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CUT, DO CLASSISMO À COOPERAÇÃO DE CLASSES - UEFS

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Academic year: 2023

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A Central Única dos Trabalhadores – CUT foi fundada em 1983 durante o Primeiro Congresso Nacional da Classe Trabalhadora – CONCLAT, realizado em São Bernardo do Campo – SP. Contribuem também para chamar a atenção para as ideias e práticas sindicais que estiveram presentes nas origens da Central Única dos Trabalhadores. Para Vito Giannotti e Sebastião Neto, “A ANAMPOS teria sido o embrião e ao mesmo tempo a parteira da CUT.

As resoluções do II Congresso da CUT – Regional Grande São Paulo, realizado em dezembro/1985, definiram claramente o Centro do socialismo, vendo-o como um dos instrumentos para sua concretização, etc. Nas resoluções da reunião, a Direção Executiva da CUT declarou “que nem todos perdem com a crise [e que] se oporão a todas as medidas que contrariem os interesses dos trabalhadores”. Contudo, a participação da CUT no entendimento nacional não esteve entre as preocupações deste e de outros pesquisadores da trajetória da Central Única dos Trabalhadores.

Segundo o Jornal Folha de São Paulo, o presidente do SUT teria repassado à imprensa a informação de que a ministra da Economia, Zélia Cardoso de Melo, disse que “o governo não pode abrir mão das demissões de servidores públicos porque a medida faz parte do programa do presidente Collor” (Folha de S. Paulo, 6 de junho de 1990, p. B-5). Ele considerou importante a participação do SUT nesse processo de discussão para que suas demandas pudessem ser debatidas. Após uma série de reuniões remarcadas, o presidente do SUT acusou o governo de tornar o entendimento inviável (Folha de S. Paulo, 13 nov. 1990, p. B-4).

O CSC condenou veementemente a decisão da Central Única dos Trabalhadores de participar em reuniões de entendimento nacional. Para a Articulação, porém, a participação da CUT nas reuniões de entendimento foi “um obstáculo decisivo aos objetivos do governo [..] A CUT contribuiu assim para o isolamento do governo Collor [..] ao mesmo tempo em que se credenciava perante a sociedade. e da classe trabalhadora como um todo para o desenvolvimento de uma política de luta global contra o projeto neoliberal, que, entre outras coisas, possibilitou a criação do Fórum Nacional contra a Recessão,46 baseado no apelo da CUT” (TESES do 4 .CONCUT, pág. 91). Antes da formalização do relacionamento orgânico da CUT com as sedes sindicais internacionais, uma ampla discussão deverá ocorrer nos fóruns da Central (CUT - Resoluções 4. CONCUT, 1991, p. 8).

CAPÍTULO III

A nova estratégia da CUT, a resposta possível?

Os dados mostraram a existência de uma concentração de poder nas mãos de poucos líderes, a maioria dos quais pertencia à Articulação Sindical, que constituía um núcleo de poder dirigente no SUT. As diretrizes resultantes das análises dos órgãos de assessoramento do SUT não possuem uma visão mais plural. Devemos implementar o sistema colegial em todos os órgãos de governo do SUT, deixar de ter uma atitude isolacionista em relação às forças minoritárias e juntar-nos a elas no trabalho de construção da Central (Ibid, p 6-7).

Ao tomarmos a participação da CUT no entendimento nacional como um marco de mudança e o entendimento como um sinal da continuidade desta política, a avaliação positiva desta decisão ocorrida na 4ª CONCUT, estes dois momentos devem figurar no centro de nossas análises. . Acreditamos que este panorama das condições que permitiram à Articulação Sindical implementar as mudanças na direção política da CUT é suficiente. A análise da trajetória da CUT confirma sua mudança de estratégia, consolidada ao longo da década de 1990.

Realizamos uma análise da composição da direção do SUT e do funcionamento dos seus órgãos sociais, incluindo os seus congressos, o que contribui para a extensa bibliografia que trata do tema, na intenção de que nos permita o. É preciso relembrar todo um ciclo de greves ocorrido durante o ano de 1990, que mencionamos ao discutir o debate sobre a adesão do SUT ao entendimento nacional. Houve também uma greve geral marcada para 12 de junho, cujo cancelamento por iniciativa da Articulação Sindical foi alvo de críticas de outras correntes dentro do SUT.

Afirma que “geralmente tendemos a dar mais peso na correlação de forças ao fator subjetivo das ações das classes subalternas do que às ações dos dirigentes da CUT e do seu espaço organizacional” (Ibid.). Já referimos que Rodrigo Teixeira vê na burocratização da CUT o peso fundamental das mudanças que viveu. Já acompanhámos as mudanças a nível organizacional e foi-nos possível compreender a importância das medidas adoptadas para garantir um distanciamento gradual da direcção da CUT das suas bases e criar um quadro de burocratização, de acordo com o conceito que adoptámos . .

Em nenhum momento quando se discutiu a participação da CUT no entendimento nacional ela foi reconhecida como um fórum de reconciliação, com os seus defensores insistindo que era um fórum de negociação. Pela primeira vez encontramos passagens em que um dirigente da CUT aceitava participar do pacto social. O acompanhamento atento das atividades dos representantes da CUT no CODEFAT nos forneceu algumas informações importantes para o nosso estudo.

Em 19 de fevereiro de 2002, Remígio Todeschini aceitou o cargo de representante do SUT no Conselho, em substituição a Delúbio Soares. O representante do SUT no Conselho deu seu voto favorável ao projeto em discussão, antes dos debates e deliberações que ocorreriam no congresso da entidade.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

As condições desfavoráveis ​​dos primeiros anos da CUT, superadas, aconselharam-nos a buscar outros elementos explicativos. O entendimento, contrário à ideia da inevitabilidade da linha, que a direção da CUT começou a afirmar, foi reforçado pela observação da existência de processos grevistas e de mobilização que se desenvolveram em categorias de âmbito nacional e atividades estratégicas, e que foram “paradas” enquanto a CUT discutia a cooperação num fórum considerado de reconciliação de classes. Houve, portanto, escolhas que se colocaram no campo das possibilidades dos sujeitos, ainda que influenciadas pelas condições concretas da realidade.

Nossos estudos mostraram que as escolhas feitas pelos sujeitos foram determinadas pelos cargos que passaram a ocupar e que esses novos cargos refletiam um processo contínuo de burocratização. Só nos foi possível chegar a esta conclusão guiados pela percepção de que as ideologias não têm existência autónoma. Daí a escolha que fizemos de procurar elementos da realidade concreta dos dirigentes sindicais que pudessem ter influenciado as suas escolhas e assim contribuído para as mudanças que a CUT vive. O perfil dos congressos, que deveriam determinar as diretrizes e planos de ação da entidade, mudou e passou a ser um número menor de lideranças práticas, impossibilitando a condução de debates políticos e a garantia da aplicação de determinada linha política.

Concluímos assim que a centralização de poder que existiu nos órgãos administrativos da CUT, especialmente na sua Direcção Executiva, controlada por uma única corrente política e exercida por um núcleo dirigente, permitiu implementar um determinado projecto político, contra os desejos da CORTE. onde havia oposições, mas não encontravam espaço para discussão. Por outro lado, a formulação deste novo projeto político só se consolidou em paralelo com os novos papéis que os dirigentes sindicais assumiram, especialmente nos órgãos de gestão de capitais. Contudo, os novos espaços ocupados pelos dirigentes sindicais da CUT funcionaram como elementos de retroalimentação para a burocratização e foram decisivos para as mudanças vividas por esta central sindical.

O prazo previsto para este estudo termina em 2003, justamente quando Luiz Inácio Lula da Silva assumiu a presidência da República e com ele um grande número de outros ex-sindicalistas assumiram cargos na liderança do estado. Um estudo aguarda a nova realidade em que estes novos líderes estatais começaram a viver, uma análise que nos permitiria dar maior substância à nossa visão de que os benefícios materiais que os líderes receberam também influenciaram as suas decisões. A participação de dirigentes sindicais na gestão de fundos de pensão, em conselhos de empresas, no CODEFAT ou ocupando cargos de gestão em diversos níveis e/ou conselhos de empresas estatais atuando como diretores ou gestores diretos de recursos, além de influenciar decisivamente na As mudanças ocorridas na Central Única dos Trabalhadores também ajudaram a mudar as condições de existência privada desses ex-sindicalistas.

Um grande número de dirigentes sindicais kutistas que ocupavam estes novos cargos começaram a aparecer nas páginas da imprensa, e as suas posições políticas relativamente às greves e outros processos de mobilização e luta laboral deixaram de ser destacadas. Alguns ex-sindicalistas foram mencionados devido à gestão dos órgãos estatais que chefiavam; outros ganharam fama ao alcançar cargos de liderança em grandes empresas privadas, e vários outros personagens da nossa história puderam ser encontrados que foram réus ativos ou passivos em casos de corrupção. O poder de decisão concentrou-se no núcleo dirigente, imune ao controle dos trabalhadores da base sindical, e a situação foi agravada pelo fato de os sindicalistas, de acordo com as regras do jogo, terem passado a ocupar cargos em instituições que não eram administradas pelos trabalhadores. , pelo contrário, faziam parte do sistema que foi declarado abolido.

Fontes documentais

Artigo de membros da Comissão Executiva Nacional da CUT que discordaram das Iniciativas de Entendimento Nacional, Nov./1990.

PARTIDO DOS TRABALHADORES – PT: SECRETARIA SINDICAL NACIONAL

Composição da direção da CUT

Referências

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