PRINCÍPIO: CONCEITO
Os princípios são de fundamental importância para o sistema jurídico e seu conceito e utilidade são sempre calorosamente debatidos. Para Eros Roberto Grau15, os princípios têm dimensão e peso maiores que as normas jurídicas.
POR UM PROCESSO PENAL CONSTITUCIONAL
- P RINCÍPIO DA NECESSIDADE DO PROCESSO PENAL
- P RINCÍPIO DO D EVIDO P ROCESSO L EGAL
- P RINCÍPIO DA I MPARCIALIDADE DO JUIZ
- P RINCÍPIO DA A MPLA D EFESA
- P RINCÍPIO DO C ONTRADITÓRIO
- P RINCÍPIO DO D UPLO G RAU DE J URISDIÇÃO
- P RINCÍPIO DA I SONOMIA ( IGUALDADE ENTRE AS PARTES )
- P RINCÍPIO DO E STADO DE I NOCÊNCIA
- P RINCÍPIO DA V ERDADE R EAL
- P RINCÍPIO DA P ERSUASÃO R ACIONAL OU DO L IVRE C ONVENCIMENTO M OTIVADO 28
À luz do que foi introduzido, passamos a estudar os princípios do processo penal de natureza constitucional. A contradição estabelece-se, portanto, juntamente com o princípio da ampla defesa, como pedra angular de qualquer processo e, em particular, do processo penal. A complexidade do conceito de presunção de inocência faz com que este princípio opere em diferentes dimensões no processo penal.
Considerando essas duas opções à disposição do juiz, cabe esclarecer que o princípio da presunção de inocência do acusado (art. 5º, LVII, CF/88) além da cláusula imutável (art. 60, § 4º, I , CF/88), é norma para julgamento em processo penal. Portanto, o artigo 156.º do Código de Processo Penal deve ser interpretado de acordo com a autoridade constitucional sobre a presunção de inocência do arguido. A Falácia Democrática das Reformas Parciais do Código de Processo Penal a partir da Teoria Legislativa de Manuel Atienza.
A falácia democrática das reformas parciais do Código de Processo Penal a partir da Teoria da Legislação de Manuel Atienza.
O SISTEMA INQUISITIVO
- HISTÓRICO
- CARACTERÍSTICAS
Para Jacinto Nelson de Miranda Coutinho95 “o ponto principal deste sistema é a centralização da acusação, da instrução e do julgamento na mesma pessoa, o que configura o seu ato como um ato de extrema superioridade sobre o arguido”. A primeira, denominada inquisição geral, era reservada à comprovação da materialidade e autoria do crime, e tinha caráter de investigação inicial e preparatória para a segunda fase (inquisição especial), que tratava do tratamento, ou seja, do tratamento. punição do réu. No sistema da Inquisição, segundo Coutinho98, destaca-se assim o enfraquecimento da defesa, quase levando à sua inexistência.
No sistema de inquisição existe a presença do juiz inquisidor que tem três funções, a saber: acusar, julgar e defender. Dessa forma, o juiz intrometido viola os princípios do devido processo legal, da iniciativa das partes, da imparcialidade do juiz, uma vez que não existe o devido processo legal, bem como da imparcialidade do juiz, o que representa um grande perigo. constitucionalmente a processo penal e, portanto, não pode ser permitida sob pena de deplorável retrocesso do sistema processual penal.
O SISTEMA ACUSATÓRIO
- HISTÓRICO
- CARACTERÍSTICAS
Contudo, o sistema processual acusatório consolidou-se na Inglaterra e foi inicialmente denominado Common Law, e tem como característica o fato de o acusado ser parte processual em pé de igualdade com a parte contrária que tem a acusação, que é separada do órgão judicial. . O processo penal acusatório é essencialmente um processo de partes onde acusação e defesa se opõem em posições iguais e que apresenta um juiz sobreposto a ambos. No sistema processual puramente acusatório, o arguido é, por excelência, parte no processo em pé de igualdade com a parte contrária, que tem assento na acusação, que por sua vez é separada do órgão judicial.
Uma das características mais importantes do sistema acusatório é a perfeita separação das partes processuais, ou seja, a separação entre juiz e promotor. No processo penal existem duas categorias diferentes: o Ministério Público exerce o ius ut procedatur, o potencial direito de acusar alguém (pedido acusatório), desde que cumpridos os requisitos legais;
O SISTEMA MISTO
Conclui-se assim que o nosso sistema processual penal é essencialmente inquisitorial, o que prejudica a defesa e possibilita a antecipação do processo penal. Existem vários vestígios inquisitoriais e vestígios no nosso direito processual penal que são contrários ao referido princípio constitucional. Existem inúmeros exemplos no nosso Código de Processo Penal e em leis especiais que pervertem o sistema do Ministério Público.
Por esta razão, é necessário consagrar o princípio da acusação como forma de humanizar o processo penal moderno. É necessária a implementação do Estado Democrático de Direito, abolindo os vestígios inquisitoriais presentes em diversos dispositivos do nosso Código de Processo Penal, tendo como paradigma a Constituição.
OS PODERES DO MINISTÉRIO PÚBLICO CONFORME A CF/88
O texto constitucional actualmente em vigor conferiu ao Ministério Público a liberdade, a autonomia e a independência funcional dos seus órgãos para defender os interesses inacessíveis do indivíduo e da sociedade, para defender a ordem jurídica e o próprio regime democrático. Agora os seus poderes para promover processos exclusivamente públicos e exigir investigações policiais e medidas investigativas têm uma base constitucional. São funções institucionais do Ministério Público Estadual: I – promoção privada da persecução penal pública na forma da lei;
Portanto, embora seja verdade que o aumento das funções do Ministério Público do Estado signifique uma evidência de maior intervenção do Estado na satisfação dos direitos, como reflexo da publicação do direito substantivo, não há dúvida de que a jurisdição estatal não trabalhar diretamente, pois deve permanecer inerte até ser desafiado, para tal finalidade estabelecida e profissional.134. Portanto, resta claro que o papel do Procurador-Geral é executar todas as ações relacionadas ao impeachment, e esse papel é garantido pela atual Carta Magna.
PODERES INSTRUTÓRIOS DO MAGISTRADO
Ainda em sua lição ele diz138: “(..) o papel do juiz é atuar como garantidor dos direitos do acusado no processo penal.”. No próximo capítulo será analisada a aplicabilidade do que determina o artigo 385 do Código de Processo Penal Brasileiro, sobretudo, com base nos princípios constitucionais e nos dispositivos que confirmam o Sistema do Acusado como sistema processual no Brasil. À partida, pode-se afirmar que a nossa Constituição – expressamente – não prevê a garantia de um processo penal conduzido pelo sistema adversário.
385 do Código de Processo Penal Brasileiro, que autoriza o juiz a condenar mesmo que a absolvição do Ministério Público esteja amparada nos princípios constitucionais que regem o processo penal. Assim, o sistema acusatório adoptado pela Carta da República, por oposição ao sistema inquisitorial adoptado pelo Código de Processo Penal, também seria cerceado.
DA VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA NECESSIDADE DO PROCESSO
Como já mencionado, o princípio da necessidade do processo decorre do caráter instrumental do processo penal, por ser o meio necessário para a imposição da pena. Assim, em caso de violação de bem juridicamente protegido, caberá ao processo penal, através da atuação de terceiro imparcial e de ações separadas das partes, providenciar o devido processo penal e, em última instância, impor ou não multa. . Nesta perspectiva, observa-se que a segurança da ligação entre processo e constituição não pode ser enfraquecida porque a constituição e a justiça penal estão fundamentalmente ligadas às questões mais importantes, nomeadamente a protecção dos direitos fundamentais e a separação de poderes. 151.
Portanto, é completamente inaceitável a regra prevista no artigo 385.º do Código de Processo Penal, que prevê a possibilidade de punição do juiz mesmo que o Ministério Público tenha manifestado a sua inocência, o que constitui uma clara violação do princípio da necessidade. do Processo Penal, fazendo com que a pena não seja legitimada pelo pleno exercício da ação acusatória. Portanto, é inaceitável em um Estado democrático de direito que exista tal figura de juiz, que representa um grande perigo para um processo penal constitucional, e portanto nunca poderá ser aceito sob pena de profundo retrocesso e arrependimento do sistema processual penal.
DA VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA AMPLA DEFESA
Portanto, é necessário que os juízes reconheçam a existência da inconstitucionalidade de normas legais que vão contra a Carta Magna e atribuam poderes que não pertencem a um juiz que deve ser imparcial e acompanhar o processo como garantidor dos direitos dos indivíduos. Assim, quando o Ministério Público na alegação final solicita a absolvição do arguido, o que de facto acontece no processo é que o Ministério Público subtrai do caso o debate conflituante no que diz respeito à análise das provas que foram apresentadas na fase anterior, e que pode ser considerado desfavorável ao acusado. E resumindo, citando a posição de Santiago Martínez, acrescenta: “Como pode a defesa responder a argumentos que não lhe foram apresentados?” 157.
Concluímos, portanto, de forma inequívoca, que a possibilidade de o juiz condenar e reconhecer agravantes nem sequer mencionados pelo Ministério Público acarreta nulidade absoluta, pois representa falta de defesa, uma vez que o suspeito só se defenderá daquilo que lhe for prejudicial. ele não irá contra o pedido do promotor. Portanto, é completamente descabido que exista tal dispositivo em nosso ordenamento jurídico, o que contraria todos os princípios garantidos aos acusados pela nossa Carta Magna.
DA VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL
DA VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO
Binder menciona: “A imparcialidade do juiz não brota de uma virtude moral, mas de uma estrutura de ação”. E acrescenta: “Não é uma qualidade pessoal do juiz, mas uma qualidade do sistema de acusação”. Como já mencionado no decorrer do trabalho, o sistema contraditório exige um juiz-espectador, e não um juiz-ator. Não importa se o CPP permite ao juiz alterar a atribuição (mutatio libelli) ou a sua definição legal (amendatio Libelli), pois a Constituição não o permite.
Não importa se o CPP prevê a possibilidade de o juiz atuar de ofício na produção de provas, pois a Constituição não permite isso. Não importa se o CPP permite a possibilidade de o juiz ser considerado culpado mesmo quando o acusador solicita a absolvição, pois a Constituição não o permite.
O MITO DA VERDADE REAL
Assim entendido, o rito da prova não é um formalismo inútil que se transforma em área-alvo, em exigência ética que deve ser respeitada, em instrumento de garantia do indivíduo. Portanto, o termo “verdade material” deve ser tomado no seu sentido próprio: por um lado, no sentido de verdade, afastada da influência que as partes desejam exercer sobre ela através da sua conduta processual; por outro lado, no sentido da verdade, que, embora não seja “absoluta” ou “ontológica”, deve ser sobretudo uma verdade judicial, prática e sobretudo não uma verdade obtida a qualquer custo: verdade processualmente válida.170 . O processo penal tem, portanto, a função de proporcionar meios de chegar o mais próximo possível do que realmente aconteceu, ou seja, o julgamento deve chegar o mais próximo possível e, na medida da força do processo, adquirir o conteúdo justo necessário. .não há verdade absoluta nas decisões judiciais.
Portanto, esta verdade verdadeira, quando procurada fora das regras e controles, degenera o juízo de valor e conduz a um processo penal autoritário e irracional, inadmissível num Estado Democrático de Direito. O que é então inadmissível é o que preconiza o artigo 385.º do CPP, que, recorrendo ao discurso da procura da verdade real, permite atualmente a existência da figura de um juiz curioso, totalmente inaceitável num país dito democrático.
DA OFENÇA AO PRINCÍPIO DA IMPARCIALIDADE
Garante a imparcialidade do juiz que proferirá a sentença, assegura o tratamento digno e respeitoso do acusado, que deixa de ser mero objeto para ser parte passiva do processo penal. O juiz deve colocar-se à mesma distância das partes, de modo a não prejudicar a igualdade entre elas, demonstrando assim claramente a sua independência em relação ao órgão de aplicação da lei e o seu desinteresse no processo. No processo penal, o arguido encontra-se em desvantagem em relação às autoridades estatais, pelo que a igualdade entre as partes só pode ser alcançada se existirem meios para reduzir esta desigualdade.
Em conclusão, se o conteúdo da reclamação nos processos civis é a afirmação do direito próprio, nos processos criminais é a afirmação de um direito legal de punir e o pedido ao Estado para exercer esse direito. Assim, o artigo 385 da Lei de Processo Penal, como tantos outros, viola o sistema contraditório, pois o juiz neste caso deixa de ser parte imparcial para atuar diretamente no processo.