a água foi rejeitada segundo parâmetros microbiológicos, o que significa que pode representar risco de transmissão de doenças de veiculação hídrica, pois apresenta indícios de contaminação por microrganismos de origem fecal.

Travessão

No dia 23/09/09 realizamos uma vistoria neste hospital para buscar informações sobre casos de doenças de veiculação hídrica na região. Segundo o agente administrativo, as principais doenças de veiculação hídrica são disenteria amebiana, gastroenterites, vermes, giardíase, alguns casos de hepatite infecciosa e muitos casos de sarna. Também foi realizada entrevista com a pediatra Raquel Montesano, que nos deu uma estimativa dos casos de saúde atendidos.

Segundo o médico, o número de casos de doenças que podem estar relacionadas à água e ao esgoto é muito alto.

Posse do Meio

Quanto à percepção do lençol freático, a maioria dos entrevistados demonstrou saber que a água serve de veículo para diversas doenças e que fontes de poluição como lixo, esgoto, cemitérios também podem contribuir para a poluição do lençol freático, mas essa percepção não se traduz em ações da comunidade, pois não houve ligação entre o conhecimento e sua aplicação no cotidiano como fator de prevenção de doenças, ou seja, a capacidade de observar e relacionar causas e consequências, utilizar o conhecimento para resolver os problemas vivenciados. A água consumida na Escola Municipal Posse do Meio foi considerada deficiente em manganês (0,568 mg/L) e bactérias coliformes termotolerantes (686,67 NMP) na primeira campanha. Tanto na 1ª como na 2ª campanha, 87,5% dos moradores consomem água sem qualquer tratamento e os restantes 12,5% filtram a água (Escola Municipal de Posse do Meio).

Na 1ª campanha, 37,5% dos entrevistados relataram algum tipo de doença de veiculação hídrica na família, como diarreia/infecção por vermes (12,5%) e alergia (12,5%).

Conceição do Imbé

A maioria das pessoas consumia água sem qualquer tratamento, verificando-se percentagens de 80% dos agregados familiares na 1ª campanha e de 75% na 2ª. Esta diferença pode estar relacionada com os diferentes tipos de fontes amostradas na 1ª e 2ª campanha, e também porque do tempo de amostragem, que pode ter sido afetado pelas chuvas, que tendem a aumentar a turbidez das águas superficiais durante a estação chuvosa (durante a estação chuvosa). 1ª campanha). Portanto, a água não atendia aos padrões para os quais é utilizada e, portanto, era imprópria para consumo humano.

Na primeira campanha, 60% dos entrevistados relataram algum tipo de doença transmitida pela água: diarreia (40%), vermes (40%), problemas de pele (30%).

Lagoa de Cima e São Benedito

A maioria das amostras foi rejeitada para manganês, alguns pontos apresentaram níveis muito elevados (1,3 e 1,2 mg/L) em relação ao nível recomendado. Todas as amostras foram rejeitadas para coliformes totais, variando bastante sua concentração (desde unidades até concentração limite de detecção). Grande parte foi rejeitada por coliformes termotolerantes, principalmente na primeira amostragem, quando as concentrações de coliformes foram maiores, provavelmente por ter sido um período onde as chuvas foram maiores.

A água do posto de saúde foi testada para coliformes totais e termotolerantes, mas em baixas concentrações; a água escolar foi rejeitada devido à turbidez (6,68 NTU) e coliformes totais e termotolerantes com valores elevados.

Campo Novo e Venda Nova

No dia 23-09-09, realizámos um levantamento nesta estação para saber o número de casos de doenças relacionadas com a água. Na primeira campanha, 40% dos entrevistados relataram a ocorrência de doenças que poderiam estar relacionadas à água, como verminoses (20%), diarreia (10%) e problemas de pele (10%). No dia 19/08/09 realizamos um levantamento nesta estação para saber o percentual de casos de doenças relacionadas à água.

Aproximadamente 50% dos casos são infecções respiratórias e os 50% restantes são divididos em 25% de gastroenterite aguda e 25% de infecções por vermes.

Baixa Grande

Ele informou ainda que do total ainda há 25% de casos de sarna e sarna e 25% de piodermite que, segundo o médico, podem ser decorrentes do contato com água, solo ou animais contaminados. Na primeira campanha, 50% dos entrevistados relataram algum tipo de doença, possivelmente de veiculação hídrica: 30% relataram vermes e diarreia e 20% dengue. Na segunda campanha, 57,2% dos entrevistados relataram ocorrência de doenças relacionadas à água, incluindo vermes (28,6%), diarreia (28,6%) e problemas de pele (28,6%).

No dia 20/08/09 foi realizado um levantamento nesta estação para saber o número de casos de doenças relacionadas à água.

Ibitioca e Pernambuca

Foi realizada entrevista com o administrador do posto de saúde, Emersom da Fonseca de Barros, mas não foi possível fazer estimativas. A estação também atende moradores de outras localidades como Santo Amaro, Mussurepe e São João da Barra. Foi realizada entrevista com a responsável pelo posto de saúde, Maria Eliete Terra Chagas, e com o enfermeiro do posto, Marlon Simões Boechat.

Além de Ibitioca, a estação também atende moradores de outras localidades como Planície, Ponta da Lama, Pernambuca, Caxeta, Pedra Negra, Serrinha.

Guriri

O local não possui secretaria de saúde, mas utiliza o posto de saúde Ponta da Lama.

Ponta da Lama

Na revisão de literatura tivemos um breve olhar sobre os recursos hídricos no Brasil e no mundo, águas subterrâneas e uma descrição dos recursos hídricos em Campos dos Goytacazes. Uma abordagem geomédica para a percepção de conceitos de poluição de recursos hídricos subterrâneos para aumentar a consciência ambiental no bairro de Travessão – Campos dos Goytacazes – RJ. Governança de recursos hídricos no Brasil: implementação de instrumentos de gestão na bacia do Paraíba do Sul.

Vulnerabilidade e diagnóstico da potabilidade da água de poços localizados na região de Campos dos Goytacazes - RJ.

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Tabela  1-  Índice  de  Criticidade  de  Recursos  Hídricos  (ICRH):  Disponibilidade  Específica de Água (DEA) e problemas de gestão associados
Figura 2 - Percentuais de retirada de água por usuário no Brasil.
Figura 3 - Percentuais de consumo de água por usuário no Brasil em 2006.
Figura 4 – Distribuição percentual das vazões de retirada, por uso e Região Hidrográfica
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Referências

Documentos relacionados

Deste modo, o objetivo da presente pesquisa é propor um índice de qualidade inorgânica da água (IQA Fis ) para avaliar a influência de atividades do cemitério Campo