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CRIANÇAS COM DISLEXIA

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Academic year: 2023

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Efeitos da manipulação de recursos de estímulos visuais no controle postural de crianças com dislexia / Milena Razuk. O objetivo do estudo foi verificar os efeitos da manipulação das características do estímulo visual sobre o controle postural de crianças com dislexia.

Dislexia

Incidência

Causas da Dislexia

Déficit Fonológico

A consciência fonológica refere-se à atenção que o indivíduo dá à construção sonora de uma linguagem oral e pode ser percebida, por exemplo, ao realizar testes de apagamento, adição ou subtração de sílabas/fonemas (BRADLEY; BRYANT, 1978). Uma das razões para essa correlação entre nomeação rápida e consciência fonológica pode ser encontrada em alguns estudos (TORGESEN et al., 1994; VAN DER LELY; MARSHALL, 2010), que descrevem a nomeação rápida como uma ferramenta importante para o controle da atenção.

Déficit Cerebelar

Vários estudos têm apontado que a ocorrência de dislexia parece estar relacionada à capacidade de integrar os diversos estímulos sensoriais disponíveis no ambiente e, nesse caso, o cerebelo teria papel fundamental. Dificuldades em automatizar habilidades podem ser uma das muitas consequências experimentadas por crianças que, por algum motivo, têm dificuldade em integrar estímulos sensoriais de diferentes fontes sensoriais e usar essas informações para produzir respostas motoras (ou seja, leitura, escrita, fala e postura).

Déficit Magnocelular

Skottun e colegas (SKOTTUN, 2001) mostraram que a leitura de crianças com dislexia melhorou significativamente com o aumento da qualidade do estímulo visual. Assim, podemos sugerir que a qualidade do estímulo visual fez com que as crianças com dislexia se comportassem da mesma forma que as crianças sem dislexia.

Uso de Informação Sensorial no Controle Postural

As crianças com dislexia mostraram uma relação mais fraca e variada entre a informação visual e a oscilação corporal do que as crianças sem dificuldades de aprendizagem. Nesse sentido, é importante examinar cuidadosamente os efeitos da manipulação de estímulos sensoriais visuais em crianças com dislexia ao realizar uma tarefa postural.

Manipulação dos Estímulos Visuais em Crianças com Dislexia

Kapoula & Bucci (2007) manipularam a qualidade da informação visual e verificaram as respostas posturais de crianças com dislexia. Os resultados mostraram que tanto para crianças com dislexia quanto para crianças sem dislexia, houve redução da oscilação corporal na menor distância entre o observador e o cenário visual. Investigando a relação entre a informação visual de uma sala móvel e o balanço corporal em crianças com dislexia e em crianças sem dificuldades de aprendizagem.

Investigar o efeito da manipulação de uma fonte de informação visual sensorial na situação de oclusão da visão periférica em crianças com dislexia e em crianças sem dificuldades de aprendizagem. H1: Crianças com dislexia apresentarão pior desempenho no controle postural em comparação com crianças sem dislexia quando a informação visual for manipulada. H2: Crianças com dislexia apresentarão um acoplamento mais fraco e variado entre a informação visual e a oscilação corporal em comparação com crianças sem dislexia.

H3: Crianças com dislexia apresentarão desempenho inferior no controle postural em comparação com crianças sem dislexia quando a informação visual é evocada. H4: Crianças com dislexia terão melhor desempenho no controle postural do que crianças sem dislexia com informação visual limitada.

Participantes

Critérios de Inclusão

Como critérios de inclusão, as crianças com dislexia deveriam ter o diagnóstico fornecido pelo Centro de Avaliação e Referência da ABD ou pela.

Critérios de Exclusão

Procedimentos

A movimentação do espaço foi produzida por um sistema composto por uma guia linear (Ottime, modelo PL6-90C-LD-MT-RC), um motor de passo unidirecional (Ottime, modelo SM3452808) e um acionamento motorizado (Ottime, modelo MBD 8080DC), controlado por programas especiais (Motion Planner 4.3). Por meio desse sistema, a sala móvel movia-se continuamente para frente e para trás na frequência de 0,2 Hz, com amplitude de 0,3 cm, e a velocidade máxima permanecia constante em 0,38 cm/s. Na condição a distância, os participantes permaneceram a 25 cm (Figura 1) e 150 cm (Figura 2) da parede frontal da sala móvel.

Na condição de visão, os participantes ficaram com visão normal e visão limitada, em decorrência do uso de óculos de natação adaptados (Figura 3). Considerando um campo visual de aproximadamente 200 graus (WILLIAMS; . DAVIDS; WILLIAMS, 1999), quando os participantes ficaram a 25 cm da parede frontal, a visibilidade horizontal de cada parede lateral foi de aproximadamente 23,4 (ambos os lados: 46,8) graus, respectivamente, e a visibilidade horizontal foi de aproximadamente 2,3 graus da parede frontal. Quando os participantes ficaram a 150 cm, a visibilidade horizontal de cada parede lateral foi de aproximadamente 65 (ambos os lados: 130) graus, e a visibilidade horizontal da parede frontal foi de aproximadamente 70 graus (Figura 4).

Dois emissores infravermelhos do sistema OPTOTRAK CERTUS foram usados ​​para registrar a oscilação e o movimento espacial dos participantes nas direções anteroposterior, mediolateral e vertical. Para tanto, foi colocado um marcador entre as escápulas do participante (altura da 6ª vértebra torácica) e outro na parede frontal da sala móvel.

Figura 1 –  Foto  de  uma  criança  dentro  da  sala  móvel,  olhando  para  o  alvo  (círculo  branco)  afixado  na  parede  frontal  da  sala  móvel,  na  distância de 25 cm entre alvo e observador
Figura 1 – Foto de uma criança dentro da sala móvel, olhando para o alvo (círculo branco) afixado na parede frontal da sala móvel, na distância de 25 cm entre alvo e observador

Tratamento e Análise dos Dados

As seguintes variáveis ​​dependentes foram usadas para examinar a relação entre a informação visual e a oscilação do corpo durante as condições de movimentação da sala: coerência, amplitude de oscilação da frequência do estímulo (sfsa), ganho, fase, variabilidade de posição e variabilidade de velocidade. A amplitude de oscilação da frequência do estímulo (SFSA) é o valor da amplitude do espectro de oscilação do corpo correspondente à frequência do estímulo (0,2 Hz). O ganho é uma medida que permite verificar o quanto um sistema afeta o outro, neste caso o movimento da sala fazendo o corpo oscilar, e pode ser calculado pela razão entre a amplitude do espectro de oscilação do corpo e a amplitude do espectro de movimento da sala.

É fornecido em graus, com valores próximos a 0 indicando uma relação de fase entre a oscilação do corpo e o movimento espacial. A variabilidade da posição e velocidade da oscilação corporal indica a amplitude da oscilação corporal (posição e velocidade) em frequências diferentes da frequência do estímulo sensorial apresentado, neste caso 0,2 Hz. Eles foram calculados obtendo-se o desvio padrão da trajetória da oscilação corporal após a remoção do componente da oscilação corporal correspondente à frequência do estímulo sensorial (trajetória residual).

Primeiramente, serão apresentados os resultados da oscilação corporal quando as crianças permaneceram em pé com os olhos fechados dentro da sala móvel, que foi mantida imóvel. Posteriormente, serão apresentados os resultados da oscilação corporal quando as crianças foram deixadas em pé com os olhos abertos em diferentes condições de distância e visualização dentro da sala móvel, quando esta permaneceu estacionária e em movimento.

Magnitude de Oscilação Corporal

Manipulação da Informação Visual

Sala Estacionária

Sala Oscilando

A Figura 8 apresenta os valores médios da variável amplitude média de oscilação para crianças dos grupos controle e disléxico, nas condições de distância e visão. As crianças com dislexia apresentaram maior amplitude de oscilação corporal do que as crianças sem dislexia. As crianças com dislexia apresentaram valores de coerência mais baixos do que as crianças sem dislexia.

A Figura 10 mostra os valores médios da amplitude da oscilação na frequência do estímulo para as crianças do grupo controle e do grupo com dislexia, nas condições de distância e visão. Enquanto as crianças com dislexia apresentaram aumento da oscilação corporal com perda da visão periférica, o mesmo não foi verificado para as crianças sem dislexia. Os resultados deste estudo mostraram que crianças com dislexia tiveram desempenho inferior no controle postural em comparação com crianças sem dislexia.

Independentemente da condição de visão, as crianças com dislexia apresentaram maior oscilação corporal do que as crianças sem dislexia. Na condição sem visão, os resultados revelaram que as crianças com dislexia tiveram um maior grau de oscilação na direção ântero-posterior, em comparação com crianças sem dislexia.

Figura 6 –  Séries  temporais  do  movimento  da  sala  (SMap)  e  da  oscilação  corporal  (OCap)  de  uma  criança  sem  dislexia  (coluna  esquerda)  e  de  uma  criança  com  dislexia  (coluna  da  direita),  nas  condições  experimentais: 25 cm sem óc
Figura 6 – Séries temporais do movimento da sala (SMap) e da oscilação corporal (OCap) de uma criança sem dislexia (coluna esquerda) e de uma criança com dislexia (coluna da direita), nas condições experimentais: 25 cm sem óc

Sala Estacionária

As crianças com dislexia também balançaram mais do que as crianças sem dislexia, mesmo a uma distância de 25 cm e mesmo com os olhos fechados. Em contraste com o efeito da distância, o efeito da visão foi diferente para crianças com e sem dislexia. O uso de óculos, ou seja, a perda da visão periférica, resultou em maior grau de atividade física em relação à situação sem o uso de óculos pelas crianças com dislexia.

Esses resultados permitem sugerir que crianças com dislexia são mais dependentes da visão periférica em comparação com crianças sem dislexia. Portanto, as diferenças observadas entre crianças com e sem dislexia quanto à privação da visão periférica não podem descartar problemas relacionados ao uso de . Um maior grau de oscilação corporal observado em crianças com dislexia na condição em que havia privação da visão periférica pode ser atribuído ao modo como essas crianças usam a informação visual.

Caso contrário, nenhuma diferença seria observada em crianças com dislexia nas condições sem e com privação da visão periférica, como observado em crianças sem dislexia. Alguns autores sugerem que existem diferenças quanto ao campo de cognição do campo visual entre crianças com e sem dislexia (GEIGER; LETTVIN, 2000; LORUSSO et al., 2004).

Sala Oscilando

Estudos mostram que crianças com dislexia identificam letras e leem na região mais periférica do campo visual. Assim, os resultados deste estudo corroboram resultados anteriores, mostrando que crianças com dislexia utilizam a informação visual para o controle postural e, se a informação sensorial é manipulada, os movimentos corporais correspondentes são induzidos. A indução da oscilação corporal decorrente da manipulação visual permite investigar a relação entre a informação sensorial e a atividade muscular, sendo que neste caso as crianças com dislexia apresentaram um acoplamento sensório-motor mais fraco (menores valores de coerência) do que as crianças sem dislexia.

A observação de associação mais fraca em crianças com dislexia também não é nova, como já foi observado em estudos anteriores (BARELA et al., 2011a; DIAS; BARELA, 2007). No geral, os resultados mostraram que as crianças com dislexia apresentaram maior grau de oscilação corporal nas condições experimentais realizadas. Embora as crianças com dislexia sejam influenciadas pelo movimento espacial, resultando em oscilação corporal correspondente ao movimento espacial, elas observaram uma associação mais fraca.

Em um ambiente estático, crianças com dislexia tiveram baixo desempenho no controle postural com déficits de visão periférica. Quando o espaço era movimentado, ou seja, o estímulo visual era bem estruturado com frequência, posição e velocidade bem definidas, as crianças com dislexia apresentavam uma oscilação corporal semelhante às crianças sem dislexia. Com base nesses resultados, pode-se concluir que na presença de um estímulo estruturado, com frequência, posição e velocidade bem definidas, as crianças com dislexia apresentaram comportamento semelhante às crianças sem dislexia.

Projeto: "EFEITOS DA MANIPULAÇÃO DAS CARACTERÍSTICAS DOS ESTÍMULOS VISUAIS NO CONTROLE POSTURAL DE CRIANÇAS COM DISLEXIA".

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Tabela 1 –  Sexo,  idade,  massa,  estatura,  IMC  e  diagnóstico  das  crianças  do  grupo com dislexia
Tabela 2 –  Sexo, idade, massa, estatura e IMC das crianças do grupo controle.
Figura 1 –  Foto  de  uma  criança  dentro  da  sala  móvel,  olhando  para  o  alvo  (círculo  branco)  afixado  na  parede  frontal  da  sala  móvel,  na  distância de 25 cm entre alvo e observador
Figura 1 –  Foto  de  uma  criança  dentro  da  sala  móvel,  olhando  para  o  alvo  (círculo  branco)  afixado  na  parede  frontal  da  sala  móvel,  na  distância de 150 cm entre alvo e observador
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Referências

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