259 AÇÃO COMUNICATIVA ENTRE O SISTEMA E O MUNDO DA VIDA: UMA OPORTUNIDADE PARA REALIZAR OS DIREITOS HUMANOS DOS TRANSMIGRANTES EM CASO DE DECISÕES DE RETORNO. 278 6.4 A JURISDICIONALIZAÇÃO DAS MATÉRIAS RELACIONADAS COM AS DECISÕES DE RETORNO E OS DIREITOS HUMANOS DOS TRANSMIGRANTES NA UNIÃO EUROPEIA.
DO ESTADO NA IDADE MÉDIA AO ESTADO ABSOLUTO
A era moderna é assim caracterizada pela instalação do Estado Absoluto, em que o poder do Estado era visto como sujeito único e exclusivo da política, e a soberania era concentrada apenas nas mãos do soberano51. Assim, com a evolução do pensamento humanista, apoiado pelo Iluminismo, veio a ascensão do Estado liberal, imbuído dos ideais de liberdade, igualdade e fraternidade da Revolução Francesa.
O ESTADO CONSTITUCIONAL MODERNO: DO LIBERALISMO AO
Segundo este conceito, “[..] a autoridade central do Estado é exercida apenas na forma de lei. Seguindo o modelo de Estado-providência adoptado por muitos países, vários outros sistemas de protecção social foram criados em todo o mundo, não como um modelo copiado, mas como um modelo de relações a seguir entre o Estado e os indivíduos e o Estado e o mercado.
O NEOLIBERALISMO
- O Estado segundo os argumentos neoliberais
- Uma prévia a alguns sintomas de crise do Estado: as falácias neoliberais
Portanto, para que o mercado cumpra a sua função de alocar eficientemente os recursos económicos – terra, capital e trabalho – os neoliberais profetizaram a ideia de que a interferência do Estado deveria ser sempre a mais mínima possível, restando apenas a protecção das liberdades dos indivíduos e a manutenção da lei e da ordem. O factor mais importante reside na visão de que o mercado livre é o único mecanismo que promove o crescimento e o desenvolvimento.
A CRISE OU O FIM DO ESTADO?
- A Nação frente à crise estatal
Para o autor, as figuras do Estado e da Nação devem ser tratadas separadamente, tendo em conta as diferenças entre elas: o Estado é uma sociedade (que pode ser natural ou voluntária e agrupa as pessoas em torno de um objectivo comum, pressupõe a existência de entidades legalmente manifestações ordenadas, com poder social reconhecido pelo ordenamento jurídico) e a Nação é uma comunidade (que é um facto independente da vontade, sem a existência de qualquer outro objectivo que não seja a preservação da própria comunidade, sem a existência de qualquer relacionamento, como o comportamento dos membros é determinado a partir de sentimentos comuns, até porque não se baseiam em nenhuma regra legal). Ora, não se poderia esperar o contrário do Estado: “Se for aceita a teoria de que o Estado foi criado apenas para garantir a existência de uma ordem social injusta, com o objetivo de removê-la para que as injustiças desapareçam, será necessário. perguntar sobre as possibilidades concretas de sua eliminação, dadas as condições do mundo atual"151.
CONSIDERAÇÕES SOBRE A SOBERANIA ESTATAL
- Conceituando a Soberania
- A possibilidade de redefinição da Soberania
Neste ponto, o autor define as primeiras características do conceito de soberania, com base nas características da República, mas separando a soberania do poder temporal e vinculando-a ao poder estatal. 155 Azevedo adverte que “a soberania no seu significado exato e correto não denota poder, mas uma qualidade do poder estatal”. Nesse sentido, como mostra Heller: “[..], a soberania do Estado nada mais é do que a consequência necessária de sua função social.
A soberania interna refere-se assim à imposição da ordem jurídica do Estado para eliminar conflitos internos167. 169 Segundo Ferrajoli, “a ideia de soberania tem uma matriz jusnaturalista, que serviu de base para a concepção juspositivista do Estado e do direito internacional moderno.
PERSPECTIVA HISTÓRICA E CONCEITUAL
Para efeitos de demarcação de espaço e tempo, a globalização será, portanto, tratada como um acontecimento que coincide com a ascensão do capitalismo. 212 “A globalização é, portanto, um conjunto complexo de processos, e não apenas uma intersecção, que funciona de forma inconsistente e contraditória. Contudo, o autor também apresenta uma análise multidimensional do fenômeno a partir de seus aspectos sociais, econômicos, políticos e culturais, mas os chama de paradoxos da globalização (BECK, Ulrich).
214 “A globalização pode não apresentar a perspectiva de um mundo particularmente atraente ou sofisticado, mas ninguém que queira compreender a direcção em que o novo século está a caminhar pode ignorá-la.” 219 Giddens divide a globalização em dimensões, embora não faça uma suposição geral, porque entende que a faceta económica é também uma dimensão da globalização, além das outras.
O FENÔMENO DA GLOBALIZAÇÃO ECONÔMICA
- A dimensão política da Globalização
- A dimensão social da Globalização
- A dimensão cultural da Globalização
- Considerações gerais da dimensão cultural da Globalização
Esta perspectiva iniciada por Santos propõe a existência de uma Globalização mais humana ou mais justa266. O texto é o resultado de uma consulta tripartida lançada após a publicação do Relatório da Comissão Mundial sobre a Dimensão Social da Globalização. Esta é uma mudança de paradigma que confronta tanto o antigo modelo de Nação como a ideia de homogeneidade cultural impulsionada pela Globalização.
Contudo, a pretexto da existência de uma política reconhecida por todos os cidadãos baseada no pluralismo cultural, muitos Estados continuam com uma Cultura política que seria o resultado da fusão da Cultura da maioria em torno da Constituição em vigor. Trata-se, portanto, de uma descrição das diferenças culturais e das formas como elas se relacionam nas mais diversas partes do planeta devido às coordenadas da globalização.
DA INTERNACIONALIZAÇÃO À TRANSNACIONALIDADE
Parece que a Transnacionalidade enquanto fenómeno representa um novo contexto global que se verifica a partir da intensificação de certas relações determinadas pela Globalização e pelas suas dimensões. Isto significa, portanto, que a Transnacionalidade surge da limitação da internacionalização e é verificada pela implementação da globalização. A citação de Jessup serve mais do que um ponto de reflexão, pois o que ele afirmava ser o início da globalização e consentia o surgimento de um complexo emaranhado de relações para além da capacidade reguladora e de intervenção do Estado Moderno.
Ambrosini322 menciona que a transnacionalidade pode ser verificada a partir da implementação das premissas de facilitação do transporte e da comunicação, da mudança de pertencimento a determinado grupo social ou político – ou seja, a partir dos acontecimentos produzidos pela globalização – onde se tornou possível vivenciar por uma vida dupla para muitas pessoas: através de contactos que atravessam e permeiam as fronteiras nacionais, que desconhecem nacionalidades ou normas pré-definidas e lutam por um reconhecimento que antes não era pensado. Isto significa, portanto, que o transnacionalismo questiona constantemente a lógica e a eficácia das formas já existentes de representar a pertença social, cultural, política e económica.
A UNIÃO EUROPEIA NO CONTEXTO DA TRANSNACIONALIDADE
O Tratado de Lisboa, também conhecido como Tratado Reformador, introduziu uma série de mudanças na estrutura da união: renomeou o Tratado da Comunidade Europeia para Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia; declara o fim da Comunidade Europeia, que é sucedida pela União Europeia; destruir a estrutura de pilares, conceder personalidade jurídica à UE, incluir o Conselho Europeu e o Banco Central na lista de instituições, conceder mais poderes ao Parlamento, etc. Desta forma, pode-se argumentar que a União Europeia é hoje “uma organização internacional (OI), que, no entanto, apresenta características diferentes de outras entidades da mesma natureza”330. 337 Existem três fontes de direito da União Europeia, nomeadamente fontes primárias, fontes derivadas e fontes de direito subsidiário.
Inevitavelmente, o aparecimento dos traços característicos da Transnacionalidade pode ser visto na União Europeia, ousando afirmar que se tornou uma arena para importantes eventos transnacionais. Assim, uma vez que os temas das Migrações e da União Europeia constituem objetos importantes deste estudo, optámos por abordar o fenómeno migratório primeiro numa perspetiva histórica, para possibilitar a sua posterior análise de acordo com o tema.
AS MIGRAÇÕES NO MUNDO: UMA ANÁLISE PRECEDENTE À
Tradução livre: “[..] no final do século XVII, a Espanha tinha uma população de cerca de 8 milhões; nos mesmos anos, a França atingiu quase 16 milhões. A Inglaterra não ultrapassou 5 milhões. Portugal tinha um milhão de habitantes e os Países Baixos tinham 3. A demonstração da composição heterogénea dos primeiros fluxos de massa dos países do noroeste é, por ex. o caso da emigração quase exclusivamente rural [..] e no segundo caso algumas migrações do trabalho de rua e artesanal e das cadeias profissionais de determinados trabalhos qualificados da construção” (tradução livre). Nos anos seguintes, devido às políticas restritivas adoptadas pelos países receptores de mão-de-obra, os fluxos migratórios provenientes da Europa foram reduzidos."
368 “No período entre as duas guerras mundiais, houve uma estagnação dos movimentos, especialmente dos movimentos transoceânicos. Contudo, imediatamente após a saída de um significativo contingente humano da Europa para a América, o mundo começou a assistir a um movimento inverso das ondas migratórias, justificado pelas mudanças económicas e sociais que começaram a destruir os países que anteriormente aceitavam imigrantes.
AS MIGRAÇÕES TRANSNACIONAIS: UM DESAFIO PARA A ITÁLIA E PARA
- As Migrações transnacionais como uma ameaça
- A Dicotomia entre a assimilação e a integração dos Transmigrantes
- Integração e Multiculturalismo frente às Migrações Transnacionais
Deve ainda ser tido em conta e sublinhado que a transnacionalidade das migrações garante a manutenção dos laços sociais do transmigrante com o seu país de origem, os seus costumes e a sua formação cultural. Assim, ao contrário das interpretações predominantes que tendem a apresentar a instalação do transmigrante como um processo de desconexão implícita do país de origem, as redes migratórias transnacionais envolvem a manutenção de laços e relações de transmigrantes tanto com o seu país de origem como com a sociedade de destino . . Esta instituição tem enfatizado a transnacionalidade das migrações, reconhecendo a importância das relações no acolhimento e na colocação de um transmigrante recém-chegado no emprego.
Outra realidade é que o carácter transnacional da migração remodela a composição cultural dos países e afecta a vida de todos os envolvidos. A partir deste processo de intensas relações mútuas, estabelecidas pelas migrações transnacionais num ambiente multicultural, busca-se uma forma harmoniosa de convivência do fator humano multicultural.
O PROCESSO DE FORMAÇÃO E AFIRMAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS 174
- Os Novos Direitos
Contudo, não devemos esquecer que os direitos humanos não prevêem rituais ou símbolos específicos. Particularmente no que diz respeito à religião, entende-se que outro desafio à implementação dos direitos humanos é o secularismo estatal. Esta posição mostra que o conceito de direitos humanos continuou a ser construído sob os auspícios da unidade, sendo também universal.
Portanto, a segunda dimensão dos direitos fundamentais abrange muito mais do que direitos de natureza benéfica, [...] independentemente da natureza. Não se pode negar que os direitos humanos dos transmigrantes são um dos dilemas de hoje.
A RELAÇÃO ENTRE CIDADANIA E DIREITOS HUMANOS
O argumento do autor segue a seguinte lógica: se os direitos civis fossem garantidos, as pessoas lutariam por direitos políticos e, consequentemente, conquistariam direitos sociais. Nota-se que o conceito de Cidadania substitui o estatuto de pessoa, a condição do Ser Humano como destinatário de todos os Direitos Humanos, ao enfatizar o cidadão como única condição para usufruir de tais direitos498. Para o autor, “os direitos humanos são naturais e alienáveis, enquanto os direitos civis são positivos.
Os direitos humanos são direitos fundamentais porque existem antes do Estado, enquanto os direitos civis existem. 502 “Estes direitos - como bem sabemos - sempre foram universais apenas em palavras: se normativamente, desde a declaração francesa de 1789, sempre foram os direitos da pessoa, na verdade sempre foram os direitos do cidadão.
OS TRANSMIGRANTES FRENTE ÀS PRINCIPAIS DECLARAÇÕES DE
- O sistema de proteção dos Direitos Humanos na União Europeia
- A dificuldade da efetivação dos Direitos Humanos dos Transmigrantes
A primeira declaração de direitos humanos criada no continente europeu através do Conselho da Europa foi a Convenção Europeia para a Protecção dos Direitos Humanos e das Liberdades Fundamentais de 1950 - CEDH515, que criou a Comissão dos Direitos Humanos e o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos - TEDH516. Considerando o percurso histórico da Comunidade, pode-se compreender que coube aos tribunais constitucionais italiano e alemão iniciar um debate sobre o papel da Comunidade Europeia na protecção jurídica dos direitos humanos. Nesta decisão foi feita uma análise do contraste entre o ordenamento jurídico italiano e o ordenamento jurídico comunitário, que trata indiretamente da questão dos direitos humanos.
Contudo, quando o Tribunal Constitucional italiano se pronunciou sobre a decisão em questão, concluiu que a norma do direito nacional deveria ter precedência, mesmo que entre em conflito com uma norma do direito comunitário, se violar os direitos humanos. Com base nestas decisões jurídicas nacionais, podemos falar do surgimento de ações mais concretas e transparentes em relação à proteção dos direitos fundamentais no meio social, especialmente no que diz respeito aos direitos humanos.
O FATOR HUMANO DO PROCESSO MIGRATÓRIO
A CONDIÇÃO JURÍDICA DOS TRANSMIGRANTES NA UNIÃO EUROPEIA
A POLÍTICA DE IMIGRAÇÃO ITALIANA
A POLÍTICA DE IMIGRAÇÃO NA UNIÃO EUROPEIA