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Academic year: 2023

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34;[..] Todos esses bilhões (despesas da indústria automobilística) são financiados pela inflação, ou seja, por meio de impostos sobre os pobres. 34;[..] o acordo (das montadoras de automóveis) poderia representar uma inovação radical na relação entre capital e trabalho no Brasil, com desenvolvimentos e consequências que poderiam, sem exagero, ajudar a moldar um novo tipo de política no Brasil."

MODERNIZA˙ˆO ECONMICA, ABERTURA COMERCIAL E A CRIA˙ˆO DAS C´MARAS SETORIAIS

Em termos de política industrial, o CDI e vários outros órgãos anteriormente responsáveis ​​pela decisão e implementação da política industrial foram extintos. Desta forma, as Câmaras Setoriais foram definidas como parte de um conjunto integrado de fóruns de negociação destinados à formulação e implementação de políticas de competitividade industrial.

AS C´MARAS SETORIAIS E A FORMULA˙ˆO DE UMA NOVA ESTRATGIA SINDICAL

A partir de 1986 voltou a registar-se um declínio, atingindo um nível de emprego inferior a 110 mil trabalhadores em 1991. A comissão, chefiada por Vicentinho, não foi motivada pela expectativa de reverter uma situação aparentemente concluída, mas essencialmente teve como objetivo chamar a atenção do governo para a gravidade do problema e a necessidade de uma estratégia para enfrentar a crise na indústria automóvel.23 .

AS C´MARAS SETORIAIS: ATORES E DIN´MICA DE ATUA˙ˆO

Na Câmara Setorial de Complexos Eletrônicos, além da ABINEE, também merecem destaque a ABICOMP (Associação Brasileira da Indústria de Informática), e na Câmara Setorial de Bens de Capital ABIMAQ/SINDIMAQ, ABDIB (Associação Brasileira de Bens Industriais de Capital), SINAVAL (União Nacional). indústria marítima), além da ABINEA, ANFAVEA e SINDIPEÇAS. Por exemplo, a câmara do setor automóvel além de técnicos do DIEESE (departamento intersindical de estatísticas e estudos socioeconómicos). Cada assembleia está organizada em grupos de trabalho estruturados de acordo com os principais aspectos envolvidos nas negociações.

Em outubro de 1992, a Câmara Setorial de Bens de Capital contava com a atuação dos seguintes grupos: Prioridades do Setor de Bens de Capital em termos de Competitividade, coordenado pela ABINEE; Consórcio Comprador de Aço (ABIMAQ); Equalização em Competições Internacionais e Equipamentos de Capital Adaptados (ABDIB); Subprograma Setorial de Qualidade e Produtividade, SSQP, (ABIMAQ). A Câmara Setorial do Complexo Eletrônico contava com os seguintes departamentos: GT1, Poder de Compra e Tecnologia (SCT/PR), GT2, Tributos e Comércio Exterior (ABICOMP); GT3, imagem e som SSQP (ABINEE); GT4, componentes elétricos e eletrônicos SSQP (ABINEE); GT5, SSQP Telecomunicações (ABINEE).28 A Câmara Setorial do Couro, Calçados e Afins contava à época com nove grupos de trabalho, sendo a Indústria Têxtil e de Vestuário, cinco GTs e a Indústria da Construção, seis GTs. Foi o caso da Câmara Setorial da Agroindústria, que estava dividida em onze câmaras específicas, e da Câmara Setorial do Complexo Eletrónico, que estava dividida em quatro Câmaras (informática, telecomunicações, imagem e som e automação industrial).

Com base em diagnósticos ad hoc efectuados por unidades autónomas e acompanhados de perto pela respectiva câmara sectorial, consegue-se uma avaliação clara das necessidades de cada sector. Como destacamos, dentre os acordos firmados, o que ganhou maior visibilidade e ao mesmo tempo gerou grande polêmica foi a indústria automotiva, que analisaremos a seguir.

OS PRINCIPAIS ACORDOS FIRMADOS

Houve um grande aumento na procura de veículos novos devido à queda dos preços, pondo fim ao declínio contínuo do emprego. Durante as negociações de julho, o acordo foi prorrogado com poucas alterações até o início do ano seguinte. Finalmente, além de manter o emprego, o aumento das vendas e da produção teria tido um impacto positivo nas receitas, contrariando os efeitos potencialmente negativos de uma redução nas taxas de imposto. Caso o acordo não tivesse sido assinado, a tendência de queda nas vendas do primeiro trimestre teria continuado, prevendo-se que os níveis de vendas rondassem as 40.000 unidades por mês nos meses de Abril a Junho, muito abaixo do que ocorreu após a celebração do acordo. Acordo.

Os objetivos declarados eram a renovação e expansão da frota brasileira, aumentando o nível de emprego, melhorando os padrões salariais e as relações de trabalho, aumentando as exportações, gerando divisas para o país, aumentando o nível de qualidade e produtividade de todos os fatores de produção, aumentando a competitividade da indústria, através da redução dos preços, do aumento do volume de produção e, não menos importante, do aumento das receitas indirectas. O acordo estabeleceu uma meta de produção de 1,6 milhão de tbp para 1988, em comparação com a capacidade instalada pré-acordo de 2,0 milhões de tbp/ano e uma taxa de ociosidade de 60%; criação de 7 mil novos empregos e liberação de recursos do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) de US$ 232 milhões para conclusão de obras suspensas e contratação de novos navios. Na década de 1980, foram estabelecidos outros aumentos de tarifas para uma série de produtos do setor, atingindo o nível de 77%, reduzindo ainda mais os níveis de receita.

Para mudar esta situação, foi assinado um acordo setorial em 30/06/1992, pelo qual o governo se comprometeu a reduzir significativamente as alíquotas do IPI para 9 produtos do setor, sendo as empresas responsáveis ​​por garantir a manutenção dos níveis de impostos em geral e especialmente o IPI, que deverá permanecer no mesmo patamar do segundo semestre de 1992 e do primeiro semestre. Finalmente, em termos de taxas de emprego, o desempenho do sector mostrou um crescimento de 5,4% entre Agosto de 1992 e Maio de 1993 para o sector da perfumaria e um declínio de 2,5% no índice geral da indústria.43

A PERCEP˙ˆO DOS ATORES: ASPECTOS POSITIVOS E LIMITA˙ES

O que não depende do governo, eles estão resolvendo entre as partes [...] Esse resultado de uma mudança de atitude nunca mais poderá destruí-los". 45. Esse foi um tipo de situação muito especial. , em que a própria profundidade da crise levou os actores a mudarem a sua posição, não os seus interesses, mas a sua posição face ao diálogo, assumindo o compromisso de discutir soluções negociadas". 46. Além disso, há um compromisso, neste projecto de lei, de manter um relatório anual taxa de crescimento da produção do sector".48.

Quando as partes não estão minimamente interessadas, não é possível chegar a um acordo”.50 Outro aspecto destacado pelos membros da elite estadual que têm ou tiveram envolvimento ativo nas Câmaras Setoriais foi o papel desempenhado pelo conjunto desses órgãos de negociação. ., formado pelas Câmaras, PBQP e PIC, como fórum de elaboração de propostas legislativas voltadas à modernização econômica do País. Por exemplo, o projeto de informática, a lei portuária, a lei de propriedade industrial, tudo isso foi discutido no CEC e obteve apoio do setor empresarial antes de ser enviado ao Congresso". 51. Assim, a ideia da cadeia é, antes de tudo, dar coerência à ação governamental; em segundo lugar, criar 'uma parceria entre os elos da cadeia produtiva e em terceiro lugar, criar uma parceria entre o governo e os demais atores [...] As Câmaras Setoriais, o PBQP, o PCI, são todos instrumentos que levam o governo a atuar de forma sincronizada”.52.

Nas câmaras, todo e qualquer corte de impostos ocorrido foi negociado com o lado oposto da manutenção da receita ou da criação de novos empregos.”53. É representacional porque todos cooperam e apoiam o sujeito, mas dentro disso existe um conflito subjacente. e este conflito muitas vezes mobiliza uma decisão [...] Para funcionar é necessário abandonar as tentativas de macroacordos, que no final não são alcançados, e passar para acordos de menor escala.”58. Consideraríamos um problema histórico em termos de relações capital-trabalho [...] A questão central nesta câmara é a falta de fundos para iniciar o sector”. CUT, Câmaras de Engenharia Civil e Construção).

Mas não se leva em conta o aspecto global, ou seja, quanto mais se desconsidera a visão mais geral, a visão quase monolítica que acredito ser necessária para estabilizar uma economia caótica como a nossa [...] Então, o Estado perde com a isenção fiscal” .64.

O MODELO INSTITUCIONAL SUBJACENTE I MPLANTA˙ˆO DAS C´MARAS SETORIAIS

O que se observou foi um sistema de parceria envolvendo empresários, funcionários e governantes, em torno de objetivos de longo prazo e não apenas de objetivos setoriais. É neste sentido que se pode apontar o impacto inovador das práticas introduzidas pelas Câmaras Sectoriais, ao consagrarem uma negociação tripartida sistemática, em que os colaboradores actuam como interlocutores legítimos, determinando a ruptura da relação diádica e exclusiva que existia antes. . prevaleceu até então. Por outro lado, não se trata de uma mudança drástica no padrão de negócios descrito acima, mas de mudanças importantes que estão dentro da lógica.

Ao legitimar o trabalhador sindicalizado como interlocutor, o mecanismo em que se baseiam as câmaras setoriais certamente permite a ampliação do âmbito das negociações, mas não significa necessariamente uma ruptura com a setorização de interesses induzida pela configuração monopolista do mercado, tipicamente pelo sistema corporativo brasileiro. É preciso lembrar que a estratégia empresarial para enfrentar a crise da década de 1980, que atingiu a economia brasileira e provocou forte retrocesso no seu ritmo de expansão, não teve como objetivo reverter a fragmentação e a setorização da representação de interesses típica do corporativismo . Brasileiro. A falta de um centro de negócios e o baixo grau de concentração da estrutura organizacional, que foi sendo implementada ao longo do tempo, dificultaram as possibilidades de desenvolvimento para formas de atuação mais unitárias.

Este tipo de estratégia permitiu a articulação do Pacto de Solidariedade Económica, que se baseou na cooperação entre as empresas e a classe trabalhadora, juntamente com outras partes da sociedade organizada, e que apoiou os programas de estabilização e reforma coordenados pelo governo de Salinas. Além disso, o conselho empresarial não é formado por líderes legítimos como porta-vozes do empresariado como um todo, mas por empresários de destaque, ou seja, empresários individuais que se destacaram em seu meio e no cenário nacional, independentemente de sua condição de classe. líderes. .

CONSIDERA˙ES FINAIS

Década de 1990, promovido pelo Laboratório de Pesquisas Sociais e pelo Curso de Pós-Graduação em Sociologia do IFCS/UFRJ, Rio de Janeiro, 25 a 27 de agosto. DINIZ, Eli Neoliberalismo e Corporativismo: As Duas Faces do Capitalismo Industrial no Brasil", Revista Brasileira de Ciências Sociais, nº 20, Ano 7, outubro de 1978), Empresa Nacional e Estado no Brasil, Rio de Janeiro, Forense Universitária. 1992) , Política Industrial, Avanços e Desafios, fevereiro, mimeo. 1992), Estratégias Políticas dos Empreendedores Mexicanos diante da Globalização, Seminário sobre Estratégias de Refundação Liberal, Rio de Janeiro, Iuperj/CLACSO/ISA, agosto, mimeo. 1990), Geral Diretrizes da Política Industrial e de Comércio Exterior, Brasília, Ministério da Economia, Finanças e Planejamento.

Esse ponto foi destacado por Adalberto Moreira Cardoso e Álvaro Augusto Comim, em "Caminhos Cruzados: O "Acordo das Montadoras" e as Relações de Classe no Brasil Contemporâneo, trabalho apresentado no Seminário "Brasil em Perspectiva: os anos 90", promovido pela Pesquisa Social Laboratório e Curso de Pós-Graduação em Sociologia do IFCS/UFRJ, Rio de Janeiro, 25 a 27 de agosto de 1993. Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema, Reestruturação do Complexo Automotivo Brasileiro - Propostas dos Trabalhadores na Câmara Setorial, Março de 1992. Baixar Administração - baixar livros Baixar livros de Agronomia Baixar livros de arquitetura Baixar livros de arte.

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