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CRISTINA BEATRIZ BORJA CUNHA MEMÓRIA E VERDADE

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Academic year: 2023

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A memória e a verdade é um direito implícito que deriva principalmente da jurisprudência internacional de vários órgãos de proteção dos direitos humanos. Devido à incompetência do Estado, as graves violações de direitos humanos ocorridas na região do Bico do Papagaio tornaram-se objeto de debate internacional, julgado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH). .

DIREITOS HUMANOS

A internacionalização dos direitos humanos

Dentre eles, a Convenção Interamericana de Direitos Humanos (CADH), documento que marcou e influenciou particularmente a constituinte originária brasileira de 1988 e que assegura um considerável catálogo de direitos (VIEIRA, 2002). A culpa histórica e o caso Guerrilha do Araguaia na Corte Interamericana de Direitos Humanos, promovendo o direito à verdade e à justiça no Brasil.

Sistemas de proteção dos direitos humanos

  • Sistema regional interamericano de direitos humanos

O BRASIL DA DITADURA

A guerrilha do Araguaia

Hoje são lembrados com carinho, principalmente pelo trabalho diário que realizavam junto às comunidades locais [...] (BRASIL, 2007, p. 195). Ao assumir o Planalto, em março de 1974, o presidente Ernesto Geisel recebeu a informação de que o caso do Araguaia já havia sido resolvido” (BRASIL, 2007, p. 198).

O BRASIL E A CONVENÇÃO AMERICANA

Toda a discussão sobre memória e verdade aparece na agenda dos direitos humanos na América Latina devido ao entendimento de justiça de transição (PIOVESAN, 2010b). O conceito de justiça de transição20 “[..] é recente e inovador [..]” (AMBOS et al., 2010, p. 27) e é amparado pelo movimento de direitos humanos e pela legislação e jurisprudência do direito internacional dos direitos humanos. direitos humanos. O que se busca, ao final de um período de abusos e graves violações dos direitos humanos, é sem dúvida a paz.

No caso Guerrilha do Araguaia, a Corte Interamericana reafirmou essa inadmissibilidade ao declarar a incompatibilidade da lei de anistia brasileira com a Convenção de Direitos Humanos dos Estados Unidos (IDH Court, 2010). Essa base convencional se estenderá aos casos de violações de direitos humanos ocorridos em regimes excepcionais. 63 Na petição, os representantes dos familiares alegaram que o Brasil violou a Convenção Americana sobre Direitos Humanos no que diz respeito aos artigos: Art.

Corte Interamericana de Direitos Humanos e a ampliação do conteúdo material do conceito normativo de jus cogens. Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3) / Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República - - Rev.

TRANSIÇÃO À BRASILEIRA

ANISTIA BRASILEIRA

FUNDAMENTAÇÃO

No quadro da legislação nacional, o direito à memória e à verdade também não encontrará um quadro legal que inicie formalmente a sua existência. No Brasil, com o advento da Constituição de 1988, pode-se dizer que o direito à memória e à verdade está implícito no texto, mas explícito na vontade constitucional. O direito à memória e à verdade é indelével como um dos fundamentos do Estado Democrático de Direito.

Podemos dizer ainda que o direito à memória e à verdade também está implícito no Título VIII43 da Constituição Federal. Apesar da ligação com a memória e a verdade, essa relação implícita não é positiva, ao contrário, negativa, pois as leis e seus regulamentos juntamente com a lei de anistia e suas interpretações constituem obstáculos jurídicos à efetivação do direito à memória. e a verdade.

ACEPÇÕES DO DIREITO À MEMÓRIA E VERDADE

A lei prevê a possibilidade de introduzir sigilo ad eternun para determinados documentos, ou seja, a possibilidade de prorrogação ilimitada dos prazos mais longos de confidencialidade dessas informações, desde que, antes do prazo de abertura dos arquivos, seja adiada a sua divulgação , nos termos do n.º 2 do artigo 6.º. Apesar dos entraves infraconstitucionais, pode-se dizer que o direito à memória e à verdade no ordenamento jurídico interno, apesar da falta de um marco normativo específico, “[..] compromissos internacionais firmados pelo Brasil (Art. 5º, § 2º)” (ALMEIDA e SAMPAIO, 2009, p. 263). A justiça não se limita exclusivamente ao entendimento jurídico-formal da justiça penal, mas também a justiça num conceito amplo e reparador – que é utilizada não apenas como complemento da justiça penal, mas em determinadas situações até como alternativa a ela.

INICIATIVAS DO BRASIL EM FACE DA MEMÓRIA E VERDADE

O Decreto 7.177 substitui a frase "examinar as violações de direitos humanos cometidas no âmbito da repressão política no referido período" (ou seja, as referentes ao período da ditadura militar), por Como resultado de toda a discussão sobre o tema, o Presidente da República, em janeiro de 2010, com o Decreto n. 2010, pág. 165) a quem coube a elaboração de um anteprojeto de lei para a criação da referida Comissão da Verdade. Ao final do julgamento, com sete votos contra, o STF rejeitou a ADPF (AMBOS et al., 2010).

A sentença que condenou o Brasil no caso Guerrilha do Araguaia é um marco na busca pela memória e pela verdade - com justiça - no Brasil. A decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos neste caso representa um passo importante na resolução do direito à memória e à verdade no país.

O TRÂMITE PROCESSUAL NO SISTEMA INTERAMERICANO

O caso [Guerrilha do Araguaia] na Comissão Interamericana também levou 13 anos, desde a denúncia inicial até a apresentação do pedido da [Comissão] à Corte Interamericana de Direitos Humanos em março de 2009. Em março de 2001, o A Comissão declarou que o caso Guerrilha do Araguaia65 seria analisado com o relatório de admissibilidade n. 33/0166, que destaca supostas violações dos artigos e 25, conforme o artigo 1.1, também de toda a Convenção Americana. como os artigos I, XXV e XXVI da Declaração Americana sobre os Direitos e Deveres do Homem (Corte IDH, 2010). Nos primeiros dias de março de 2009, o Brasil voltou a solicitar a prorrogação do prazo, desta vez por mais cinco dias, pedido que a Comissão voltou a aceitar – e concedeu a prorrogação por cinco dias – do prazo que expirava em 22 de março. , 2009.

Somente em 24 de março, ou seja, com dois dias de atraso, o Estado apresentou um relatório parcial sobre o cumprimento das recomendações contidas no relatório de mérito, bem como um pedido adicional de prorrogação de prazo, desta vez de seis meses. Conforme a CADH, após o trâmite perante a Comissão e o descumprimento por parte do Estado das recomendações por ela elencadas, em 26 de março de 2009 foi submetida à Corte a reclamação contra a República Federativa do Brasil devida à Guerrilha do Araguaia. caso 68.

PRINCIPAIS ARGUMENTOS DA COMISSÃO

Por sua caracterização como grave violação dos direitos humanos, a prática de desaparecimentos forçados “[..] A Corte Interamericana afirmou por unanimidade que todas as organizações de proteção dos direitos humanos, tanto no sistema global como no regional, reiteradamente afirmaram "[a] obrigação de investigar e, no que couber, punir as graves violações dos direitos humanos (Interamericana Tribunal, 2010, p. 53). Nesse sentido, a Corte lembra88 que o Comitê de Direitos Humanos da ONU “[..] concluiu que os Estados devem estabelecer o que aconteceu com as vítimas desaparecidas e levar à justiça os responsáveis ​​por elas” (Corte IDH, 2010, p.53). .

A partir da peremptória advertência ao direito de acesso à informação, a Corte segue reafirmando sua jurisprudência no sentido de que os familiares das vítimas de graves violações de direitos humanos têm o direito de conhecer a verdade sobre os fatos. Especificamente, o direito à verdade está intimamente relacionado com o direito à memória e à justiça, pois permite “[..] saber o que aconteceu com pessoas desaparecidas ou os fatos em casos de graves violações de direitos humanos [. .]” (PERRUSO, 2010, p. 93). Assim se expressa a violação por parte do Estado tanto do direito à liberdade de pensamento e expressão como do direito à integridade pessoal consagrados nos artigos 13 e 5 da Convenção Americana sobre Direitos Humanos.

Voto fundamentado do juiz ad hoc Roberto de Figueiredo Caldas sobre a sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos no caso Gomes Lund e outros. ("Guerrilha do Araguaia") vs.

PRINCIPAIS ARGUMENTOS DO ESTADO

CONSIDERAÇÕES DA CORTE

O desaparecimento forçado e os direitos violados das pessoas

Na decisão do caso Guerrilha do Araguaia, o Tribunal, ao tratar do desaparecimento forçado de pessoas, tratará primeiro da definição e caracterização do crime em questão, para depois entrar na discussão específica do desaparecimento forçado. foi o caso da Guerrilha do Araguaia. Além desse rol de direitos violados, o crime de desaparecimento forçado também é uma violação sistemática, praticada ou tolerada pelo Estado (Tribunal IDH, 2010). O entendimento de que o desaparecimento forçado tem caráter jus cogens surge em 1998, em Blake v.

O desaparecimento forçado viola os direitos ao reconhecimento da personalidade jurídica, à vida, à integridade pessoal, à liberdade pessoal, bem como os direitos à proteção e garantias judiciais, todos previstos na Convenção Americana sobre Direitos Humanos e listados acima. A sentença também destaca que, ao mesmo tempo em que amplia as medidas legais de ordem interna, o Estado deve adotar ações que garantam a justiça “[..] quanto aos fatos constitutivos do desaparecimento forçado por meio dos mecanismos existentes no direito interno” (Tribunal IDH), 2010, pág. 115).

A Lei de Anistia e o impedimento à investigação e persecução penal dos

Entre as medidas a serem adotadas pelo Estado, a Corte afirmou que este deve “[..] envidar todos os esforços para determinar onde as vítimas desapareceram e, se necessário, identificar e entregar os restos mortais a seus familiares, de acordo com com o que se decidiu [na] sentença” (Corte CIDH, 2010, p. 115). Consequentemente, não podem continuar sendo um obstáculo à investigação dos fatos do presente caso, nem à identificação e punição dos responsáveis, nem podem ter o mesmo efeito ou similar em outros casos de graves violações de direitos humanos registrados no Convenção Americana ocorrida no Brasil (Court IDH , 2010, p. 65). Assim, a Corte afirma não apenas a incompatibilidade da Lei de Anistia brasileira e suas interpretações com a Convenção Americana, mas também que o Estado não cumpriu sua obrigação de adequar seu direito interno às suas disposições, sendo assim responsável pela violação de garantias judiciais e proteção judicial prevista nos artigos 8.1 ou 25.1 CADH (Corte IDH, 2010, p. 114).

Além de encorajar o Estado a tipificar o desaparecimento forçado, a Corte reitera que “[c]ante o cumprimento desta medida, o Estado deve realizar todas as ações que resultem no efetivo julgamento e, se for o caso, na punição dos fatos que deram origem ao o desaparecimento forçado constituem, garantem. ” (Tribunal IDH, 2010, p. 115) utilizando os mecanismos existentes no âmbito do ordenamento jurídico interno. Outro ponto é a determinação do dever do Estado de publicar a sentença que o condenou no referido caso, pois, como aponta o tribunal, a própria sentença é uma forma de reparação e, conseqüentemente, de justiça para as vítimas e seus familiares parentes (Tribunal IDH, 2010, p. 100).

Falta de acesso à verdade e à informação e suas

É este julgamento, somado a todos os fatos e violações de direitos humanos, que levam os familiares dos políticos mortos e desaparecidos da Guerrilha do Araguaia à Comissão Interamericana de Direitos Humanos em 1995, que por sua vez leva à sua reclamação. contra o Brasil perante a Corte Interamericana. 94 O Tribunal refere, por exemplo, ao relatório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos. Dos países da América do Sul, o Brasil é o único que ainda não implementou procedimentos efetivos para investigar e avaliar as graves violações de direitos humanos ocorridas durante o período de exceção.

É principalmente pela forma banal de lidar com as graves violações de direitos humanos cometidas pelo Estado no passado (e também agora) que a “cultura da impunidade” se espalhou e prevalece no país. . No plano internacional, a questão será discutida desde a perspectiva da CADH e desde a perspectiva da proteção dos direitos humanos e da aplicação do princípio pro homine. Diante disso, e mais ainda das declarações de descumprimento compulsório das obrigações impostas pela Corte Interamericana, não se pode dizer que a defesa dos direitos humanos seja a força do Estado brasileiro.

Os crimes da ditadura militar: uma análise à luz da jurisprudência atual da Corte Interamericana de Direitos Humanos: Argentina, Brasil, Chile e Uruguai / Luiz Flávio Gomes, Valerio de Oliveira Mazzuoli, (organizadores).

Referências

Documentos relacionados

um grande número de observações e população bastante elevada para a sensibilidade do modelo. A China também é peculiar na análise, quando se leva em conta a