2 BREVE HISTÓRICO DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO BRASIL E SUA IMPLEMENTAÇÃO NO CONTEXTO DA POLÍTICA DE EDUCAÇÃO. 3 REFLEXÕES SOBRE O PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM DE LEITURA, ESCRITA E FALA NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS.
AS PRÁTICAS DE ORALIDADE NA EJA
No próximo tópico, discutimos a presença da oralidade como ferramenta na aquisição da escrita e da leitura dos alunos no processo de alfabetização da EJA, procurando refletir sua importância como mecanismo de diálogo e compreensão das trajetórias de vida dos alunos, do modo de ver o mundo, seus gostos musicais, suas formas de comunicação, com o intuito de valorizar a fala desses sujeitos e oferecer-lhes muitas outras possibilidades de comunicação a partir de então. Nesse sentido, apresenta como um dos eixos fundamentais no processo de ensino e aprendizagem o conceito de dialogicidade, assumindo que a escola é um espaço de diálogo, na perspectiva do trabalho coletivo e democrático. Nesse sentido, a escola deve oferecer práticas sociais que utilizem a oralidade e a escrita para promover a formação de cidadãos alfabetizados e motivados a aprender sempre mais.
Considerando a oralidade, também é possível discutir as questões das variações linguísticas regionais, que apresentam o nosso país como um lugar de diversidade linguística. Quando pensamos na prática da oralidade nas aulas de EJA, pensamos também na diversidade cultural do nosso país, com diferentes danças regionais, formas de vivenciar a religiosidade, línguas, e na literatura oral essa diversidade também é muito grande (mitos, enigmas, lendas, trovões, momentos repentinos, cordas, histórias e ensinamentos que são passados de geração em geração).
AS PRÁTICAS DE ESCRITA NA EJA
Mudar a forma como ocorre o processo de aprendizagem é sempre sinônimo de desafios, pois mudar a forma como a alfabetização é ensinada também exige mudanças e novas atitudes das escolas e dos educadores. Considerando que o processo de alfabetização e alfabetização deve ocorrer de forma dinâmica, pois apesar de estarem inextricavelmente e inevitavelmente ligados entre si, a escrita, a alfabetização e o letramento nem sempre são focados como um conjunto pelos estudiosos não o fazem” (TFOUNI, 2004, p. 9). Nesse sentido, consideramos que o processo de alfabetização de Jovens e Adultos, desvinculado da escrita da palavra do mundo, torna o processo de aprendizagem pesado, vazio de sentido.
O processo de aprendizagem deve ser uma construção agradável e não um fardo para a vida do aluno. Após o processo de alfabetização, aumenta a procura por exercícios de leitura e escrita, neste sentido essas práticas devem se tornar um hábito em sala de aula, mas também no cotidiano dos alunos da EJA.
AS PRÁTICAS DE LEITURA NA EJA
No próximo tópico discutiremos as práticas de leitura na EJA, refletindo que aprender a ler e escrever no mundo contemporâneo se apresenta como uma das condições necessárias para a interação entre os sujeitos para a vida em sociedade. Nesse sentido, entendemos a educação como uma ponte para possibilitar que esses sujeitos garantam seus direitos por meio do engajamento em práticas sociais de leitura e escrita de forma dinâmica e criativa. Em meados da década de 1960, o pedagogo Paulo Freire já apontava a falta de temas adequados à prática de leitura e escrita de jovens e adultos trabalhadores.
Freire oferece uma concepção crítica de alfabetização para jovens e adultos.Para ele há dois aspectos cruciais da leitura: a leitura do mundo e a leitura da palavra. As pessoas alfabetizam-se, aprendem a ler e a escrever, mas não incorporam necessariamente a prática da leitura e da escrita, não adquirem necessariamente a competência para usar a leitura e a escrita, para se envolverem nas práticas sociais da escrita: adquirem não necessariamente a capacidade de usar a leitura e a escrita. leem livros, jornais, revistas, não sabem escrever uma carta, um pedido, um depoimento, não sabem preencher um formulário, têm dificuldade para escrever um simples telegrama, para escrever uma carta, não encontram informação numa lista telefónica, num contrato de trabalho, num extracto de facturação, numa bula de medicamentos.
A PESQUISA EM EDUCAÇÃO
Neste capítulo apresentamos o percurso metodológico seguido neste estudo, descrevendo a abordagem que embasou o nosso estudo, o perfil dos sujeitos, o local do estudo, o percurso de recolha de dados e a escolha da análise. Ela “[..] reconhece o conhecimento acumulado na história da humanidade e investe no interesse em aprofundar análises e fazer novas descobertas em benefício da vida humana” (CHIZZOTTI, 2011, p.19). Para Demo (2011, p.17) “[..] a pesquisa é o processo que deve ocorrer em todo percurso educativo, como princípio educativo que constitui a base de qualquer proposta emancipatória”.
Portanto, consideramos a atual pesquisa EJA Ler, Escrever e Falar: Práticas e Mecanismos Entrelaçados que Melhoram o Processo de Alfabetização de grande importância para o contexto da educação de jovens e adultos, pois nos impõe a necessidade de compreender como ocorre o processo . local de aprendizagem para jovens e adultos do Colégio Municipal Dr. No próximo tópico apresentaremos a abordagem metodológica utilizada para desenvolver a pesquisa, considerando que esta escolha é parte fundamental de qualquer pesquisa, pois influenciará sobremaneira os resultados da pesquisa. a pesquisa.
ABORDAGEM METODOLÓGICA DA PESQUISA
Nessa perspectiva, consideramos a pesquisa qualitativa a mais adequada para responder às questões deste trabalho porque seus métodos e técnicas buscam captar elementos que não podem ser quantificados. Dessa forma, tendo optado pela pesquisa qualitativa, focamos na escolha de estudos teóricos para fundamentar a pesquisa, a partir de um estudo exploratório de obras consideradas fundamentais para abordar a temática da educação de jovens e adultos, bem como dos processos de formação oral, escrita e leitura para ampliar nossa discussão e reflexão sobre o tema em estudo. Esta fase foi muito importante, porque nos permitiu reconstruir o caminho que a educação de jovens e adultos percorreu até hoje, e refletir sobre os processos de oralidade, leitura e escrita no contexto daquela modalidade.
Até o momento constatamos que as leituras realizadas no âmbito da Educação de Jovens e Adultos, especialmente em relação aos processos de alfabetização, foram muito importantes para compreender como o processo de oralidade, escrita e leitura cooperam no processo de escrita. Alunos da EJA. Porém, para compreender essa realidade, foi necessário escolher estrategicamente métodos de abordagem do campo e dos assuntos da pesquisa, portanto no tópico a seguir apresentaremos as estratégias metodológicas utilizadas na pesquisa, mostrando detalhadamente como cada uma delas pode contribuir. para o desenvolvimento da pesquisa e o rigor dos seus resultados.
ESTRATÉGIAS METODOLÓGICAS
Incluímos a entrevista no trabalho por entendermos que é necessário compreender melhor as formas como a fala, a escrita e a leitura foram utilizadas no processo de alfabetização dos alunos da EJA. Por isso optamos pela entrevista semiestruturada, pois entendemos que esse tipo de entrevista representa mais flexibilidade e pode proporcionar ao interlocutor um ambiente mais agradável, já que as perguntas podem ser reformuladas para melhor compreender ou aprofundar o assunto. Foi elaborado previamente um roteiro para a entrevista a fim de responder às questões colocadas pela pesquisa, no qual optou-se pelo registro das narrativas com o consentimento dos entrevistados.
Cada entrevista teve uma duração diferente, dado que alguns entrevistados foram mais objetivos nas suas respostas e outros sentiram necessidade de contextualizar um pouco mais as suas respostas. Houve certo nervosismo por parte de alguns dos entrevistados, pois eles ressaltaram, dar entrevista para expor suas opiniões não é algo comum.
CARACTERIZAÇÃO DO CAMPO DA PESQUISA
De acordo com os resultados dos Indicadores Sociais Municipais do Censo Demográfico de 2010, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Bahia ficou em primeiro lugar como o estado com a maior população de analfabetos do país. Segundo dados do IBGE – Censo do ano de 2010, o município de Mutuípe possui uma população de 21.449 habitantes, e deste total, 15.340 são alfabetizados, portanto o município possui uma população relevante de pessoas alfabetizadas que consideram em relação ao estado tornar-se Na próxima sessão apresentaremos o perfil dos sujeitos da pesquisa, que são estudantes da Educação de Jovens e Adultos que vivenciam o processo de.
4 O Índice Básico de Desenvolvimento Educacional (IDEB) é o principal indicador da qualidade da educação básica no Brasil, criado em 2007 e reúne, em um único indicador, os resultados de dois conceitos igualmente importantes para a qualidade da educação: fluxo escolar e desempenho médio nas avaliações. É calculado com base em dados de aprovação escolar, obtidos no Cadastro Escolar, e nas médias de desempenho nas avaliações do Inep, do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) - para as unidades da federação e do país, e da Prova Brasil - para os municípios. , numa escala de 0 a 10.
SUJEITOS DA PESQUISA
5 LEITURA, ORALIDADE E ESCRITA: LIMITES E OPORTUNIDADES NO PROCESSO DE APRENDIZAGEM EJA NO CJR DE MUTUÍPE-BA. Os motivos pelos quais os sujeitos da EJA não frequentam regularmente a escola ou abandonam a escola são diversos, como podemos verificar no relato abaixo. Diante dessa realidade, constata-se que a persistência dos alunos da EJA na escola é um grande desafio para a educação, e que a escola e os professores precisam conhecer as histórias de vida dos alunos e os motivos pelos quais o fazem.
Nesse sentido, os professores devem intensificar as atividades orais e disponibilizar espaços onde os alunos da EJA possam falar. Afinal, é papel da escola fornecer instrumentos para que os alunos da EJA possam adquirir conhecimentos que fazem parte do seu cotidiano e também aqueles que vão além do seu contexto de vida. Com o desenvolvimento desta pesquisa, que teve como objetivo compreender a importância da aquisição da leitura, da escrita e da fala para os alunos da EJA e sua utilização no processo de alfabetização no Colégio Dr.
II DADOS SOBRE A RELEVÂNCIA DA LER, ESCREVER E FALAR PARA ESTUDANTES DA EJA.
PROCEDIMENTOS DE ANÁLISE DE CONTÉUDO E DE DADOS
A RELEVÂNCIA DA APROPRIAÇÃO DA LEITURA, ESCRITA E DA
Conforme apresentado por Paraná (2006), consideramos essencial no processo de aprendizagem que os alunos se conscientizem da importância de estudar, investigar, questionar e levar essa necessidade para além dos muros da escola; que, com o incentivo da instituição e dos professores, possam desenvolver autonomia intelectual, para que possam utilizá-la em qualquer espaço social. Em consonância com Libâneo (2011), entendemos que a escola deve refletir sobre a prática pedagógica da EJA, pois assim como outras disciplinas no processo de aprendizagem, jovens e adultos também necessitam de recursos educacionais para desenvolver suas competências, recursos que ajudem a desenvolver habilidades mentais , e isso torna significativo o aprendizado sobre esses assuntos, pois como bem diz Oliveira (2005, p. 239), “contar algo a alguém não causa aprendizagem ou conhecimento, a menos que o que foi dito possa estar relacionado aos interesses, crenças, valores do ouvinte”. ou conhecimento”. Antes de qualquer tentativa de discutir técnicas, materiais, métodos para uma aula tão dinâmica, é necessário, até mesmo essencial, que o professor “descanse” sabendo que a pedra angular é a curiosidade do ser humano.
Segundo as perspectivas de Freire, o professor desempenha um papel fundamental como articulador do processo de ensino e aprendizagem. Ele é responsável por ajudar a despertar a curiosidade do sujeito, pois é através da curiosidade que a apropriação do conhecimento se torna possível. No avanço do processo de alfabetização, a leitura torna-se indispensável, pois todas as áreas do conhecimento fora da disciplina de português são uma exigência.
LEITURA, ESCRITA E ORALIDADE COMO MECANISMOS
Como pode ser observado nos relatos dos entrevistados, uma das principais consequências de evitar a EJA é a incapacidade de coordenar estudo, trabalho, família e outras obrigações. Nesse sentido, podemos dizer que a sustentabilidade e o desenvolvimento da aprendizagem dos alunos da EJA dependem em grande parte de como a escola se organiza para acolher essa demanda, de como a escola lida com o seu contexto de vida e com a realidade que os cerca. Como podemos perceber, os motivos de evasão entre os sujeitos da EJA estão relacionados a diversos motivos sociais, econômicos e familiares.
A escola deve oferecer práticas pedagógicas que despertem no aluno da EJA a necessidade de falar e expressar seus pontos de vista, valorizá-los e mostrar que tem muito a dizer e contribuir. Em consonância com Marques (2008), temos consciência de que, infelizmente, muitos dos conteúdos e metodologias utilizados nas aulas de EJA não têm contribuído para a formação de sujeitos reflexivos, críticos e autônomos. A pesquisa revela que os alunos da EJA veem o aprendizado da leitura e da escrita como essencial para a aquisição de novos conhecimentos, bem como para a conquista da autonomia, o exercício da cidadania e a participação no convívio social.
O professor deve buscar atividades que garantam ao aluno o direito de acesso ao conhecimento científico, buscando assim tornar esse processo de aprendizagem significativo na vida do aluno da EJA.