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CUIDADO INFORMAL DE PESSOAS VELHAS

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Academic year: 2023

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Nessa jornada devem ser levadas em consideração as condições de classe, raça, etnia, gênero e os valores de uma sociedade que valoriza a juventude. É fundamental uma perspectiva política e social mais ampla sobre este fenómeno do envelhecimento, com a adopção de medidas de protecção social, promoção da saúde dirigida a esta população, capaz de fazer face à transição epidemiológica que incentiva um elevado número de idosos com predominância de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), com acúmulo de consequências, que predispõem em certa medida à incapacidade, dependência e incapacidade, perda de autonomia e qualidade de vida. Este artigo discute o lugar do gênero feminino nas ações de cuidado ao idoso no domicílio, a fim de identificar os critérios ou fatores que influenciam essa escolha.

O trabalho de cuidado é múltiplo, implícito ou explícito em diferentes tarefas que normalmente ficam confinadas ao lar, junto a quem nele mora. Nesta nova reconfiguração temporal podemos observar também a estruturação de um mercado de trabalho que se expande com este novo ‘nicho’, que exige política. Neste artigo chamaremos a atenção para o trabalho de cuidado realizado por cuidadores informais a pessoas de idade avançada, com dependência física ou cognitiva, em cuidados domiciliários, com o objetivo de compreender o lugar do género entre os fatores determinantes da eleição. do ser que cuida, bem como a urgência de formulação e implementação de políticas sociais destinadas a garantir direitos a esses sujeitos.

É um processo baseado em diferenças de género, de natureza biológica, que se reproduzem em grande parte através de vários estereótipos patriarcais e que reforçam binários como o homem forte e a mulher fraca. Reproduzido e reafirmado dentro e fora de casa, com base num conjunto de padrões morais, comportamentais, de natureza disciplinar com práticas inscritas nos corpos. Padrões dominantes na construção das identidades de género sob a influência do modelo político, económico e cultural de cada época e lugar, que serão decisivos na ratificação das mulheres nos cuidados e nas ações domésticas.

No que diz respeito à dinâmica de cuidar do outro, a imagem do altruísmo pessoal feminino esconde a dura realidade da subjugação, traduzida no ato de cuidar de mulheres brancas ou negras pobres, nas relações familiares precárias, na privação socioeconômica, no duro cotidiano de cuidar para idosos dependentes com mais solicitações. Estudos de Pinquart e Sörensen (2003) mostram o papel das mulheres com mais de 65 anos no cuidado de outros membros da família, com uma jornada que sugere incompatibilidade com a idade. Isto confirma a urgência de políticas públicas estaduais que reconheçam os atos de cuidado realizados principalmente pelo departamento feminino como trabalho a ser remunerado.

O esforço analítico no estudo permitiu visualizar que os atos de cuidado assumem diferentes formatos, embora em todos eles o traço feminino se destaque como ilustração. Sem problematizar as sobras, as demissões, as desigualdades de género aí criadas e que penalizam muito mais mulheres em todo o mundo. Um aspecto importante a considerar entre aqueles que realizam a prestação de cuidados a idosos com dependência física ou cognitiva é o cenário de dificuldades, desgaste físico, emocional e psicológico, o árduo trabalho diário que esta tarefa exige.

Assim como também é urgente que os movimentos feministas e sociais reforcem a luta pela garantia de direitos, através de políticas sociais, de tributação da riqueza em benefício das mulheres que prestam cuidados informais.

Década de 1930 à década 1950

Década de 60 até 1974

Após a implementação do Estado Novo (1926), surgiu o período do corporativismo, no qual podem ser identificadas duas fases no desenvolvimento da protecção social. Na primeira fase, foi desenvolvido um sistema de segurança social composto por duas áreas, segurança social e assistência social. O Decreto Legislativo n.º 2.115, de 15 de junho de 1962, suprime a exclusividade das instituições de segurança social vinculadas a pessoas colectivas, permitindo ao Estado a criação de novas instituições.

Nesse quadro de mudanças, foi publicada a primeira Lei de Bases da Política de Saúde e Assistência (Decreto-lei nº 2.120, de 19 de julho de 1963), que manteve a premissa de que o Estado deveria ter ações complementares no campo da saúde e da assistência. . política. Este diploma também reconheceu a responsabilidade de fornecer assistência social e serviços de saúde a instituições de caridade, sociedades mútuas e fundações. Verifica-se então que até à década de setenta a protecção social em Portugal tinha um carácter corporativo, sendo concebida como um conjunto de assistência social, sociedades mútuas e medidas de segurança social.

Verificou-se que até 1974 a intervenção social em Portugal limitava-se à ajuda corporativista de cariz caritativo, sendo a organização dominada por normas ético-religiosas ou sociopolíticas e doações de fundos disponíveis por organizações privadas que tradicionalmente as geriam.

De 1974 à primeira década do século XXI

Outro acontecimento importante neste domínio, mas centrado na prestação de cuidados de saúde, foi a criação do Serviço Nacional de Saúde em 1979 (Regulamento-Lei 56, de 15 de Setembro), no qual o Estado “garante o direito aos cuidados de saúde” (art. .1) e é “garantida a todos os cidadãos, independentemente da sua situação económica e social” (art. 4.º, n.º 1). Nesse período surgiu uma nova era de equipamentos e serviços para idosos e construiu-se um sistema de ação social baseado na responsabilidade de entidades privadas sem fins lucrativos (CARVALHO, 2005). As redes de equipamentos sociais (creches, centros comunitários e apoio domiciliário) estão a expandir-se e a melhorar, mas ao mesmo tempo surgem outras respostas, o acolhimento familiar e os campos de férias. solidariedade, nos termos do decreto-lei n. 391, de 10 de outubro de 1991, como resposta social que inclui, temporária ou permanentemente, pessoas idosas ou deficientes em famílias consideradas adequadas com base na idade adulta, proporcionando um ambiente sociofamiliar e emocional que contribua para a satisfação das suas necessidades básicas e respeite as suas identidades , personalidades e privacidade.

A intervenção do Estado nas políticas para os idosos manifesta-se também nas seguintes medidas legislativas: a reformulação do regime jurídico da invalidez, das pensões de velhice e de morte e dos subsídios aos cônjuges dependentes, a criação da assistência de assistência à terceira pessoa (Decreto - Lei n.º 29, de 23.01.1989) e o complemento social (Decreto-Lei n.º 329, de 25.09.1993) que apoia os idosos no regime não contributivo, nos casos em que a pensão seja inferior ao valor. da pensão social mínima definida. Esta lei prevê o pagamento de taxas moderadoras (Decreto-Lei n.º 54, de 11 de Abril de 1992) mas também prevê isenções para grupos carenciados, incluindo os idosos. Em 1994, a Ordem Conjunta No. A Portaria n.º 259 do Ministério da Segurança Social e do Trabalho e do Ministério da Saúde, de 20 de julho, criou um Programa Integrado de Apoio ao Idoso - PAII, introduzindo uma visão diversificada e integrada na prestação de cuidados de saúde e sociais. apoiar.

No âmbito da acção social, foram também desenvolvidas outras medidas dirigidas aos idosos, como o Programa Lar de Idosos - PILAR (Despacho n.º 6 de 21.1.97), que visava melhorar o cuidado aos idosos, aumentar a oferta. o número de lugares em casa e a criação de novas respostas, como o alojamento temporário. A Lei Orgânica do Ministério da Solidariedade e Segurança Social (Decreto-lei n.º 35, de 2 de maio de 1996) reconfigura o sistema público de proteção social, com a definição dos serviços de administração direta e dos órgãos de segurança social. O Programa de Conforto Habitacional para Idosos (PCHI) qualifica a habitação com o objetivo de melhorar as condições básicas de vida e mobilidade dos idosos que beneficiam de serviços de apoio domiciliário, de forma a prevenir e evitar a sua institucionalização.

A Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados – RNCCI (Decreto-Lei n.º 101/2006, de 6 de Junho) enquadra-se no âmbito dos Ministérios do Trabalho e da Solidariedade Social e da Saúde, com o objectivo de apoiar as pessoas na sua recuperação ou manutenção amando a sua autonomia e maximização da sua qualidade de vida. A Rede Nacional Integrada de Cuidados Continuados é constituída por um conjunto de instituições, públicas ou privadas, que prestam cuidados de saúde e apoio social contínuos a pessoas em situação de dependência, tanto no domicílio como em instalações próprias. A rede inclui ainda ambulatórios, equipas hospitalares de cuidados continuados de saúde e apoio social, e equipas de cuidados domiciliários e de apoio social.

De 2007 à Atualidade

A RNCCI baseia-se na garantia dos direitos das pessoas em situação de dependência: à dignidade, preservação da identidade, privacidade, informação, não discriminação, integridade física e moral, exercício da cidadania e consentimento informado para as intervenções realizadas. A RNCCI compreende unidades hospitalares: convalescença, média duração e reabilitação, longa duração e manutenção e cuidados paliativos. Ainda em 2012 foi publicada a lei de bases dos cuidados paliativos, que define o direito e regula o acesso dos cidadãos a estes cuidados e define a responsabilidade do Estado em relação a esta matéria.

Paralelamente, a mesma legislação cria a Rede Nacional de Cuidados Paliativos (RNCP), coordenada pela Comissão Nacional de Cuidados Paliativos e integrada na Administração Central do Sistema de Saúde. O percurso dos Cuidados Paliativos tem sido bastante lento, tendo praticamente estagnou com a pandemia, com a rede escassa face às necessidades da população. Não parece ser uma solução desejável alargar indefinidamente esta resposta social em detrimento de outras, o que poderia garantir a manutenção dos idosos em casa.

Este conceito, Aging in Place, pressupõe a articulação de medidas ao nível do bairro e do bairro, ao nível da cidade, ao nível da estrutura habitacional, bem como o estudo e implementação de novas estratégias de apoio ao lar. Cuidar de idosos em casa pressupõe maioritariamente a presença de um cuidador a tempo inteiro, mas não exclui o apoio de um serviço de cuidados domiciliários. Neste sentido, a legislação deve garantir a formação contínua dos cuidadores com supervisão técnica e mecanismos de apoio para prevenir o burnout e manter a sua ligação contínua com a comunidade envolvente.

Esta preocupação está a levar os Estados europeus, incluindo Portugal, a encontrar soluções que respondam às necessidades da população idosa, proporcionando-lhes qualidade de vida à medida que envelhecem. É portanto necessário encontrar alternativas que apoiem os idosos no seu meio, que não só garantam as suas necessidades básicas, mas que ao mesmo tempo criem condições de vida de qualidade e preservem o desenvolvimento das suas atividades com independência e autonomia. Refira-se que factores como a segurança, a manutenção das redes sociais, a adaptação ao ambiente, as condições de habitação, os transportes, a educação ou o trabalho são decisivos para a qualidade de vida dos idosos, o que significa que a melhoria destes factores só será possível com políticas conjuntas. -Ação social.

Referências

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