RS 2030: A Agenda de Desenvolvimento Territorial (RS 2030) dá sequência a uma série de trabalhos futuros sobre o desenvolvimento do Rio Grande do Sul desenvolvidos no âmbito da Secretaria de Planejamento e Participação Cívica (Seplag) do Estado do RS. A Agenda RS 2030: Desenvolvimento Territorial tem como objetivo identificar diretrizes para o desenvolvimento do território gaúcho num futuro próximo, a partir da descrição das dinâmicas territoriais recentes.
André Luís Forti Scherer Diretor Técnico da FEE
O segundo volume apresenta e discute as tendências demográficas e regionais com uma projeção da distribuição territorial da população e da distribuição regional do PIB per capita até 2030, elaborada pela equipe da FEE. O terceiro volume apresenta perspectivas para o ano de 2030 com tendências e hipóteses para a economia e a sociedade da República da Eslovênia, com base no cenário da economia global e brasileira e no conteúdo dos volumes anteriores.
Álvaro Pontes de Magalhães Junior Diretor do Deplan-Seplag
O primeiro volume descreve a dinâmica territorial recente e o desenvolvimento do debate sobre questões regionais no Rio Grande do Sul em artigo elaborado por uma equipe do Departamento de Planejamento Governamental da Secretaria de Planejamento, Gestão e Participação Cidadã (Deplan-Seplag). O objetivo é que esses conteúdos sirvam de referência para a elaboração do PNE 2016-2019 e dos planos regionais que serão desenvolvidos a partir de 2015.
O RIO GRANDE DO SUL EM 2030: APONTAMENTOS PARA UMA AGENDA DE DESENVOLVIMENTO *
1 Introdução
Com este trabalho, procuramos identificar os principais gargalos e as principais oportunidades para a articulação da economia gaúcha com a nova realidade global e nacional. A seção 4 apresenta uma avaliação da situação socioeconômica do Rio Grande do Sul, que inclui uma análise do desempenho econômico na última década e um diagnóstico das principais condições sociais.
2 Elementos para a definição de uma trajetória para a economia mundial
O paradigma tecnológico
Um importante relatório da consultora McKinsey, que trata das 12 inovações com maior impacto económico até 2025, estima que seis dessas inovações estarão diretamente relacionadas com as tecnologias de informação. Embora sejam as mais dinâmicas como promotoras de lucros, as grandes empresas ligadas às tecnologias de informação e comunicação ainda não conquistaram a liderança do processo institucional.
Desafios da geopolítica
Assim, prevê-se que a velocidade do processo de destruição dos principais sectores associados à revolução tecnológica ocorrida no início do século XX se mantenha relativamente lenta até 2030, o que teria consequências no potencial de crescimento da economia mundial durante este período. São conflitos que podem atrair diferentes interesses internacionais, como demonstram as reações na Europa e nos EUA a estes dois episódios.
3 A transição brasileira para um novo modelo de crescimento
O custo deste equilíbrio foi a redução da competitividade da indústria transformadora e a aceleração de um processo inicial de desindustrialização (Gráfico 3). Não obstante, a produção industrial cresceu no período, beneficiando, ainda que parcialmente, da expansão do mercado local e da boa situação económica dos países latino-americanos. Índices de volume da indústria de transformação, consumo das famílias e formação bruta de capital fixo (FBCF).
Neste contexto, a partir do crescimento da procura interna e da perda de competitividade industrial, o excedente inicial da balança comercial da indústria transformadora rapidamente se transformou em défice, devido ao aumento da penetração das importações na satisfação da procura interna de bens industriais (Gráfico 5 ). . Contribuíram para esse desempenho a recuperação dos preços das commodities, acompanhando o aumento da especulação financeira, na esteira das medidas de expansão monetária nos países desenvolvidos, e a adoção, pelo governo brasileiro, de políticas fiscais e monetárias para estimular o consumo e a economia. investimentos, com foco na expansão do crédito, isenções fiscais para o consumo de bens duráveis e para setores da indústria de transformação mais sensíveis à concorrência externa, e para o plano de apoio a investimentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) . Entre elas destacam-se a dinâmica das indústrias agroindustriais e extrativas, dada a perspetiva de crescimento contínuo da procura global de alimentos e matérias-primas e as vantagens comparativas do país nestas atividades; a atividade extrativista no pré-sal e as oportunidades em termos de desenvolvimento industrial (reindustrialização), territorial e tecnológico que sua exploração traz; e, finalmente, investimentos públicos e privados em infra-estruturas económicas e sociais, que são ao mesmo tempo uma necessidade e uma oportunidade de crescimento.
Estes vetores, se geridos de forma satisfatória, têm o potencial de desencadear um novo ciclo de crescimento da produção e da renda, desencadeando uma nova rodada de fortalecimento do mercado interno e de retomada da produção na indústria e permitiriam o investimento privado, aumentando assim a produtividade e, finalmente, conciliar a continuidade do processo de desenvolvimento e integração social com o controle da inflação.
4 A situação socioeconômica do Rio Grande do Sul
- Crescimento da economia gaúcha e mudança setorial
- A dinâmica industrial
- PIB per capita, emprego e renda
- A situação social no Rio Grande do Sul: alguns desafios
- Educação
- Saúde
- Saneamento
- Evolução das necessidades habitacionais no RS
- Regularização fundiária e reassentamento
- Principais problemas ambientais
Ao lado de São Paulo e Rio de Janeiro, o Rio Grande do Sul está entre os estados que mais perderam participação na última década. Em suma, até 2003, o Rio Grande do Sul manteve sua participação na economia nacional em torno de 7,0%. A redução da participação do Rio Grande do Sul na economia nacional não pode ser tomada isoladamente como evidência de uma crise estrutural na economia do estado.
É verdade que os resultados negativos desses segmentos não foram exclusivos do Rio Grande do Sul. Portanto, quando se leva em conta o crescimento populacional, a diferença entre o desempenho econômico do Rio Grande do Sul e a média nacional diminui. O Índice de Desenvolvimento Socioeconômico (Idese), elaborado pela Fundação de Economia e Estatística (FEE), é um índice sintético semelhante ao Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), que tem como objetivo medir o grau de desenvolvimento dos municípios do Rio Grande Sul. .
Domicílios particulares permanentes, por situação e tipo de abastecimento de água, no Rio Grande do Sul — 2010. Domicílios particulares permanentes por situação, tipo de domicílio e tipo de esgotamento sanitário, no Rio Grande do Sul — 2010 TIPO DE ÁGUAS RESIDUÁRIAS. O lançamento de esgoto doméstico não tratado em cursos d’água é um problema que atinge as três principais bacias hidrográficas do estado do Rio Grande do Sul.
5 A economia gaúcha em 2030: a renovação das formas de articulação com a economia nacional
A resposta da economia gaúcha ao modelo de expansão nacional que prevaleceu na última década foi condicionada pelas suas especificidades setoriais e demográficas. A rigor, a economia gaúcha tem aproveitado a tradição e a experiência do segmento metal-mecânico para ampliar sua participação como fornecedora de bens de capital para a agricultura, a indústria extrativa e a indústria de transformação nacional, indicando a possibilidade de outra renovação. das formas de articulação entre a economia gaúcha e a economia nacional. Existem tendências estruturais que apontam para um menor dinamismo da economia do estado, pelo menos em comparação com o que se poderia esperar para a média nacional.
Ao considerar as especializações manufatureiras do estado no contexto manufatureiro nacional, fica claro que a inserção da economia gaúcha neste ciclo é desafiadora. O desafio para os próximos anos é consolidar e ampliar a posição competitiva do estado na oferta de bens de capital para investimentos nacionais na indústria extractiva e infra-estruturas, ligando assim alguns segmentos da economia do estado ao ciclo de expansão nacional. Assim, o principal desafio da economia gaúcha, no contexto atual, é entrar, de forma competitiva, no ciclo de expansão nacional que se avizinha.
Isto implica por um lado a reorientação estratégica dos setores tradicionais e por outro a consolidação e ampliação da articulação da indústria de bens de capital do Rio Grande do Sul com a produção nacional.
6 A tendência de estabilização das dinâmicas territoriais
A conectividade do território, com o Brasil e o mundo
- A situação atual da matriz de transportes de carga
- A hipertrofia do modal rodoviário
- Os desafios impostos pela situação dos transportes
A tendência permite uma maior previsibilidade relativamente aos investimentos necessários para melhorar o transporte de mercadorias e passageiros, bem como as comunicações dentro do território e com toda a economia nacional, continental e global. Alguns aspectos são importantes - como a comunicação via Internet ou telefone - mas deve ser destacada a questão da infraestrutura de transporte de cargas (e também de passageiros), em que a existência de grandes obstáculos tem causado deseconomias de aglomeração, especialmente ao longo da extensa Porto Alegre. Aksi Caxias do Sul 22 Um panorama mais aprofundado da situação do transporte de cargas no RS e suas consequências pode ser encontrado em Milanez (2014).
É razoável supor que as ferrovias do RS transferem cargas para a condição rodoviária, o que é menos eficiente e mais caro quando se trata de grandes volumes. A movimentação de cargas está concentrada no aeroporto de Caxias do Sul e no Aeroporto Internacional Salgado Filho. O principal obstáculo para uma utilização mais intensiva do aeroporto para o transporte de cargas internacionais é o tamanho da pista, que limita a autonomia de grandes aviões cargueiros.
As soluções logísticas incluem, portanto, tudo, desde grandes estruturas de fluxo modal e intermodal até sistemas capilares, transbordos de carga ou plataforma e gargalos operacionais nas exportações.
A redução da área para atividade rural e os desafios à produtividade
A expansão da capacidade de produção agrícola no Rio Grande do Sul no período recente se deve à substituição de culturas após o estímulo dos preços e ao aumento da produtividade, em contraste com o país como um todo, que ainda está ampliando a área plantada. Um exemplo significativo é a diferença entre a capacidade de expansão da produção de soja no RS e no País. O Gráfico 15 mostra as curvas de comportamento da produtividade das três principais culturas de verão do Rio Grande do Sul – milho, soja e arroz.
É possível observar, nas curvas do gráfico 15, que a produtividade das culturas está crescendo, mas apresenta queda nos anos de dificuldades climáticas. O fracasso das colheitas é maior nas culturas de sequeiro – soja e milho – do que nas culturas irrigadas – arroz, um comportamento facilmente observado, mas não limitado, à colheita de 2004/2005. O que se pode deduzir desta breve análise é que a irrigação alivia os efeitos da seca e aumenta a produtividade das culturas, e que os actuais programas que visam aumentar a irrigação em áreas agrícolas tradicionais de sequeiro são directivas importantes para o desenvolvimento do território, bem como, por exemplo. melhorar as condições de transporte e logística para as exportações de grãos e agregar valor à produção agrícola30.
Isto inclui a continuação e expansão dos programas existentes para aumentar a irrigação nacional, acrescentando uma série de medidas financeiras e incentivando a qualificação das actividades rurais em curso.
As potencialidades indicadas pela disposição das aglomerações produtivas e das redes de ensino e pesquisa avançada
Distribuição territorial dos empregados nos segmentos de alta e média alta tecnologia, segundo Corede, no Rio Grande do Sul — 2013. 32 Um panorama desse tema pode ser encontrado no texto Rede de Educação e Inovação no Estado do Rio Grande do Sul (CARGNIN) e outros, 2014). Tartaruga (2014) também aborda esse tema em artigo intitulado Onde está o potencial de inovação do Rio Grande do Sul.
Contudo, a densidade das redes representa ativos potenciais para o desenvolvimento do estado, especialmente ligados à difusão da alta e média alta tecnologia, e indica um movimento de desconcentração, o que indica a expansão do eixo de desenvolvimento Porto Alegre-Caxias do Sul em direção noroeste pelo estado. É o caso das redes profissionais e de ensino superior, dos novos parques tecnológicos que se formaram junto com Passo Fundo, Erechim, Ijuí, Lajeado e Santa Cruz do Sul. As criações da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul contribuíram para essa internalização. (UERGS), em 2001, Universidade Federal do Pampa (Unipampa), em 2006, e Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), em 2009.
O Rio Grande do Sul incluiu vinte APLs no programa de fortalecimento de cadeias e arranjos produtivos locais, além de vinte núcleos de extensão produtiva (NEPI), que apoiam a auto-organização de empresas, produtores, comunidades e instituições.
Disponível em:
CENÁRIOS RS 2030