Em oposição a esta melancolia burocrática e em linha com os esforços para democratizar e tornar a gestão pública mais eficaz, foram implementadas práticas de Governo Aberto. O termo Governo Aberto reúne hoje uma série de diferentes iniciativas que visam proporcionar maior transparência, responsabilização e permeabilidade ao Estado. Política para apresentar uma síntese do que os dados do Governo Aberto e do Governo Aberto propõem ser e alcançar.
Embora não seja única, a transparência é condição fundamental para os demais pilares da Governança Pública. Depois de terem sido introduzidas nos Estados Unidos e depois em Inglaterra, as políticas de Governo Aberto expandiram-se e multiplicaram-se por vários países. Atualmente, 69 países assinaram a Declaração do Governo Público e apresentaram planos de ação nacionais, indicando compromissos e medidas concretas a serem tomadas11.
11 O Brasil já começou a implementar dois planos de ação, que são revisados a cada dois anos e contêm 52 compromissos relacionados à promoção e implementação do governo aberto. Por outro lado, a novidade do governo aberto em relação ao governo 2.0 reside na sua ênfase na abertura e reutilização de dados e informações públicas de várias maneiras, com o objetivo não apenas de transparência (ativa e passiva)12, mas também de co- bens e serviços (públicos ou privados) de responsabilidade, cocriação e coinovação, com um alcance potencialmente enorme e a um custo que, à primeira vista, pode ser suportado pelos países (COBO, 2012). Contudo, parte das premissas que sustentam o “código genético” do governo aberto implica deixar de pensar as estruturas e funções burocráticas como rígidas (GÜEMES; RAMÍREZ-ALUJAS, 2012).
Mais do que este ‘processo aberto’, o Governo Aberto exige também a radicalização da transparência, para incorporar a ideia de abertura dos dados e informações públicas (dados abertos), publicados num formato padrão, aberto e interoperável, para facilitar a reutilização, seja para análise e avaliação da ação estatal (controle social), seja para estimular a inovação da sociedade (cocriação) (GÜEMES; RAMÍREZ-ALUJAS, 2012).
3 Dados abertos governamentais: histórico e características
Tecnicamente falando, dados abertos significam dados que qualquer pessoa pode usar, reutilizar e redistribuir livremente, com no máximo a exigência de indicar a autoria. Eaves (2009) justifica essas características dos dados abertos com base em três leis gerais: . a) Se os dados não puderem ser encontrados e indexados online, eles não existem. Para saber mais sobre um conjunto de licenças especiais para atender às especificidades de dados e bancos de dados abertos e suas variantes, consulte: Open Data Commons.
Existem também licenças criadas especificamente para dados abertos compartilhados por governos, como nos casos da Inglaterra e do Canadá (DOODS, 2013). O conceito de dados abertos combina os dois significados do termo, e foi essa percepção que o aproximou do governo aberto. Os dados governamentais abertos26 (GONZALEZ-ZAPATA; HEEKS, 2015) aparecem na intersecção entre dados, fundações abertas e governamentais, conforme mostra a Figura 1.
33 Desde 2013, a Open Knowledge Foundation classifica anualmente portais de dados abertos em 122 países, de acordo com o grau de abertura de alguns conjuntos de dados. Os dados governamentais abertos devem ser usados, analisados, recombinados e visualizados através de novos conteúdos e aplicações para concretizar o seu valor. Vimos que os dados governamentais abertos só concretizam o seu valor se forem reutilizados para gerar novos conteúdos, serviços ou, por outras palavras, novas conclusões e perspetivas.
Os benefícios de transparência associados à publicação e reutilização de dados governamentais abertos são óbvios (WEINSTEIN; GOLDSTEIN, 2013). Uma oportunidade de reutilizar dados governamentais abertos neste sentido inclui o cruzamento de dados sobre o orçamento e despesas públicas, a fim de demonstrar onde os recursos públicos estão sendo utilizados, bem como identificar possíveis desvios ou problemas, que ficarão invisíveis quando verificados em isolamento (SAMPAIO, 2014). No ano seguinte, o aplicativo Retrato da Violência contra a Mulher no RS45 venceu a primeira Maratona de Dados Abertos da DECODERS-RS RS.
A criação da Infraestrutura Nacional de Dados Espaciais (INDE)53 em 2008 e sua integração ao Portal Brasileiro de Dados Abertos em 2015 caminham nessa direção. Portanto, a publicação de dados governamentais abertos pode fortalecer a capacidade das autoridades públicas de analisar contextos e tomar decisões mais eficazes e responsivas – é claro, dentro das possibilidades da racionalidade organizacional limitada (SIMON, 1965) e da lógica da polis (STONE, 2011). ). ) 54. Em suma, ao introduzir os dados abertos como paradigma para o processamento de dados e informações públicas, o Governo Aberto devolve aos seus constituintes o poder de aceder, integrar e reutilizar os dados e informações que dele provêm.
Devido a essas possibilidades apresentadas na literatura, entende-se que existe uma premissa básica comum para políticas governamentais de dados abertos. A burocracia percebe os dados governamentais abertos como um conjunto de arranjos, estratégias e processos para melhorar a manipulação de dados no âmbito da gestão pública, com o objetivo final de aumentar a eficiência e a eficácia na prestação de serviços públicos.
5 Considerações finais
De imediato, destaca-se que além da tecnologia, variáveis institucionais, políticas e sociais são cruciais para a implementação dos DAG, reunindo evidências da experiência do governo federal brasileiro e do governo do estado do Rio Grande do Sul. Os dados abertos para reutilização e o espaço para participação e colaboração no front office só aparecem como a interface visível do governo aberto para o cidadão. Os sistemas e tecnologias de informação adotados no passado impõem uma camada de rigidez às mudanças, pois estabelecem e incorporam padrões tecnológicos que podem não atender aos requisitos mínimos para dados públicos abertos.
Não é apenas o fato de que a abertura dos dados governamentais acabaria “empoderando os já empoderados” (GURSTEIN, 2011), por causa da programação técnica e das habilidades de análise de dados necessárias para manipulá-los. Trata-se do reconhecimento da exclusão digital, que marginaliza uma parte significativa da população dos potenciais benefícios da transparência e das aplicações criadas a partir de DAG e, de forma mais geral, do gozo da cidadania na era digital (MOSSBERGER; TOLBERT; McNEAL, 2008)59 . Com isso pretende-se identificar o comportamento desses fatores no caso específico da Política de Dados Abertos do Governo do Estado do Rio Grande do Sul com o objetivo final de apontar caminhos para promover maior adesão dos atores brasileiros e órgãos públicos à política e mais especificamente às diretrizes propostas pela Parceria para Governo Aberto (OGP).
59 A título de ilustração, segundo o Suplemento de Tecnologias de Informação e Comunicação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), divulgado em milhões de pessoas com 10 anos ou mais que utilizaram a Internet pelo menos uma vez nos últimos três meses de referência da pesquisa, realizado em 2014.
Desafios para um país digitalmente aberto. http://www.escoladegoverno.pr.gov.br/arquivos/File/2013/V_CONSAD/VI_CONSAD/034.pdf>. Disponível em:
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