F881b Boi roubado: uma tradição de trabalho partidário na região sisaleira / Daiane de Araújo França. A dissertação intitulada Boi Roubado: uma tradição de trabalho partidário na região sisaleira estuda a expressão cultural da região sisaleira baiana denominada Boi Roubado.
BOI ROUBADO: A DIVERSÃO E O TRABALHO
O boi: uma figura com múltiplas faces e denominações
3 Disponível em: http://www.maranhaodagente.com.br/sao-joao-de-sao-luis-sera-divulgado-no-exterior/. 8 Disponível em: http://bomjesusrn.blogspot.com.br/2012/04/boi-de-reis-no-largo-da-lagoa.html.
Cultura, Popular, Cultura Popular: algumas considerações
A cultura pode ser entendida como um conjunto de padrões comportamentais das pessoas baseados em suas crenças, hábitos e forma de ver o mundo. Em nota de rodapé, o autor afirma que “as inovações técnicas – reais – não visam a economia real, mas sim o jogo da distinção social” (idem, p. 33); acabar no lixo.
O espaço de onde falo: a Região Sisaleira
As narrativas orais e a performance de Boi Roubado reiteram o papel das expressões artísticas neste cenário em que se negociam valores culturais, colocando em cena vozes e discursos questionadores, caracterizado pela permanência de uma tradição oral que transita entre a cultura letrada e a cultura da massa. É o que acontece quando os tocadores do Boi Roubado incorporam diversos temas e discursos em suas músicas de trabalho, que vão desde improvisações até trechos de músicas prontas que circulam na comunidade.
Boi Roubado: uma expressão da cultura camponesa
A tradição festiva do trabalho
Nesse sentido, o passado pode ser conhecido como manifestações populares revitalizadas, seguindo um caminho onde o passado se soma às experiências presentes e é reinterpretado. Em outras palavras, a midiatização pode ser entendida como múltiplas interseções entre tecnologias de mídia, campos e atores sociais, mídias sociais tradicionais e sociedade.
Enquadramento geral da pesquisa: métodos de registro e
Ao longo do tempo e com a promoção dos estudos comparados e dos estudos culturais, houve uma expansão de novas possibilidades no mundo acadêmico, principalmente no que diz respeito aos diferentes discursos que foram incluídos no cânone, como é o caso das expressões culturais e populares. produções de literatura oral. Este será um dos principais conflitos para os pesquisadores da área de literatura interessados na literatura oral, mas este esforço abre novos caminhos e fortalece o lugar da literatura oral nos estudos literários e especialmente na academia. Bradley (1993 apud NEVES, 1996, p.4) recomenda que seja verificada a credibilidade do material investigado, que o pesquisador garanta a fidelidade no processo de transcrição antes da análise, que leve em consideração os elementos constitutivos do contexto e garanta a possibilidade de mais tarde confirma todos os dados pesquisados.
As pesquisas realizadas para esse fim resultam em grande quantidade de informações, por meio de palestras e pesquisas teóricas, gravações de áudio e vídeo e uma série de objetos que fazem parte da cultura examinada, que devem ser cuidadosamente gerenciados para que a análise e o processamento não é prolongado ou excessivamente limitado. Nessa perspectiva, outro aspecto torna-se mais relevante nesta discussão: os estudos contemporâneos tentam dar preferência às diferentes linguagens e manifestações que aparecem no texto cultural, afastando-se assim do medo do desaparecimento das tradições que cercavam os folcloristas e mantinham eles nos fizeram acreditar na salvação. através do cadastro. O que se faz atualmente é registrar uma determinada expressão para avaliar como ela se estabeleceu na tradição naquele determinado momento, pois à medida que as tradições (re)significam-se, as expressões culturais também mudam.
Se quisermos preservar uma manifestação cultural, no sentido de que ela permaneça coletivamente significativa, devemos preservar a sua capacidade de diferir, de não ser idêntica a si mesma, não à sua identidade.
PERFORMANCE E CANTOS DE TRABALHO: AS
O ritual performático do Boi Roubado
Para descrever a construção dos aspectos cenográficos que constituem a expressão cultural do Boi Roubado, foram utilizadas as gravações Vamos Roubar um Boi. Abaixo encontramos essa descrição, classificada de 1 a 5, em onze imagens postadas por Valdir Carneiro (2011), tiradas na Fazenda Massapê, a cerca de quatro quilômetros da cidade de Ichu. Esta sequência de procedimentos elencados descreve, como já mencionado, a construção dos aspectos cenográficos do Boi Roubado.
Bom espaço para eu sentar. Bom espaço para eu sentar..20. 20Vale ressaltar que todas as músicas transcritas durante este trabalho foram retiradas da gravação 10º Boi Roubado da Fazenda Quixabeira, município de São Domingos – Ba. Este momento é considerado o mais significativo e esperado da festa, pois os cantores cantam e elogiam os donos da casa, os participantes daquela festa, o trabalho, a cultura local e acima de tudo se divertem com muita cantoria e samba: . . 26Disponível em: http://www.ichunoticias.com.br/2011/04/trabalhodores-rurais-de-ichu-tentam.html.
Reflexões sobre as práticas da oralidade
- Algumas características do texto oral
É importante observar como tais fontes trazem a narrativa oral “do passado para o presente, de um lugar para outro, e como essas fontes personalizam a narrativa e a aproximam de outros tempos, de outros narradores, de outras culturas” (SILVA, 2003). Ao transmitir o imaginário intercultural da memória colectiva de inúmeras gerações, o texto oral pode permanecer na memória do emissor que, durante a performance, o adapta à realidade do grupo a que pertence. No ato da performance, por vezes, sob a pressão da competência narrativa do público, são introduzidos signos que atualizam o universo cultural em que o emissor se encontra, o que lhe dará mais funcionalidade e significado narrativo.
Estes portadores de tradição, seja coletiva ou individual, correm riscos contra a massificação que aliena o mundo que os rodeia. Isso acontece porque a memória, como qualquer forma de registro, é incapaz de compreender e relatar completamente a situação performática embutida no texto oral. Outra ressalva diz respeito à representação: na gravação, são feitas modificações no texto oral, sejam elas motivadas por escolhas metodológicas ou por direcionamentos diversos do pesquisador.
A passagem do texto oral para a escrita, pronunciada pelas palavras e/ou voz dos intérpretes, não garante mais que o texto permaneça o mesmo, principalmente porque durante a gravação se perde parte de sua propriedade mais importante: a performance.
Das dimensões da performance e da arte verbal
Além do saber-fazer e do saber-dizer, a performance se manifesta no tempo e no espaço. O aboio de roça nos dá a impressão de um desafio através de versos alternados com um 'oi' prolongado. Este apelo também pode surgir da aceitação de práticas passadas como modelo de referência.
Seguindo a perspectiva de Canclini (2008), observa-se que o autor percebe o hibridismo através de um prisma positivo baseado no multiculturalismo como um espaço dialógico entre diferentes culturas, possibilitando assim uma forma de tolerância entre elas. O hibridismo, desse ponto de vista, seria um processo resultante do choque, da colisão, não é um simples processo de adaptação e resignação cultural. São indivíduos que vivenciaram muitas histórias de sua sociedade, cuja memória atual consegue se desvencilhar das marcas de um presente muito mais arraigado do que no caso de um jovem.
Nessa perspectiva, o intérprete da transmissão oral possui conhecimentos baseados em experiências transmitidas de geração em geração. No contexto da globalização atual, a cultura de massas funciona como um modo de representação muito respeitado que também é, aos olhos de alguns críticos, colocado num lugar reducionista e subalterno, sendo fruto de um monopólio da indústria cultural. Segundo Santaella (2008), todas as formações sociais possuem áreas bem divididas (economia, política, cultura etc.) que se relacionam entre si e delineiam o lugar da cultura na sociedade atual.
Identidade e Diferença: aspectos constituintes de uma
Na medida em que tais símbolos se estabelecem como verdades, as diferenças são definidas e colocadas num patamar de inferioridade. As culturas locais entrelaçam-se e, assim, minam a sua localidade, ao mesmo tempo que adoptam uma cultura que partilham globalmente como consumidores, visitando centros comerciais e supermercados, andando pelas estradas ou aeroportos. O segundo dilema é aquele entre a impotência e a apropriação: hoje temos grandes oportunidades de adquirir diferentes modos de vida, de interagir em diferentes ambientes e de nos tornarmos bastante diferenciados, mas juntamente com estas vantagens trazidas pela globalização, temos que lidar com situações onde aumenta a sensação de impotência; Diante de certas instituições com alcance global e risco de grandes consequências, o sentimento de impotência radicaliza-se.
Hoje vivemos num pluralismo de autoridade, em que a ciência, a religião e os governos participam nas decisões sobre temas que se cruzam e estão interligados. A mídia de massa apresenta estilos de vida aos quais aspirar. As identidades representadas nas comunidades em estudo pretendem consolidar as suas raízes através das tradições e expressões culturais, ao mesmo tempo que procuram articular constantemente diálogos com as diferentes esferas sociais, superando as influências do discurso estabelecido e acreditando na originalidade e funcionalidade dos seus. próprias confissões.
Dado que as práticas culturais e a vida quotidiana da comunidade funcionam como um guião de significados, o termo cultura popular, discutido no Capítulo II e ao longo do trabalho de investigação, deve ser utilizado no quadro da pluralidade, entendendo que não existe apenas um único povo popular, cultura que representa todas as manifestações culturais populares.
Oralidade e Identidade: lugares de resistência
Um repertório de significados é ativado a partir da presença de identidades emergentes através dos tocadores do Boi Roubado e dos moradores locais que não conseguem representar uma identidade singular, dando origem a novas concepções de sujeitos. Por meio de trabalhos como esse, torna-se possível registrar e divulgar práticas culturais transmitidas de geração em geração, perpetuando culturas e tradições diversas, como é o caso da região sisaleira da Bahia, que por meio deste estudo de tese é uma das reveladas e redefinidas suas expressões culturais, o Boi Roubado. Em determinadas situações, algumas delas podem constituir uma produção poética, como é o caso das canções de trabalho produzidas durante o trabalho no campo, com o objetivo de diminuir o esgotamento do trabalho cotidiano e de quem interpreta a expressão cultural do entretenimento Boi Roubado.
O contato com Boi Roubad confirmou o fato de que a oralidade está sempre muito próxima de uma situação existencial. E aí meu nome é Carlos Bispo de Souza e ele é o inventor do samba e da carne roubada. INT: É sempre assim, todo ano sempre roubamos gado das roças dos nossos amigos e é assim que somos, somos amigos.
INT: Sim, isso é algo que já temos no ININ, só cantamos o que sabemos. Houve momentos em que estávamos deitados em casa, tudo o que podíamos fazer era ver o foguete subir nos nossos campos, estávamos todos inseguros. Também só levamos gado para fazenda de amigos, não levamos pessoas que não conhecemos, só se nos convidarem.