Seu objetivo científico é analisar a fragmentação do Estado moderno em decorrência da fase atual do processo de globalização e, a partir dessa observação, analisar o desenvolvimento do direito ambiental e a possibilidade do surgimento de uma sociedade civil global. Podem as ações de novos atores no cenário internacional moldar a emergência de uma sociedade civil global?
CONCEITO DE GLOBALIZAÇÃO
Uma das questões levantadas por este conceito é que os efeitos da globalização podem ocorrer mesmo em instituições e pessoas que não estão conscientes do processo em curso. Dois elementos fundamentais e inter-relacionados devem ser considerados para uma perfeita compreensão da globalização: o estado da tecnologia e o estado da política.
DIVERSIDADE DE GLOBALIZAÇÕES
A globalização como ideologia apresenta o nirvana económico na adopção de uma política económica única baseada, do seu lado, no neoliberalismo e no mercado. Para José Maria Gómez, “as visões mais apologéticas da globalização [..] destacaram a formidável possibilidade de lucro que se abre com a configuração final de uma economia mundial sem fronteiras [..]” 35.
GLOBALIZAÇÃO COMO PRODUTORA DE CRISES PLANETÁRIAS
- CRISE FINANCEIRA GLOBAL
- CRISE ECONÔMICA GLOBAL
- CRISE DE ESPERANÇA, DE FUTURO E DE SOLIDARIEDADE
- CRISE AMBIENTAL GLOBAL
A actual crise financeira global é fruto da crise do mercado imobiliário norte-americano, cujos primeiros efeitos se fizeram sentir em 2007. Edgar Morin70 afirma que “os factores encorajadores também estão a desmoronar-se: o espírito de competição e de sucesso desenvolve o egoísmo e decadência. solidariedade."
UM CONCEITO PARA O ESTADO
Sobre o elemento constitutivo do Estado que lida com a população, José Francisco Resek sublinha que “a dimensão pessoal do Estado soberano [...] não é a população individual, mas sim a comunidade nacional, ou seja, o conjunto dos seus cidadãos , incluindo as minorias que se estabeleceram no estrangeiro"87. O conceito apresentado pelo cientista dá ênfase à categoria de soberania, que está relacionada ao elemento constitutivo formal, o poder do Estado. O elemento constituinte que trata do poder estatal, conforme discutido acima, abrange duas subseções: governo e soberania.
Entende-se por governo as ações e preocupações relacionadas com a coordenação e funcionamento do Estado; Já a soberania está associada ao predomínio do poder estatal, à sua não limitação a qualquer outro poder e à sua independência em relação a outros Estados91. Através da análise dos componentes do Estado-nação, conforme explicado acima, podemos compreender a dimensão do seu desempenho, a sua capacidade e as suas limitações. As dificuldades que os Estados enfrentam para lidar com estas crises realçam a situação actual do Estado.
O MITO DO FIM DO ESTADO
Portanto, não reconhece, por exemplo, que a autonomia do Estado diminuiu no atual sistema económico de produção internacional e transnacional101. Segundo Celso de Albuquerque Mello, “vivemos, portanto, o início da era do desaparecimento do Estado e, consequentemente, da soberania” 106. Como resultado, a fragilidade do Estado no que diz respeito à autonomia na tomada de decisões para resolver seus problemas internos.
José Willian Vesentini complementa a ideia de manutenção do Estado afirmando que “esta intensa globalização reduziu ou relativizou o poder dos Estados-nação. A aparente perda de autonomia do Estado não constituiria, portanto, um processo de enfraquecimento do Estado nacional. O enfraquecimento do Estado como consequência direta da ação da globalização, dada a interferência nos seus elementos constituintes, aliado à ascensão das organizações internacionais, não marca de forma decisiva o início do fim do Estado-nação.
FUTURÍVEIS PARA O ESTADO
- O ESTADO MUNDIAL
- O MUNDO SEM ESTADOS
- O MUNDO DE SUPERESTADOS
- O MUNDO DOS ESTADOS DO BEM-ESTAR
No entanto, a teoria do Estado global confronta a questão da soberania do Estado à luz da necessidade de superá-la, a fim de garantir o cumprimento efetivo das normas jurídicas que regulam uma sociedade global. Outra questão polêmica relacionada à teoria do Estado mundial refere-se à forma a ser adotada por este Estado. Estas teorias prevêem um mundo sem Estados e estão divididas entre aqueles que vêem as transformações do Estado como sintomas da sua desintegração e aqueles que defendem Estados sem poder político.
As teorias já apresentadas referem-se apenas a dados quantitativos, ou seja, tratam do futuro do Estado apenas em termos quantitativos. Desta forma, um mundo de bem-estar, produto de uma mudança qualitativa no Estado e moldado por múltiplos estados de bem-estar, apesar de ser plenamente possível e desejável, pode ser visto como um futuro improvável para o Estado, pelo menos no curto prazo. . Contudo, as diversas teorias que discutem o futuro possível para o Estado não se apresentam como uma alternativa plausível porque se centram na estrutura tradicional do Estado nacional.
AS CONFERÊNCIAS DA ONU PARA O MEIO AMBIENTE
Considerando a enorme influência que tiveram no desenvolvimento da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, realizada em Estocolmo em 1972, o consenso é considerar os primeiros relatórios do Clube de Roma133 como a base do direito ambiental. A Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente Humano, em 1972, concluiu que o próprio conceito de desenvolvimento precisava de ser redefinido, tendo em conta a diversidade e a complexidade das questões envolvidas. A Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano constitui o que Gabriel Ferrer chama de primeira onda do processo cronológico do direito ambiental, que se caracteriza pela constitucionalização do direito ambiental em um grande número de países e pela consciência da necessidade de estabelecer limites ao crescimento. , para ter em conta as agressões dirigidas ao ambiente134.
Uma das propostas adoptadas na Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente em 1992 foi aumentar a ajuda aos países em desenvolvimento. A terceira “onda” no desenvolvimento da legislação ambiental começa com a nova Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente, em 2002, na cidade de Joanesburgo. Finalmente, em junho de 2012, foi realizada no Rio de Janeiro a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, Rio+20.
SUSTENTABILIDADE: EVOLUÇÃO CONCEITUAL
O conceito de sustentabilidade apresenta alta polissemia, abrangendo grande diversidade de significados, e pode ser visto mais como um conceito em discussão do que como uma categoria descritiva e estável no campo do diálogo ambiental. Para Gabriel Ferrer, o conceito de sustentabilidade vai muito além das questões econômicas, pois inclui também variáveis sociais e ambientais. Para Isabel Cristina de Moura Carvalho existem pelo menos três níveis de aplicação do conceito de sustentabilidade.
Segundo o autor, o conceito de Sustentabilidade pode assumir a forma de um fenômeno empírico, de uma ideologia e de uma categoria abrangente para repensar o mundo160. As contribuições doutrinárias apresentadas mostram o caráter multidisciplinar que engloba o conceito de Sustentabilidade e, por isso, também as dificuldades que a evolução conceitual tem enfrentado. Aprofundando os estudos relacionados ao conceito de Sustentabilidade, Gabriel Ferrer Real apresenta que a Sustentabilidade possui seis requisitos: a) que a sociedade que construímos seja planetária; b) alcançar um pacto de sustentabilidade com a Terra;
O PAPEL DAS ORGANIZAÇÕES NÃO GOVERNAMENTAIS
As ONG têm desempenhado um papel fundamental neste processo, não só pelo significativo crescimento quantitativo que têm apresentado, mas principalmente pela evolução qualitativa da sua participação. Além de atuar na reportagem, educação e defesa de políticas públicas mais eficientes e eficazes, as ONGs também estão envolvidas na implementação de projetos para fins de demonstração e promoção de novas práticas. Pela atuação nesta gama de funções e, consequentemente, pela expertise adquirida através do acúmulo de experiências, as ONGs passaram a incorporar novos e importantes papéis: assessoria, divulgação e sua multiplicação.
Em segundo lugar, através de uma presença activa como observadores registados no sistema das Nações Unidas, as ONG acompanham o processo de discussão, influenciando assim outras delegações governamentais171. Há fortes indícios de que as ONG irão provavelmente desempenhar um papel crescente nas negociações internacionais, como catalisadores de mudanças destinadas a envolver a sociedade civil no processo de tomada de decisão e como instrumento de uma cidadania global em evolução, enraizada em valores humanos universais173. Nesse sentido, ressalta-se que a principal característica das ações das ONGs, relacionadas ao fortalecimento das organizações da sociedade civil, refere-se à capacidade que as ONGs têm de levar os problemas do nível local para o global e vice-versa.
A NOVA GLOBALIZAÇÃO DO SÉCULO XXI
Certos comportamentos parecem querer manter viva a chama da solidariedade consubstanciada na defesa dos direitos humanos, da democracia e do ambiente. Aqui e ali há sinais de que um outro mundo está a emergir dos mundos em crise de globalização. É interessante notar que as mesmas técnicas que permitiram o florescimento da globalização nas suas diversas formas também estão em funcionamento ao serviço do mundo em busca de um novo mundo.
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TRANSNACIONALIDADE E ESTADO TRANSNACIONAL AMBIENTAL
Com a criação do Estado-nação, a Lex mercatoria está lentamente a perder terreno para a legislação nacional, o que de certa forma acontece. Primeiros Ensaios sobre a Teoria do Estado e da Constituição. A principal característica da questão ambiental vital é a sua perspectiva transnacional global. Somente com a criação de um Estado Ambiental Transnacional será possível construir um compromisso solidário e global em favor do Meio Ambiente, de forma a garantir a melhoria contínua da relação entre o homem e a natureza de forma preventiva e preventiva201.
Para Sérgio Ricardo Fernandes de Aquino, “o Estado transnacional deve basear a sua formulação – política, económica, social – na protecção das pessoas através de critérios apropriados nos quais percebam o significado das muitas reacções mútuas entre as culturas do mundo” 202 Isto posicionamento é compartilhado por Paulo Márcio Cruz, que defende que a ideia de um Estado transnacional é uma das alternativas possíveis ao Estado constitucional moderno. Nesse sentido, segundo as apresentações dos autores, as novas configurações do mundo contemporâneo permitem a discussão do Estado ambiental transnacional como um futuro para o Estado e, mais do que isso, a possibilidade de uma sociedade solidária verdadeiramente comprometida com a preservação do bem-estar. natureza. o planeta.
A SOCIEDADE CIVIL GLOBAL
A criação de uma Sociedade Civil Global baseada na ação global (nos chamados espaços transnacionais) por indivíduos espalhados por todo o planeta e unidos (em solidariedade) com base em causas planetárias comuns (especialmente questões ambientais) ganha força e contornos mais claros a cada dia . A relação entre os objetivos da associação e o seu alcance favorece o estabelecimento de uma sociedade civil mais ampla. O presente trabalho teve como objetivo examinar o momento atual do Estado-nação, a partir dos impactos observados pelo atual estágio do processo de globalização, a fim de analisar a evolução do Direito Ambiental e a emergência de uma sociedade civil capacitadora global.
Como resultado deste facto, o quarto capítulo também desenvolveu a alternativa do estado ambiental transnacional e a possibilidade do surgimento de uma sociedade civil global. A emergência de uma sociedade civil global baseada na atuação das ONG no espaço transnacional determina a emergência de um novo mundo que começa a delinear os seus contornos e pode dar origem a uma nova ordem jurídica global. Neste sentido, a emergência de uma sociedade civil global justifica-se devido às actuais crises planetárias e à incapacidade dos estados nacionais de agirem eficazmente no tratamento das mesmas crises.
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