Dessa forma, entendemos o conceito de saúde como indissociável da compreensão do sujeito, constituindo, juntamente com outras intersecções já mencionadas, a velhice como performatividade (POCAHY, 2012). Dessa forma, o conceito de saúde também será entendido como indissociável da compreensão do sujeito, constituindo assim, juntamente com outras intersecções já mencionadas, a velhice como performatividade (POCAHY, 2012).
Educação e(m) saúde: lugares de análise
É importante analisar também que os campos da educação e da saúde não se conectam apenas quando há intenção, na formulação de práticas de conhecimento na educação em saúde. A educação para a saúde é uma experiência de ser governado por outros e um apelo à autodisciplina.
Percursos que me localizam
Se quisermos examinar as intersecções de geração, género, sexualidade, raça/etnia e muito mais, trabalharemos com interseccionalidade e compreendê-la-emos como um conceito “que constitui uma multiplicidade incognoscível de sistemas de opressão que operam com base em categorias como como gênero, classe, raça/etnia, idade, deficiência e sexualidade” (POCAHY, p. e sobretudo como ferramenta epistemológica “para compreender-intervir nas formas de regulação sociocultural das subjetividades, especialmente a partir de agências discursivas produtoras de materialidades. raça/ etnia, classe, gênero, sexualidade e localização, entre outros marcadores sociais e culturais de identidade e diferença” (POCAHY, ibidem, p. 21) Somos corpos de gênero que existem no mundo e se apresentam de forma compreensível. de gênero.
A velhice no/do biopoder
Segundo Matos e Vieira (2014), “se hoje existe um número crescente de idosos, isso também deve ser atribuído à medicalização da vida, aos desenvolvimentos da medicina e da biologia, que Foucault caracterizaria como a positividade do poder. ”(pág. 208). Matos e Vieira (2014 apud DEBERT, 1988) contam-nos como “a transformação do envelhecimento num problema social retrata diversas dimensões: o desgaste fisiológico, o prolongamento da vida, o desequilíbrio demográfico e o custo financeiro das políticas sociais”.
Proposta teórico-metodológica
Perspectivas genealógicas na/com a velhices
O movimento de pesquisa sobre políticas públicas e conhecimentos acadêmico-científicos sobre o envelhecimento segue essa perspectiva. Este capítulo analisa como os marcadores de gênero e sexualidade são (des)articulados pelas políticas públicas voltadas à população idosa.
Envelhecimento, poder e governo
Perguntamo-nos, portanto, sobre as formas como alguém é percebido (ao mesmo tempo em que se vivencia) como um sujeito (i)viável e (im)possível à luz desta configuração (bio)política do envelhecimento e da longevidade. Esses conjuntos permitiram compor análises sustentadas em diálogo com os modos de produção, marca e governo da diferença geracional18.
Biopoder, biopolítica e envelhecimento: ferramentas conceituais . 52
E é nesta visão que relacionamos as noções de envelhecimento à biopolítica, na medida em que é através dos mecanismos de regulação da vida que se configuram as noções do que significa ser um sujeito mais velho, quais são os modos de viver que produzem esses temas e que se tornem referências para a compreensão do corpo idoso saudável, útil, produtivo e (in)desejado. Em sua introdução, o documento apresenta um interessante panorama da sociedade daquele período, destacando o processo de envelhecimento da população brasileira com base em dados estatísticos que mostram que a expectativa de vida da população no Brasil cresceu exponencialmente.
Marcadores interseccionados no/com o envelhecimento
Além disso, as transições de género são reconfiguradas no processo de envelhecimento e estão presentes ao longo da vida. Artigo do jornal El País23 (2019) afirma que a expectativa de vida das pessoas trans no Brasil é de 35 anos. Em 2019, esta realidade manteve-se, com um aumento de 7,2% no número de negros mortos, face à relativa estabilidade do número de não negros mortos (aumento de 0,3%).
Apontamentos em andamento
Outros dados, como o encarceramento e a qualidade de vida, apoiam ainda mais as estratégias biopolíticas de quem pode viver e quem pode morrer. Este capítulo se propõe a fazer uma revisão bibliográfica e análise da produção acadêmico-científica sobre a articulação entre idade, velhice e gênero, bem como análise sobre os modos de subjetivação e velhice. Ressaltamos que os modos de pesquisar o envelhecimento se configuram como formas de subjetivação, produzindo determinados sentidos e significados sobre o corpo, especialmente para os idosos.
Caminhos de análise sobre envelhecimento e gênero
Sem dúvida, houve estudos que buscaram essa relação antes, mas não utilizaram o conceito de gênero como categoria de análise, sendo a ideia de sexo biológico mais presente. A quantidade de artigos não selecionados por incompatibilidade com os objetivos representa aqueles que não se referem ao gênero como elemento de problematização, sendo uma amostra estatística que, apesar da apresentação de dados interessantes, não é analisada sob a perspectiva dos estudos de gênero . Nestes casos, o conceito de gênero é utilizado como sinônimo de sexo, que por sua vez é utilizado como representação puramente biológica dos indivíduos.
Gênero como marcador estatístico
Podemos perceber que os dados, quando apresentados apenas como representação da realidade, reforçam a incapacidade dos homens para realizar as tarefas domésticas, em comparação com as mulheres que naturalmente seriam mais capazes de preparar os alimentos. Ao analisar a capacidade funcional de idosos internados em instituições públicas, os autores identificam a maioria das idosas hospitalizadas. Essas análises estão presentes no artigo de Mendonça (2008) sobre o tratamento de mulheres idosas, especialmente sobre o uso de sedativos.
Gênero como categoria de análise
A ênfase colocada no conceito de género realça o impacto destas produções neoliberais sobre os homens mais velhos, uma vez que as produções de género encontram nos homens uma necessidade de produtividade, de segurança, ao longo da vida. De certa forma, as transições geracionais, como a velhice, produzem outros pontos, outros nós e outros bordados, nas teias do género e da sexualidade. Assim, “não podemos pensar em identidades sexuais ou identidades de gênero fora de uma norma, pois elas são em si a marca indelével de um dispositivo” (POCAHY, 2012b, p.367).
Sexualidade e velhice
O que fazer com formas de vida que não se enquadram nas normas biomédicas-psico-sanitárias. Em seu método genealógico, Foucault aponta que as relações humanas já se estabelecem a partir de diferentes formas de exercício do poder. Foi necessário que as noções ordinárias ou consuetudinárias de educação e saúde fossem suspensas para que pudéssemos suspeitar dos modos de desenvolver uma iniciativa de formação em educação para a saúde.
Ancorados nas provocações de Foucault, queremos participar na compilação de uma genealogia da idade que nos permita olhar para os nossos modos de vida. As práticas discursivas relacionadas à idade e ao envelhecimento, bem como a ideia ou noção de saúde, produzem formas de saber intervir na realidade. Que ideias sobre o que significa estar numa determinada idade, estar numa determinada fase da vida (numa vida regulada por passos) são forjadas nos métodos de intervenção com os sujeitos.
Todas as políticas públicas e áreas do conhecimento participam, interferem e intervêm na produção de modos de vida e meios de subsistência.
Pesquisa, saber e modos de subjetividade
Educação em saúde: algumas considerações
Educar para (um)a velhice
Na articulação entre tais formas de exercício do poder, Foucault postula o que chamou de biopoder, que se manifesta no investimento na vida individual e coletiva. Ainda em relação ao poder, é importante notar que para o filósofo francês existem diferenças entre as formas como o poder é exercido. Estas novas formas de conhecimento que serão investidas são justamente os campos do conhecimento, como a saúde e a pedagogia (principais objetos da nossa análise), que se tornam formas de responder às questões sociais e se tornam motivos e mecanismos de intervenção na medida em que que o governo da vida passa a articular diferentes esferas.
Educação e/m saúde: caminhos
Desenvolver-se-ão assim várias tensões na compreensão da educação e da saúde, da velhice e do envelhecimento. Portanto, quando falamos em educação em saúde, é necessário ressaltar que o saber-prática em torno deste campo não é algo estático. Dessa forma, os processos de educação e saúde (MEYER) seguem diversos caminhos, que incluem uma diversidade de campos de conhecimento e de profissionais.
Gênero, sexualidade e envelhecimento: modos de pesquisar-
Metodologia dos encontros
O pressuposto da perspectiva teórico-metodológica da pesquisa-intervenção representa e produz modos de compreensão das pesquisas acadêmicas que se dão por caminhos construídos a partir de referências específicas. A experiência extensionista também pode representar problematizações importantes para o campo da educação em saúde, além de incentivar a produção de práticas discursivas que invistam em formas de compreender a educação e a saúde como formas de subjetivação. Apresentamos sequencialmente os principais pontos de discussão e análise conjunta nas reuniões dos grupos de estudo, analisando como eles se relacionam com os problemas anteriormente levantados de construção de significado e governança em torno do envelhecimento e da velhice.
Forjando ferramentas de in(ter)venção pedagógica
Porém, Fernando, coordenador do grupo de pesquisa que dá origem ao GSE, em outra reunião do grupo, ao falar sobre a agenda, destacou isso. Iniciamos encontros quinzenais, todas as quintas-feiras às 19h, onde discutimos temas propostos na organização do grupo. Com a autorização dos participantes, os encontros foram gravados e posteriormente transcritos, o que facilitou possíveis análises.
Sobre velhices presentes e ausentes: os limites da representação
Os relatos indicam que questões de gênero e sexualidade constituem elementos que afetam diretamente a experiência dos idosos com os serviços de saúde. Essas análises suscitaram outros depoimentos que também trouxeram elementos da experiência profissional em que surgiram conflitos e relacionados aos conceitos de gênero e sexualidade. Alguns dos efeitos dessa forma de produzir políticas públicas de saúde se expressam cotidianamente na vida de sujeitos inconformes de gênero e sexualidade.
Velhices atravessadas: gênero, sexualidade, idade e o
Até que ponto essa falta de cuidado, esse não querer se cuidar, tem a ver com isso? Até que ponto essa falta de cuidado colide com esse ódio ao envelhecimento a ponto de você não querer viver tanto assim? Conversei com C. e comentei um trecho da crônica “Samba e amor a vida vida”, do livro de Pachá, em que uma jovem tem um caso e engravida de um idoso.
Os lugares da velhice
O autor destaca que “no Brasil, ao considerar os aspectos sociais da velhice, ainda é comum a noção de que os idosos são um fardo para a sociedade” (LOPES, 2015, p. 130). E a gente tem outro grupo, outro grupo de idosos né, que ele não consegue alcançar, que são os idosos que estão acamados, que estão em situação de rua, enfim. Fernando, por exemplo, argumenta que “a educação diz ‘olha, você tem que ter uma alimentação saudável’.
Prática e formação profissional
Os temas discutidos e os diálogos produzidos no grupo de estudos impactaram sua prática profissional (em relação ao trabalho com o envelhecimento e/ou ao estudo do tema)? Os conteúdos e discussões no grupo de estudo mobilizaram aspectos da sua vida pessoal e/ou comunitária. As ferramentas digitais utilizadas durante o grupo (como a plataforma Google Meet, Google Drive, WhatsApp, respectivamente para conversação, arquivamento de dados e comunicação) foram facilitadoras, práticas ou não?
Conclusões e aberturas
Nas palavras de Dagmar Meyer (2013), “uma educação que se move como uma maré e inunda o cotidiano dos serviços de saúde”. A vida na sua longevidade apresenta-se como um desafio, pois revela uma série de possibilidades, que se misturam e se encontram. Por uma educação que se move como uma maré e inunda o quotidiano dos serviços de saúde.