A característica marcante no desenvolvimento da indústria calçadista internacionalmente é a localização da produção em países que oferecem baixos salários e abundância de mão de obra. Assim, no segmento de calçados de consumo popular e médio, os custos trabalhistas ainda são o fator decisivo para a posição competitiva.
PADRÃO DE CONCORRÊNCIA E ESTRATÉGIAS DAS EMPRESAS LÍDERES
Processo de Produção e Estrutura Industrial
No mercado interno, a indústria é praticamente autossuficiente, com importações ocorrendo apenas no segmento de calçados esportivos (tênis) de maior desempenho. As oportunidades que a indústria calçadista brasileira tem pela frente são, por um lado, a manutenção da competitividade no mercado interno.
Transformações Tecnológicas e Organizacionais
Como resultado, as empresas baixaram os níveis hierárquicos e tentaram desenvolver uma força de trabalho multifacetada, através da rotação de cargos. As empresas de calçados esportivos (tênis), devido aos elevados custos trabalhistas em seus países de origem, estabeleceram subsidiárias em joint ventures, principalmente em países asiáticos, para a produção de calçados e também para a fabricação de couro.
Estratégias Empresariais e Política Industrial
A COMPETITIVIDADE DA INDÚSTRIA DE CALÇADOS BRASILEIRA
O Desempenho Produtivo e a Competitividade da Indústria de Calçados
Até o final da década de 1960, a dinâmica da indústria calçadista brasileira baseava-se no mercado interno, portanto dependente do crescimento populacional e da renda per capita. ABAEX (1990:6) avalia ainda que a entrada no mercado externo é o momento de transição de uma produção com fortes características artesanais para uma maior automatização do processo produtivo. De facto, na década de 1970 houve um movimento no sentido da modernização do sector com um maior nível de mecanização da produção.
O Brasil, que começou no segmento de baixo preço, atualmente aparece no mercado mundial na classe de qualidade média. Porém, o fator custo é o principal fator de sua competitividade no mercado externo e, portanto, da preservação do mercado interno. Esse movimento é, entre outras coisas, resultado da crise da economia brasileira com a recessão do mercado interno.
Estágio Tecnológico e Organizacional
Para ilustrar, a Tabela 5 mostra como foi a difusão de algumas dessas técnicas na indústria calçadista brasileira. Em uma empresa de calçados masculinos em couro de Franca-SP, a transição da técnica tradicional para a nova técnica levou ao agrupamento dos calçados para serem produzidos em famílias modelo. Da mesma forma, costureiras/costuradoras costuravam diversos tipos de peças para diferentes modelos de calçados e assim por diante.
Outro exemplo do impacto positivo na produtividade, alcançado por meio de mudanças organizacionais, é fornecido por uma grande empresa produtora de calçados masculinos de couro em Franca-SP. Nos últimos anos, a indústria calçadista brasileira tem sido pressionada pela concorrência dos países asiáticos emergentes neste setor, devido aos seus baixos custos trabalhistas. Este subprograma, elaborado pelo Subcomitê Setorial, reúne, sob a coordenação da Associação Brasileira da Indústria de Calçados (ABICALÇADOS), entidades ligadas ou relacionadas à cadeia produtiva15.
Estratégias Empresariais
- O mercado externo
- O mercado interno
- Relações intersetoriais e infra-estrutura tecnológica
Além disso, o setor calçadista argentino poderá ter acesso a tecnologia e materiais de produção que não possui atualmente. Nos últimos anos, apenas na gama de calçado desportivo (ténis) surgiram marcas de origem estrangeira no mercado nacional, principalmente no segmento de alto valor. Em fases recessivas da economia, como a que se verifica desde 1980, a indústria do calçado é assim afectada negativamente.
Devido à posição exportadora e à concorrência no mercado externo, aliada à situação recessiva no mercado interno, a estratégia de adaptação da indústria calçadista brasileira tem caminhado em duas direções. A primeira é deslocar a produção de calçados de couro e/ou calçados de maior valor agregado no mercado interno para o segmento de calçados de borracha, materiais plásticos e outros materiais, cujos preços são mais baixos. O centro do Vale do Sinos, no Rio Grande do Sul, por exemplo, é uma daquelas regiões fabris onde existem praticamente todos os requisitos necessários para a produção de calçados.
Desafios e oportunidades
A integração da indústria brasileira ao mercado calçadista internacional baseou-se nos baixos custos trabalhistas. Contudo, neste segmento, o fator custo do trabalho ainda é um elemento chave para a competitividade. Destas, a taxa de participação na força de trabalho foi 19 pontos percentuais inferior à das empresas brasileiras.
Por um lado, a posição do país é ameaçada por estes países asiáticos no segmento de calçados baratos – os chamados huaraches – que exigem grande quantidade de mão de obra na sua produção. Ao mesmo tempo, estabeleceram ou estabeleceram parcerias com empresas de países de baixos salários na produção de linhas de calçados que exigem uso intensivo de mão de obra. Por outro lado, no segmento de calçados populares, intensivo em mão de obra, há dificuldades crescentes para o Brasil se manter competitivo neste mercado devido à deslocalização da produção para países asiáticos – China, Tailândia, Indonésia e outros – com forte redução população trabalhadora. .
PROPOSTAS DE POLÍTICA INDUSTRIAL
Políticas de Reestruturação Setorial
Modernização Produtiva
Sugere-se, portanto, que se atualizem em técnicas organizacionais e produtivas para aumentar os níveis de eficiência e qualidade dos calçados fabricados. Recomenda-se que as agências oficiais de desenvolvimento e de crédito apoiem as iniciativas de modernização das empresas.
Medidas Relativas aos Fatores Sistêmicos
Ações: - atuação nos segmentos da mais alta qualidade.. calçados X X . - formação na produção de calçado desportivo e materiais sintéticos. no mercado externo X X X X X. Ações: - cooperação empresa/fornecedor X - melhoria do nível tecnológico de . atividades externas X X X . - Relações de subcontratação em que atuam empresas subcontratadas. obrigações trabalhistas cumpridas X - estudo do perfil da força de trabalho e . dinâmica do trabalho subcontratado X X X.
INDICADORES DE COMPETITIVIDADE PARA A INDÚSTRIA DE CALÇADOS
Indicadores de Capacitação Tecnológica
A formação tecnológica, neste caso, pode ser considerada, em parte, derivada, uma vez que a tecnologia é incorporada nas máquinas adquiridas. Uma análise específica do tema pode ser encontrada em Haguenauer (1989). . medido apenas em preço, mas também em outras características como: qualidade do produto, design, prazos de entrega, atendimento pós-venda, entre outras. Uma forma de entender esta situação é monitorar os prazos de entrega, o percentual de produtos devolvidos e os índices de refugos, como indicadores indiretos de treinamento de qualidade i) prazos de entrega - Medidos pelo tempo médio gasto pela indústria entre o momento em que o pedido é feito pelo comprador até a entrega dos sapatos.
Neste último caso, o prazo será medido pelo intervalo de tempo entre o momento da encomenda efectuada pelo importador (ou seu agente) e a data de entrega da mercadoria; .. ii) índice de produtos devolvidos - Medido pela relação (expressa em percentagem) entre o número de pares de sapatos devolvidos e a produção total, por período de tempo. Também neste caso o cálculo deve ser desagregado para os mercados interno e externo; . iii) índice de sucata - Medido pela relação (expressa em percentual) entre o volume de calçados não utilizados e a produção total, por período de tempo. Ainda, por meio das escolas e dos centros e institutos tecnológicos do SENAI, podem ser construídos indicadores com base na quantidade de técnicos capacitados, na quantidade de laudos, certificados e laudos técnicos emitidos e/ou no faturamento dessas instituições provenientes dos serviços técnicos prestados às empresas.
Indicadores de Eficiência Produtiva
Por se tratar de uma indústria exportadora e o prazo de entrega ser um fator importante de competitividade, sugere-se que a determinação deste prazo seja dividida em mercado interno e externo. No entanto, a produtividade é uma medida difundida internacionalmente e, portanto, sujeita a comparações com outros fabricantes de calçado. Assim, o índice de produtividade física poderia ser calculado dividindo o índice de produção física pelo índice de emprego, tanto por tipo de calçado (calçado de couro, calçado desportivo, calçado de borracha e calçado de plástico) como por período temporal.
Por fim, a medida seria melhorada se o número de dias ou horas trabalhadas por ano fosse incluído no cálculo. Dado que existe uma grande heterogeneidade tecnológica no sector e uma dispersão de dimensão entre as empresas, o cálculo de um único índice de produtividade média para toda a indústria, uma vez que é relevante para comparações intersectoriais de eficiência média, mascara diferenças na produtividade dentro dos sectores. -setor. Os possíveis detalhes incluem: custos industriais (insumos, matérias-primas e mão de obra); Custos financeiros; custos de marketing; custos gerais de produção.
Indicadores de Desempenho
Ou seja, se as variações nos preços dos insumos e matérias-primas utilizadas pelo setor calçadista forem maiores/menores que a variação cambial, a empresa exportadora de calçados incorrerá em perdas/lucros para um determinado preço em dólar do calçado exportado. Nesse sentido, o monitoramento das importações de calçados é um indicador importante para determinar a capacidade da indústria de manter sua posição no mercado interno. Apenas para ilustrar, cabe destacar que no segmento de calçados esportivos, como tênis, o consumo no mercado nacional já chega a mais de 100 milhões de pares anualmente.
No segmento de mercado de alto desempenho e orientado para o desempenho, a indústria calçadista brasileira ainda é pouco competitiva e isso se traduziu em uma importação crescente desse tipo de calçado. A combinação das variáveis de importação e exportação em relação ao comércio global de calçados permite à indústria estimar o que Guerrieri (1990) chama de Índice de Posição Competitiva Relativa de um país no comércio internacional. Para o setor calçadista brasileiro, esse índice é, portanto, o resultado da diferença entre exportações e importações de calçados, dividida pelo comércio mundial total desse produto, por período de tempo.
CONCLUSÕES
A estratégia de mercado no setor outdoor foi atuar no segmento de calçados de couro de preço médio (feminino), visando principalmente o mercado norte-americano. Com isso, as oportunidades previstas para a indústria calçadista brasileira no mercado externo são manter e fortalecer sua posição no segmento de calçados de couro de qualidade média – de 10 a 15 dólares. ABAEX - Associação Brasileira dos Agentes Exportadores de Calçados e Afins ABICALÇADOS - Associação Brasileira das Indústrias de Calçados.
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