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Academic year: 2023

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Os principais segmentos da indústria petrolífera são, upstream, exploração e produção, e downstream, transporte, refino e distribuição. Portanto, não é surpreendente que os líderes da indústria petrolífera sejam os líderes tecnológicos nessa indústria. Os factores estruturais mais importantes para a concorrência na indústria petrolífera são o acesso às reservas e a existência de um mercado consumidor.

Se focarmos a questão sistémica numa perspectiva mais localizada, podemos constatar que a intervenção estatal sempre foi um factor de primeira ordem para o desenvolvimento da indústria petrolífera. A Petrobras é a 22ª empresa do setor petrolífero em volume de vendas (15,6 bilhões de dólares em 1992), demonstrando o grande tamanho do seu mercado. A existência de indústrias de bens de capital e de bens de engenharia no país incentivou a consolidação de uma importante rede fornecedora para a indústria petrolífera.

A partir de 1990 foi lançado o Programa Nacional de Privatizações, que voltou a levantar a questão da participação do Estado no sector energético, mais especificamente na indústria petrolífera.

TENDÊNCIAS INTERNACIONAIS DA INDÚSTRIA

Características Estruturais da Indústria do Petróleo

  • Dimensão econômica
  • Caracterização tecnológica

O cenário traçado leva-nos a crer que, sem uma grande crise política no Médio Oriente, o mercado petrolífero permanecerá estabilizado até meados desta década. Numa outra perspectiva, os esforços de exploração que se seguiram aos choques petrolíferos levaram à expansão das reservas no mundo em desenvolvimento. A descida dos preços do petróleo a partir de 1986 foi o resultado de mudanças significativas na estrutura da oferta.

A situação política no Médio Oriente e a incerteza do mercado devido à dependência do petróleo da OPEP, levaram à realocação dos investimentos internacionais em produção para os países em desenvolvimento que não pertencem à Organização. A segunda, que durou até 1982, viu o petróleo ascender à posição de principal fonte de energia do mundo. Este último período é marcado por uma grande transformação da indústria petrolífera em resposta às sucessivas crises de 1973 e 1979 e às exigências ambientais.

Desde o primeiro choque petrolífero, políticas para reduzir o consumo de energia têm sido encorajadas em todo o mundo. A diminuição do consumo devido ao aumento do preço do petróleo fez com que a margem de refinação fosse negativa em algumas refinarias, muitas das quais foram posteriormente encerradas. Apesar da diversidade, geralmente não são caracterizados como processos “recentes”, o que permite que a indústria do petróleo seja classificada como tecnologicamente madura.

Contudo, o baixo investimento em I&D deve ser relativizado, tendo em conta a elevada rotatividade que caracteriza a indústria petrolífera. No que diz respeito à alocação de investimentos em I&D, a indústria petrolífera nem sempre tem dado prioridade às atividades de produção e exploração, como seria de esperar. Mas se o sistema de inovação recente tem se concentrado nos segmentos de exploração e produção, os investimentos em desenvolvimento tecnológico na indústria petrolífera têm sido tradicionalmente centrados no refino.

Empresas Líderes e suas Estratégias

O processo de diversificação também levou grandes empresas a entrarem em determinados sectores relacionados com a indústria petrolífera, como o químico, os fertilizantes e o farmacêutico. Um exemplo deste tipo de estratégia é a Elf, empresa estatal francesa, que teve uma política de diversificação muito bem sucedida para as indústrias química, farmacêutica e até biotecnológica. Na década de 1980, as grandes petrolíferas regressaram à base tecnológica sobre a qual tinham maior domínio.

As grandes empresas procuraram então aproveitar o conhecimento adquirido ao longo de um século de atividades no setor para vender serviços a outras empresas, nomeadamente em países em desenvolvimento. Na maioria das grandes empresas, confirmou-se um processo de especialização em determinadas fases de exploração, refinação e comercialização. Surgiram os “comerciantes”, novos atores que operam diretamente no mercado petrolífero, especializados em estabelecer relações entre países produtores e empresas compradoras de petróleo18.

A tendência de reativação da economia global e do mercado petrolífero internacional, observada na década de 1980, provocou uma mudança estrutural nas empresas do setor. Empresas da Europa Ocidental, Japão, Austrália e países em desenvolvimento como Brasil, Kuwait, Venezuela, México e Arábia Saudita aumentaram as suas atividades internacionais. O último movimento no sector diz respeito à penetração de empresas nacionais dos estados membros da OPEP nos mercados dos países desenvolvidos, o que já ocorreu na Europa Ocidental e nos Estados Unidos sob os mais diversos formatos.

A nova posição destas empresas é consistente com a implementação de uma política de integração das atividades de refinação e comercialização em curso. Tal como outros intervenientes na indústria petrolífera, são os países produtores que procuram agora integrar atividades a jusante, um fator decisivo na mitigação dos riscos19.

Fatores de Competitividade

COMPETITIVIDADE DA INDÚSTRIA BRASILEIRA

  • O Mercado Interno de Petróleo e Derivados
  • Desempenho da Indústria
  • Capacitação Produtiva e Tecnológica da Petrobrás
    • Equipamentos
    • Recursos humanos
    • Aquisição de insumos e controle de qualidade
    • Segurança e meio ambiente
    • Métodos de gestão e capacitação gerencial
    • Esforços de capacitação em PD&E e fontes externas de conhecimento
    • Atuação externa da Petrobrás
  • Estratégias da Petrobrás
  • Principais Obstáculos e Oportunidades à Competitividade

O desempenho da indústria petrolífera brasileira, considerando os principais fatores de competitividade do setor, é satisfatório. A definição da bacia de Campos não só mudou as expectativas sobre a existência de petróleo no país, mas também deu à empresa grande projeção internacional. Tanto a expansão das reservas nacionais de petróleo quanto a produção se devem à capacidade tecnológica da Petrobrás para atuar na área de fronteira marítima.

Nesse aspecto, a Petrobrás ocupa a nona posição mundial em capacidade de refino, a décima segunda em volume de reservas e a vigésima em produção de petróleo bruto. Da mesma forma, as sucessivas quedas do valor real do dólar e do preço do petróleo ocorridas desde 1986 no mercado internacional somam-se aos factores que têm prejudicado o desempenho da indústria petrolífera nacional (isto porque a remuneração da empresa tem como referência ao preço do petróleo importado).

POLÍTICA INDUSTRIAL E PAPEL DO ESTADO

  • Papel do Estado
  • Políticas de Reestruturação Setorial
  • Políticas de Modernização Produtiva
  • Políticas Relacionadas aos Fatores Sistêmicos

De qualquer forma, a quebra do monopólio nesse segmento não trará grandes consequências para a regulação do setor no país, dada a experiência da Petrobras na condução de contratos de risco. Tal contrato poderia até regular o envolvimento internacional da empresa sem comprometer o abastecimento do mercado interno. A política de preços dos derivativos é a ferramenta mais importante do Estado para atuar nos resultados econômico-financeiros da Petrobras, dada a importância que os recursos próprios vêm ganhando para o financiamento da empresa.

Se o preço internacional do petróleo é parâmetro central para determinar a rentabilidade da estatal, a taxa de câmbio também afeta esse resultado. Os programas de desenvolvimento tecnológico da empresa requerem o mais decisivo apoio dos órgãos financiadores governamentais, através da implementação e implementação do Programa de Apoio à Formação Tecnológica Industrial (PACTI).

INDICADORES DE COMPETITIVIDADE

Os Estados Unidos, a antiga União Soviética e o Japão possuem 41,7% desta capacidade, uma percentagem que por si só indica a elevada concentração das actividades de transformação de petróleo. Através disso, uma empresa participa junto com um país exportador no processo de exploração e/ou desenvolvimento de reservas, adquirindo o direito de vender parte do petróleo. Um exemplo típico disso é a França, onde, mesmo sem possuir reservas de petróleo, formulou uma política industrial voltada para a criação de grandes empresas nacionais, dando origem a um poderoso e competitivo sistema nacional de inovação na indústria petrolífera.

Conforme mencionado anteriormente, o tamanho da empresa é um factor chave para a competitividade na indústria petrolífera. Não é surpresa que grandes empresas estejam na vanguarda da tecnologia na indústria petrolífera. Os países que possuem reservas importantes ou que possuem um grande mercado consumidor são aqueles que oferecem as maiores oportunidades para o desenvolvimento de uma indústria petrolífera competitiva.

Na indústria petrolífera, não é apropriado utilizar indicadores clássicos como o coeficiente de exportação ou o saldo de exportações para avaliar a competitividade. Os equipamentos utilizados pela indústria petrolífera são extremamente diversificados e uma parcela significativa do que é considerado suporte é terceirizada para empresas de serviços. Além da parceria nas atividades de exploração na plataforma continental argentina, a Petrobras tem priorizado a extração de petróleo deste país.

Da mesma forma, a queda desde 1986 do valor real do dólar e do preço do petróleo no mercado internacional soma-se aos factores que têm prejudicado o desempenho da indústria petrolífera nacional, uma vez que a remuneração da empresa é baseada no preço do petróleo importado. Somente com a crise do petróleo da década de 1970 e a identificação de reservatórios offshore de petróleo é que as empresas estrangeiras manifestaram interesse na exploração de petróleo no Brasil. Em relação a este último ponto, a possível privatização da Petrobrás é vista do ponto de vista da indústria petrolífera e não como uma possível contribuição para a resolução do problema macroeconómico.

Com esta opção não se espera nenhum tipo de ganho competitivo individual para as empresas que vierem a ser criadas ou para a indústria petrolífera como um todo. A legislação existente estipula que o VMR (Valor Médio de Referência) dos derivados deve ser igual ao preço do petróleo importado, mais frete, mais custos de refino, transporte e armazenamento. Esta fórmula parece adequada considerando que 45% do petróleo consumido no país é importado e que o preço deve reflectir o custo marginal para o consumidor.

As políticas públicas relacionadas com a formação tecnológica nacional e o desenvolvimento industrial do país têm um forte impacto sistémico na indústria petrolífera.

CONCLUSÕES

A indústria do petróleo foi criada no Brasil devido ao crescimento do mercado consumidor no pós-guerra. O Brasil produz atualmente 55% do petróleo consumido no país e a Petrobrás vem tentando aumentar esse percentual. A expansão da produção no mar e, principalmente, em águas profundas, exigiu da empresa um verdadeiro salto tecnológico, que lhe permitiu liderar, mundialmente, na tecnologia de sistemas semissubmersíveis.

Embora a tendência de queda dos preços também seja observada em todo o mundo, a fixação pelo governo brasileiro de preços de derivados e álcool inferiores à referência internacional, tem gerado um forte desequilíbrio nas contas de petróleo e álcool da empresa. A análise das tendências internacionais e o diagnóstico da indústria petrolífera brasileira mostram como condições básicas para o aumento de sua competitividade a prática de preços reais dos derivados, a manutenção da integração produtiva na cadeia petrolífera; e maior autonomia gerencial. O desempenho e a competitividade da sociedade são afetados quando o Estado os utiliza como instrumento de política antiinflacionária.

A política de preços de derivativos é a principal ferramenta do Estado para influenciar o desempenho econômico e financeiro da Petrobrás, dada a importância central que seus recursos próprios têm para o financiamento da empresa. Os benefícios e riscos inerentes à configuração da indústria petrolífera que será adoptada no país devem ser motivo para avaliação contínua e acção regulatória por parte do Estado. BOY de la TOUR, Xavier "Les moyens de la recherche française dans le domaine petrolier", na Revue de L'Institut Français du Petrole, janeiro-fevereiro.

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Referências

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